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POLÍTICA

Ataque dos Estados Unidos divide opiniões entre venezuelanos residentes de MS

Com mais de 4 mil habitantes em Mato Grosso do Sul, a nação de imigrantes mais populosa do Estado deve ficar ainda maior após as investidas dos Estados Unidos

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Durante este sábado (3), os Estados Unidos atacaram a Venezuela com bombardeios na capital Caracas e em outros três Estados. A ofensiva resultou na captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores.

Para a presidente da Associação Venezuelana em Campo Grande (AVCG), Mirtha Carpio, a prisão de Maduro e de sua esposa "é a busca pela democracia na Venezuela". Ela acredita que este ato pode ser uma mudança e uma transição positiva para o país, mas não sabe se a população que reside em Mato Grosso do Sul irá voltar de imediato para seu país de origem, "pois não vai ser fácil retornar devido a instabilidade política que enfrenta".

Mirtha explica, ainda, os motivos que fizeram a população venezuelana aumentar exponencial no Estado durante os últimos anos.

"Pela mesma situação que está acontecendo hoje na Venezuela. Crises humanitárias, mais de 1500 presos políticos, falta de trabalho e um salário que não alcança para sobreviver. Ademais, falta de governo em todos os sentidos". 

"Uma bomba não vai atacar o presidente, ali morrem pessoas inocentes." diz a venezuelana Diana, contrária a intervenção de Trump ao país / Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Com uma perspectiva oposta, a venezuelana Diana Pineda, que vive em Campo Grande e é técnica superior administrativa, não está de acordo com a intervenção militar dos Estados Unidos ao seu país. Ela veio para Mato Grosso do Sul com seus dois filhos, mas ainda tem família na Venezuela. 

"Uma bomba não vai atacar o presidente, ali morrem pessoas inocentes. Em nenhum momento, sob nenhuma circunstância, estamos de acordo com a intervenção militar, nem em nosso país, nem em outro país, porque a soberania dos povos se respeita, os países são soberanos, são autônomos, e se deve respeitar. Quem deve tomar decisão em nosso país? Os venezuelanos. Os venezuelanos são os que têm, ou necessitam. Nenhum outro país".

"Estados Unidos não é o dono do mundo", diz Jesus Arredondo / Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

 

Outro venezuelano que não está de acordo com os ataques das tropas norte-americanas é o analista geopolítico Jesus Arredondo, também residente em Campo Grande. Para ele, o movimento dos Estados Unidos está ligado aos interesses comerciais pelo petróleo, já que a Venezuela possui a maior reserva do mundo.

"Estados Unidos não é o dono do mundo. O que eles querem é a deslocação, para apoderar-se do petróleo venezuelano. Eles não se importam com o povo, isso é mentira, querem as riquezas do país. Eles não se importam com Maduro. O que queremos é paz, que levantem as sanções bilaterais que foram cometidas contra a Venezuela para que possamos progredir dignamente, como sempre fizemos".

População venezuelana em MS

Para a presidente da AVCG, este ataque estadunidense pode impactar diretamente no número de imigrantes no Brasil, principalmente em Roraima, que faz divisa com a Venezuela. A fronteira entre os dois países está fechada no momento.

Na última década, aumentou a população venezuelana que vive no em Mato Grosso do Sul. De acordo com o "Censo Demográfico 2022: Fecundidade e migração: Resultados preliminares da amostra", até 2010, havia um total de 16 indivíduos vindos da Venezuela no Estado. Em 2022, nota-se um salto para 4.249 habitantes, consolidando a nação como a com mais imigrantes de MS, ultrapassando o número de paraguaios (3.065). 

Total de imigrantes em MS até 2022

Em Campo Grande, foram contabilizados 4.111 imigrantes morando na Capital. Destes, 830 são venezuelanos, o maior número de estrangeiros da Capital. Em seguida, vêm os que nasceram na Colômbia, 161, e no Reino Unido, que são 112 moradores. 

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Infraestrutura

Prefeitura prepara obra de R$ 1,2 milhão na Avenida Europa em Campo Grande

Intervenção prevê recuperação de quase 9 mil m² de asfalto e melhorias de acessibilidade; licitação será realizada em 4 de novembro.

16/10/2026 18h17

Imagem aérea mostra equipes e máquinas trabalhando na pavimentação de uma rua de Campo Grande. Prefeitura abriu licitação de R$ 1,16 milhão para recuperar a Avenida Europa.

Imagem aérea mostra equipes e máquinas trabalhando na pavimentação de uma rua de Campo Grande. Prefeitura abriu licitação de R$ 1,16 milhão para recuperar a Avenida Europa. Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande abriu licitação estimada em R$ 1,16 milhão para contratar uma empresa responsável pela recuperação da Avenida Europa, no trecho entre as avenidas Ernesto Geisel e Bandeirantes. O projeto prevê intervenções em aproximadamente 796 metros da via, com recuperação do pavimento asfáltico e melhorias nas condições de acessibilidade.

O aviso foi publicado nesta sexta-feira (16), no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), a pedido da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). O processo será conduzido pela Secretaria Especial de Licitações e Contratos (Selc).

Conforme a planilha orçamentária, a intervenção contempla aproximadamente 8,9 mil metros quadrados de recapeamento asfáltico, além de serviços de remoção do pavimento deteriorado, adequações em meios-fios, sarjetas e estruturas de drenagem.

O projeto também prevê trabalhos em cerca de 480 metros quadrados de áreas destinadas a calçadas e rampas de acessibilidade, incluindo a instalação de piso tátil para facilitar a circulação de pessoas com deficiência visual.

A maior parte do investimento estimado será destinada à recuperação do pavimento, com aproximadamente R$ 889 mil previstos para os serviços de asfaltamento.

De acordo com a documentação, o cronograma de execução está distribuído em três etapas, ao longo de 90 dias. Entretanto, ainda não há data definida para o início dos trabalhos, que dependem da conclusão da licitação e da contratação da empresa responsável.

A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a intervenção faz parte das iniciativas destinadas à melhoria da infraestrutura viária da Capital.

"Nosso compromisso é cuidar da infraestrutura da cidade e buscar melhorias que façam a diferença no dia a dia da população. A recuperação da Avenida Europa vai contribuir para oferecer melhores condições de tráfego, mais segurança e conforto para quem passa pelo local", destacou.

Licitação será realizada em novembro

A sessão pública para disputa de preços está marcada para 4 de novembro de 2026, às 7h45. As empresas interessadas poderão encaminhar suas propostas até as 7h44 do mesmo dia.

O procedimento será realizado por meio do Pregão Eletrônico nº 173/2026, com julgamento pelo critério de menor preço.

Após a análise das ofertas e o cumprimento das demais etapas previstas no edital, a Prefeitura poderá formalizar a contratação da vencedora.

O valor de R$ 1,16 milhão corresponde ao orçamento estimado para os serviços e poderá ser reduzido conforme as propostas apresentadas durante a disputa.

 

El niño

Após temporal, Defesa Civil prevê "tempos difíceis" com mudanças climáticas abruptas

Prefeitura afirma que tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027

16/10/2026 17h30

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após as fortes chuvas que caíram em Campo Grande nessa quinta-feira (16) e que causou diversos estragos, principalmente relacionados a transbormamento de córregos e alagamentos, a Defesa Civil Municipal alerta que o cenário para os próximos meses é preocupante.

Conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), em cerca de 24 horas, choveu quase todo o acumulado registrado em outubro do ano passado.

"Nós vamos ter tempos difíceis agora, mudanças climáticas abruptas", disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, Enéas Netto.

Isto porque, conforme o Executivo Municipal, a tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027.

Enéas afirmou que o órgão recebeu mais de 50 chamados relacionados ao temporal de quinta-feira e que as equipes estão nas ruas trabalhando no rescaldo.

O coordenador pediu para que a população utilize o número 199, de emergência, para reportar qualquer tipo de situação relacionada às chuvas. Através deste número, a Defesa Civil faz a coordenação, com direcionamento para cada secretaria específica tomar as devidas providências e ações necessárias.

Enéas Netto também pediu para que a população tome medidas preventivas para evitar qualquer ocorrência dutrante as chuvas.

"Orientamos a população, por exemplo, numa situação de advento climático como a que aconteceu ontem, a Defesa Civil pôde presenciar, inclusive, pessoas enfrentando fortes enxurradas, expondo a vida em risco.
Então, a partir do momento que emitir o alerta da Defesa Civil, para que a população respeite e siga as orientações", alertou.

"Tendo a possibilidade de uma chuva maior, de uma ventania e tudo mais, não deixar seus veículos embaixo das árvores, se possível não sair de casa, se tiver que sair, identificando uma situação de ponto de alagamento, não enfrente esse ponto de alagamento, preservando a vida sempre", orientou.

Rescaldo

A Prefeitura de Campo Grande está com equipes nas ruas desde a tarde de quinta-feira, com ações que incluem limpeza e desobstrução de vias, manutenção da drenagem urbana e acompanhamento de pontos de alagamento.

Entre os serviços em andamento estão a limpeza de grades e rebojos, retirada de terra acumulada e a desobstrução de bocas de lobo.

A atuação também envolve o atendimento a famílias afetadas pelas chuvas e o levantamento de possíveis danos em imóveis. 

O balanço geral das ocorrências, dos danos provocados pelo temporal e dos atendimentos realizados está em levantamento pelos órgãos municipais e não foi divulgada até a publicação desta reportagem.

Recorde para o mês

Conforme o Cemtec, nos primeiros 15 dias de outubro de 2026, houve predomínio de acumulados de chuva expressivos e acima da média climatológica mensal em grande parte de Mato Grosso do Sul.

O maior registro de precipitação acumulada em Campo Grande foi de 272,8 mm, valor que representa um excedente de 81% em relação à média esperada para todo o mês de outubro.

A média histórica utilizada para comparação é de 150,6mm, baseada nos dados climatológicos da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada na Embrapa Gado de Corte, referentes ao período 1981–2010. 

Em todo o Estado, os maiores volumes foram registrados em Itaquiraí (297,8 mm), Paraíso das Águas - Fazenda Ranchinho (294,6 mm), Dourados (290,4 mm), Amambai - Novo Horizonte (281,6 mm), Maracaju (281,2 mm) e Campo Grande (272,8 mm).

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