Cidades

Sensível

Vídeo mostra maníaco buscando ferramenta para enterrar criança após estupro e morte

Câmeras de segurança flagraram quando o criminoso pediu a ferramenta ao vizinho; Emanuelly, de 6 anos, foi estuprada e morta

Continue lendo...

Mais de dez horas após ter levado a pequena Emanuelly Victória dos Santos, de 6 anos, Marcos Willian Teixeira Timóteo foi flagrado caminhando tranquilamente pela Rua Dracena, às 18h35 da última quarta-feira (27). Imagens de câmeras de segurança mostram o criminoso indo até o vizinho e voltando para casa com uma ferramenta, já após a morte da criança. Veja o vídeo abaixo.

Nas imagens, o homem conhecido como “Gordinho” aparece chamando um vizinho e pedindo emprestado uma ferramenta de escavação, chamado cavucate. Junto com o favor, um pedido estranho: que ele não comentasse “com o Kennedy nem com o Deivid”.

De posse do instrumento, o vídeo mostra ainda que Marcos segue a passos calmos rumo à sua casa, no bairro Vila Carvalho, onde, desde o fim da manhã, o corpo da pequena Emanuelly estava ocultado.

A terça-feira, 27 de agosto, começou como qualquer outra. Entre idas ao trabalho, passeios e encontros com vizinhos, ninguém da família poderia imaginar que o crime aconteceria.

Há dois anos, Marcos frequentava o lar de Deivid, pai da menina. Ambos tinham esposas e filhas pequenas, o que facilitava a convivência.

“Era conhecido só do trabalho, aparecia de vez em quando para conversar e passar, mas nunca chegou a parar muito por aqui”, lembra o pai.

Pelas lembranças da família, tudo começou por volta das 8 horas da manhã. Ao passar em frente à casa, Marcos percebeu que estava vazia. A avó de Emanuelly havia acabado de sair para a casa da bisavó e Deivid seguira para o trabalho. 

O homem, então, chamou a menina e pediu que passasse a chave pela janela. Sem maldade, ela obedeceu. Com a porta aberta, o destino da criança foi selado.

O desespero tomou conta da família apenas mais tarde. Quando voltou para o almoço, Deivid encontrou a casa vazia. A menina não estava em casa para o almoço. Ao perguntar à irmã, descobriu que ela também não havia ido para a casa da bisavó.

Sem respostas, retornou ao trabalho aflito. Lá, encontrou Marcos. Dividiu com ele a angústia do desaparecimento da filha e o colega, que há havia cometido o crime, apenas ouviu, impassível, sem qualquer reação.

Horas depois, por volta das 15h, Marcos pediu para ir embora do serviço. Nervoso, ele começava a sentir o cerco se fechar. 

A noite chegou e, em uma última tentativa de se tranquilizar, Deivid ligou novamente para a mãe. Mas a resposta foi um golpe devastador: Emanuelly não havia estado com a avó em nenhum momento do dia.

A família, em choque, entendeu que a menina estava desaparecida. Juntos, começaram as buscas. A primeira pista surgiu com as câmeras de uma barbearia, que registraram Marcos ao lado de Emanuelly pela manhã.

Para Deivid, não havia mais dúvida e ele ligou imediatamente para o suspeito.

“Onde está minha filha?”, questionou.

A frieza da resposta foi a confirmação de um pesadelo. “Não sei, não está comigo”, respondeu Marcos. Mas Deivid já sabia que a afirmação era falsa, por ter visto o vídeo e imaginar, então, que o pior poderia ter acontecido.

O corpo da menina estava próximo, escondido dentro da banheira da casa do assassino, enrolado em uma coberta marrom e lacrado com fita adesiva, com sinais de violência sexual e com marcas de esganamento.

Ao lado, o cavucate que pegou emprestado do vizinho repousava como prova do que ainda pretendia fazer: enterrar Emanuelly, sepultar junto dela sua infância, seus sonhos, sua vida.

Mas Marcos não teve tempo de sustentar a farsa, pois logo após a descoberta do corpo de Emanuelly, a polícia iniciou as buscas. O “Gordinho”, como era conhecido, tentou escapar, mas a tentativa de fuga terminou de forma brutal. Em confronto com os policiais, ele foi atingido e morreu.

A trajetória de Marcos já era marcada por históricos de passagens pela polícia por estupro, injúria e violência doméstica. Um currículo de violência que culminou em mais um ato cruel.

 

Assine o Correio do Estado

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

Continue Lendo...

O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).