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"Que Cristianismo é esse?"

Brasil tem 152 mil templos, entre evangélicos e católicos, além de milhares de capelas e locais de culto

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Amigos, amigas, apesar da condição de alguém inconcluso, jamais deixei de me identificar como um cristão convicto que procura seguir os princípios do Evangelho de Cristo e que, apesar das contingências da vida, ousa apresentar o que pensa sobre parte substantiva do cristianismo atual.

A começar pelo Brasil, como entender que, em sendo um país gigante, com o maior potencial em recursos naturais do mundo e um dos mais cristãos do planeta, haveria de ser tão desigual, com milhões de brasileiros longe da vida digna, tão sonhada por Jesus, o nosso Salvador?

Neste país, o “cristianismo” cresce e num avanço inimaginável. Pasmem, esta nação já conta com nada menos do que 152 mil templos, entre evangélicos e católicos, além de milhares de capelas e locais de culto, já chegando a mais de um templo novo por hora.

No entanto, a impressão que se tem é que, quanto mais este “cristianismo” cresce, tem-se menos justiça social.

E para ficar no mais leve, a causa eficiente, para tanto, não estaria no fato de lideranças cristãs estarem, em sua grande maioria, presas e atadas aos ricos e seus partidos? E pior: condenando os humanistas, que fazem o contrário, ou seja, lutam pela dignidade humana, conforme a vontade do Mestre?

Indaga-se, pois, onde foi parar a Boa Nova, em nosso país, onde a imensa maioria de religiosos sequer toca no “vim para que todos tenham vida” – ponto culminante do cristianismo?

E por que fogem tanto de passagens bíblicas, tipo “agulha e camelo” – preciosidades proclamadas por tão poucos que ainda ousam dar a vida pelo anúncio? 

Também, como explicar que países como a China, o Japão, entre outros, tenham alcançado o nível de estados do bem-estar social, o que os leva a harmonizar-se com o Evangelho de Cristo, mesmo não sendo cristãos?

E o que dizer da grande potência econômica, considerada cristã, os EUA, exportadora de pastores, que contam com 40 milhões de pessoas vivendo na miséria absoluta (maioria não imigrantes)?

Longe de qualquer exagero, mas consoante o espírito dos novos tempos, “cristianismo” sem Cristo pode ser tudo: fundamentalismo, servilismo aos ricos, mapa da fome, anti-vacina, misoginia, cinismo, supremacia, falsidade, alienação, pânico moral, hipocrisia, controle social, golpismo, tortura, assalto ao INSS, orgias, adultério, fascismo religioso, menos cristianismo, em seu estado autêntico e real.

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A bonita arte de envelhecer

Os pilares são conhecidos: comida de verdade, movimento regular, sono de qualidade, mente ativa, bons relacionamentos e propósito de vida

02/10/2026 07h20

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No dia 1º de outubro, celebramos o Dia Internacional da Pessoa Idosa. Mais do que uma data comemorativa, é um convite para uma pergunta que interessa a todos: como queremos envelhecer?

Estamos vivendo mais. Mas longevidade não deve significar apenas acrescentar anos à vida. O verdadeiro desafio é acrescentar vida aos anos, preservando saúde, autonomia, lucidez, vínculos e vontade de participar do mundo.

Como geriatra, tenho insistido em uma mensagem simples: envelhecer bem não começa aos 60 ou 70 anos. Começa muito antes. A pessoa idosa que seremos amanhã está sendo construída, pouco a pouco, pelas escolhas que fazemos hoje.

Não há segredo extraordinário. Os pilares são conhecidos: comida de verdade, movimento regular, sono de qualidade, mente ativa, bons relacionamentos e propósito de vida. Pequenos cuidados, repetidos ao longo dos anos, podem fazer uma grande diferença.

E talvez a palavra mais importante seja autonomia. Envelhecer bem não significa necessariamente viver sem doenças. Significa, sempre que possível, preservar a independência, a capacidade de fazer escolhas e a liberdade de conduzir a própria vida. É por isso que a geriatria olha para a pessoa por inteiro, e não apenas para suas doenças.

Esse olhar também precisa existir dentro de casa e na sociedade. Respeitar a pessoa idosa é ouvi-la, valorizar sua experiência e permitir que continue decidindo sobre sua vida. O passar dos anos não diminui a dignidade, a importância nem o direito de escolher.

Também precisamos abandonar a ideia de que envelhecimento é sinônimo de perda. Há pessoas com 70, 80 ou 90 anos estudando, trabalhando, viajando, ensinando, convivendo e fazendo novos planos. Cada pessoa envelhece de uma maneira, e não existe idade para deixar de ter projetos.

Naturalmente, não controlamos tudo. Genética, doenças e condições sociais também influenciam o envelhecimento. Mas podemos cuidar daquilo que está ao nosso alcance. E prevenção é justamente isso: não esperar perder a saúde para começar a valorizá-la.

Por isso, o Dia da Pessoa Idosa é, na verdade, uma data para todas as gerações. Se tivermos o privilégio de viver muitos anos, todos caminhamos para essa fase da vida. Cuidar do futuro começa no presente.

Envelhecer é parte da vida. Envelhecer com saúde, autonomia, vínculos e propósito é uma construção diária. A pessoa idosa que seremos amanhã começa a ser cuidada hoje.

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Quando a ausência importa: abstenção eleitoral em MS e no Brasil

Os 22% de abstenção das eleições de 2022 significaram 440 mil eleitores a menos nas urnas

02/10/2026 07h15

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O voto é obrigatório no Brasil. Apesar disso, a abstenção eleitoral vem crescendo em Mato Grosso do Sul de modo muito lento e gradual, mas constante. De 2006 para cá, ela cresceu em média 1% a cada eleição.

Parece pouco, mas já alcançou 22,1% em 2022, acumulando alta de 4,7% em 20 anos. Novamente, parece pouco, mas não é: o eleitorado de Mato Grosso do Sul cresceu 27% no mesmo período ou, em valores absolutos, mais de 400 mil pessoas.

Os 22% de abstenção das eleições de 2022 significaram 440 mil eleitores a menos nas urnas. Ou seja, é como se o crescimento do eleitorado, acumulado em duas décadas, tivesse sido anulado pela abstenção.

Contudo, Mato Grosso do Sul não destoa do cenário nacional, pois a abstenção no Brasil como um todo foi de aproximadamente 21% em 2022. Logo, a tendência observada em MS está alinhada à tendência nacional, mas o cenário desagregado em cada estado varia muito, não havendo tendência única entre eles.

Quais fatores contribuem para as pessoas não participarem das eleições? A primeira é a idade. Em 2022, quase 60% dos eleitores acima de 70 anos não foram às urnas.

As razões para isso são relativamente claras: voto facultativo acima dos 70 anos e maiores dificuldades de locomoção. O segundo grupo de idade com maior abstenção são jovens de 18 anos a 24 anos (22% em 2022).

Embora o voto seja facultativo para a faixa etária de 16 anos a 17 anos, a abstenção entre tais jovens foi de apenas 16%. Por ser facultativo, nem todo jovem de 16-17 anos se alista eleitoralmente. Logo, aquela abstenção se refere apenas aos jovens que se cadastram para votar, e não aos jovens daquela idade como um todo.

Com relação à escolaridade, a tendência é muito clara também: quanto mais anos de estudos, menor abstenção eleitoral. Em 2022, analfabetos (52%) e pessoas que apenas leem e escrevem (31%) lideraram a abstenção. Aqueles que têm ensino médio completo ou ensino superior, ainda que incompleto, mal ultrapassam 15% de abstenção.

Outro fator menos visível é o perfil da competição eleitoral. Ela pode ser analisada a partir de duas dimensões: oferta eleitoral e intensidade da disputa. Se houver poucos candidatos e/ou os perfis desses candidatos forem muito parecidos, o eleitor poderá julgar que seu voto não fará diferença.

Aqui, o exemplo clássico é o efeito desmobilizador de escândalos generalizados ou reiterados de corrupção: se todo político é corrupto, então são todos iguais. Se todos são iguais, meu voto não fará diferença.

Mas, a intensidade da disputa eleitoral pode ter efeito visível independente, até certo ponto, da própria oferta eleitoral. Basta observar o seguinte: a abstenção eleitoral é levemente crescente no Brasil como um todo desde 2010 em diante, mas houve duas ocasiões em que tal tendência se reverteu parcialmente.

Ambas em segundo turno. O primeiro caso foram as eleições de 2014, acaloradamente disputadas entre Dilma (PT) e Aécio (PSDB).

Nessas eleições, a abstenção em primeiro turno foi maior que a registrada no primeiro turno anterior (2010). Contudo, a abstenção no segundo turno de 2014 foi menor que a do segundo turno de 2010. O mesmo ocorreu em 2022, quando comparado a 2018.

As eleições de 2022 ainda registram outro fato inédito, pelo menos nas eleições de 2002 para cá: a abstenção em segundo turno foi menor que a do primeiro turno em pelo menos 15 estados do País. Acumuladamente, a abstenção do Brasil como um todo também recuou levemente no segundo turno.

Para as eleições deste ano, o mesmo padrão é esperado: a rejeição a Lula (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL) fará muitas pessoas não irem às urnas no primeiro turno. Mas, se houver segundo turno, essa mesma rejeição poderá fazer mais eleitores saírem de casa para votarem “contra” o candidato que mais rejeitam.

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