Artigos e Opinião

EDITORIAL

Bolsa Família precisa de mais controle

O Bolsa Família corre o risco de se transformar em instrumento de clientelismo político. Nas pequenas cidades prefeitos e vereadores exercem enorme influência sobre o acesso aos benefícios

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O Bolsa Família é, provavelmente, o programa social mais debatido – e mal compreendido – das últimas duas décadas no Brasil. Desde sua criação, há mais de 20 anos, ele passa por governos, crises econômicas, disputas ideológicas e campanhas eleitorais acirradas.

Divide opiniões, provoca paixões e rejeições, mas uma constatação já não comporta mais controvérsia: o programa está institucionalizado no Estado brasileiro.

Independentemente do que pensam seus críticos ou defensores mais fervorosos, o Bolsa Família veio para ficar. A prova disso está na história recente do País. Mesmo governos identificados com a direita, como os de Michel Temer e de Jair Bolsonaro, não apenas mantiveram o programa como o reformularam.

Em vez de extingui-lo, ampliaram valores, flexibilizaram critérios e, no auge da pandemia de Covid-19, criaram o Auxílio Brasil, que pagou benefícios ainda mais elevados.

Se o Bolsa Família fosse apenas uma bandeira ideológica da esquerda, já teria sido desmontado. Não foi. Porque, na prática, tornou-se uma política pública essencial.

Isso não significa, contudo, que o programa seja perfeito ou imune a falhas. Pelo contrário. Justamente por sua importância e capilaridade, ele precisa ser permanentemente aperfeiçoado.

E é nesse ponto que as reportagens desta edição lançam luz sobre uma fragilidade que não pode ser ignorada: o cadastro das famílias beneficiárias, responsabilidade direta das prefeituras, por meio dos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS).

Investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) revelam um problema recorrente e preocupante. Em muitos municípios, os CRAS deixam passar inconsistências graves nos cadastros, não atualizam informações essenciais e falham no controle das famílias atendidas.

Além disso, os recursos destinados à capacitação desses centros, fundamentais para melhorar a triagem e o acompanhamento social, não são devidamente aplicados. O resultado é um sistema vulnerável a fraudes, distorções e injustiças.

Esse cenário acende um alerta importante. Quando o controle local falha, o Bolsa Família corre o risco de se transformar em instrumento de clientelismo político. E aqui é preciso afastar uma narrativa simplista: não são apenas o governo federal ou partidos de esquerda que eventualmente se beneficiam politicamente do programa.

Nas pequenas cidades, em que a relação entre poder público e população é mais próxima, prefeitos e vereadores exercem enorme influência sobre o acesso aos benefícios. A qualidade da triagem, a atualização dos cadastros e a fiscalização dependem diretamente deles.

É justamente nesse nível local que o programa pode cumprir plenamente seu papel – ou se desvirtuar. Um Bolsa Família mal gerido fragiliza a confiança da sociedade, alimenta discursos de descrédito e pune quem realmente precisa do auxílio.

Um Bolsa Família bem administrado, com critérios claros e fiscalização rigorosa, garante que o dinheiro público chegue às famílias mais vulneráveis, estimule a permanência das crianças na escola e combata a fome de forma efetiva.

O debate, portanto, não deveria girar em torno da existência do programa, mas da sua qualidade. Reforçar critérios, qualificar os CRAS, exigir responsabilidade das prefeituras e aprimorar os mecanismos de controle não enfraquece o Bolsa Família – ao contrário, o fortalece.

ARTIGOS

Gremlins tocaiados

O panorama que vivenciamos a cada quatriênio com eleições presidências

03/10/2026 07h30

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Já faz 42 anos (1984), nós os mais velhos, vimos um filme com mistura de ficção, comédia e terror cujo enredo contava a história de um pai que dá para seu filho uma criatura de ficção (mogwais), engraçada, muito dócil, peluda, olhos grandes (tipo pelúcia) e gentil, mas que se devia observar e obedecer às regras, de como mantê-los longe da água, nunca dar-lhes comida após a meia-noite, ou submetê-los a luz forte, sob o risco de se multiplicarem em novas criaturas a partir da liberação de bolhas formadas nas costas, transformando-os em monstros perigosos e agressivos (os Gremlins), cujo objetivo era causar caos, destruição e confusão total agindo motivados por um prazer sádico e malicioso de arruinar tudo ao redor e atormentar os humanos.

Tinham um comportamento estranho ao perder a inocência, mentir, pregando peças ou em atitudes bizarras, como quebrar objetos, bagunçar o ambiente, divertirem-se agressiva e maliciosamente e cuja eliminação ou morte se daria caso expostos a luz forte como ao Sol, uma vez que adoravam ficar nas trevas, escondidos aguardando os momentos para as suas ações deletérias.

O filme me veio a memória com o panorama que vivenciamos a cada quatriênio com eleições presidências, campanhas eleitorais antecipadas, convenções partidárias, entrevistas de candidatos e toda a movimentação das propagandas um momento democrático que hoje se sujeita as fake news, as deepweb e darkweb (partes da internet não indexadas por buscadores), as inteligências artificiais (IAs) preditivas e generativas.

Cada qual calculando e apresentando tendências ou as que criam textos, imagens e sons a partir de ações, tudo capaz ao seu jeito, de induzir, mentir, transformar a mente humana, cooptar, fazer crer, incentivar um eleitor despreparado, ignorante politicamente.

Assim estamos à mercê de toda criatura de má-fé, aquela que age com desonestidade, malícia ou fraude para prejudicar os outros, mentindo sobre fatos, prometendo o que não é capaz de cumprir, ou criando problemas para tumultuar o processo eleitoral, inclusive organizando debates inconsistentes e maliciosos.

Esse é um período do “salve-se quem puder”, em que apesar do controle da legislação eleitoral, por vezes, permitem-se dribles, apitam pênaltis inexistentes e escanteios escandalosos, a demora na cobrança das faltas e dos laterais, barreiras mal posicionadas e, por vezes, gols de mão, tudo patrocinado por interesses escusos, de corporações, grupos, influenciadores, ancoras, blogueiros, a quem metaforicamente os denomino de Gremlins Tocaiados, tal qual como se apresentam aqueles que povoavam o filme da época.

Não vejo diferença entre os “Gremlins” cinematográficos e os Gremlins atuais, exceção feita ao objetivo de entretenimento dos primeiros contra o comportamento dirigido daqueles outros que se caracterizam como infratores ao buscarem tumultuar o processo eleitoral, identificados pelas transgressões de ordem eleitoral praticadas, como candidatos, agentes públicos, incluindo os eleitores camuflados, bem como todos aqueles que se utilizam de artifícios na web ao promover ataques nocivos individuais ou em massa a partir da robotização do processo de divulgação da quebra de preceitos legais, conceituados como crimes eleitorais.

Tais crimes eleitorais que resultam da oposição a regularidade das eleições pelo voto direto, secreto, com igualdade para todos devem ser coibidos de forma a garantir a lisura e legitimidade do voto, resguardando a honra daqueles atingidos com ofensas, mentiras, desvarios, propositalmente divulgados de modo a perturbar a ordem natural do processo eleitoral, como a desconfiança nas urnas e no resultado das eleições.

Onde estão eles? Tocaiados em todos os lugares, por vezes de difícil identificação exatamente pelos disfarces que se utilizam para fazerem das suas, mas facilmente detectados pelos indícios, rastros, evidencias, testemunhos, e demonstrações de suas passagens encobertas e da permanência em locais dissimulada (escondendo as intenções) ou secretamente, ocupando funções diversas de destaque ou não, de modo geral, na administração pública e hoje, camuflados no STF, com o vazamento de investigações sigilosas, acusações sem fundamento, alegações levianas, suposições descabidas e ilações, tudo em nome do combate a corrupção mas de caráter iminentemente eleitoral, na intenção de promover balburdias e narrativas de vieses políticos.

Portanto evitemos apagar o fogo com água e abramos as cortinas da verdade para entrada da luz do sol e evitar que fiquem tocaiados e se armando nas trevas.

ARTIGOS

"Que Cristianismo é esse?"

Brasil tem 152 mil templos, entre evangélicos e católicos, além de milhares de capelas e locais de culto

03/10/2026 07h25

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Amigos, amigas, apesar da condição de alguém inconcluso, jamais deixei de me identificar como um cristão convicto que procura seguir os princípios do Evangelho de Cristo e que, apesar das contingências da vida, ousa apresentar o que pensa sobre parte substantiva do cristianismo atual.

A começar pelo Brasil, como entender que, em sendo um país gigante, com o maior potencial em recursos naturais do mundo e um dos mais cristãos do planeta, haveria de ser tão desigual, com milhões de brasileiros longe da vida digna, tão sonhada por Jesus, o nosso Salvador?

Neste país, o “cristianismo” cresce e num avanço inimaginável. Pasmem, esta nação já conta com nada menos do que 152 mil templos, entre evangélicos e católicos, além de milhares de capelas e locais de culto, já chegando a mais de um templo novo por hora.

No entanto, a impressão que se tem é que, quanto mais este “cristianismo” cresce, tem-se menos justiça social.

E para ficar no mais leve, a causa eficiente, para tanto, não estaria no fato de lideranças cristãs estarem, em sua grande maioria, presas e atadas aos ricos e seus partidos? E pior: condenando os humanistas, que fazem o contrário, ou seja, lutam pela dignidade humana, conforme a vontade do Mestre?

Indaga-se, pois, onde foi parar a Boa Nova, em nosso país, onde a imensa maioria de religiosos sequer toca no “vim para que todos tenham vida” – ponto culminante do cristianismo?

E por que fogem tanto de passagens bíblicas, tipo “agulha e camelo” – preciosidades proclamadas por tão poucos que ainda ousam dar a vida pelo anúncio? 

Também, como explicar que países como a China, o Japão, entre outros, tenham alcançado o nível de estados do bem-estar social, o que os leva a harmonizar-se com o Evangelho de Cristo, mesmo não sendo cristãos?

E o que dizer da grande potência econômica, considerada cristã, os EUA, exportadora de pastores, que contam com 40 milhões de pessoas vivendo na miséria absoluta (maioria não imigrantes)?

Longe de qualquer exagero, mas consoante o espírito dos novos tempos, “cristianismo” sem Cristo pode ser tudo: fundamentalismo, servilismo aos ricos, mapa da fome, anti-vacina, misoginia, cinismo, supremacia, falsidade, alienação, pânico moral, hipocrisia, controle social, golpismo, tortura, assalto ao INSS, orgias, adultério, fascismo religioso, menos cristianismo, em seu estado autêntico e real.

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