Artigos e Opinião

Editorial

Incertezas não abalam exportações

Chama atenção a diversificação dos parceiros comerciais. Ampliar mercados reduz a dependência de um único destino e aumenta a segurança das exportações

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O desempenho das exportações de Mato Grosso do Sul em março merece destaque. O Estado registrou o melhor resultado de sua história para o período, acompanhando um movimento semelhante ao observado no cenário nacional.

O Brasil também apresentou volume expressivo de vendas ao exterior, mesmo em um contexto marcado por incertezas no comércio global, tensões geopolíticas e desaceleração em algumas das principais economias do mundo.

Em tempos como os atuais, alcançar números positivos não é apenas um dado estatístico: é um sinal de resiliência e de competitividade.

Há, portanto, razões para comemorar. Poucos países têm conseguido manter desempenho macroeconômico consistente diante de um ambiente internacional instável.

O avanço das exportações demonstra que o setor produtivo, especialmente o agronegócio e a indústria de base, segue respondendo de forma eficiente à demanda externa.

No caso de Mato Grosso do Sul, esse resultado reforça a importância estratégica do Estado na pauta exportadora brasileira, consolidando sua posição como fornecedor relevante de alimentos e insumos para o mercado internacional.

Um saldo positivo na balança comercial representa mais do que números favoráveis, significa crescimento econômico, entrada de recursos externos e maior circulação de renda.

Esses fatores contribuem para fortalecer a economia local, estimular investimentos e gerar empregos.

Além disso, a entrada de divisas ajuda a sustentar a moeda nacional, reduzindo pressões cambiais e criando condições mais estáveis para o planejamento econômico.

O impacto, portanto, se espalha por diferentes setores e beneficia tanto o ambiente produtivo quanto o consumidor.

Outro aspecto relevante é a resiliência do comércio exterior. Mesmo com oscilações no cenário internacional, Mato Grosso do Sul e outras unidades da Federação continuam encontrando espaço para seus produtos.

Esse comportamento indica que há competitividade, qualidade e capacidade logística suficientes para manter o fluxo de exportações.

Em um mundo cada vez mais marcado por disputas comerciais e rearranjos geopolíticos, essa consistência é um diferencial importante.

Também chama atenção a diversificação dos parceiros comerciais. Ampliar mercados reduz a dependência de um único destino e aumenta a segurança das exportações.

Ao fortalecer relações com diferentes países, o Estado demonstra confiabilidade e capacidade de atender demandas variadas.

Esse movimento sinaliza ao mundo que Mato Grosso do Sul é um parceiro estável, capaz de manter boas relações comerciais e cumprir compromissos mesmo em cenários adversos.

Manter esse ritmo é fundamental. O comércio exterior tem sido um dos motores do crescimento econômico e um indicador de que, apesar das incertezas, o Estado continua avançando. Exportar mais significa produzir mais, gerar renda e consolidar a presença no mercado internacional.

Em tempos de volatilidade global, resultados como o de março reforçam a confiança de que seguimos no caminho certo, com uma economia que se mostra preparada para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades.

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Editorial

Repensar o Hospital Municipal

A segunda licitação sem interessados deve ser encarada como um alerta. Quando uma estratégia não produz os resultados esperados, cabe ao gestor público ter a humildade de revê-la

20/06/2026 07h15

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A construção de um hospital municipal em Campo Grande é uma necessidade há muito debatida e que dificilmente encontra oposição.

Em uma cidade que concentra atendimentos de alta complexidade e recebe pacientes de praticamente todas as regiões de Mato Grosso do Sul, ampliar a estrutura de saúde pública é uma demanda permanente.

O problema não está no objetivo, mas no caminho escolhido para alcançá-lo.

Nesta edição, mostramos que a licitação lançada pela Prefeitura de Campo Grande para viabilizar o Hospital Municipal ficou deserta pela segunda vez.

Nenhuma empresa apresentou proposta. O fato, por si só, merece uma reflexão mais profunda. Quando o setor privado não demonstra interesse em participar de um projeto dessa magnitude, é preciso compreender as razões.

O Município apostou no modelo BTS, sigla para built to suit. Nesse formato, a iniciativa privada constrói a estrutura e depois recebe pagamentos por meio de um contrato de aluguel de longo prazo.

Em teoria, trata-se de uma alternativa capaz de acelerar investimentos sem exigir que o poder público desembolse imediatamente os recursos necessários para a obra.

Mas a realidade mostrou que algo não está funcionando. Se duas tentativas consecutivas terminaram sem interessados, é sinal de que o mercado não enxerga, nas condições atuais, uma oportunidade suficientemente atrativa para assumir os riscos do empreendimento.

Diante desse cenário, insistir no mesmo modelo sem promover ajustes pode significar apenas mais atraso. O momento exige que a administração municipal reavalie a estratégia adotada e examine outras possibilidades.

Uma delas é seguir um caminho semelhante ao utilizado pelo governo do Estado em empreendimentos hospitalares.

Em vez de limitar a parceria à construção do prédio, seria possível estruturar uma parceria público-privada mais ampla, envolvendo também a gestão de atividades-meio e a operação de serviços de apoio.

Esse formato pode aumentar o interesse dos investidores e melhorar a sustentabilidade econômica do projeto.

Outra alternativa é buscar recursos federais, emendas parlamentares e linhas de financiamento específicas para executar diretamente a obra.

Embora seja improvável que o Município disponha de recursos próprios suficientes para construir sozinho um hospital desse porte, existem mecanismos institucionais que podem ajudar a viabilizar o empreendimento.

O que não pode acontecer é a paralisação da ideia. Campo Grande continua precisando ampliar sua rede pública de saúde.

A população não está preocupada com a modalidade contratual adotada, o cidadão quer mais leitos, atendimento mais rápido e serviços de qualidade.

A segunda licitação sem interessados deve ser encarada como um alerta, e não como um ponto final. Quando uma estratégia não produz os resultados esperados, cabe ao gestor público ter a humildade de revê-la.

O importante não é defender um modelo específico, mas encontrar a solução mais eficiente para entregar à população uma estrutura que há anos é considerada necessária.

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Artigo

Velhices no plural: combater o etarismo começa pelo olhar

Os velhos, os indivíduos que estão na fase da velhice, têm uma história vivenciada, de suas experiências, de suas relações

19/06/2026 07h45

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Quais são os lugares dos velhos na nossa sociedade? Sim, lugares, pois não há uma única forma de se viver a velhice, mas diversas: são velhices.

Os velhos, os indivíduos que estão na fase da velhice, têm uma história vivenciada, de suas experiências, de suas relações.

Têm também um futuro, no qual podem constituir projetos e viver a velhice com uma potência criativa. Ser quem se é, a partir do que se constituiu ao longo da vida, e poder se recriar mantendo a sua autenticidade.

Vou perguntar de outro jeito, mais pessoal: O que é a velhice para você? Qual é o seu olhar destinado aos velhos? As suas respostas foram positivas? Ou foram estereotipadas e generalizadas, a partir de concepções negativas? Lá no fundinho, você encontra em si uma série de preconceitos que se manifestam nas piadas, olhares de pena ou de intolerância, uma falta de paciência, uma grosseria, uma violência? A isso chamamos etarismo: estereótipos, preconceitos e discriminação em relação à idade, segundo o Relatório Mundial sobre o Idadismo (2022) e o Relatório da Comissão da Organização Mundial da Saúde sobre Conexão Social (2025).

O que parecem ser somente ideias inofensivas, bobagens, produzem efeitos reais deletérios para os velhos: adoecimento, isolamento, sentimentos de exclusão e de solidão (OPAS, 2022; OMS, 2025). As ideias se propagam em ações discriminatórias às quais os velhos se identificam.

E então, por onde ir? Como mudar essa situação? Temos algumas alternativas. Diante o desrespeito, a mudança pelo reconhecimento, nas relações pessoais mais próximas, da família, dos amigos e dos amores; na inclusão de pertencimento comunitário e social, pois a ideia de que os velhos querem descansar é errônea, não se confirma na vida real.

E, por fim, o espaço de reconhecimento pelo acolhimento, pela escuta, pelo diálogo e pelas trocas de experiências entre todas as gerações.

Enfrentar o etarismo exige, antes de tudo, torná-lo visível. É um fenômeno que se sustenta em práticas cotidianas e, por isso mesmo, precisa ser reconhecido, nomeado e compreendido para que possa ser efetivamente combatido.

O caminho passa pela educação, pelo desenvolvimento da empatia e pela construção de relações que favoreçam a convivência entre as gerações e a troca de experiências.

Não se trata apenas de uma mudança individual, mas de um compromisso coletivo com uma sociedade que reconheça a velhice em sua diversidade, potência e dignidade. 

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