Artigos e Opinião

Editorial

Guerra pressiona custos no campo

Sinais vindos do exterior deixam claro que este será um ano exigente, e a guerra já mostra que seus impactos são próximos. Os desafios estão postos , ignorá-los não é uma opção

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A economia globalizada faz com que conflitos distantes tenham efeitos imediatos em diferentes regiões do planeta. A guerra no Oriente Médio é mais uma prova disso. Ainda que o cenário bélico se concentre a milhares de quilômetros, seus reflexos já começam a ser sentidos no Brasil e, de forma particular, em Mato Grosso do Sul.

Não se trata de uma hipótese distante, mas de impactos concretos que atingem custos de produção, logística e, inevitavelmente, o bolso do consumidor.

Há duas razões principais para essa repercussão imediata. A primeira é a interconexão da economia mundial, que faz com que preços de energia, transporte e insumos reajam rapidamente a qualquer instabilidade geopolítica. A segunda é a característica produtiva do Estado.

Mato Grosso do Sul é um grande polo agrícola e, portanto, altamente sensível a oscilações no custo de combustíveis e fertilizantes. Quando esses itens sobem, o impacto não é apenas contábil, ele se espalha por toda a cadeia produtiva.

Os primeiros sinais já aparecem no preço do óleo diesel. O combustível é essencial para o transporte de insumos, para o funcionamento de máquinas agrícolas e para a logística da produção.

Qualquer elevação repercute diretamente nos custos do campo e do transporte. Em seguida, surge a pressão sobre os fertilizantes, cuja dependência do mercado internacional é elevada.

A instabilidade no fornecimento global e a valorização desses produtos já indicam que os produtores terão de arcar com despesas maiores na próxima safra.

O aumento no preço dos alimentos, entretanto, tende a levar mais tempo para se materializar. Esse intervalo cria uma situação delicada: os custos sobem agora, mas a remuneração do produtor demora a acompanhar.

Nesse período, o campo fica pressionado, absorvendo parte do impacto e assumindo riscos maiores. Caso o cenário se prolongue, a inflação dos alimentos se torna praticamente inevitável, com reflexos diretos para toda a população.

Diante desse quadro, o poder público precisa agir com prudência e antecipação. O primeiro passo é a responsabilidade fiscal e a economia de recursos, algo que não se constrói de um dia para o outro, mas exige planejamento e disciplina.

Ao mesmo tempo, é necessário preparar políticas para um possível cenário inflacionário, que pode exigir medidas de contenção e apoio a setores estratégicos.

No campo, a palavra-chave passa a ser gestão. Medidas preventivas, planejamento de compras, eficiência no uso de insumos e estratégias de redução de custos se tornam fundamentais.

Ainda assim, há um fator que foge ao controle humano: o clima. Uma safra favorecida por boas condições climáticas pode amenizar parte dos efeitos negativos; o contrário ampliaria ainda mais os desafios.

Os sinais vindos do exterior deixam claro que este será um ano exigente. A guerra distante já mostra que seus impactos são próximos.

Antecipação, prudência e boa gestão serão essenciais para atravessar um período em que as variáveis externas terão peso crescente sobre a economia regional. Os desafios estão postos – e ignorá-los não é uma opção.

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ARTIGOS

Janela (porta) partidária fidelidade

Com duração de 30 dias, neste ano será até o dia 3 de abril, e está disponível apenas para os deputados federais, estaduais e distritais

26/03/2026 07h30

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A chamada “janela partidária” – regulamentada pela legislação eleitoral, Lei nº 13.165/2015, e ainda pela EC nº 91/2016 – é na verdade “uma porta” para a troca partidária.

Após a decisão do TSE de que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato eleito, estabeleceu-se um novo momento para aqueles que, sem qualquer tipo de pudor, se elegessem por um partido e ao fim de cada mandato fizessem um verdadeiro périplo pelas demais agremiações.

Fora desse momento chamado de “janela”, mas que a bem da verdade se trata de uma porta, porque não exige qualquer esforço ou justificativa para a mudança de sigla, a desfiliação partidária exige comprovada “justa causa”, conforme preceitua o art. 22-A, caput, da Lei nº 9096/95.

Destaque-se que a mencionada “janela” tem duração de 30 dias – neste ano até o dia 3 de abril – e está disponível apenas para os deputados federais, estaduais e distritais.

Uma pergunta cabível é: a fidelidade partidária é mesmo necessária? Responder se afigura algo um tanto complexo porque vivemos em um país em que a “fidelidade”, em toda extensão da palavra, é algo que rememora compromisso, cumprimento de obrigações, lealdade ou ainda simplesmente “ser fiel”.

Assim, como estamos falando de políticos detentores de mandatos eletivos, essa “fidelidade” deveria ser muito mais direcionada ao relacionamento entre o eleitor e o eleito, porque o primeiro é o único a possibilitar o ingresso do segundo no mandato.

De nada adianta o partido, seu programa, se não houver o eleitor para que o sufrágio possa existir, mas a legislação eleitoral, como dito, afirma que o mandato pertence ao partido, exceto quando o exercente desse mandato resolve trocar de partido na citada “janela”.

Neste caso, o mandato deixa de ser do partido por 30 dias. Simples assim.

Voltando ao tema da “janela partidária”, resta claro que acaba por ser uma porta para que os interessados possam, em seus pessoais e exclusivos interesses, procurar uma outra agremiação na qual tenham melhores chances de buscar uma reeleição, em que o chamado Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, denominado Fundo Partidário, e ainda o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) asseguram vultosa quantia (R$ 4,9 bilhões), para partidos, campanhas e eleições, retirada do Orçamento da União e de outras origens.

Estamos a ouvir as mais diversas “justificativas” para o uso da “janela”, mas é importante lembrar que o aval a tais mudanças terá de ser dado pelos eleitores no dia 4 de outubro, primeiro turno, e no dia 25 de outubro, o segundo.

Temos então, como eleitores, a responsabilidade, se eleito/reeleito o nosso candidato, de o acompanhar no exercício do mandado, e mais, temos o dever de exigir fidelidade ao nosso voto, ainda que uma possível justa causa possa advir e que uma nova “janela” um dia vá se abrir.

A novidade das próximas eleições se refere à data da posse do presidente eleito, que acontecerá em 5 de janeiro de 2027, e dos governadores eleitos, no dia seguinte.

Enfim, essa verdadeira porta está quase a fechar e são grandes os movimentos de mudança de partido, e sem dúvidas é um grande “vai e vem” e são conhecidas muitas “verdades” político-partidárias, com muita ênfase nas federações partidárias que se destinam a salvar os chamados partidos nanicos de seu total desaparecimento, ante a chamada cláusula de barreira.

Viveremos neste ano mais um período em que os discursos dos detentores de mandatos eternos serão no sentido de que foram, são e continuarão sendo os melhores, quando, a bem da verdade, deveriam ter a consciência de que a renovação é um dos pilares da democracia e que o continuísmo é retrocesso inquestionável.

Assim, uma reforma política visando não permitir as reeleições reiteradas é necessidade imperiosa, mas difícil, pois quem tem competência para propô-la é exatamente quem não quer deixar que o continuísmo seja interrompido.

A responsabilidade, volto a dizer, é transferida diretamente para cada um de nós, eleitores, que precisamos decidir com nosso voto se reelegeremos aqueles que insistem em transformar mandatos eletivos em profissão.

Como sabemos, para transpor uma janela é preciso mais esforço, já uma porta…

EDITORIAL

Gestão da Saúde sob novo teste

No fim das contas, o debate não deve se limitar à forma de gestão, mas ao resultado entregue ao cidadão. O novo modelo deve reduzir filas e ampliar atendimentos

26/03/2026 07h15

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A decisão de Campo Grande de transferir a gestão dos Centros Regionais de Saúde 24 horas para organizações sociais inaugura um novo capítulo na administração pública municipal. Trata-se de uma medida que desperta debates legítimos, tanto pela sensibilidade do tema quanto pela importância estratégica dessas unidades para a população.

Ainda assim, é preciso reconhecer que a proposta, se bem estruturada, pode representar uma oportunidade concreta de melhoria no atendimento.

A rede de saúde pública enfrenta desafios conhecidos: filas, demora, falta de profissionais, problemas de gestão e dificuldade para garantir atendimento digno e eficiente. Esses obstáculos não são exclusivos da capital sul-mato-grossense, mas atingem boa parte do País.

Diante desse cenário, testar novos modelos administrativos deixa de ser apenas uma alternativa e passa a ser uma necessidade. A população merece serviços mais ágeis, humanizados e resolutivos, sobretudo nas unidades de atendimento 24 horas, que funcionam como porta de entrada para milhares de cidadãos.

A experiência com organizações sociais já foi adotada em diferentes localidades, com resultados variados. Há casos de sucesso, com ganho de eficiência, maior flexibilidade na contratação de profissionais e melhor organização dos serviços.

Contudo, também existem exemplos negativos, marcados por falta de controle, desperdício de recursos e até denúncias de irregularidades. Por isso, o êxito da iniciativa não depende apenas do modelo escolhido, mas da forma como ele será implantado e fiscalizado.

É justamente nesse ponto que reside a principal atenção. O Município precisa estabelecer mecanismos rigorosos de controle, com metas claras, indicadores de desempenho e avaliação permanente dos resultados.

A transparência deve ser total, com divulgação de contratos, custos, metas e relatórios de desempenho. A sociedade tem o direito de saber como os recursos públicos são aplicados e quais melhorias estão sendo efetivamente alcançadas.

Outro aspecto essencial é a atuação dos órgãos de controle. O acompanhamento próximo do Ministério Público será fundamental para garantir que o modelo não se desvie de seu objetivo principal: melhorar o atendimento à população. A fiscalização preventiva evita distorções e fortalece a credibilidade da iniciativa.

No fim das contas, o debate não deve se limitar à forma de gestão, mas ao resultado entregue ao cidadão. Se o novo modelo for capaz de ampliar o acesso, reduzir filas e qualificar o atendimento, terá cumprido seu papel.

O mais importante é assegurar que os bilhões destinados à Saúde sejam aplicados com eficiência, responsabilidade e foco em quem mais precisa. A população não espera apenas mudanças administrativas, mas melhorias concretas no cuidado com a vida.

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