As pessoas deixaram de reclamar apenas por direitos, mas pedem por justiça, porque o óbvio já vem sendo aviltado.
Ninguém mais suporta ser vilipendiado, ser feito de trouxa e os ofensores além de acharem que têm razão ainda se dizem no direito de serem a moral em pessoa.
Cada dia mais as pessoas criam caricaturas e personagens, como verdadeiros camaleões e os piores são aqueles que se dizem senhores e senhoras da razão e da moral, mas que quando a máscara cai percebe-se o verdadeiro ser insignificante que o é.
É verdade, a hipocrisia tomou conta e nós perdemos a vergonha na cara de acharmos bonito sermos massa de manobra.
Ideologias até podem mover o mundo, mas senso de justiça comum e responsabilidade mútua são muito maiores.
Pela história da humanidade, no começo o normal era prender pessoas pobres, depois passaram a criminalizar o empresariado, logo em seguida a massacrar e colocar na cadeia a classe política e agora colocaram na berlinda o judiciário como forma do pensamento Nietzschiano de se dizerem além do bem e do mal.
Tem uma fábula atribuída a Nietzsche que conta a história da borboleta e da barata.
Se você mata uma barata você é bom, mas se você matar uma borboleta você mau.
A moral da história é que os nossos julgamentos são baseados em critérios estéticos e vai mais além: quem é que está dizendo quem é bonito e quem é feio?
Quem está criando o padrão estético?
Quem está dizendo quem é do bem e quem é do mau?
Quais são os interesses de quem assim o faz?
Generalizar a criminalização de uma classe, grupo ou determinadas pessoas nunca vem desacompanhada de interesses pessoais, sejam eles escusos ou lícitos, mas sempre vem acompanhada de interesses pessoais, que sempre querem dizer que estão acima do bem e do mal, porque definem os padrões estéticos manobrando a opinião pública a seu favor.
O filme que se passa nada mais é do que o mesmo cenário, com os mesmos diretores e roteiristas, mas com personagens que apenas são cíclicos.
Os espectadores, ou a massa de manobra, que, de tempos em tempos, oscilam de acordo com a condição econômica, sustentam a perspectiva quase indolente de quem ditam as regras.
Realmente, sem percebermos, mas já vivendo em pleno século 21, estamos aplaudindo que não devemos apenas sobreviver, mas que conceitos antigos de moral devem ser rompidos e obrigatoriamente devemos expandir no nosso campo de poder, independente de conceitos dados por Deus, que por vezes chamamos de leis, como já alertava Friedrich Nietzsche.
Oras, de que adianta ter a lei da garantia de um processo que permite a ampla e irrestrita defesa, com leis constitucionais, se a condenação já está anunciada e aplaudida pela opinião pública? Que então prenda todo mundo conforme os padrões estéticos.
Afinal, se está na internet, então é verdade.
Quando se estigmatiza uma classe inteira ao identificar pobres, empresários, políticos e agora magistrados como bandidos querendo fazer uma identificação de padrão estético de quem é bom e de quem é mau, isso é péssimo, porque além de rotular injustamente os honestos (que são a grande maioria), cria-se uma barreira psicológica de medo entre todos, gerando um (in)consciente coletivo de apartheid social chamado “eles e nós” causando prejulgamentos, medo, ódio entre as classes, desconfiança entre pares, presunção de culpa e muita injustiça.

