A COP15 de Espécies Migratórias, realizada na última semana em Campo Grande, nos trouxe orgulho, mas também preocupações e importantes reflexões sobre a sobrevivência das espécies migratórias.
O Pantanal é um dos ambientes utilizados por mais de 200 espécies em seus ciclos de migração, colorindo céus e terras em verdadeiros espetáculos da natureza.
No entanto, a redução do espelho d’água no bioma, estimada em mais de um milhão de hectares, vem colocando em risco inúmeras espécies, pela interrupção de processos ecológicos fundamentais à sua sobrevivência.
Um símbolo de ambiente saudável, a ariranha, foi anunciada durante o evento como espécie ameaçada de extinção. Em regiões como o Rio Negro, no Pantanal, suas populações já reduziram em mais de 50%.
Animal amplamente caçado no século passado pela beleza de sua pele, teve suas populações recuperadas entre as décadas de 1960 e 1990. Tive a honra de percorrer o Pantanal com o médico Jorge Schweizer, um apaixonado por essa espécie, avaliando seu status naquele período.
Hoje, o Pantanal está enfraquecido pela redução das águas. Nesse contexto, inspirado na sabedoria de Manoel de Barros, que nos disse:
“Louvo, portanto, esta fonte de todos os seres e de todas as plantas. Vez que todos somos devedores destas águas.”
Devemos nos colocar em estado de atenção e alerta – não apenas pela ariranha, mas por nós mesmos.
Negar ou subestimar as mudanças climáticas, somadas à ambição humana, pode nos levar a um ponto sem retorno. Pode não haver para onde migrar.
Mas ainda há tempo.
Precisamos reagir. Investir no diálogo, como vimos neste importante encontro em nossa Capital. Avançar na restauração de áreas degradadas, no plantio de mudas e na proteção das nascentes.
“As águas são a epifania da criação.”
São também a esperança da nossa espécie.
O tempo das atitudes precisa ganhar escala. As empresas precisam olhar para as externalidades como parte do problema e da solução. O lucro precisa dialogar com a sociedade e com os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela escassez de recursos naturais.
E, como indivíduos, cada um pode e deve participar. Contribuir. Praticar gestos de civilidade.
Essa não pode ser uma sobrecarga.
É uma regra.
E uma necessidade para a nossa sobrevivência.

