Cidades

OLÊ OLÁ

Bloquinhos levam mais de 40 mil às ruas da Capital durante o Carnaval

Nesta terça-feira, a festa foi comandada pelo Cordão Valu na Esplanada Ferroviária

Continue lendo...

O Carnaval de rua em Campo Grande reuniu um público de, aproximadamente, 44 mil foliões nos bloquinhos da Capital, segundo dados estimados pela Guarda Civil Metropolitana. 

As comemorações começaram, oficialmente, na noite de sexta-feira (13), na Esplanada Ferroviária, e um público estimado em 20 mil pessoas. 

Os dados do segundo dia não foram divulgados pela Guarda nem pelos canais oficiais da Prefeitura. 

No domingo (15), 12 mil pessoas passaram pela Esplanada, entre famílias, amigos e foliões, no bloco Capivara Blasé. A festa começou de manhã, a chamada ‘matinê’, voltada para as crianças. O bloco principal iniciou às 15h e seguiu até a meia noite.

O organizador do bloco, Vitor Samudio, ressaltou a importância da festa para a cultura de Mato Grosso do Sul. 

“O nosso carnaval da Esplanada esse ano foi considerado um patrimônio imaterial da cultura de Mato Grosso do Sul. Esse carnaval que a gente faz é muito importante do ponto de vista da cultura de Mato Grosso do Sul, fortalecendo o Carnaval feito em MS”, disse. 

O Capivara Blasé também puxou a festa durante a segunda-feira (16), com um público de mais 15 mil foliões, que não desanimaram nem com a chuva. A festança reuniu gente fantasiada de todo jeito, desde o cantor Freddie Mercury até o ator Wagner Moura, vencedor do Globo de Ouro e indicado ao Oscar. 

Durante a noite, mais 15 mil espectadores se reuniram na Praça do Papa para o primeiro dia dos desfiles das escolas de samba de Campo Grande. Desfilaram durante a segunda-feira as escolas Herdeiros, Igrejinha, Unidos da Vila Carvalho e Unidos do Cruzeiro. 

Terça de Carnaval

A festa ainda não acabou e muitos foliões continuam animados para curtirem até o último minuto do feriado. 

Nesta terça-feira, quem comandou a festa foi o bloco Cordão Valu, que comemora 20 anos em 2026. O bloco, que também comandou a festa no sábado (14), colocou todo mundo para dançar com frevo, samba e maracatu. 

“A festa está linda, muitas crianças brincando, muita gente dançando. Ainda vamos ter dois cortejos até o final da noite, vindos da [avenida] Mato Grosso até o palco”, contou Silvana Valu, fundadora do Cordão Valu.  

Silvana Valu / FOTO: Gerson Oliveira

Para ela, a comemoração dos 20 anos do bloco é algo especial e emocionante, que reúne amigos de longa data e lembranças saudosas. 

“Esse ano tem sido muito mais especial comemorar no bloco. Estamos mais velhos, mais cansados, mas a festa continua muito emocionante. Passamos algumas fotos no telão desde os primeiros anos e muita gente chorou, se emocionou. É uma alegria poder estar junto porque é uma galera que vem comigo há 20 anos, que frequentam a minha casa, e a cada ano essa galera vai aumentando e essa amizade vai se consolidando”, relatou. 

A folia reúne todas as pessoas, desde os menores, que aproveitam para bagunçar e brincar, até os mais antigos. Além disso, a cada ano, mais pessoas aparecem nos blocos para conhecer a festa. 

Amanda Barros, de 32 anos, é frequentadora assídua da festa juntamente com a filha, de seis anos. Neste ano, ela trouxe o marido, Alex Mendes, pela primeira vez. 

“Eu não sou muito fã e ficava um pouco inseguro com a segurança. Mas está bem tranquilo. Eu vou onde as meninas vão”, relatou Alex. 

Amanda e Alex / FOTO: Gerson Oliveira

Gabriel da Silva, de 26 anos, conseguiu vir para a festa no último dia de folia por causa do trabalho. Junto com a galera, foi a primeira vez que conseguiram chegar no bloco na parte da tarde. 

“Eu trabalhei todos os outros dias e hoje consegui vir. A gente gosta de vir, aproveitar o rolê, beber um pouco e se divertir. Só não dá para ficar até à noite porque eu trabalho 5 horas da manhã amanhã”, contou à reportagem em risos. 

Gabriel da Silva / FOTO: Gerson Oliveira

Para o deputado Pedro Kemp (PT), a festa faz parte da cultura do Brasil e é considerada a maior festa popular do País. 

“Campo Grande ficou muito tempo sem carnaval de rua e agora a gente tem um bom carnaval dos blocos. Eu, particularmente, considero a maior festa popular do nosso País e a gente tem que prestigiar. Tem a parte de conscientização, do ‘não é não’, de respeitar as mulheres, de não discriminar ninguém. É uma festa democrática, da diversidade, cada um vem do seu jeito, do jeito que gosta, então tem que haver respeito acima de tudo para garantir alegria e festa para todo mundo”, afirmou à reportagem. 

A Guarda Civil ainda não divulgou uma expectativa de público. 

Além do Cordão da Valu na Esplanada Ferroviária, a noite desta terça-feira também tem o último dia dos desfiles das escolas de samba campo-grandenses. 

Se apresentam hoje na Praça do Papa as escolas Os Catedráticos do Samba, Deixa Falar e Cinderela Tradição. 

A apuração das notas está marcada para amanhã (18), a partir das 17 horas, no Teatro de Arena do Horto Florestal, quando será anunciada a escola campeã. 

A festa só acaba no sábado (21), com os dois últimos blocos.

  • 14h - Bloco Eita! – Monumento Maria Fumaça
  • 17h - Bloco dos Forrozeiros MS – Esplanada Ferroviária (Rua Dr. Temístocles)
 

ANUÁRIO

Crescem registros de racismo e violência contra pessoas LGBTQIAPN+ em MS

Casos podem ser ainda maiores, considerando que muitos casos não são denunciados ou não há computação da orientação sexual de vítimas

23/07/2026 18h45

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Continue Lendo...

Os registros de crimes de racismo, injúria racial e violência contra pessoas LGBTQIAPN+ aumentaram em Mato Grosso do Sul entre 2024 e 2025, segundo a nova edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.    

Com relação aos casos de injúria racial, foram 179 registros no ano passado, contra 155 em 2024, variação de 14,6%. Já os casos de racismo, foram 199 em 2024 e 209 em 2025, aumento de 4,2%.

A injúria racial consiste em ofender a honra de alguém se valendo de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem, enquanto o crime de racismo atinge uma coletividade indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça.

Dentre os estados, considerando os casos de injúria racial para cada 100 mil habitantes, Distrito Federal (28,9), Santa Catarina (27,1) e Mato Grosso (20,6) apresentaram as maiores taxas.

Quanto às ocorrências de racismo, Santa Catarina liderou os registros, computando 32,8 a cada 100 mil habitantes, seguido por Distrito Federal e Rio Grande do Sul, respectivamente com taxas de 30,3 e 26,8.

Violência contra pessoas LGBTQIAPN+

O Anuário registrou queda dos casos de racismo motivados por homofobia ou transfobia no Estado. Entre 2024 e 2025, esse tipo de ocorrência caiu -62,5%, passando de 16 para seis registros entre um ano e outro.

Também houve redução nos casos de estupro de pessoas LGBTQIAPN+, passando de 54 para 50.

No entanto, houve aumento em outros tipos de violência contra esta população. Os casos de lesão corporal dolosa saltaram de 368 para 407, crescimento de 10,6%. Cinco pessoas foram assassinadas no ano passado, contra três em 2024.

"É importante considerar que muitas agressões contra pessoas LGBTs não se explicam só pela manifestação do ódio individual. Pelo contrário, elas são sustentadas por normas sociais que exigem conformidade a um só padrão cisheteronormativo, isto é, que impõe a cisgeneridade e a heterossexualidade como norma, e punem, sistematicamente, a diferença", diz análise do anuário.

A pulbicação ressalta ainda que os números podem ser bem maiores, pois há estados que não especificam a identidade de gênero ou a orientação sexual de vítimas de homicídio nos registros de ocorrência.

Segurança Pública

Número de armas legais em MS cresce 240% e supera 40 mil registros

Levantamento aponta que estoque de armas registradas na Polícia Federal mais que triplicou em oito anos; Estado ocupa a 10ª posição no ranking nacional.

23/07/2026 18h29

Mato Grosso do Sul fechou 2025 com 40.899 armas registradas, crescimento de 240% em relação a 2017, aponta levantamento nacional.

Mato Grosso do Sul fechou 2025 com 40.899 armas registradas, crescimento de 240% em relação a 2017, aponta levantamento nacional. Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O mercado legal de armas de fogo em Mato Grosso do Sul mais que triplicou nos últimos oito anos e atingiu o maior patamar da série histórica. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam que o Estado passou de 12.023 armas com registro ativo em 2017 para 40.899 em 2025, um crescimento de 240,2% no período.

Somente no último ano, o estoque de armamentos legalizados aumentou 3%, consolidando a tendência de expansão observada desde a flexibilização das regras para aquisição de armas no país.

O levantamento considera os registros ativos no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), administrado pela Polícia Federal, e contempla armas pertencentes a cidadãos, empresas e instituições autorizadas.

Os números demonstram que, embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado em relação aos anos anteriores, Mato Grosso do Sul continua ampliando o número de armamentos legalizados em circulação.

A evolução é expressiva. Em 2018, o Estado contabilizava 12.575 registros ativos. No ano seguinte, esse número saltou para 16.217. Em 2020, alcançou 19.177. Já em 2021, ultrapassou pela primeira vez a marca de 24 mil armas registradas.

Após relativa estabilidade em 2022, quando foram contabilizadas 24.799 armas, o estoque voltou a crescer de forma acelerada em 2023, chegando a 37.989 registros. Em 2024, o total subiu para 39.694 e, em 2025, atingiu 40.899 armas legalizadas.

Mato Grosso do Sul fechou 2025 com 40.899 armas registradas, crescimento de 240% em relação a 2017, aponta levantamento nacional.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Embora o aumento dos registros não signifique, necessariamente, maior violência, a ampliação do número de armas exige fiscalização constante.

Isso porque armamentos adquiridos legalmente podem acabar desviados para organizações criminosas por meio de furtos, roubos, comércio clandestino ou utilização irregular pelos proprietários.

Quais armas predominam em MS

O perfil do arsenal legal em Mato Grosso do Sul mostra predominância das pistolas e revólveres, que concentram a maior parte dos registros ativos no Sistema Nacional de Armas (Sinarm).

Entre as pessoas físicas, há 29.216 pistolas e revólveres, além de 11.048 espingardas e 11.273 rifles, fuzis e carabinas.

Já entre as pessoas jurídicas, destacam-se 6.027 pistolas, 3.655 revólveres, 445 espingardas, 392 rifles, fuzis e carabinas e 100 metralhadoras ou submetralhadoras registradas.

Os dados evidenciam que as armas curtas continuam predominando no mercado legal sul-mato-grossense, enquanto as armas longas mantêm presença significativa, principalmente em atividades rurais, na segurança privada e em instituições autorizadas.

MS no ranking nacional de armas

Na comparação entre os estados, Minas Gerais concentra o maior número de armas de fogo com registro ativo no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), com 185.619 registros em 2025. Na sequência aparecem São Paulo (149.562), Goiás (100.589) e Mato Grosso (79.808).

Ranking dos estados com mais armas registradas (2025)

  • 1º Minas Gerais -185.619
  • 2º São Paulo - 149.562
  • 3º Goiás - 100.589
  • 4º Mato Grosso - 79.808
  • Rio Grande do Sul - 58.251
  • 6º Paraná - 57.645
  • 7º Santa Catarina - 56.956
  • 8º Bahia - 54.370
  • 9º Rio de Janeiro - 49.169
  • 10º Mato Grosso do Sul - 40.899

Com 40.899 armas registradas, Mato Grosso do Sul ocupa a 10ª posição no ranking nacional e supera estados como Pernambuco (14.332), Piauí (7.849), Rio Grande do Norte (7.814), Tocantins (6.207), Sergipe (5.230) e Roraima (5.061), este último com o menor estoque de armas registradas do país.

Apesar de possuir uma população inferior à dos principais estados brasileiros, Mato Grosso do Sul mantém um número expressivo de armamentos legalizados.

O resultado reflete características próprias do Estado, como a forte presença do agronegócio, a ampla área rural e a extensa faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia, fatores que influenciam tanto a demanda por armas quanto os desafios para o controle e a fiscalização.

O papel dos CACs na expansão do mercado de armas

Parte desse crescimento está diretamente relacionada ao universo dos Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). Nos últimos anos, a flexibilização das regras para aquisição de armas impulsionou a expansão dessa categoria e elevou significativamente seus acervos.

O ano de 2025 marcou uma mudança importante na política de controle de armas no Brasil. Desde 1º de julho, a Polícia Federal passou a ser responsável pelo registro, controle e fiscalização das atividades dos CACs, função que até então era exercida pelo Exército Brasileiro.

A transferência de competência, prevista no Decreto nº 11.615/2023, ocorreu após um período de transição entre as duas instituições e colocou sob gestão da PF um universo de 1.064.959 pessoas com Certificado de Registro de CAC em todo o país, segmento que registrou forte expansão durante os anos de flexibilização do acesso às armas.

O debate ganha contornos ainda mais relevantes em Mato Grosso do Sul devido à posição geográfica estratégica do Estado.

Com mais de 1.500 quilômetros de fronteira seca com Paraguai e Bolívia, a região é considerada uma das principais rotas de entrada de armas, munições e drogas no território nacional.

Operações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Civil e das forças estaduais frequentemente interceptam carregamentos destinados a abastecer facções criminosas em diferentes estados brasileiros.

Menos armas apreendidas

Apesar da expansão do mercado legal de armas, outro indicador do Anuário aponta movimento contrário. As apreensões realizadas pelas forças estaduais de segurança diminuíram em Mato Grosso do Sul.

Em 2024, foram apreendidas 591 armas de fogo. No ano seguinte, esse número caiu para 559, redução de 5,4%. A taxa estadual passou de 12,7 para 12 armas apreendidas por 100 mil habitantes.

A redução nas apreensões não permite concluir, por si só, que há menos armas ilegais circulando. O indicador pode refletir mudanças na estratégia das organizações criminosas, alterações no perfil das operações policiais ou oscilações nas ações de fiscalização.

Por isso, os dados prcisam ser analisados em conjunto com outros indicadores, como homicídios, roubos, tráfico de armas e atuação das facções criminosas.

Brasil

Em âmbito nacional, o Anuário mostra que o Brasil possui cerca de 1,6 milhão de armas de fogo com registros ativos no Sinarm.

O levantamento também chama atenção para a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de controle e rastreabilidade do armamento legal, especialmente em estados de fronteira como Mato Grosso do Sul, onde o combate ao tráfico internacional de armas representa um dos maiores desafios para as forças de segurança.

Para pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o fortalecimento da fiscalização sobre armas legalizadas, aliado ao combate às rotas internacionais de contrabando, continua sendo uma das principais estratégias para reduzir o abastecimento do mercado ilegal e limitar o acesso de organizações criminosas a armamentos de alto poder de fogo.

Mais do que revelar um aumento expressivo no número de armas registradas, o levantamento coloca em evidência um dos principais desafios da segurança pública em Mato Grosso do Sul: conciliar o direito à posse legal de armamentos com mecanismos eficientes de controle e fiscalização.

Em um estado que faz fronteira com dois dos principais corredores do tráfico internacional, manter o monitoramento permanente do arsenal legal é uma das estratégias para evitar desvios e dificultar o fortalecimento do crime organizado.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).