Artigos e Opinião

EDITORIAL

Prisões não dão voto, mas dão segurança

Construir presídios não mobiliza o senso comum, não rende aplausos fáceis nem se converte, de imediato, em capital político. É obra que não costuma dar voto

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Entre 2019 e 2023, Mato Grosso do Sul executou menos de 7% dos recursos federais disponibilizados para o sistema prisional. O dado, já exposto neste espaço, é mais do que um número constrangedor: é o retrato de uma ineficiência grave em um setor que não admite improvisos.

Fala-se de um dos pilares da segurança pública, justamente em um Estado cuja condição geográfica – fronteira extensa, rota do tráfico internacional – impõe pressão permanente sobre presídios, servidores e orçamento.

O índice é baixíssimo para qualquer área. Para o sistema prisional, é alarmante. A superlotação, as rebeliões, a dificuldade de separar presos por periculosidade e a presença crescente de facções são problemas conhecidos. Ainda assim, a verba ficou parada.

E ficou parada enquanto o Estado, em outro momento, recorria ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cobrar maior apoio financeiro da União no custeio de detentos – pleito legítimo, registre-se, sobretudo porque muitos dos flagrados com drogas no território sul-mato-grossense têm residência em outras unidades da Federação.

A contradição salta aos olhos. Se a ajuda é necessária, e ela é, também é indispensável demonstrar capacidade de execução.

Não se trata apenas de reclamar mais recursos, mas de aplicar com eficiência aqueles que já existem. Segurança pública não se faz apenas com discurso firme ou operações pontuais. Faz-se com estrutura, planejamento e continuidade administrativa.

O episódio ilumina um debate que tende a ganhar força nas eleições deste ano: o investimento em prisões. Construir presídios não mobiliza o senso comum. Não rende aplausos fáceis nem se converte, de imediato, em capital político.

É obra que não costuma dar voto. Mas é política pública essencial. Sem vagas adequadas, não há cumprimento efetivo de pena. Sem cumprimento de pena, não há Justiça. E sem Justiça, a sensação de impunidade corrói a confiança da população.

É compreensível que a sociedade, à primeira vista, resista à ideia de investir em muros e celas. No entanto, prisões seguras, com gestão eficiente e tratamento digno aos internos, são parte da engrenagem que garante ordem e previsibilidade.

Quanto mais estruturado o sistema, maior a capacidade de separar lideranças criminosas, evitar que pequenos infratores sejam cooptados e assegurar que a punição seja efetivamente cumprida.

Mais presídios, quando bem planejados e administrados, significam menos improviso, menos superlotação e mais segurança nas ruas.

Significam, também, reforço concreto à mensagem de que delinquir tem consequência. Ignorar essa realidade por cálculo eleitoral é adiar um enfrentamento que Mato Grosso do Sul, por sua posição estratégica no mapa do crime, não pode se dar ao luxo de postergar.

ARTIGOS

Mato Grosso do Sul em estado de graça

O anúncio da liberação de recursos para a reestruturação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil hoje sucateada e abandonada, prevê sua revitalização desde Bauru (SP) até Corumbá

18/04/2026 07h45

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Notícias boas são sempre bem-vindas, e o nosso querido Mato Grosso do Sul tem recebido ótimas novidades vindas de Brasília, conforme já publicou o Correio do Estado.

Por isso mesmo, a nossa população estampa aquele sorriso de satisfação, eis que há tempos não éramos contemplados com importantes recursos liberados pelo governo federal. Corumbá, a capital do Pantanal, foi agraciada com recursos para a execução de um projeto que deverá embelezar a orla fluvial, notadamente seu histórico Porto Geral.

O anúncio da liberação de recursos para a reestruturação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a nossa querida NOB, hoje sucateada e abandonada, prevê sua revitalização desde Bauru (SP) até Corumbá.

Uma obra mais do que necessária e que certamente possibilitará aos moradores das pequenas comunidades no entorno dos trilhos da ferrovia a esperada melhoria na qualidade de suas vidas, além do retorno às suas atividades, abandonadas por total falta de mobilização de pessoas que utilizavam rotineiramente esse meio de transporte, que fazia conexão com a ferrovia boliviana.

Porém, a mais bombástica notícia para as classes políticas e econômicas do nosso estado foi a retomada da obra da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), na cidade de Três Lagoas. Tal anúncio foi feito pela Petrobras e, o mais importante, o reinício dessa obra, paralisada há 12 anos, deverá ocorrer até o final do mês de junho.

Fato que exigirá a absorção de cerca de oito mil empregos, apenas na construção, e, com isso, as cidades circunvizinhas também serão beneficiadas. Espera-se uma radical mudança na economia regional como um todo.

A reestruturação da ferrovia, aliada ao reinício das obras da UFN3, deverá merecer um acompanhamento responsável e transparente por parte dos órgãos fiscalizadores, até porque recursos públicos estarão sendo consumidos na execução desses dois grandes empreendimentos, que se transformarão em uma segurança econômica para o País, hoje dependente de fertilizantes produzidos no exterior.

Podemos afirmar que a soberania produtiva do Brasil estará garantida.

Hoje, a nossa demanda por fertilizantes é muito grande, razão pela qual a reestruturação da ferrovia é extremamente importante, ainda mais considerando que a nossa principal rodovia, a BR-262, encontra-se saturada.

A vizinha Bolívia exporta fertilizantes, porém a logística para o transporte do produto também se encontra sucateada. Contudo, a Rota Bioceânica levou o presidente daquele país a investir tanto na ferrovia quanto na rodovia, o que indiretamente beneficiará o nosso estado, que, como dito, está em estado de graça.

Um conhecido jargão popular preconiza que as eleições operam milagres, mas o Brasil é reconhecido como o maior país católico do mundo. Por isso mesmo, costuma-se dizer que Deus é brasileiro, e nós temos muita fé Nele, para que esses “milagres” aconteçam para a nossa felicidade. Amém!

ARTIGOS

Rene Siufi: o legado de uma advocacia que atravessa o tempo

São mais de 40 anos de exercício ininterrupto na advocacia criminal, construídos não em torno de holofotes, mas no cotidiano dos tribunais

18/04/2026 07h30

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Rene Siufi é um nome que se tornou sinônimo de uma advocacia que atravessa o tempo sem perder a identidade e o respeito. Em um cenário jurídico marcado pela busca incessante por visibilidade, a trajetória de Siufi impõe-se pela permanência.

São mais de 40 anos de exercício ininterrupto na advocacia criminal, construídos não em torno de holofotes, mas no cotidiano dos tribunais, na consistência técnica das sustentações orais e na confiança sedimentada ao longo de décadas.

Sua atuação, especialmente no Tribunal do Júri, consolidou um estilo inconfundível. Distante de excessos retóricos ou teatralizações desnecessárias, a advocacia de Rene é marcada pela firmeza, pela clareza de raciocínio e por uma presença que se impõe pela substância dos argumentos.

Ele compreende que o convencimento não reside no espetáculo, mas na coerência entre a tese jurídica, a ética e a credibilidade pessoal.

Nesta longa jornada, a lealdade é um pilar fundamental. Ao lado de Rene Siufi, destaca-se Honório Suguita, seu fiel escudeiro e advogado que trabalha ao seu lado há vários anos.

A parceria entre ambos transcende a relação meramente profissional, baseando-se em uma confiança mútua e em uma visão compartilhada em que a discrição e o rigor técnico são inegociáveis.

Enquanto Rene conduz os grandes embates, Honório atua com a precisão de um estrategista, sendo peça fundamental na manutenção desse padrão de excelência que marca a trajetória do escritório.

Essa solidez profissional reflete a essência do homem por trás da toga. Discreto e culto, Rene Siufi prefere a profundidade dos vínculos verdadeiros à superficialidade das relações sociais amplas.

Sua vida pessoal é um pilar de estabilidade: ao lado da esposa, Olga Siufi, construiu uma trajetória de cumplicidade que se estende aos filhos, o promotor de justiça Renzo Siufi e a professora de redação Raquel Siufi, exemplos de seriedade e decência, além da alegria trazida pelos netos.

A atuação de Rene também deixou marcas na esfera institucional. Como ex-presidente da OAB-MS, ele assumiu a missão de guardião de princípios como a ética e as prerrogativas profissionais, compreendendo que o advogado é um pilar essencial para o equilíbrio democrático.

Para as novas gerações, a história de Rene Siufi, amparada pela lealdade de Honório Suguita, funciona como um verdadeiro norte. Ela prova que a relevância não reside na exposição efêmera, mas na solidez da reputação.

Celebrar Siufi é reconhecer que a excelência não se improvisa; é fruto de uma construção diária, feita de escolhas éticas e respeito sagrado pela justiça. Enquanto muitos buscam atalhos, essa trajetória reafirma que a advocacia, exercida com rigor, propósito e retidão, é um legado que resiste ao tempo.

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