Na manhã deste sábado (15), um ato de justiça por Vanessa Ricarte, jornalista morta pelo ex-noivo, aconteceu no Centro de Campo Grande, do qual reuniu amigos e familiares da vítima, além de parlamentares, que se revoltaram com o caso, principalmente após os áudios vazados.
A ação, prevista para iniciar às 9h e perdurar até às 12h, foi organizada pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS). Com o passar do tempo, várias pessoas, que conheceram ou não Vanessa, começaram a chegar.
“Acho que era nosso dever se mobilizar nesse momento em que uma colega foi vítima de feminicídio. A gente vive praticamente uma epidemia de feminicídio, a gente é o quarto estado que mais mata mulheres, e isso a gente viu como uma oportunidade de fazer essas cobranças”, disse Tainá Jara, presidente da comissão de ética do Sindicato.
A senadora Soraya Thronicke esteve no ato e cobrou maior efetivo na proteção às mulheres, além de destacar que a necessidade ajudar outras “Vanessas”.
“A sorte da Vanessa é que ela tem um time mobilizado, coisa que outras mulheres não têm. Elas têm família, elas têm amigos, que não têm a força que vocês têm. Mas isso, que isso nos move para ajudar as outras 'Vanessas', que estão expostas todos os dias e que, sim, devem ser atendidas da melhor maneira possível”, afirmou a senadora eleita por Mato Grosso do Sul.
“Eu não quero que o judiciário brigue com a segurança pública, mas, na minha opinião, o delegado ou delegada deveria poder dar a medida protetiva já na rua”, completou Soraya.
Camila Jara, deputada federal filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), citou os altos índices de violência contra mulheres e pessoas LGBTQIA+ no estado como motivo para continuar lutando pelos direitos de ambas as comunidades.
“Mato Grosso do Sul lidera o ranking de violência contra a mulher e o ranking de violência contra pessoas LGBTQIA+. Campo Grande ainda é uma cidade que ameaça as nossas existências. Enquanto isso acontecer, nós não vamos nos calar. E se a gente não se movimentar, índices como esse e acidentes como esses vão continuar a acontecer”, reforçou Camila.
Durante a noite desta sexta-feira (14), um áudio da Vanessa reclamando do atendimento da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) vazou nas redes sociais. Diante disso, a parlamentar do PT afirmou que vai cobrar melhorias na assistência às mulheres agredidas e vítimas de violência doméstica.
“Nós vamos pedir uma auditoria na Casa da Mulher Brasileira, para que a gente consiga rever todos os processos que estão acontecendo lá dentro, para que os funcionários sejam treinados desde a recepção até o último atendimento, para que essas mulheres se sintam acolhidas, não se sintam responsáveis pela agressão”, destacou a deputada.
Dos 29 vereadores que compõe a Câmara Municipal de Campo Grande, apenas três compareceram ao ato: Luiza Ribeiro (PT), Jean Ferreira (PT) e Ronilço Guerreiro (Podemos).
Ainda, cartazes com os dizeres "basta de feminicídio", "nenhuma gota a mais" e "a maior epidemia do Brasil é o feminicídio" foram erguidas por mulheres durante o ato. No final, um grito conjunto de "Vanessa Vive" também foram cantados pelos presentes.
O caso
Jornalista, Vanessa Ricarte, de 42 anos morreu esfaqueada pelo noivo, Caio Nascimento, de 47 anos, na noite de quarta-feira (12), no Jardim São Bento, em Campo Grande.
Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital Santa Casa, passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu. A morte foi confirmada por amigos em um grupo de jornalistas do WhatsApp às 23h55min de quarta-feira (12).
Eles namoravam há 4 meses e moravam juntos. Ele tem passagens pela polícia por roubo, tentativa de suicídio, ameaça e violência doméstica contra a mãe, irmã e outras namoradas.
A jornalista iria completar mais um ano de vida no próximo domingo (16). Ela era assessora de imprensa do Ministério Público do Trabalho (MPT) e se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Saiba
O Governo Federal, por meio do Ministério das Mulheres, publicou uma nota oficial afirmando que vai enviar uma equipe para Campo Grande, a fim de apurar como foi o atendimento da DEAM no caso da Vanessa.


