Artigos e Opinião

CENAS:

Oswaldo Barbosa de Almeida: "Citações"

Advogado e escritor ([email protected])

Redação

20/08/2015 - 00h00
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Seu nome é Sizenando, mas os amigos o apelidaram de Enciclopédia. Isso se deveu à sua mania de, em toda conversa ou discussão, citar frases de famosos, como artistas,  escritores, políticos, etc.

Qualquer que fosse o tema, ele tinha uma frase, uma fábula ou expressão famosa para ilustrar sua fala ou reforçar seus argumentos. 

Se a discussão fosse sobre política, lá vinha a frase atribuída a Otto Von Bismark, o “chanceler de ferro” da Alemanha: “Os cidadãos não poderiam dormir tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis.”

Quando se abordava a  situação do Brasil, o economista Roberto Campos era lembrado: “O Brasil tem tudo  para estar no Jockey Clube, mas continua na gafieira”. Se o tema fosse futebol, citava o inesquecível Nelson Rodrigues: “Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola.” Sobre televisão, Chacrinha marcava presença: “Quem não se comunica se trumbica”. Sem se esquecer, é claro, do grande Machado de Assis, no “Dom Casmurro”: “A alma da gente, como sabes, é uma casa assim disposta, não raro com janelas para todos os lados, muita  luz e ar puro.”. E por aí afora. 

Quando se questionava a origem de seus conhecimentos, afirmava que sua cultura era resultado de muita leitura. Até assegurava possuir uma grande biblioteca, e que algum dia faria uma festa para mostrar aos amigos o tesouro que tinha em casa. Tachava de ignorante quem duvidasse de sua sapiência. 

Certo dia ele sofreu um acidente de trânsito de alguma gravidade e foi internado  num hospital para o devido tratamento pelo SUS. Como tinha plano de saúde particular, estava lúcido e de posse do telefone celular, ligou para um de seus amigos, contou o ocorrido e pediu que fosse até o prédio onde morava sozinho, pegasse a chave do apartamento com o zelador e apanhasse o cartão do plano de saúde numa gaveta da  mesa do computador e o levasse ao hospital.
O amigo atendeu ao pedido e, no apartamento, resolveu bisbilhotar a tal biblioteca, mas nada encontrou. Ao invés da falada biblioteca, encontrou sobre a mesa do computador um grosso caderno com uma inscrição na capa: “Minhas frases favoritas”. Abriu-o e viu transcritas com caprichada caligrafia dezenas, centenas de expressões selecionadas por autor, em ordem alfabética.

Na primeira página do caderno estavam anotados alguns sites de busca na internet, entre eles o “http:/quemdisse.com.br/frase.asp”. 

No hospital o amigo entregou-lhe o cartão solicitado, mas nada disse a respeito  do que descobrira. Porém, dali em diante, sempre que encontrava alguém da turma, o amigo contava a novidade, que se espalhou rapidamente. Alguns visitaram Sizenando no hospital, mas nada comentaram.

Algum tempo depois, já recuperado do trauma, voltou aos poucos às suas atividades normais. Depois disso, a cada vez que encontrava os amigos, era alvo de piadas e  brincadeiras ridicularizando sua “biblioteca”. Aquilo foi aborrecendo-o de tal forma que, num belo dia, mudou-se da cidade sem avisar ninguém e nunca mais se teve  notícias dele...

EDITORIAL

Segurança não pode ser negligenciada

Ignorar essa realidade é abrir brechas perigosas. E, quando se trata de criminosos de alta periculosidade, qualquer brecha pode custar caro demais à sociedade

11/03/2026 07h15

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A notícia publicada hoje pelo Correio do Estado, revelando que o presídio federal de Campo Grande – unidade que abriga alguns dos criminosos mais perigosos do País, incluindo chefões do Comando Vermelho e figuras ligadas ao jogo do bicho – opera com equipe reduzida, deve acender um sinal de alerta nas autoridades.

Não se trata de um detalhe administrativo, mas de um tema sensível, diretamente ligado à segurança pública e à própria credibilidade do Sistema de Justiça brasileiro.

Os presídios federais foram concebidos justamente para isolar lideranças do crime organizado e impedir que continuem a comandar atividades ilícitas de dentro das cadeias.

São estruturas de segurança máxima, com rígidos protocolos e um modelo de funcionamento que, ao longo dos anos, conquistou reconhecimento por sua eficiência. De fato, o Sistema Penitenciário Federal é considerado um dos mais seguros do hemisfério sul.

Mas nenhum sistema, por mais robusto que seja, pode prescindir de pessoal suficiente e de investimentos constantes. Segurança de alto nível exige vigilância permanente, profissionais capacitados e estrutura adequada.

Trabalhar com equipe reduzida em um presídio desse porte não é apenas inadequado: é um risco que não deveria sequer ser cogitado.

A situação expõe, mais uma vez, uma falha recorrente na forma como o poder público trata a segurança pública. E aqui não se fala apenas do Executivo federal.

O Congresso Nacional, que todos os anos destina milhões de reais em emendas parlamentares para as mais diversas finalidades, também precisa compreender que essa área exige prioridade absoluta. Não pode faltar dinheiro – e muito menos pessoal – para uma unidade penitenciária federal.

Outro ponto que merece atenção é a conclusão da muralha prevista no projeto do presídio federal de Campo Grande. A obra, planejada justamente para reforçar a proteção do complexo, não pode se arrastar indefinidamente. O Ministério da Justiça deve tratar o tema com a urgência que ele exige.

É importante reconhecer que o modelo brasileiro de presídios federais já demonstrou ser eficaz. Contudo, isso não significa que ele deva permanecer estático.

Pelo contrário: sistemas de segurança precisam ser permanentemente aprimorados para acompanhar a evolução das ameaças e das estratégias do crime organizado. Um presídio federal pode ser seguro – mas sempre pode, e deve, tornar-se ainda mais seguro e impenetrável.

Já dissemos anteriormente neste espaço que investir em presídios não costuma render dividendos eleitorais. Não é uma obra vistosa, não gera inaugurações festivas nem discursos empolgados. Ainda assim, trata-se de um dos investimentos mais importantes para a segurança pública e para a correta aplicação da Justiça.

Ignorar essa realidade é abrir brechas perigosas. E, quando se trata de criminosos de alta periculosidade, qualquer brecha pode custar caro demais à sociedade.

ARTIGOS

Por que o Brasil afasta a inovação farmacêutica?

No Brasil, dados não contam com um prazo claro de proteção legal quando se trata de medicamentos de uso humano

10/03/2026 07h45

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Quando um novo medicamento chega à farmácia, raramente o consumidor percebe o caminho percorrido até ali. Antes de um comprimido ser vendido, ele passa por anos de pesquisa, testes laboratoriais, estudos em animais e ensaios clínicos em seres humanos para comprovar segurança e eficácia.

Esse processo pode levar mais de uma década e custar bilhões de dólares. Todo esse esforço gera um conjunto valioso de informações técnicas, conhecido como dossiê de testes, que precisa ser obrigatoriamente entregue à autoridade sanitária para que o produto seja aprovado.

O problema é que, no Brasil, esses dados não contam com um prazo claro de proteção legal quando se trata de medicamentos de uso humano.

Na prática, isso permite que medicamentos genéricos e similares sejam aprovados com base nos testes realizados pelo inovador, sem que o responsável pelo investimento tenha qualquer controle ou compensação por esse uso.

Ou seja, quem assume o risco e o custo da inovação acaba financiando, involuntariamente, seus concorrentes.

Essa lacuna regulatória acaba por criar um ambiente persistente de insegurança jurídica, no qual empresas passam a reavaliar seus investimentos em estudos que promovam novas descobertas no País.

Pesquisadores veem enfraquecerem-se os incentivos à inovação, e o Brasil, como consequência, deixa de atrair projetos voltados ao desenvolvimento de medicamentos mais avançados.

Trata-se de um risco que não se limita à dimensão econômica, pois, na ausência de estímulos adequados à inovação, o acesso a novos tratamentos tende a ocorrer de forma mais lenta, o que reduz, no médio e longo prazo, as opções terapêuticas efetivamente disponíveis à população.

Curiosamente, o Brasil já protege esse tipo de dado em outros setores, como medicamentos veterinários e agrotóxicos, e a maioria dos países desenvolvidos adota prazos claros de exclusividade regulatória sem impedir a entrada de genéricos.

A pergunta que fica é simples e incômoda: até quando o País vai aceitar perder investimentos, inovação e competitividade por não enfrentar um problema regulatório que o resto do mundo já resolveu?

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