Cidades

comissão de meio ambiente

Assembleia pede investigação sobre indígenas afetados por agrotóxicos

Episódio ocorre em fazenda de Dourados que pertence à Missão Caiuá, instituição que recebe recursos para cuidar da saúde dos povos originários; propriedade está arrendada para terceiros

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O deputado estadual José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, integrante da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, pediu ao Ministério Público Federal (MPF) investigação “com urgência” dos casos de indígenas que têm sido intoxicados por agrotóxicos aplicados em lavoura de grãos situada nos arredores das aldeias Jaguapiru e Bororo, em Dourados, onde vivem em torno de 13 mil guarani-kaiowá, conforme noticiou reportagem do Correio do Estado na semana passada.

A propriedade rural em questão, a Caiuaná, de 384 hectares, é da Missão Evangélica Caiuá, justo a entidade que há quase um século presta serviço assistencial aos indígenas, principalmente na área da saúde.

A instituição arrendou a área, e os atuais administradores tocam lá o plantio de soja e de milho. Sustenta o publicado pelo Correio do Estado que a Missão Caiuá tem convênios ativos com a União no valor de R$ 2 bilhões para prestar assistência de saúde a 291,6 mil indígenas em todo o País, dos quais 73 mil habitam aldeias em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o jornal, na aldeia perto da Fazenda Caiuaná, há histórico de animais mortos e uma indígena ficou cega supostamente por influência do uso de veneno na lavoura. Os agrotóxicos caem nas aldeias por meio da pulverização aérea.

REQUERIMENTO

“Indico à Mesa Diretora [da Assembleia Legislativa], observadas as normas regimentais e após ouvido o plenário, que seja encaminhado, com urgência, expediente deste Poder ao procurador-chefe do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul, Silvio Pettengill Neto, solicitando que sejam apuradas denúncias de condição insalubre e problemas de saúde dos indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororo, em Dourados, decorrentes da contaminação por agrotóxicos dispersos por aviões de arrendatários da Fazenda Caiuaná, de propriedade da Missão Evangélica Caiuá em MS”, diz trecho da petição de Zeca do PT prescrita ao chefe do MPF.

Ainda no expediente, é dito pelo parlamentar que “se procedente a denúncia veiculada pelo jornal Correio do Estado no dia 5 de junho, o procurador do MPF em Dourados, Marco Antônio Delfino de Almeida, prevaricou de suas atribuições ao não proceder no devido tempo as apurações dos fatos prejudiciais aos indígenas da região”.

O requerimento foi destinado também ao secretário especial de Saúde Indígena, Ricardo Weibe Nascimento Costa, ao coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena de MS, Arildo Alves Alcântara, à coordenadora regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Dourados, Teodora de Zoua, e à superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em MS.

No pedido do parlamentar, ele diz que tais órgãos devem responder, assim que notificados, em um período de 48 horas, a seguinte questão:

“Quais medidas estão sendo tomadas para a apuração destas denúncias de condição insalubre e problemas de saúde dos indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororo em Dourados, decorrentes da contaminação por agrotóxicos dispersos por aviões de arrendatários da Fazenda Caiuaná, de propriedade da Missão Evangélica Caiuá em MS?”.

Até segunda-feira (12), o MPF ainda não tinha se manifestado sobre o requerimento do deputado estadual.

O CASO

Reportagem publicada pelo Correio do Estado na semana passada diz que os agrotóxicos que têm contaminado as aldeias Jaguapiru e Bororo saem da Fazenda Caiuaná, propriedade da Missão Evangélica Caiuá, que está arrendada há décadas para produtores rurais da cidade para o plantio de soja e de milho. 

No século passado, diz o publicado, a Fazenda Caiuaná foi idealizada para abrigar uma escola rural para os indígenas. A reportagem diz que, nas aldeias em questão, há recorrentes mortes de animais dos indígenas. A queixa dos guarani-kaiowá é que os defensivos agrícolas teriam causado cegueira na moradora da aldeia Jaguapiru Elza Gonçalves Benites, de 72 anos.

A Fazenda Caiuaná está localizada em frente à aldeia Bororo, na rodovia MS-156, que liga as cidades de Dourados e Itaporã.

Com um contrato de arrendamento ativo desde 2018, a propriedade gerou uma renda de R$ 1,34 milhão no ano passado, resultado da colheita de 7.864 sacas de soja repassadas pelos arrendatários.

A fazenda já havia sido alvo de investigação do Ibama por usar agrotóxico proibido no Brasil, contrabandeado do Paraguai. Em 2015, o funcionário de um ex-arrendatário foi condenado a dois anos de prisão.

Agora, denúncias de contaminação por agrotóxicos oriundos dessas lavouras partem não só dos indígenas, mas também de entidades ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU).

A subsecretária-geral e assessora especial para a Prevenção do Genocídio da ONU, Alice Wairimu Nderitu, esteve em maio nas aldeias Jaguapiru e Bororo, vizinhas à fazenda da Missão Evangélica Caiuá.
Além da pobreza extrema e dos casos de prisões ilegais a que os indígenas são submetidos, ela também relatou contaminação de guarani-kaiowá por agrotóxicos.

“Agricultores pulverizam agrotóxicos nocivos em suas lavouras, que são inalados pelos guarani-kaiowá, o que causa sérios problemas de saúde na população, incluindo mortes de crianças”, acusou a subsecretária da ONU.

Ela não chegou a citar a Missão Evangélica Caiuá nominalmente, mas, em seu relatório, revelou que há falta de prestação de contas pelos líderes comunitários. “São alegações graves e que deveriam ser seriamente investigadas”, disse Alice Wairimu Nderitu. No mesmo documento, ela ainda pediu a “demarcação urgente” de terras e mencionou o conflito agrário no Estado.

A indígena Francisca Gonçalves Vogarim, filha de Elza Gonçalves, que ficou cega por causa da exposição excessiva aos agrotóxicos, conta o drama de conviver com a prática dos arrendatários da propriedade da Missão Caiuá.

“O veneno é o que mais prejudica nós. Antigamente, tinha horário para passar o veneno, mas há um tempo a quantidade aumentou muito. No ano passado, morreram dois cavalos”, relata.

“Eles passam veneno de dia e à noite. Minha mãe tem 72 anos e, como é idosa, tem imunidade baixa. Nos últimos anos, foi perdendo a visão e sofrendo com a quantidade de veneno. Ela fica mal mesmo: os braços coçam, os olhos coçam, e ela tem um mal-estar permanente no corpo”, completa Francisca.

Aedes Aegypti

Em MS, Chikungunya infecta 8 pessoas por dia

Secretaria Estadual de Saúde reforçou que medidas simples são essenciais para combater a proliferação do mosquito causador da doença

17/02/2026 16h30

MS supera os mil casos prováveis de Chikungunya

MS supera os mil casos prováveis de Chikungunya Divulgação

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Os casos de Chikungunya em Mato Grosso do Sul já registraram alta nos primeiros 48 dias de 2026. Dados do boletim epidemiológico da doença divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) mostraram que, até agora, foram confirmados 367 casos da doença e 1.061 casos prováveis. 

Em média, foram aproximadamente 8 casos confirmados da doença por dia no Estado desde o dia 01 de janeiro do ano. 

Em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram 481 casos prováveis da doença até o dia 8 de fevereiro, as suspeitas quase triplicaram. 

Fátima do Sul, Vicentina, Sete Quedas e Jardim são as cidades com maior incidência de casos, com mais de 300 casos por 100 mil habitantes.

No Estado, de forma geral, o número de incidência de casos é 38,5 a cada 100 mil habitantes, considerado baixo. 

Sete grávidas testaram positivo para a doença e não foi registrado nenhuma morte. 

A SES aproveitou os dias de carnaval para reforçar medidas para evitar a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da Zika. 

O aumento de circulação de pessoas e da produção de resíduos durante o período festivo acende o alerta para a importância do descarte correto do lixo e da eliminação de recipientes que possam acumular água parada, medida essencial para reduzir o risco de formação de criadouros do mosquito. 

"Com a chegada do Carnaval, é importante que a população redobre os cuidados, tanto quem for viajar ou aproveitar a folia quanto quem optar por ficar em casa. Pedimos atenção especial para evitar o descarte irregular de lixo e não deixar recipientes com água parada, que podem se tornar criadouros do mosquito da dengue. Pequenas atitudes fazem toda a diferença na proteção da saúde de todos", destacou a gerente de Doenças Endêmicas da SES, Jéssica Klener. 

Por isso, a orientação continuam as mesmas de sempre: jogar embalagens e copos nas lixeiras espalhadas nos locais de festa e evitar deixar acumuladores de água nas ruas, praças e terrenos baldios. 

"Uma simples lata ou copo plástico jogado na rua pode se transformar em um criadouro em poucos dias. O mosquito se desenvolve rapidamente, e cada recipiente com água parada representa um risco. Por isso, a colaboração da população é essencial para evitar novos focos", explicou Mauro Lúcio Rosário, coordenador de Controle de Vetores da SES. 

Para o pessoal que prefere a tranquilidade do feriado em casa, a pasta reforça a importância de vistoriar o quintal e o interior da residência. Verificar calhas, ralos externos, vasos de plantas, garrafas, baldes, lonas e caixas d'água são medidas eficazes no controle do mosquito. 

"Mais de 70% dos focos do mosquito são encontrados em ambientes domiciliares, o que torna a participação da população decisiva no enfrentamento das arboviroses. O controle do mosquito começa dentro de casa. Quando cada morador faz a sua parte, conseguimos reduzir significativamente os índices de infestação e proteger toda a comunidade", reforçou a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Castilho. 

Chikunguya

A Chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti.

Os sintomas são febre, dor de cabeça e dores nas articulações. O tratamento da Chikungunya é sintomático, ou seja, feito para aliviar os sintomas.

Recomenda-se ingestão de líquidos, de paracetamol ou dipirona em caso de dor. Em hospitais, o tratamento é realizado com líquidos intravenosos.

A doença pode evoluir para três fases: febril ou aguda, pós-aguda e crônica.

A fase aguda tem duração de 5 a 14 dias. A fase pós-aguda tem duração de até 3 meses. Se os sintomas persistirem por mais de 3 meses após o início da doença, considera-se fase crônica.

Os anti-inflamatórios não esteroides e corticosteróides não devem ser utilizados na fase aguda da doença. O ácido acetilsalicílico também é contraindicado na fase aguda.

Combate ao mosquito

As melhores formas de prevenir e combater a proliferação do mosquito Aedes Aegypti são:

  • Evitar deixar água parada em vasos de plantas;
  • Manter caixas d'água bem fechadas;
  • Eliminar acúmulo de água sobre a laje;
  • Manter garrafas e latas tampadas;
  • Fazer manutenção em piscinas;
  • Manter pneus ou outros objetos que possam acumular água em locais cobertos;
  • Tampar ralos;
  • Usar repelentes;
  • Fumacê;
  • Método Wolbachia.

DIFERENÇA

Apreensão de cocaína em 2026 tem queda brusca em relação ao ano passado

Segundo portal de estatística da Sejusp-MS, o Estado apreendeu 254 kg em janeiro e 295 kg em fevereiro deste ano, enquanto em 2025 ambos os meses passaram de uma tonelada

17/02/2026 15h00

Carga de pasta-base de cocaína encontrada escondido em semirreboque em 2025

Carga de pasta-base de cocaína encontrada escondido em semirreboque em 2025 DOF/ Divulgação

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Acostumado a ser um dos estados com maior apreensão de drogas no País de uns anos para cá, Mato Grosso do Sul apresentou uma queda brusca na apreensão de cocaína em 2026 em comparação com o ano passado, chegando a aproximadamente quatro vezes a menos que no mesmo período de análise.

Segundo o portal de estatística da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), em janeiro deste ano foram apreendidos 254,5 quilos de cocaína, enquanto nos primeiros 31 dias de 2025 foram confiscados 1,3 toneladas, o que representa uma queda de 81,5%.

Já sobre fevereiro, no ano passado foi registrado um volume apreendido de 1,4 toneladas, e em 2026 este dado está em 295,1 kg, ou seja, uma redução de 79,5%. Contudo, vale destacar que os números foram atualizados no último sábado (14), às 23h59, o que significa que a apreensão deste mês deve fechar um pouco acima do demonstrado agora.

Ao comparar com os números de 2024, a diferença fica um pouco menor, já que em janeiro e fevereiro daquele ano foram apreendidos 533 kg e 848,6 kg, respectivamente.

Maconha

Partindo para outra amostragem, a maconha também apresentou uma queda considerável de um ano para o outro. Em janeiro do ano passado, foram apreendidos 35,6 toneladas, e em 2026 este número não passou das 25 toneladas, correspondendo a uma diferença de 30,9%.

Já em fevereiro a diminuição é ainda maior, já que este ano foram 13,8 toneladas e em 2025 foram 34,4 toneladas, redução de 59,8%.

Histórico

O volume de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul despencou quase 30% em 2025 e alcançou a menor marca desde 2019, segundo indicadores publicados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com base em números enviados pela Sejusp.

O Estado também deixou de ser o campeão brasileiro de apreensões de drogas, posição que tinha desde o início da década, e agora é o segundo em maior volume de apreensões, atrás do vizinho Paraná, que também faz fronteira com o Paraguai. 

Em Mato Grosso do Sul, no ano passado, foram apreendidas 12,2 toneladas de cocaína, 30,26% a menos que em 2024, quando foi confiscado um volume de 17,6 toneladas. 

No que diz respeito à maconha, ela tem um destaque maior no Estado, com 411,3 toneladas apreendidas em 2025, uma redução de 29,01% em relação ao ano anterior, quando foram apreendidas 579 toneladas.

Diante disso, ao somar os números das apreensões de ambas as drogas, Mato Grosso do Sul registrou uma queda de 29,05% em comparação com 2024, tendência que também ocorre na quantidade de ocorrências de tráfico de drogas, que diminuíram de 4.058 para 3.341 (17,67%).

Em comparação com os dados compilados dos últimos 10 anos, as 423,6 toneladas apreendidas em 2025 representam o menor volume desde 2019, quando foram confiscadas 383,6 toneladas. 

No Paraná, campeão de apreensões em 2025, foram retidas 566,3 toneladas de drogas (maconha e cocaína). Em 2024, Mato Grosso do Sul apreendeu 597 toneladas, enquanto o Paraná confiscou 490,8 toneladas.

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