Cidades

questionamentos

Prefeitura considerava obsoleto software contratado agora por R$ 8,6 milhões

Vereador aponta irregularidades na contratação e fala até em recorrer à Justiça para exigir o cancelamento do contrato feito sem licitação

Continue lendo...

Contratado pela prefeitura de Campo Grande por R$ 8,6 milhões, sem licitação, por ser o melhor e ser e único, o sistema de informática para “atualização do código fonte da Solução Integrada de Gestão Tributária Municipal”, pertencente à empresa DSF - Desenvolvimento de Sistemas Fiscais, era considerado, até recentemente, um sistema obsoleto e sem condições de uso.

E quem atestou isso foram os próprios técnicos da prefeitura que entendem do assunto e estavam fundamentando a contratação de um serviço de informática totalmente novo. 

"A Secretaria Municipal de Finanças e Planejamento - SEFIN, diante da impossibilidade da atualização do atual sistema, das eventuais falhas de segurança, da inexistência de profissionais que operem nas linguagens dos sistemas utilizados, o que impede a implementação de novas funcionalidades, garantindo assim a integridade e a agilidade necessárias ao serviço público, optou pela atualização tecnológica".

O parágrafo acima faz parte do Termo de Referência de um pregão (160/2023) que chegou a ser aberto em 2023. Porém, a licitação  acabou sendo engavetada no meio do caminho porque denúncias que chegaram ao Tribunal de Contas apontavam que ela estava sendo direcionada para favorecer a mesma empresa que agora foi contratada. 

Naquele certame, a prefeitura estava disposta a desembolsar até R$ 13,1 milhões e três dos quatro interessados apontaram que a disputa estava sendo direcionada para que o ex-secretário de finanças, Disney de Souza Fernandes, saísse vencedor. O sistema utilizado atualmente foi vendido por ele à prefeitura há cerca de uma década.

"Se a própria SEFIN reconhecia a "impossibilidade da atualização do atual sistema" e buscava uma solução inteiramente nova, qual foi a nova avaliação técnica que, em 2025, reverteu essa conclusão, tornando a "atualização" do código fonte existente não apenas viável, mas exclusiva do fornecedor original?", questiona o ex-prefeito e vereador Marquinhos Trad (PDT).

Por conta desta e de outras supostas contradições ele cobra a rescisão do contrato e fala até em recorrer à Justiça ou ao Tribunal de Contas para tentar comprovar que existem ilegalidades no contrato com a empresa oficialmente contratada nesta sexta-feira (19).

Disney Fernandes foi secretário da pasta de finanças na administração de Juvêncio César da Fonseca, a partir de 1993, e de Alcídes Bernal, a partir de 2013.

De acordo com Marquinhos, "o parecer que agora justifica a inexigibilidade de licitação  não confronta nem refuta essas análises técnicas anteriores que afastavam a possibilidade de atualização do SGTM. Isso representa uma grave falha na instrução processual e uma inconsistência inaceitável na avaliação técnica do próprio órgão", opina o ex-prefeito. 

NECESSIDADE

Marquinhos até concorda com a necessidade de modernização do sistema de informática utilizado para cobrança de impostas. Porém, discorda da dispensa da licitação na contratação da empresa. 

De acordo com ele, em 2017, quando ainda era prefeito, estudos chegaram a ser feitos neste sentido e os quatro servidores responsáveis por estes levantamentos apontarm a existência de uma série de empresas capacitadas e interessadas para vender o serviço. 

E, foram estes mesmos quatro servidores que em 2023 elaboraram os laudos técnicos apontando a necessidade de abertura de licitação com ampla concorrência. Agora, porém, estes mesmos técnicos chegaram à conclusão de que somente a empresa do ex-secretário têm condições de modernizar o serviço. 

Isso "levanta sérias dúvidas sobre a imparcialidade e a consistência das avaliações técnicas e administrativas. Esses servidores tinham conhecimento da capacidade do mercado em oferecer soluções competitivas. É   inaceitável que a administração apresente uma justificativa de exclusividade sem um histórico coerente de avaliações técnicas de seus próprios agentes", diz o vereador. 

Outra suposta irregularidade apontada por Marquinhos na documentação que levou à assinatura do contrato que garantirá R$ 8.628.864,00 anuais à empresa de Disney Fernades é uma exigência para que ela mesma fizesse uma "declaração de que é detentora legítima dos direitos de propriedade intelectual (código-fonte e documentação técnica) do objeto, comprovando a exclusividade na prestação dos serviços de atualização, customização e evolução tecnológica da solução". 

Declaração como esta, segundo o ex-prefeito, deveria ser emitida por uma outra empresa, conforme determina a legislação.

De acordo com o ex-prefeito, "a Instrução Normativa SGD/ME nº 94/2022, que rege as contratações de TIC, é clara em seu Art. 5º, inciso XII: "É vedado... aceitar autodeclarações de exclusividade, ou seja, cartas ou declarações emitidas pela empresa proponente afirmando que seu próprio produto é exclusivo no mercado". 

Ou seja, dá a entender o ex-prefeito, fazer a autodeclaração de exclusividade é o equivalente ao dono de time de futebol ser o árbitro de uma partida. É muito improvável que ele perca um jogo que vale R$ 8,6 milhões.

VALIDADE 

O contrato tem validade de 12 meses e foi assinado pela secretária municipal de finanças, Márcia Helena Hokama, pelo diretor-presidente da Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação, Leandro Elias Basmage Pinheiro Machado e pelo proprietário da empresa DSF - Desenvolvimento de Sistemas Fiscais Ltda, Disney de Souza Fernandes. 

No dia 12 de setembro, quando a prefeita Adriane Lopes oficializou a contratação e a dispensa da licitação, a publicação informou que o contrato de agora previa, além da atualização do código fonte, “serviços de implantação, treinamento e manutenção”. 
 

Conferência das Partes

PF age na COP15 em Campo Grande e fiscaliza segurança privada do evento

Polícia Federal tanto compõe e estrutura esquema especial de segurança, quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais

26/03/2026 09h44

Agentes estão  empregados de forma estratégica e preventiva

Agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional".  Reprodução/PF/CS.SRMS

Continue Lendo...

Até o próximo domingo (29), a Polícia Federal atua e também fiscaliza a segurança privada da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada no espaço Bosque Expo em Campo Grande. 

Nessas duas frentes, a PF tanto compõe e estrutura um esquema especial de segurança quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais. 

Durante essa semana acontecem ações de fiscalização dos vigilantes privados que atuam durante a Conferência, que basicamente garantem que toda a segurança contratada da COP15 "esteja de acordo com a legislação vigente". 

Como bem esclarece a PF, através do setor de comunicação social da superintendência regional em Mato Grosso do Sul, essa fiscalização da segurança privada é essencial em eventos de grande porte, garantindo um ambiente seguro e regulado para servidores, público e os profissionais que realizam o evento. 

Esquema de segurança

Além de fiscalizar a segurança privada, o emprego das chamadas equipes especializadas do Comando de Operações Táticas (COT) estrutura um esquema especial responsável por reforçar as ações preventivas e proteger as autoridades e delegações participantes. 

Dessas medidas, por exemplo, cabe destacar que esses agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional". 

Ou seja, esses agentes do Comando de Operações Táticas (COT) trabalham a todo o tempo durante a COP15 com objetivo de identificar e de neutralizar eventuais ameaças. 

"A atuação envolve vigilância qualificada, posicionamento tático em locais estratégicos e capacidade de pronta resposta a incidentes que podem comprometer a segurança das autoridades, das delegações estrangeiras, do público e das estruturas relacionadas ao evento", complementa a PF em nota.

Além disso, como bem acompanha o Correio do Estado, até mesmo "fuzis anti drones" estão sendo usados pela Polícia Federal durante a COP15, para inclusive neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

É importante esclarecer que há protocolos específicos para inclusive resposta imediata, por isso a PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15.
 

Assine o Correio do Estado

Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

Continue Lendo...

A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).