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O Pantanal nas rotas do mundo: por que Mato Grosso do Sul sedia a COP15 das espécies migratórias?

Em sua poesia, os pássaros não são apenas parte da paisagem: são expressão da vida e da liberdade da natureza

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O Pantanal sempre foi mais do que uma paisagem. É um território onde o voo das aves desenha caminhos invisíveis no céu e onde a natureza ensina que liberdade e equilíbrio caminham juntos. Manoel de Barros, o grande poeta do Pantanal, transformou aves em palavras e palavras em asas.

Em sua poesia, os pássaros não são apenas parte da paisagem: são expressão da vida e da liberdade da natureza.

Essa imagem ajuda a compreender por que Campo Grande sedia dos dias 23 a 29 de março a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15).

A escolha da capital sul-mato-grossense reflete o papel estratégico do Pantanal nas rotas migratórias das Américas e coloca Mato Grosso do Sul no centro da agenda internacional da biodiversidade.

Espécies migratórias são aquelas que cruzam fronteiras nacionais de forma previsível ao longo de seus ciclos de vida. Não pertencem a um único território. São patrimônio natural compartilhado entre países, o que exige cooperação internacional para sua proteção.

O Pantanal é um dos principais elos dessa rede ecológica continental. Com mais de 610 espécies de aves registradas, abriga cerca de 190 espécies migratórias, que representam aproximadamente 30% de sua avifauna.

Aves que partem do Ártico e da América do Norte encontram nos campos inundáveis do Pantanal áreas fundamentais de parada e alimentação. Outras, vindas da Argentina, do Uruguai e do sul do Brasil, utilizam a planície pantaneira em seus deslocamentos sazonais.

Essas rotas conectam o Pantanal à Amazônia, ao Cerrado, ao Chaco e aos sistemas austrais da América do Sul. O que acontece aqui repercute em escala continental.

Quando Manoel de Barros humanizava as aves em seus versos, revelava uma verdade profunda: a natureza não é cenário, é sujeito. Aves migratórias que utilizam o Pantanal em seus deslocamentos, como os maçaricos vindos do Hemisfério Norte, os talha-mares e as andorinhas, são indicadores da saúde dos ecossistemas.

Ao sediar a COP15, Mato Grosso do Sul recebe especialistas de todo o mundo para discutir estratégias de conservação dessas espécies e fortalecer a cooperação internacional.

Nos últimos anos, o Estado vem consolidando uma agenda ambiental consistente. Desde o anúncio da meta de neutralidade de carbono até 2030, estruturamos políticas públicas que integram produção, conservação e inovação.

A proteção das rotas migratórias depende da integridade dos habitats. No Pantanal, isso significa preservar áreas úmidas, manter o pulso natural das águas e garantir conectividade entre paisagens.

Programas como o Pacto Pantanal, o Pagamento por Serviços Ambientais e o monitoramento da biodiversidade com tecnologias avançadas reforçam essa estratégia. Segurança alimentar, transição energética e conservação ambiental caminham juntas.

Ao fortalecer a agropecuária sustentável e ampliar o uso de energias limpas, reduzimos emissões e ampliamos a resiliência dos ecossistemas.

Ao sediar a COP15, Mato Grosso do Sul reafirma que o Pantanal é um território estratégico para a biodiversidade global. Um lugar onde as aves encontram abrigo em suas longas viagens e onde o mundo pode enxergar que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos.

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Entenda por que condomínios eficientes gastam menos, mesmo investindo mais

Condomínios eficientes investem em manutenção preventiva, planejamento de longo prazo, tecnologia e profissionalização da gestão

20/03/2026 07h45

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Existe um paradoxo na gestão condominial que ainda confunde síndicos e moradores: os condomínios mais eficientes costumam ser aqueles que mais investem. Ainda assim, no longo prazo, são justamente esses que gastam menos.

Essa aparente contradição revela uma mudança de mentalidade que o setor precisa amadurecer: eficiência não é sinônimo de cortar custos, mas de alocar recursos com inteligência.

Durante décadas, a lógica predominante foi a da economia imediata. Reduzir contratos, postergar manutenções, adiar investimentos. O problema é que condomínios são estruturas complexas, com ativos físicos, pessoas, obrigações legais e impactos patrimoniais.

Quando a gestão se orienta apenas por contenção de despesas, ela cria passivos invisíveis que aparecem mais tarde em forma de emergências, conflitos e desvalorização do patrimônio.

Condomínios eficientes investem em manutenção preventiva, planejamento de longo prazo, tecnologia e profissionalização da gestão. Isso significa trocar equipamentos antes de falhas críticas, revisar contratos com critérios técnicos, digitalizar processos financeiros e criar rotinas de governança.

Esses investimentos aumentam o orçamento no curto prazo, mas reduzem drasticamente despesas emergenciais, desperdícios e riscos jurídicos ao longo do tempo.

A lógica econômica é simples: manutenção preventiva custa menos do que manutenção corretiva. Um vazamento detectado cedo evita uma reforma estrutural; um contrato bem negociado gera economia recorrente por anos; um sistema de controle financeiro reduz a inadimplência e evita chamadas extras.

O condomínio que planeja substitui a cultura do improviso por previsibilidade.

Eficiência também é governança. Investir em transparência, comunicação estruturada e prestação de contas clara reduz conflitos, judicialização e desgaste político. Assembleias mais informadas geram decisões mais racionais. Moradores que confiam na gestão participam mais, pagam em dia e apoiam projetos de longo prazo.

Há ainda um fator patrimonial frequentemente ignorado. Condomínios bem cuidados, com infraestrutura atualizada e gestão organizada, preservam e ampliam o valor dos imóveis.

Em mercados urbanos competitivos, compradores e locatários já observam não apenas a unidade, mas o funcionamento do condomínio como um todo. Gestão eficiente se transforma, na prática, em valorização imobiliária.

O discurso de “gastar menos” costuma ser popular em assembleias, mas é enganoso quando não vem acompanhado de planejamento. Cortes lineares em manutenção, segurança ou gestão geram economias momentâneas, mas criam passivos ocultos que explodem no futuro. 

No universo condominial, o barato raramente sai barato de fato. Eficiência, portanto, não é austeridade cega. É estratégia. É compreender o condomínio como uma organização viva, com ciclo de ativos, riscos legais, fluxo de caixa e impacto social.

Investir mais, quando feito com inteligência, é o caminho mais curto para gastar menos no longo prazo.

Por fim, a maturidade do setor condominial passa por essa virada de chave. Condomínios eficientes não são os que cobram menos taxa, mas os que entregam mais valor por cada real investido.

Em um País cada vez mais verticalizado, essa diferença deixará de ser um detalhe administrativo para se tornar um fator central de qualidade de vida e de preservação de patrimônio.

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Governança e compliance para o agronegócio

Sem estrutura de governança, o produtor ou empresa simplesmente fica fora do jogo

20/03/2026 07h30

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O agronegócio brasileiro é hoje uma das maiores forças econômicas do País, representando atualmente cerca de 25% do PIB nacional, podendo representar 30% do PIB do Brasil no final do ano.

Nos últimos anos, tornou-se tendência no meio rural o planejamento sucessório por meio da criação de holdings familiares. Trata-se de um passo importante para organizar o patrimônio e reduzir conflitos entre gerações. Contudo, governança é mais ampla do que estrutura societária. 

À medida que o setor se consolida como protagonista global, cresce também a exigência por transparência, sustentabilidade e integridade corporativa. Nesse contexto, os sistemas de governança e compliance tornaram-se instrumentos essenciais não apenas de conformidade, mas de vantagem competitiva sustentável e de credibilidade.

A aplicação de boas práticas de governança corporativa no agronegócio vai muito além do planejamento patrimonial-tributário, controle contábil ou da gestão de riscos. É alinhar o negócio rural à agenda Environmental, Social and Governance (ESG), que orienta decisões de investimento, crédito e comércio internacional.

Produtores, empresas rurais, cooperativas e agroindústrias têm sido avaliadas não apenas por sua produtividade, mas por sua gestão ambiental responsável, relações trabalhistas éticas e práticas de governança transparentes.

A pressão, no bom sentido, vem de todos os lados: investidores estrangeiros, bancos, grandes redes de varejo e organismos internacionais condicionam negócios a padrões de integridade e sustentabilidade. Outro fator de pressão vem do avanço das operações da Receita Federal e de órgãos de controle sobre o setor.

As ações de cruzamento de dados fiscais e de combate à elisão e evasão tributária no agronegócio se tornaram cada vez mais sofisticadas, exigindo dos produtores e empresas rurais cada dia mais governança tributária e compliance fiscal estruturados.

Assim, adotar mecanismo de governança e compliance deixou de ser uma opção e tornou-se instrumento para se atingir uma boa gestão no ambiente do agronegócio.

O mercado global também impõe seus filtros. Importadores europeus, norte-americanos e asiáticos exigem comprovação de práticas de conformidade socioambiental como condição para fechar contratos.

A rastreabilidade da origem da produção, o respeito às normas trabalhistas e ambientais, e a aderência a políticas anticorrupção são cláusulas cada vez mais frequentes nas compras internacionais de commodities brasileiras.

Sem estrutura de governança, o produtor ou empresa simplesmente fica fora do jogo.

O produtor rural moderno precisa compreender que governança e compliance são o novo alicerce da competitividade. Planejar sucessões e estruturar holdings é importante, mas é apenas o início.

O futuro do setor dependerá cada vez mais da capacidade de alinhar produtividade com integridade, tecnologia com transparência, e crescimento com sustentabilidade.

O produtor rural que compreender que compliance e ESG não são custos, mas investimentos estratégicos, estará um passo à frente. 

Afinal, no mercado global contemporâneo, quem plantar a cultura da governança e compliance colherá credibilidade e resultado com sustentabilidade.

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