Cidades

JÚRI POPULAR

Às vésperas de julgamento histórico, faixas voltam a "invadir" ruas da Capital

Jamil Name Filho e mais dois acusados começam a ser julgados a partir da próxima segunda-feira e faixas cobram a condenação

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Às vésperas do júri popular que terá como réus Jamil Name Filho, o policial civil aposentado Vladenilson Daniel Olmedo e o ex-gurada municipal Marcelo Rios, acusados do assassinato do universitário Matheus Coutinho Xavier, as ruas de Campo Grande voltaram a ser tomadas por faixas pedindo a condenação daquilo que os autores chamam de “milícia que planejou a maior matança da história de MS”.

A previsão é de que o júri comece na próxima segunda-feira, dia 17, no fórum de Campo Grande. Dois dos réus estão no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, e outro já está em Campo Grande. A previsão é de que acompanhem presencialmente o júri, que pode se estender por até quatro dias, conforme agenda da Justiça. 

Faixas com o mesmo conteúdo e sem autoria definida já haviam sido espalhadas pela cidade em novembro de 2019 e em meados de abril deste ano, mas o julgamento foi adiado e algumas delas permanecem desde então. 

Neste fim de semana, porém, outras foram colocadas em avenidas de grande movimento, como Afonso Pena, Bom Pastor, João Arinos, Spipe Calarge e Zahran, entre outras. 

Embora não haja autoria, a última frase das faixas, em latim, diz: “meu filho eu não vou te deixar” (filuis meus te non relinquan). E essa é uma importante pista sobre a autoria. Jamil, Vladenilson e Marcelo Rios serão julgados pela execução do filho do ex-policial Paulo Roberto Teixeira Xavier, de 52 anos.

O jovem, que tinha 19 anos, foi executado na porta de casa, no Jardim Bela Vista, no dia 9 abril de 2019, quando manobrava a caminhonete do pai. O ex-policial tem a convicção de que os tiros de fuzil AK47 eram destinados a ele. Mas, como o estudante de Direito estava dirigindo o carro do pai, foi morto por engano. 

E, depois desse crime, a família Name e pessoas que supostamente estariam a seu serviço passaram a ser alvos da Operação Ormertá e acabaram tendo a prisão decretada, em setembro de 2019.

O pai, Jamil Name, morreu aos 82 anos, em decorrência de covid, no dia 27 de junho de 2021. Ele estava em Mossoró, no Rio Grande do Norte, preso junto com o filho. 

Os integrantes da suposta milícia, conforme as denúncias do Ministério Público, praticaram crimes de pistolagem e ainda eram envolvidos em lavagem de dinheiro, agiotagem, exploração de jogos de azar e por formação de milícia armada. Durante décadas a família Name comandou o jogo do bicho em Campo Grande, conforme as denúncias.

O ex-policial militar Paulo Teixeira foi considerado peça chave nas investigações que levaram os réus à prisão. Ao longo de anos, conforme ele mesmo admitiu, prestou serviços à família Name e por isso tinha informações que levaram os investigadores da Operação Omertá a esclarecer o caso. 

A Secretaria de Justiça e Segurança Pública informa que elaborou um forte esquema de segurança para a próxima semana para garantir a integridades dos réus, jurados, testemunhas, advogados de defesa e dos quatro promotores de acusação. Porém, detalhes sobre esta segurança especial não foram liberados. 

A frase na faixa dizendo que a milícia planejou “a maior matança da história do MS, de picolezeiro a governador”, foi retirada de um diálogo que Jamil Name Filho teve por celular com uma interlocutora, conforme a investigação. 

No começo da operação, 19 pessoas foram presas, em setembro de 2019, por estarem a serviço da milícia. O júri previsto para a próxima semana será de apenas uma das execuções atribuídas ao grupo. 


 

polarização

Paulo Betti relata surpresa ao encontrar loja que proíbe entrada de petistas em Bonito

Ator esteve no município para festival de cinema e contou a Chico Pinheiro como reagiu ao aviso político na fachada de um comércio

10/08/2026 18h30

Ator Paulo Betti

Ator Paulo Betti Reprodução/instagram

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A passagem do ator Paulo Betti por Bonito, em Mato Grosso do Sul, acabou marcada por uma situação que chamou sua atenção durante a estadia no município. Convidado do jornalista Chico Pinheiro no canal Instituto Conhecimento Liberta, Betti contou ter encontrado uma loja de toldos com uma placa que dizia: “Proibida a entrada de petistas, inclusive clientes”.

Betti esteve em Bonito nas últimas semanas para participar do Festival de Cinema Bonito Cinesur, onde foi um dos destaques do evento. Durante a visita à cidade, conhecida pelos atrativos turísticos e pela natureza, o ator também aproveitou para conhecer estabelecimentos e a gastronomia local.

Foi durante esse período que se deparou com a placa na fachada do comércio. “Você sabe que eu estive agora em Bonito num festival de cinema. Um lugar lindo! Eu vi lá uma casa de toldos que tem uma placa escrito ‘Proibida a entrada de petistas, inclusive clientes’”, relatou.

A situação chamou a atenção do ator, que decidiu registrar o momento em frente ao estabelecimento. Em uma fotografia, Betti aparece ao lado da atriz Valentina Herszage fazendo o “L”, gesto associado aos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao contar o episódio a Chico Pinheiro, Betti relacionou a experiência em Bonito ao ambiente de polarização política no Brasil e questionou como a situação seria recebida caso a mensagem tivesse como alvo eleitores de outro grupo político.

“Imagina se fosse ao contrário, seria um escândalo. Por isso que eu acho que nós corremos risco”, afirmou.

A experiência também serviu de ponto de partida para o ator falar sobre a divisão política no país. Durante a entrevista, Betti defendeu que a população compreenda o que chamou de “luta de classes”.

“As pessoas precisam entender que existe uma coisa chamada luta de classes. De pelo menos falar assim: ‘Olha, bicho, se você é pobre, você não pode votar no candidato do rico'”, disse.

O relato foi feito dias depois da passagem do ator por Mato Grosso do Sul. Apesar da repercussão da situação, Betti também destacou positivamente a cidade onde esteve para o festival. “Um lugar lindo!”, resumiu o ator ao lembrar de Bonito durante a entrevista.

Carreira Médica

Prefeitura abre caminho para médicos dobrarem jornada em Campo Grande

Mudança permite que profissionais com carga de 12 horas passem para 24 horas semanais; médicos de outras jornadas também são alcançados pelos editais.

10/08/2026 18h16

Editais abrem processo para mudança de jornada de médicos que atuam na rede municipal de saúde de Campo Grande.

Editais abrem processo para mudança de jornada de médicos que atuam na rede municipal de saúde de Campo Grande. Foto: Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande iniciou uma nova etapa de reorganização da carreira dos médicos que atuam na rede municipal de saúde. Editais publicados nesta segunda-feira (10) abrem a possibilidade de profissionais atualmente vinculados à jornada de 12 horas semanais migrarem para 24 horas e determinam o enquadramento de servidores que ainda ocupam cargos de 20 horas, além de convocarem médicos de 24h e 40h para procedimentos relacionados ao reposicionamento na carreira.

A medida envolve um quadro previsto de 470 vagas nas carreiras de 12h e 20h. Desse total, 400 correspondem ao cargo de médico com jornada de 12 horas e outras 70 ao de 20 horas.

Atualmente, conforme o documento, 168 vagas de 12h e 35 de 20h estão ocupadas por servidores com direito ao enquadramento. 

A principal mudança atinge os médicos de 12 horas. Parte dos profissionais relacionados no edital poderá optar pelo enquadramento no cargo de médico 24h, ampliando a carga horária semanal.

A implementação foi dividida em três etapas: há previsão de 33 vagas na primeira, outras 33 na segunda e 102 na terceira, esta última prevista a partir de 30 de dezembro de 2026. 

Na prática, a ampliação da jornada pode aumentar o número de horas de trabalho de médicos já vinculados à rede municipal, o que abre possibilidade de maior disponibilidade desses profissionais nos serviços de saúde.

O edital, porém, não detalha se a mudança resultará em aumento imediato do número de consultas, ampliação de horários nas unidades ou redução das filas de atendimento. Esses impactos dependerão de como a Prefeitura distribuirá a nova carga horária dos profissionais.

Diferentemente desse grupo, para os ocupantes do cargo de médico 20h a publicação estabelece o enquadramento no cargo de 24h, com posterior extinção da antiga jornada. O edital aponta 70 vagas previstas para a carreira de 20 horas, das quais 35 estão atualmente ocupadas. 

Na prática, a publicação coloca em andamento uma transição prevista na legislação municipal para modificar a composição das jornadas médicas da rede. No caso dos profissionais de 12h, a adesão ao enquadramento depende da opção do servidor incluído nas condições estabelecidas pelo edital.

Para quem está na jornada de 20h, a mudança para 24h decorre do enquadramento previsto na Lei Complementar nº 377, de 7 de abril de 2020.

Progressão na carreira

A mudança de jornada não é o único procedimento aberto pela administração municipal. Médicos efetivos também poderão concorrer ao chamado reposicionamento de classe hierárquica, mecanismo relacionado à evolução dentro da carreira.

O primeiro edital contempla profissionais de 12h e 20h. Já uma segunda publicação feita no mesmo Diário Oficial convoca médicos com jornadas de 24 e 40 horas para concorrer ao reposicionamento. 

Na relação referente às jornadas maiores aparecem 22 profissionais no quadro de médicos de 24h e outros 33 no de 40h.

Entre os servidores relacionados há profissionais que ingressaram na administração municipal em diferentes períodos, incluindo vínculos iniciados ainda na década de 1990 e outros a partir de 2020. 

Com isso, os atos publicados nesta segunda-feira abrangem diferentes situações funcionais: médicos de 12h que podem optar pela ampliação para 24h; servidores de 20h que serão enquadrados na nova jornada; e profissionais das carreiras de 12h, 20h, 24h e 40h que, conforme cada caso previsto nos editais, poderão disputar reposicionamento hierárquico.

Prazo começa nesta terça-feira

Os profissionais contemplados terão uma semana para cumprir os procedimentos administrativos. O cronograma estabelece atendimento entre 11 e 17 de agosto, das 7h30 às 10h30 e das 13h30 às 16h30.

A documentação deverá ser entregue na Divisão Técnica de Medicina da Gerência de Responsabilidade Técnica (DTMED/GRT), na sede da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), localizada na Rua Bahia, nº 280, região central de Campo Grande. 

Entre os documentos exigidos estão identificação pessoal ou carteira do Conselho Regional de Medicina (CRM) e certificados de formação acadêmica.

Dependendo da situação funcional, poderão ser apresentados certificados de pós-graduação, residência, mestrado, MBA ou doutorado. Para médicos de 12 horas interessados na mudança de jornada, também está previsto o Termo de Opção, disponibilizado no local de atendimento. 

Depois da análise da documentação, os servidores ainda poderão contestar eventual decisão administrativa. Os editais estabelecem prazo de dois dias úteis após a divulgação das análises para apresentação de recurso. 

A convocação foi publicada em edição extra do Diário Oficial de Campo Grande desta segunda-feira e é assinada pela secretária municipal de Administração e Inovação, Andréa Alves Ferreira Rocha.

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