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Soberania em xeque

PCC e Comando Vermelho atravessam uma profunda metamorfose, afastando-se da delinquência comum para consolidar um perigoso modelo de poder paraestatal que se infiltra nas veias do Estado e na economia formal

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A soberania de uma nação é tradicionalmente medida pela rigidez de suas fronteiras e pela solidez de suas instituições. No entanto, o cenário contemporâneo impôs ao Brasil um desafio peculiar: uma erosão silenciosa das estruturas de governança promovida pelo crime organizado.

Grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) atravessam uma profunda metamorfose, afastando-se da delinquência comum para consolidar um perigoso modelo de poder paraestatal que se infiltra nas veias do Estado e na economia formal, desafiando as ferramentas jurídicas tradicionais.

Observa-se hoje um processo de camuflagem institucional. Organizações criminosas utilizam a estrutura estatal para expandir seus domínios, gerindo serviços essenciais – como transporte público, coleta de resíduos e até unidades de saúde – para converter verbas públicas em capital de giro ilícito.

Controlam municípios em sua totalidade e ampliaram sua atuação para os três poderes e esferas institucionais, infiltrados nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Este fenômeno aponta para um risco iminente de ‘mexicanização’.

Diante deste cenário, a integridade da democracia é posta em xeque, exigindo análise que transcenda a segurança pública e alcance a defesa nacional.

Essa complexidade se agrava com a transformação do território nacional em um entreposto logístico global, atraindo redes criminosas internacionais. A convergência entre o narcotráfico doméstico e presença de células terroristas extrarregionais altera a percepção de risco sobre o País.

Como confirmado pela Operação Carbono Oculto, grupos internacionais utilizam a capilaridade das facções brasileiras para operações de financiamento e suporte logístico, acredite, conectando o crime urbano às instabilidades do Oriente Médio.

Um pilar central dessa vulnerabilidade é a arquitetura financeira. O Brasil carece de uma lei robusta de triagem de investimentos estrangeiros, similar ao modelo de economias centrais. A inexistência de filtros que escrutinem ‘investimentos’ mantém as portas abertas para ativos perigosos.

Por meio de engenharias societárias em paraísos fiscais, o capital do crime e do terrorismo é reciclado na economia real, como na infraestrutura, agronegócio, portos, indústria, terras raras, atingindo nossa soberania ao financiar desestabilização institucional, expondo o sistema bancário a graves riscos reputacionais.

É neste vácuo jurídico que surge uma estratégia de defesa contemporânea: a convergência com a classificação de Organização Terrorista Estrangeira (FTO) proposta pelos EUA. Sob a ótica da Realpolitik, o apoio a essa medida não é submissão, mas a adoção de um multiplicador de forças indispensável.

Ao integrar PCC e CV a este regime, o Brasil ganha acesso a um arsenal de sanções financeiras e inteligência de alta tecnologia que isoladamente levaria décadas para desenvolver. A classificação retira as facções da zona de conforto do direito penal comum, permitindo que o Estado promova higidez nos capitais empresarial e financeiro.

A verdadeira soberania manifesta-se na capacidade de reconhecer ameaças e buscar alianças que potencializem a autoridade estatal. O apoio à iniciativa americana e a implementação de leis rigorosas de triagem de investimentos são as faces de uma mesma moeda.

O enfrentamento ao narcoterrorismo exige um pragmatismo soberano que infelizmente tem faltado ao nosso país.

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Entenda por que condomínios eficientes gastam menos, mesmo investindo mais

Condomínios eficientes investem em manutenção preventiva, planejamento de longo prazo, tecnologia e profissionalização da gestão

20/03/2026 07h45

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Existe um paradoxo na gestão condominial que ainda confunde síndicos e moradores: os condomínios mais eficientes costumam ser aqueles que mais investem. Ainda assim, no longo prazo, são justamente esses que gastam menos.

Essa aparente contradição revela uma mudança de mentalidade que o setor precisa amadurecer: eficiência não é sinônimo de cortar custos, mas de alocar recursos com inteligência.

Durante décadas, a lógica predominante foi a da economia imediata. Reduzir contratos, postergar manutenções, adiar investimentos. O problema é que condomínios são estruturas complexas, com ativos físicos, pessoas, obrigações legais e impactos patrimoniais.

Quando a gestão se orienta apenas por contenção de despesas, ela cria passivos invisíveis que aparecem mais tarde em forma de emergências, conflitos e desvalorização do patrimônio.

Condomínios eficientes investem em manutenção preventiva, planejamento de longo prazo, tecnologia e profissionalização da gestão. Isso significa trocar equipamentos antes de falhas críticas, revisar contratos com critérios técnicos, digitalizar processos financeiros e criar rotinas de governança.

Esses investimentos aumentam o orçamento no curto prazo, mas reduzem drasticamente despesas emergenciais, desperdícios e riscos jurídicos ao longo do tempo.

A lógica econômica é simples: manutenção preventiva custa menos do que manutenção corretiva. Um vazamento detectado cedo evita uma reforma estrutural; um contrato bem negociado gera economia recorrente por anos; um sistema de controle financeiro reduz a inadimplência e evita chamadas extras.

O condomínio que planeja substitui a cultura do improviso por previsibilidade.

Eficiência também é governança. Investir em transparência, comunicação estruturada e prestação de contas clara reduz conflitos, judicialização e desgaste político. Assembleias mais informadas geram decisões mais racionais. Moradores que confiam na gestão participam mais, pagam em dia e apoiam projetos de longo prazo.

Há ainda um fator patrimonial frequentemente ignorado. Condomínios bem cuidados, com infraestrutura atualizada e gestão organizada, preservam e ampliam o valor dos imóveis.

Em mercados urbanos competitivos, compradores e locatários já observam não apenas a unidade, mas o funcionamento do condomínio como um todo. Gestão eficiente se transforma, na prática, em valorização imobiliária.

O discurso de “gastar menos” costuma ser popular em assembleias, mas é enganoso quando não vem acompanhado de planejamento. Cortes lineares em manutenção, segurança ou gestão geram economias momentâneas, mas criam passivos ocultos que explodem no futuro. 

No universo condominial, o barato raramente sai barato de fato. Eficiência, portanto, não é austeridade cega. É estratégia. É compreender o condomínio como uma organização viva, com ciclo de ativos, riscos legais, fluxo de caixa e impacto social.

Investir mais, quando feito com inteligência, é o caminho mais curto para gastar menos no longo prazo.

Por fim, a maturidade do setor condominial passa por essa virada de chave. Condomínios eficientes não são os que cobram menos taxa, mas os que entregam mais valor por cada real investido.

Em um País cada vez mais verticalizado, essa diferença deixará de ser um detalhe administrativo para se tornar um fator central de qualidade de vida e de preservação de patrimônio.

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Governança e compliance para o agronegócio

Sem estrutura de governança, o produtor ou empresa simplesmente fica fora do jogo

20/03/2026 07h30

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O agronegócio brasileiro é hoje uma das maiores forças econômicas do País, representando atualmente cerca de 25% do PIB nacional, podendo representar 30% do PIB do Brasil no final do ano.

Nos últimos anos, tornou-se tendência no meio rural o planejamento sucessório por meio da criação de holdings familiares. Trata-se de um passo importante para organizar o patrimônio e reduzir conflitos entre gerações. Contudo, governança é mais ampla do que estrutura societária. 

À medida que o setor se consolida como protagonista global, cresce também a exigência por transparência, sustentabilidade e integridade corporativa. Nesse contexto, os sistemas de governança e compliance tornaram-se instrumentos essenciais não apenas de conformidade, mas de vantagem competitiva sustentável e de credibilidade.

A aplicação de boas práticas de governança corporativa no agronegócio vai muito além do planejamento patrimonial-tributário, controle contábil ou da gestão de riscos. É alinhar o negócio rural à agenda Environmental, Social and Governance (ESG), que orienta decisões de investimento, crédito e comércio internacional.

Produtores, empresas rurais, cooperativas e agroindústrias têm sido avaliadas não apenas por sua produtividade, mas por sua gestão ambiental responsável, relações trabalhistas éticas e práticas de governança transparentes.

A pressão, no bom sentido, vem de todos os lados: investidores estrangeiros, bancos, grandes redes de varejo e organismos internacionais condicionam negócios a padrões de integridade e sustentabilidade. Outro fator de pressão vem do avanço das operações da Receita Federal e de órgãos de controle sobre o setor.

As ações de cruzamento de dados fiscais e de combate à elisão e evasão tributária no agronegócio se tornaram cada vez mais sofisticadas, exigindo dos produtores e empresas rurais cada dia mais governança tributária e compliance fiscal estruturados.

Assim, adotar mecanismo de governança e compliance deixou de ser uma opção e tornou-se instrumento para se atingir uma boa gestão no ambiente do agronegócio.

O mercado global também impõe seus filtros. Importadores europeus, norte-americanos e asiáticos exigem comprovação de práticas de conformidade socioambiental como condição para fechar contratos.

A rastreabilidade da origem da produção, o respeito às normas trabalhistas e ambientais, e a aderência a políticas anticorrupção são cláusulas cada vez mais frequentes nas compras internacionais de commodities brasileiras.

Sem estrutura de governança, o produtor ou empresa simplesmente fica fora do jogo.

O produtor rural moderno precisa compreender que governança e compliance são o novo alicerce da competitividade. Planejar sucessões e estruturar holdings é importante, mas é apenas o início.

O futuro do setor dependerá cada vez mais da capacidade de alinhar produtividade com integridade, tecnologia com transparência, e crescimento com sustentabilidade.

O produtor rural que compreender que compliance e ESG não são custos, mas investimentos estratégicos, estará um passo à frente. 

Afinal, no mercado global contemporâneo, quem plantar a cultura da governança e compliance colherá credibilidade e resultado com sustentabilidade.

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