Palavras têm um poder inquietante. Elas podem inspirar, convencer e até mudar comportamentos. Livros, discursos, narrativas – todos influenciam, tanto pessoas vulneráveis quanto aquelas que parecem firmes e íntegras.
Há casos históricos que comprovam isso: em 1774, “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, provocou uma onda de suicídios entre jovens. Décadas mais tarde, em 1980, “O Apanhador no Campo de Centeio”, publicado por J. D. Salinger em 1951, inspirou Mark Chapman a assassinar John Lennon. Palavras, quando mal interpretadas, tornam-se ação.
Mas o efeito dependerá, exclusivamente, do leitor.
Quem já possui inclinações sombrias se deixa seduzir facilmente. Mas o desafio real surge com pessoas boas: palavras manipuladoras podem convencê-las de que atos moralmente questionáveis são necessários para alcançar um “bem maior”. A reflexão vira comportamento.
A literatura vira armadilha.
E agora, neste ano, surge outro exemplo também perturbador: “Doutrina Alorem: O livro proibido dos 7 Preceitos que destroem a sua vida”. Seus sete preceitos funcionam como um mecanismo de manipulação refinado.
Na narrativa, ele atrai os corruptos… e os bons também. Quando até os bons passam a justificar crueldade em nome de um “bem maior”, a ficção deixa de ser apenas história e se torna culto. E isso é o verdadeiro trunfo da Doutrina Alorem – e também o maior perigo.
A literatura não é só entretenimento. Ela molda pensamentos e ações, podendo ser um instrumento de influência real.
E reconhecer esse poder é essencial. Sem consciência, até leitores bem-intencionados podem se tornar seguidores de ideias destrutivas, guiados por uma narrativa sedutora que promete um bem maior, mas conduz ao mal.
Se um livro inspira o mal, quem carrega a maior responsabilidade – ou culpa – pela distorção de uma ideia: o autor ou o leitor?

