Exatos 54 dias depois do aviso de lançamento da licitação, a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) publicou nesta segunda-feira (24) a homologação da licitação da obra do chamado novo acesso às Moreninhas, declarando oficialmente como vencedora a empreiteira Anfer, que ofereceu desconto de 0,8% sobre o valor máximo estipulado pelo Governo do Estado e agora deve ser contratada por R$ 57.513.895,95.
Outras licitações lançadas na mesma época ainda estão longe da conclusão, como é o caso da licitação que prevê mais de R$ 76 milhões para construção de quase cinco quilômetros de uma avenida na região central Chapadão do Sul.
O aviso de licitação prevendo a repaginação da antiga MS-306 na área urbana de Chapadão saiu no dia 26 de junho e para esta segunda-feira (24) estava agendada a reabertura do certame, mas para habilitação/inabilitação - diligência.
Ou seja, o aviso da licitação relativo à obra em Chapadão do Sul aconteceu uma semana antes do anúncio para a obra das Moreninhas e ainda está longe de ser concluído, uma vez que nem mesmo ocorreu a habilitação das empreiteiras interessadas.
Porém, mais ágil que o próprio certame foi a construtora, que na semana passada, dia 18, já estava com dezenas de homens e máquinas fazendo a terraplanagem no local por onde vai passar a nova avenida.
O Governo do Estado, porém, alegou que a Anfer estava apenas fazendo a limpeza do local para futura entrada das máquinas. Esta informação, contudo, confirma que a empreiteira tinha certeza da vitória na licitação. Naquela data aida não havia acabado o prazo para que algum concorrente apresentasse recurso contra a proposta considerada vitoriosa.
Na manhã desta segunda-feira, depois de o Correio do Estado mostrar que a obra milionária havia começado antes mesmo da conclusão da licitação, da assinatura do contrato e da assinatura da ordem de serviço, nenhuma movimentação de máquinas ou trabalhadores era perceptível no meio da pastagem por onde vai passar a nova avenida.
A maior parte destas máquinas havia sido retirada do local. Somente um rolo compactador e um caminhão-pipa permaneciam no canteiro de obras.
Antes disso, desde o dia 18 de agosto, pelo menos seis máquinas pesadas, como patrola, tratores de esteira e pás carregadeiras , além de três caminhões, estavam sendo utilizados na terraplanagem do trecho inicial da nova via, que vai ligar a avenida Alto da Serra, nas Moreninhas, à Avenida Rita Vieira, na região do bairro Itamaracá.
O valor máximo estipulado pela Agesul para a obra foi de R$ 57.980.488,49. Quatro empreiteiras chegaram à fase de disputa de preços. A Equipe Engenharia nem mesmo ofereceu desconto. A Contek Engenharia ofereceu deságio de R$ 58 mil, o que equivale a 0,1% sobre o valor máximo.
A terceira participante mostrou interesse um pouco maior, oferecendo desconto de R$ 409 mil. Mas, Foi derrotada porque a Anfer baixou o valor em R$ 467 mil, ou 0,805%.
A vencedora do certame já foi a responsável pela primeira parte deste projeto estruturante. Ela foi contratada por R$ 41,3 milhões e iniciou os trabalhos em dezembro de 2022. Ao final do projeto as obras custaram quase R$ 54 milhões. Parte dos aditivos, da ordem de R$ 7 milhões, foram relativos ao acréscimo de vias novas que foram recapeadas ou que receberam asfalto novo nas Moreninhas.
Faz mais de dois anos que a primeira etapa da nova avenida estava concluída. No começo de 2023 chegou a ser anunciada uma licitação para a segunda parte, mas ela não avançou e o asfalto novo ligava a região das Moreninhas a uma pastagem.
Uma das explicações para a longa interrupção entre as duas etapas foram entraves na desapropriação dos 52 imóveis sobre os quais a nova avenida será construída. Estas indenizações consumiram em torno de R$ 16 milhões e também foram bancadas pela administração estadual.


