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Mateus Boldrine Abrita: Inovação e Desenvolvimento Econômico na Região Centro-Oeste

Mateus Boldrine Abrita é Professor de Economia e Geografia da Uems

Redação

13/03/2017 - 01h00
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Um grande desafio que se impõe a região Centro-Oeste, no âmbito econômico, é promover uma mudança estrutural produtiva no sentido de incentivar os setores e produtos com elevados conteúdos tecnológicos, de alto valor agregado, que transbordam seus benefícios para todos os setores da economia possibilitando a formação de um círculo virtuoso de crescimento e desenvolvimento econômico.

O economista e cientista político austríaco Joseph Alois Schumpeter, afirmava, principalmente em sua obra Capitalismo, Socialismo e Democracia de 1942, que um dos fatores essenciais do capitalismo é possuir um processo de mutação industrial que surge de dentro do sistema e incessantemente revoluciona a estrutura e a dinâmica econômica, destruindo a velha e criando uma nova. Essa constante evolução é nomeada de destruição criativa. Assim, novos produtos, empresas e processos destroem velhos produtos, empresas e processos, abrindo espaço para o desenvolvimento.

Nesse contexto, o economista Christopher Freeman ajudou a conceituar os chamados sistemas de inovação, que seriam um conjunto de instituições, organizações, entidades e empresas, que objetivam contribuir para a criação, absorção e difusão de inovações. Algumas entidades são: empresas privadas, públicas, ministérios, secretarias, Universidades, Institutos de pesquisa e educacionais, agências de fomento financeiras e não financeiras... Ou seja, um sistema de inovação está relacionado com uma criação e fortalecimento institucional para a cooperação, aprendizado, interações que criem um ambiente favorável à criação e difusão de novas tecnologias.

Observando a realidade do Centro-Oeste por meio de dados do IBGE e outros institutos constata-se que ocorreram melhoras no “lado mais científico” como, por exemplo, no número de pesquisadores, instituições, artigos científicos publicados, número de doutores. Mas, quando se analisa o setor produtivo, nota-se que algumas mazelas se apresentam. Deste modo, alguns desafios a serem vencidos são: elevar a cooperação entre empresas, Universidades e Institutos de Pesquisa; buscar um maior ineditismo nos produtos inovadores; elevar o número de pós-graduados nos setores de Pesquisa e Desenvolvimento das empresas, elevar o percentual de pessoas ocupadas com Pesquisa e Desenvolvimento que possuam dedicação exclusiva; no que diz respeito ao apoio governamental, não focar apenas nos financiamentos as compra de máquinas e equipamentos utilizados para inovar e sim, também, apoios aos projetos de Pesquisa e Desenvolvimento e inovação tecnológica em parceria com Universidades e institutos de pesquisa. 

Minimizando esses problemas, a região Centro-Oeste poderá desenvolver um sistema de inovação mais maduro que seja capaz de produzir novos produtos, processos e inovações, criando alicerces para impulsionar o desenvolvimento econômico e tecnológico da região e, por conseguinte do Brasil.

ARTIGOS

Quando a busca por saúde coloca a vida em risco

O rótulo "100% natural" muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo

05/10/2026 07h25

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Minha avó sempre dizia que não existem soluções simples para problemas difíceis, e levei anos para entender o quanto ela tinha razão. Hoje, como endocrinologista, vejo essa verdade se repetir todos os dias.

No consultório, acompanho principalmente pacientes com obesidade e mulheres na menopausa. Quanto mais estudo essas condições, mais percebo que ambas envolvem uma fisiologia profundamente complexa.

Na obesidade, ocorre uma desregulação dos hormônios responsáveis pelo controle da fome e da saciedade. Já na menopausa, há uma queda significativa na produção dos hormônios femininos. Em comum, as duas deixam as pessoas mais vulneráveis a promessas de soluções rápidas.

Nas redes sociais, porém, essa complexidade vira mercadoria e é reduzida a fórmulas simplistas. Surgem o “chá seca-barriga” para emagrecer e a “fórmula mágica” para aliviar o cansaço e os fogachos da menopausa.

Afinal, quem não gostaria de uma solução rápida?

O problema é que o rótulo “100% natural” muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo. Natural, porém, não é sinônimo de seguro. A cocaína é derivada de uma planta e nem por isso seu uso é recomendado.

O grande risco por trás dessas promessas reside na adulteração criminosa de chás e suplementos com potentes fármacos sintéticos.

E isso não é especulação: laudos da Polícia Científica de Santa Catarina já identificaram substâncias como anfetaminas, antidepressivos, ansiolíticos e até alucinógenos em pílulas emagrecedoras e outros produtos vendidos livremente na internet como “naturais”.

Nos Estados Unidos, o cenário se repete, com dezenas de suplementos para perda de peso recolhidos por conterem substâncias farmacológicas não declaradas no rótulo.

A exposição contínua a essas substâncias pode sobrecarregar órgãos vitais e o sistema cardiovascular, provocando reações adversas graves. Os usuários relatam desde sede excessiva e dores de cabeça até tonturas intensas e episódios de perda de consciência, que podem levar à internação em unidades de terapia intensiva.

Parte desse perigo decorre também da combinação de diferentes compostos farmacológicos, em dosagens desconhecidas e sem controle sanitário. Nessas condições, transformam-se em verdadeiras bombas-relógio para o organismo, capazes de causar complicações graves e até a morte.

Os dados mostram que não se trata de casos isolados. Entre 2020 e 2025, 63% dos processos de investigação instaurados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolveram suplementos alimentares irregulares, muitos deles associados a promessas de resultados estéticos milagrosos.

A agência mantém, inclusive, uma extensa lista de emagrecedores proibidos que, infelizmente, continuam circulando de forma clandestina.

Mas os danos não se limitam à saúde física. Quando a primeira “solução milagrosa” fracassa, surge a frustração.

O resultado não corresponde à promessa, e a culpa aparece: por que tanta gente conseguiu e eu não? Esse sentimento de fracasso aprofunda a vulnerabilidade e alimenta um ciclo perigoso. A pessoa continua buscando soluções rápidas, gastando dinheiro, perdendo tempo e colocando a saúde em risco.

O fato é que o verdadeiro tratamento da obesidade não cabe em uma cápsula comprada às escondidas na internet. Ele exige uma equipe multidisciplinar, mudanças progressivas no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos com critério e monitoramento.

Vale, então, uma pergunta honesta: a busca é realmente por saúde ou por um padrão estético a ser atingido a qualquer custo? Enquanto não enfrentarmos essa pergunta com honestidade, continuaremos reféns de promessas fáceis e dispostos a arriscar a própria saúde por qualquer solução que prometa bem-estar imediato.

EDITORIAL

MS escolheu continuar avançando

A reeleição de Eduardo Riedel no primeiro turno confirma a aprovação ao modelo de gestão e abre caminho para mais investimentos e crescimento em MS

05/10/2026 07h15

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A população de Mato Grosso do Sul mostrou nas urnas que aprovou o projeto conduzido pelo governador Eduardo Riedel (PP). A votação expressiva que garantiu a reeleição no primeiro turno, de maneira muito mais tranquila do que há quatro anos, representa mais do que a escolha de um nome para comandar o Estado.

É também um reconhecimento ao modelo de gestão adotado nos últimos anos e uma sinalização de que a população deseja que esse caminho tenha continuidade.

Riedel recebeu das urnas uma demonstração de confiança. Em uma eleição marcada por diferentes projetos políticos, o eleitorado optou pela continuidade. O resultado não deixa dúvida de que a maioria aprovou o trabalho realizado e entende que o Estado está no caminho correto.

Somados os dois primeiros mandatos de Reinaldo Azambuja (PL), eleito senador ontem, serão 16 anos de administração conduzida pelo mesmo grupo político. É tempo suficiente para avaliar resultados. E, até aqui, os indicadores mostram avanços importantes para Mato Grosso do Sul.

Nesse período, o Estado recebeu mais de R$ 100 bilhões em investimentos. A indústria de celulose, a bioenergia e outras atividades produtivas ajudaram a transformar a economia sul-mato-grossense, atraindo capital, ampliando a produção e criando novas oportunidades de emprego e renda.

Investimentos dessa dimensão movimentam a construção civil, o comércio, os serviços, a logística e uma extensa cadeia de fornecedores, além de ampliar a arrecadação e a capacidade de investimento público.

Mato Grosso do Sul ainda precisa melhorar sua infraestrutura, ampliar a qualidade dos serviços públicos, reduzir desigualdades regionais e preparar suas cidades para o crescimento. O desenvolvimento precisa transformar os ganhos econômicos em melhoria concreta da qualidade de vida.

Mas é preciso reconhecer o que foi feito. A população reconheceu nas urnas os avanços registrados pelo Estado e decidiu dar continuidade ao projeto. Essa escolha traz uma responsabilidade ainda maior para o governo reeleito: entregar mais e fazer melhor.

O resultado eleitoral deve ser interpretado como uma oportunidade para aprofundar aquilo que deu certo e corrigir o que ainda precisa ser melhorado. A confiança recebida precisa ser transformada em trabalho, planejamento e responsabilidade fiscal.

Mato Grosso do Sul tem condições excepcionais para continuar crescendo. Que os próximos anos sejam marcados por mais investimentos, mais empregos, melhor infraestrutura e serviços públicos eficientes. A população reconheceu os avanços. Daqui, esperamos que Mato Grosso do Sul continue avançando.

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