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O papel da IA no bem-estar moderno

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Os últimos anos foram marcados por transformações em várias esferas da sociedade, e um dos conceitos que mais mudou e ganhou novos significados foi o de bem-estar. Se antes ele era relacionado principalmente com a saúde mental e física, hoje em dia já abrange diversos outros fatores, como qualidade de vida, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, segurança e experiências personalizadas.

Esse cenário levou ao crescimento da economia do bem-estar, que, segundo dados do Global Wellness Institute (GWI), alcançou US$ 6,3 trilhões em 2023, montante 25% maior do que o valor avaliado em 2019 (US$ 4,9 trilhões). Para 2028, a expectativa é que o setor chegue a US$ 8,9 trilhões, o que reforça como essa pauta já é uma forte tendência.

Porém, vale destacar que os avanços nesse mercado foram possíveis, entre outros fatores, por conta da evolução da tecnologia, que ampliou o acesso a soluções inovadoras, otimizou processos e possibilitou a personalização do bem-estar de acordo com as necessidades individuais. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) tem desempenhado um papel fundamental, contribuindo ainda mais para que o bem-estar seja mais acessível e flexível.

Temos diversos exemplos que comprovam como as soluções inovadoras trazidas pela popularização da IA impactam diretamente o autocuidado e a forma como interagimos com o mundo: no setor da saúde, startups brasileiras como a Pipo Saúde utilizam a tecnologia para oferecer suporte a diagnósticos e otimizar o atendimento médico, permitindo que milhões de pessoas tenham acesso a serviços de saúde de forma mais eficiente. O bem-estar emocional também foi impulsionado com soluções como a da Vittude, uma plataforma que conecta pacientes a psicólogos por meio de IA, democratizando o acesso a cuidados mentais.

No que diz respeito ao bem-estar corporativo, ferramentas desenvolvidas por empresas como a Gupy ajudam organizações a monitorar o nível de satisfação dos funcionários e sugerem ações para melhorar o ambiente de trabalho, reduzindo o estresse e, consequentemente, aumentando a produtividade.

Outro exemplo do impacto positivo da IA no bem-estar moderno está na personalização do entretenimento, com plataformas como Spotify e Netflix, que usam IA para sugerir conteúdos que correspondem aos interesses do usuário, e do aprendizado, com ferramentas como o Duolingo, que usam IA para personalizar o ensino, tornando essa jornada mais eficaz e menos desgastante para os estudantes.

Acredito que essa tendência de sofisticação das tecnologias baseadas em IA vai tornar a busca pelo bem-estar completo ainda mais fácil. Desde aplicativos que monitoram padrões de sono e alimentação a assistentes virtuais que ajudam a gerenciar tarefas cotidianas, é fato que a tecnologia seguirá transformando a forma como cuidamos do nosso corpo, mente e relações.

Porém, não podemos esquecer que o segredo para o uso eficaz da IA nesse contexto inclui necessariamente o desenvolvimento ético dessas tecnologias, para que sejam seguras, inclusivas e realmente focadas no bem-estar humano.

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EDITORIAL

Trânsito: mudanças para o coletivo

Medidas da Agetran geram, em um primeiro momento, muita resistência, mas buscam melhorar a fluidez e acompanhar o crescimento de Campo Grande

25/04/2026 07h00

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As alterações recentes promovidas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) em Campo Grande têm provocado reações negativas por parte de parcela significativa da população. A insatisfação, em muitos casos, é compreensível do ponto de vista individual, especialmente quando mudanças afetam rotinas consolidadas.

No entanto, antes de críticas precipitadas, é necessário compreender as razões que motivam essas intervenções.

Campo Grande não é mais a mesma cidade de anos atrás. O crescimento populacional e o aumento da frota de veículos impuseram novos desafios à mobilidade urbana. Em vias de grande circulação, como a Avenida Afonso Pena, tornou-se inviável manter a lógica de tráfego de um período em que o fluxo era muito menor.

Medidas como a proibição de conversões à direita em determinados cruzamentos – a exemplo do encontro com a Rua Bahia – são respostas técnicas a essa nova realidade.

Ainda que causem desconforto inicial, essas mudanças buscam melhorar a fluidez do trânsito em corredores estratégicos. Ao restringir movimentos que geram retenções e conflitos entre veículos, a tendência é de reduzir congestionamentos e tornar o deslocamento mais eficiente no conjunto da via.

Trata-se de uma lógica amplamente adotada em centros urbanos maiores, onde a organização do tráfego exige decisões que priorizem o coletivo.

É nesse ponto que surge o principal desafio: a diferença entre o interesse individual e o benefício coletivo.

Para o motorista que precisa alterar seu trajeto ou percorrer alguns metros a mais, a medida pode parecer inconveniente. No entanto, quando analisada sob a ótica da mobilidade urbana como um todo, a intervenção tende a trazer ganhos mais amplos, beneficiando um número maior de pessoas.

Cabe também ao condutor assumir seu papel nesse processo. Dirigir em uma cidade que se aproxima de 1 milhão de habitantes exige mais do que conhecimento básico das leis de trânsito. É preciso atenção às mudanças, planejamento de rotas e disposição para se adaptar a uma dinâmica urbana em constante transformação.

Como toda mudança, há um período de adaptação. É natural que, no início, prevaleça a resistência. Contudo, a experiência mostra que, com o tempo, novas regras são assimiladas e passam a fazer parte da rotina.

A expectativa é de que, no futuro, essas intervenções sejam compreendidas não como obstáculos, mas como instrumentos para um trânsito mais organizado e eficiente.

Mais do que agradar individualmente, a gestão do trânsito deve buscar soluções que atendam ao interesse coletivo. E, nesse sentido, ainda que impopulares no curto prazo, as mudanças podem representar um passo necessário para acompanhar o crescimento da cidade.

Artigo

Como o excesso de informações impacta a relação com a dor?

Nem tudo que é visto ou ouvido se aplica à realidade individual

24/04/2026 07h45

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Em um cenário em que todos opinam sobre saúde, as redes sociais se tornaram uma fonte constante de informação e também de distorção. O excesso de conteúdo, muitas vezes sem contexto ou embasamento, tem contribuído para um fenômeno crescente: o aumento do medo relacionado à dor.

Muitos pacientes chegam aos consultórios já carregando crenças formadas a partir de relatos vistos on-line. Experiências individuais são frequentemente apresentadas como verdades absolutas: “minha dor piorou ao subir escadas”, “me machuquei ao treinar”, “parei e melhorei” ou até afirmações alarmistas como “correr faz o osso bater com o osso”. O problema é que cada corpo responde de forma única. O que acontece com um não define o que acontecerá com outro.

A exposição excessiva a conteúdos alarmistas ativa mecanismos de alerta no cérebro. A pessoa passa a observar mais o próprio corpo, interpretar sensações com preocupação e evitar movimentos por medo. Forma-se um ciclo conhecido: medo gera tensão, tensão gera rigidez, a rigidez aumenta a dor, e a dor reforça o medo.

Além disso, a repetição dessas mensagens amplia o alcance do problema. Uma experiência pessoal compartilhada sem contexto pode gerar pânico coletivo, especialmente em quem já está fragilizado. A dor deixa de ser apenas física e passa a ser influenciada pela expectativa negativa.

Informação é essencial, mas precisa de critério. Nem tudo que é visto ou ouvido se aplica à realidade individual. Buscar orientação qualificada, reduzir o consumo de conteúdos alarmistas e compreender que o corpo é adaptável são passos fundamentais para quebrar esse ciclo.

Em tempos de excesso de informação, proteger a mente tornou-se também uma forma de tratar a dor.

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