Artigos e Opinião

ARTIGOS

A formação do docente contemporâneo: pilares da excelência pedagógica

Não há ensino de excelência sem docentes devidamente qualificados, apoiados por ecossistemas institucionais que promovam sua contínua evolução

Continue lendo...

A educação contemporânea atravessa um momento de profunda ressignificação. Em um cenário marcado por aceleradas transformações sociais, científicas e tecnológicas, a discussão sobre a qualidade do ensino precisa retornar ao seu núcleo fundador: a figura do professor.

Não há ensino de excelência sem docentes devidamente qualificados, apoiados por ecossistemas institucionais que promovam sua contínua evolução.

Para responder a essa urgência, a formação docente deve se estruturar sobre três pilares fundamentais: a formação continuada em tecnologia, a vivência de oficinas e rodas de conversa integradas às semanas pedagógicas e o incentivo permanente à qualificação acadêmica em nível de pós-graduação stricto sensu, os mestrados e doutorados.

Nesse sentido, como educadora há 28 anos, destaco que o primeiro pilar se tornou inadiável. Diante da emergência das ferramentas digitais e da inteligência artificial na educação, é preciso desenvolver no professor um letramento digital crítico, para que ele integre o presencial e o virtual com intenção pedagógica.

Com mediação do professor, a tecnologia pode tornar a aprendizagem mais diversa, autônoma e conectada à realidade.

Agora, o segundo pilar. O fazer docente é essencialmente relacional e dialógico. As semanas de planejamento não podem se resumir a encontros burocráticos de repasse de diretrizes, devem constituir verdadeiros laboratórios de aprendizagem colaborativa e reflexão sobre a própria prática.

As rodas de conversa e as oficinas práticas oportunizam a troca de experiências curriculares, a análise de casos clínicos de ensino e o aprimoramento contínuo da didática específica. 

Assim, o terceiro pilar sugere estimular e viabilizar a titulação stricto sensu para os professores. Isso é garantir que a prática em sala de aula esteja ancorada em evidências científicas, na reflexão epistemológica e na produção de saberes originais.

O professor pesquisador leva para a graduação e para a Educação Básica a dúvida metódica, a capacidade analítica e o compromisso com a investigação rigorosa, qualificando o debate acadêmico e elevando o patamar das instituições às quais se vincula.

Como membro do Conselho de Educação da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em recente reunião de trabalho ao lado de referências nacionais do setor educacional debatemos os caminhos da carreira e da formação docente no Brasil.

Na ocasião, o tema sobre contribuições sobre a necessidade de superar visões corporativistas e integrar competências digitais e inteligência artificial às novas diretrizes de formação foi claramente endossado.

Por aqui, no Insted Centro Universitário, acreditamos que a transformação da educação brasileira só vai acontecer com investimento sistemático na qualificação daqueles que conduzem o processo educativo.

Formar o professor contemporâneo é um compromisso de mão dupla: exige do docente a busca incansável pelo aperfeiçoamento e exige das instituições a oferta de condições materiais, científicas e tecnológicas para que essa jornada seja plena.

ARTIGOS

Capacidade institucional: como transformar potencial em resultados

Ampliar capacidade não significa apenas contratar mais pessoas, adquirir tecnologia, criar estruturas ou aumentar recursos, significa mobilizar melhor aquilo que a organização já tem

02/09/2026 07h35

Continue Lendo...

Nos últimos meses, aqui no Correio do Estado, tenho escrito sobre temas diferentes: confiança, liderança, segurança psicológica, saúde organizacional, pesquisa de clima, comunicação eficaz, gestão de pessoas e aprendizagem organizacional.

Mas, no centro de todos eles, está a mesma questão: capacidade institucional. Quero voltar a ela, num esforço de síntese.

Resultados importam. Mostram onde uma organização conseguiu chegar. Capacidade institucional revela até onde ela ainda pode ir.

Logo, entre aquilo que uma organização realiza e aquilo que ela é capaz de realizar pode existir uma distância enorme.

O que explica esse fosso? Por que algumas organizações conseguem mobilizar melhor o talento, o conhecimento, a criatividade e a energia das pessoas? E por que conseguem gerir melhor a incerteza e transformar tudo isso em resultado?

Parte importante da resposta está nas lideranças. No plural.

Não apenas naquela que ocupa o topo, mas nas muitas lideranças diretas que, diariamente, ampliam ou reduzem o espaço para que outras pessoas pensem, proponham, questionem e assumam responsabilidades.

É nesse nível que a cultura institucional deixa de ser discurso e adquire expressão prática. Confiança, integridade, inovação e valorização das pessoas podem ocupar documentos e discursos institucionais. Mas são as lideranças que mostram, no cotidiano, quanto esses valores realmente valem.

A forma como reagem a uma ideia diferente, a um erro ou a um problema ensina às pessoas se vale a pena falar, contribuir, questionar, experimentar e assumir responsabilidades ou se é mais seguro permanecer em silêncio.

Por isso escrevi que “o maior desafio da liderança é ampliar, continuamente, a capacidade da organização de continuar tendo sucesso”.

Ampliar capacidade não significa apenas contratar mais pessoas, adquirir tecnologia, criar estruturas ou aumentar recursos. Significa mobilizar melhor aquilo que a organização já tem.

Talvez um dos maiores desperdícios esteja aí: no conhecimento que não circula, na boa ideia sem espaço, no talento não desenvolvido, no risco percebido mas não comunicado e nas pessoas capazes de oferecer muito mais.

Confiança e segurança psicológica são condições para que as pessoas cooperem e comuniquem problemas antes que se transformem em crises. Saúde organizacional amplia esse olhar: é uma infraestrutura estratégica para que as pessoas possam oferecer o seu melhor.

A participação das pessoas nas decisões melhora sua qualidade e legitimidade, produz aprendizado e fortalece a motivação.

A efetividade de um sistema de integridade, por exemplo, depende de fazer com que essas condições existam na prática.

Isso amplia a capacidade da organização de compreender o ambiente, identificar riscos e fragilidades e escolher respostas mais adequadas. Sem um bom diagnóstico, corre-se o risco de investir recursos e esforços em respostas que não enfrentam as causas reais do problema.

Duas organizações podem ter profissionais igualmente qualificados, recursos semelhantes e acesso às mesmas tecnologias e, ainda assim, alcançar resultados muito diferentes. A diferença pode estar menos no que têm e mais no que conseguem mobilizar.

Lideranças podem ser decisivas para construir os resultados de um ciclo. Mas fortalecer capacidade institucional também exige reconhecer quando as competências que trouxeram a organização até aqui já não são suficientes para levá-la além.

Isso não significa desconsiderar o que foi construído nem mudar por mudar. Significa compreender que preservar resultados e ampliar capacidade são desafios diferentes. Em alguns momentos, desenvolver lideranças será suficiente.

Em outros, renovar competências e responsabilidades pode ser necessário para abrir espaço a novas capacidades.

Fortalecer capacidade institucional significa transformar mais do potencial existente em melhores decisões, aprendizagem, inovação, cooperação e entregas.

Talvez, então, a pergunta mais importante diante de bons resultados não seja apenas quanto conseguimos realizar até aqui.

É outra: quanto da capacidade que já existe dentro da nossa organização ainda não conseguimos colocar em movimento?

Porque organizações fortes não vivem apenas do sucesso alcançado. Reconhecem o que funciona, preservam o que merece ser preservado e têm a coragem de desenvolver, renovar e transformar o necessário para ampliar sua capacidade de fazer melhor.

EDITORIAL

Justiça eleitoral deve ser sempre célere

Equilibrar a disputa e evitar que as regras sejam violadas é a razão de existir da Justiça Eleitoral; quanto mais acirrada fica uma eleição, maior é a responsabilidade de quem fiscaliza o processo

02/09/2026 07h15

Continue Lendo...

Nesta eleição, como já era esperado, as denúncias de possíveis crimes eleitorais começaram a crescer e, com elas, aumenta também a demanda sobre o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).

O movimento é natural em um período no qual candidatos, partidos e coligações disputam não apenas votos, mas também espaço, visibilidade e vantagem sobre os concorrentes.

Pudera. Eleição não é competição da qual alguém participa com o objetivo de perder. Quem entra em uma disputa eleitoral entra para ganhar. E, entre as estratégias utilizadas para alcançar esse objetivo, está justamente a denúncia de eventuais abusos cometidos pelo concorrente ou adversário.

Cabe à Justiça Eleitoral, portanto, separar aquilo que é efetivamente uma infração daquilo que é apenas uma disputa política travestida de denúncia. Essa tarefa exige equilíbrio, independência e, sobretudo, agilidade.

O que se espera da Justiça Eleitoral é que examine as representações com rigor, mas também com objetividade, atendo-se preferencialmente à letra da lei e evitando que interpretações excessivamente amplas acabem interferindo no processo eleitoral para além do que as próprias regras determinam.

A rapidez, nesse contexto, não é mero detalhe. É uma característica essencial da Justiça Eleitoral.

Diferentemente de outros tipos de processos, nos quais o tempo pode permitir que uma decisão tardia ainda produza seus efeitos, no processo eleitoral o calendário corre contra todos. Uma propaganda irregular, uma informação falsa, um abuso de poder ou qualquer outra conduta proibida pode alcançar milhares de eleitores em poucas horas.

Um crime eleitoral julgado com morosidade, mesmo que posteriormente reconhecido pela Justiça, pode já não produzir o efeito esperado.

O dano à disputa pode ter ocorrido, o eleitor pode ter sido influenciado e o resultado das urnas, eventualmente, pode carregar as consequências de uma violação que não foi interrompida a tempo. Nesse caso, a decisão correta chega quando sua capacidade de reparar o equilíbrio já foi reduzida.

Isso não significa, evidentemente, defender decisões precipitadas ou baseadas apenas na pressão de candidatos e grupos políticos. Rapidez não pode ser confundida com açodamento.

É preciso garantir o contraditório, analisar provas e respeitar o devido processo legal. Mas é igualmente necessário reconhecer que a Justiça Eleitoral tem uma dinâmica própria e que sua efetividade depende da capacidade de agir enquanto os fatos ainda podem ser corrigidos.

A Justiça Eleitoral deve arbitrar as eleições e coibir abusos. Não deve ser instrumento de qualquer candidatura, tampouco transformar toda divergência política em infração.

Seu papel é estabelecer os limites dentro dos quais a disputa pode acontecer de maneira legítima, impedindo que quem desrespeita as regras obtenha vantagem indevida.

Equilibrar a disputa e evitar que as regras sejam violadas é a razão de existir da Justiça Eleitoral. Quanto mais acirrada fica uma eleição, maior é a responsabilidade de quem fiscaliza o processo.

E, quanto maior o número de denúncias, maior deve ser também a capacidade institucional de distinguir o abuso real da estratégia política.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).