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O Banco Master e o preço da desordem jurídica no Brasil

A perplexidade não decorre de lacuna normativa, ao contrário

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É sintomático e francamente constrangedor que, em pleno século 21, ainda se discuta no Brasil quem deve guardar bens apreendidos em investigações criminais, a exemplo do caso do Banco Master.

Na era da inteligência artificial (IA), da automação de processos decisórios e da hiperconectividade, seguimos tropeçando num problema elementar de organização institucional: a custódia da prova material.

A perplexidade não decorre de lacuna normativa. Ao contrário. O Código de Processo Penal, aliado a uma constelação de leis especiais, estabelece com clareza a lógica da apreensão, da guarda, da restituição, da alienação antecipada e da destruição de bens – especialmente no que tange drogas, crimes financeiros e lavagem de capitais.

A regra é simples: durante a fase investigativa, a custódia compete à Polícia Judiciária. Concluído o inquérito e remetidos os autos, a responsabilidade migra para o Poder Judiciário, que dará a destinação final legalmente prevista.

Portanto, percebe-se que o problema (grave, agudizado) não é jurídico – é institucional.

Na prática cotidiana, especialmente nas grandes operações, o que se observa é a permanência indevida de veículos, de valores em dinheiro (independentemente da moeda), de armas e de entorpecentes em pátios improvisados, ou em delegacias e em depósitos precários – uma distorção histórica, que impõe às Polícias Civis e, em menor escala, à Polícia Federal (PF) encargos logísticos que não lhes competem, comprometendo a cadeia de custódia, a integridade da prova, a saúde funcional dos servidores e, não raramente, gerando riscos correcionais e responsabilizações indevidas a escrivães e a delegados.

Como se não bastasse, assiste-se, agora, a um novo grau de disfuncionalidade: a disputa aberta entre órgãos, como o Ministério Público (MP), a PF e, por vezes, o próprio Judiciário, acerca de qual instituição deve exercer a guarda e o controle de bens ainda na fase investigatória – em regra, prolongada, artificialmente, por decisões legais teratológicas.

Não raro, a controvérsia deixa de ser técnica e passa a ser simbólica: uma disputa por protagonismo, por poder e por controle de informação.

Este deslocamento indevido produz efeito perverso: subtrai-se da autoridade policial o acesso regular a elementos probatórios essenciais e, simultaneamente, impõe-se a ela uma custódia que a legislação não autoriza, nem estrutura. O resultado é insegurança jurídica, fragilização probatória e erosão da racionalidade institucional.

A solução para o tema em tela não exige genialidade. Requer seriedade republicana: centros de custódia estruturados, com direito a controle tecnológico rigoroso; rastreabilidade integral da cadeia de guarda; monitoramento automatizado; e protocolos claros de acesso – além, evidentemente, do cumprimento estrito da lei vigente. Ora, o Estado que não sabe guardar sua própria prova compromete sua capacidade de fazer Justiça.

Quando decisões judiciais alargam competências constitucionais, pulverizam responsabilidades e estimulam sobreposições institucionais, o sistema deixa de funcionar como engrenagem e passa a operar como arena.

Neste ambiente, prospera a instabilidade, se enfraquece a persecução penal e, paradoxalmente, se fortalece o crime organizado – que assiste, a distância, à anulação recorrente de investigações contaminadas por disputas não republicanas.

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Nossos inimigos não são quem imaginamos

O momento atual da humanidade realmente não é dos melhores e às vezes temos a sensação de que estamos em um caos

22/01/2026 07h45

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Eu acredito na humanidade. Com todo egoísmo e materialismo em que a consciência humana ainda está presa, precisamos admitir que estamos evoluindo.

Já tivemos várias engenhocas de torturas, já queimamos pessoas em fogueiras, já nos escravizamos, dizimamos populações nativas. Ainda somos cruéis, mas o nível de crueldade vem diminuindo. Já não toleramos mais discriminações.

A quantidade de organizações humanitárias aumentou consideravelmente nas últimas décadas. Não admitimos maus-tratos a animais e uma agenda verde é consolidada globalmente.

Apesar de tantas crescentes, o momento atual da humanidade realmente não é dos melhores e às vezes temos a sensação de que estamos em um caos. Em meio a uma transição de um mundo analógico para um digital, as gerações não conseguem se entender. Pais não estão sabendo lidar com os filhos.

Falamos mal das gerações novas, mas esquecemos que são frutos da anterior. A saúde mental vai de mal a pior, com níveis de depressão, síndrome do pânico e burnout aumentando a cada ano. Colocamos a culpa no estresse do trabalho. Mas por que crianças estão tendo os mesmos sintomas, sem trabalhar?

A economia também não vai bem. Crises mundiais têm sido cada vez mais frequentes. O socialismo fracassou e o capitalismo se transformou de um sistema de produção em um de consumo. O desafio agora é criar no inconsciente coletivo a necessidade de consumir.

Ou você tem tudo que o seu entorno tem ou vai se sentir inferior. Como consumir mais se o aumento de produção para atender à demanda esbarra em uma agenda verde? Estudos dizem que se o planeta todo tivesse um nível de consumo do americano, precisaria de uma área equivalente a quatro Terras para produzir o necessário. A conta não fecha.

A visão pode parecer um caos, mas é somente mais um ciclo que precisamos atravessar para a evolução. Que as coisas vão se ajeitar é fato, mas, como não estaremos aqui para olhar da plateia, só nos resta refletir sobre soluções para começar a melhorar.

A meu ver, o primeiro ponto é parar e fazer uma avaliação da consciência humana nesse momento do mundo.

Os inimigos nós já elegemos, o carbono, os bilionários e as pessoas de esquerda ou de direita, sempre quem pensa diferente de nós. Será que eles são realmente inimigos ou somente fruto da nossa própria forma de enxergar a vida?

Temos a necessidade de apontar culpados para o que não queremos ver em nós. Queremos diminuir a emissão de carbono, mas não aceitamos reavaliar o nosso consumo pessoal. Compramos o que desejamos, e não o que precisamos.

Falamos mal dos bilionários, mas esperamos que a economia do nosso país cresça e ofereça melhores oportunidades, esquecendo que são eles que têm talento para fazer negócios prosperarem.

Reclamamos da intolerância de pessoas de partidos contrários, mas não enxergamos que estamos, assim, nos dividindo em grupos políticos e ideológicos. Se o momento que vivemos é desafiador, precisamos nos unir, e não nos dividir.

Estamos olhando para o lugar errado. O inimigo não é externo, ele está dentro de nós. Se queremos mudar o mundo em que vivemos, o primeiro passo é mudar a nós mesmos.

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Cortes orçamentários ao ensino e pesquisa públicos em 2026

Restrições ao financiamento da pesquisa pública devem prejudicar os avanços científicos, fundamentais para o desenvolvimento econômico e a justiça social

22/01/2026 07h30

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A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, aprovada pelo Congresso Nacional ao fim de 2025, é extremamente preocupante para o futuro do Brasil, que precisa de mais investimentos em ciência, tecnologia e educação para aprimorar sua soberania e desenvolvimento.

A LOA de 2026 aprofunda um quadro de restrição estrutural à educação profissional, científica e tecnológica das instituições federais num período em que se discute o Plano Nacional de Educação e o Sistema Nacional de Educação.

As restrições ao financiamento da pesquisa pública devem prejudicar os avanços científicos, fundamentais para o desenvolvimento econômico e a justiça social.

As universidades federais sofrerão um corte de quase 7% (R$ 500 milhões) em custeio e investimentos, podendo comprometer atividades de ensino, pesquisa e extensão.

O setor de ciência, tecnologia e comunicações terá orçamento 5% inferior ao valor de 2025, com cortes de cerca de R$ 400 milhões, afetando instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação do Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Os cortes agravam a situação já crítica no Brasil, que precisa de inovações para se consolidar como um país capaz de responder a desafios estratégicos.

Diversas entidades de defesa da ciência, como a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA), divulgaram posicionamentos de alerta para os prejuízos à formação de pesquisadores e a possível interrupção de pesquisas científicas.

Estes cortes poderão, inclusive, afetar as bolsas para estudantes de mestrado e doutorado.

De acordo com a ABC e a SBPC, o orçamento do CNPq aprovado para 2026 representa uma redução real da capacidade de fomento, com impacto direto sobre bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado, pós-doutorado e modalidades estratégicas, inclusive aquelas voltadas à inovação e ao empreendedorismo.

Esse orçamento é insuficiente para compensar o recuo expressivo nas bolsas, que constituem o eixo estruturante da formação científica no País.

A situação da Capes é particularmente grave. O orçamento aprovado implica perda real da capacidade de financiamento da pós-graduação brasileira, afetando tanto o Ensino Superior quanto a formação de professores da Educação Básica.

Em um contexto de expansão das demandas científicas e tecnológicas do País, a compressão do orçamento compromete a formação de recursos humanos altamente qualificados e fragiliza a inserção internacional da ciência, elemento fundamental para o Brasil.

De acordo com a ABCA, nas ciências agronômicas, a pesquisa científica é essencial para a segurança alimentar, a sustentabilidade dos agrossistemas, o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas, a biossegurança e a competitividade do agronegócio.

O desenvolvimento de sistemas agrícolas sustentáveis e que possam mitigar efeitos negativos de eventos climáticos extremos, com preservação de ecossistemas naturais e de recursos como o solo e a água, exige suporte à pesquisa científica.

Estes cortes fragilizam a produção de conhecimento e desestimulam jovens pesquisadores, promovendo, inclusive, a saída de talentos para realizarem atividades em outros países. Importante ressaltar que conhecimento é essencial para o desenvolvimento do Brasil!

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