Cidades

CAMPO GRANDE

Avenida sem iluminação é palco da quinta morte

Wilson Paes de Barros, avenida atrás do aeroporto, foi aberta há 13 meses e até hoje não possui iluminação pública

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Motociclista, que não teve a identidade divulgada, morreu em colisão entre carro e moto, na noite deste domingo (16), na avenida Wilson Paes de Barros, bairro São Conrado, em Campo Grande.

A avenida é desprovida de iluminação. Esta é a quinta morte desde que foi aberta para tráfego, em outubro de 2024.

Conforme apurado pela reportagem, a moto trafegava pela avenida em um sentido e o carro no sentido contrário, quando a moto ultrapassou um veículo e, neste momento, colidiu frontalmente contra o carro.

A parte frontal do carro ficou totalmente destruída, com amassos, avarias e descolamento de para-choque. Já a moto ficou irreconhecível, totalmente retorcida.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados, mas a vítima faleceu no local, antes mesmo de ser socorrida.

Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e funerária estiveram no local para isolar a área, recolher os vestígios, realizar a perícia e retirar o corpo.

5ª MORTE

Em 17 de novembro de 2024, um casal (Victor Pedro Peralta, de 50 anos e Maria do Socorro Soares Vieira, de 46 anos), que estava em um carro, morreu após colidir contra um poste na Wilson Paes de Barros.

Conforme apurado pela reportagem, mãe, pai e filha estavam em uma Chevrolet Blazer, trafegando pela Wilson Paes de Barros, quando o pai (motorista) desviou de um buraco no meio da pista, perdeu o controle do veículo e colidiu brutalmente contra um poste de iluminação.

Maria do Socorro estava sem o cinto de segurança e morreu na hora. Já Victor também não resistiu aos graves ferimentos e faleceu no local.

A filha, de 8 anos, que estava em uma cadeirinha no banco de trás, foi socorrida em estado gravíssimo e encaminhada para Santa Casa.

Em 1º de março de 2025, um motociclista de 35 anos, identificado como Luiz Fernando Rodrigues Arruda, morreu após ser atingido por um caminhão, na mesma avenida.

Ambos os veículos seguiam em sentidos opostos pela avenida, quando o caminhão fez uma conversão à esquerda e atingiu lateralmente a moto. Com o impacto, o rapaz faleceu no local, antes de receber atendimento médico.

Em 5 de junho de 2025Herike Cerqueira, de 21 anos, trafegava pela avenida sentido bairro-centro, quando ultrapassou um Gol. Porém, sem ver o motociclista, o carro realizou a mesma manobra, atingindo o jovem.

Com o impacto, Herike foi arrastado por alguns metros e quase foi esmagado pelo Gol, que desviou do rapaz e acabou batendo em um poste. Ele morreu no local, antes mesmo da chegada do socorro.

SEM ILUMINAÇÃO

Wilson Paes de Barros, avenida atrás do aeroporto, não possui iluminação pública. A avenida custou R$ 84 milhões aos cofres públicos e foi aberta para tráfego em outubro de 2024.

A falta de iluminação é extremamente perigosa neste trecho, tendo em vista que a noite, a capacidade de enxergar o horizonte é nula, devido à escuridão que toma conta do local.

À noite o motorista tem que trafegar e o ciclista tem que pedalar no escuro e "na sorte". O que ilumina a avenida são os faróis dos carros.

Relatório

Inspeção aponta revista com nudez e 13 horas sem comida em presídio de MS

Procedimento foi constatado após entrevistas reservadas com 85 internas, feitas sem a presença de policiais penais

23/02/2026 17h45

Foto: Divulgação

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Mulheres presas no Estabelecimento Penal Feminino de Ponta Porã relataram à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul que são submetidas a revistas com exigência de nudez e agachamentos, inclusive durante o período menstrual, além de passarem 13 horas sem comida. A prática foi identificada durante inspeção ordinária realizada sem aviso prévio pela instituição, que apontou uma série de violações de direitos dentro da unidade.

O procedimento foi constatado após entrevistas reservadas com 85 internas, feitas sem a presença de policiais penais, além de vistoria em todos os espaços do presídio.

Segundo o coordenador do Núcleo Institucional do Sistema Penitenciário, defensor público Maurício Augusto Barbosa, o relatório foi concluído no ano passado, mas, até o momento, poucas medidas efetivas teriam sido adotadas para corrigir os problemas apontados.

Além das revistas consideradas vexatórias, o documento registra relatos de agressões físicas com uso de spray de pimenta, punições coletivas, retenção de correspondências e denúncias de racismo, LGBTfobia e xenofobia.

O relatório descreve que a unidade funciona em um prédio adaptado de uma antiga escola, sem arquitetura adequada para presídio e sem laudos atualizados da Vigilância Sanitária ou do Corpo de Bombeiros.

Durante a vistoria, foram identificadas infiltrações, goteiras, rachaduras nas celas e deterioração em áreas de higiene.

As internas também relataram restrição no fornecimento de água, disponível apenas em horários específicos. Em alguns casos, segundo os depoimentos, o corte no abastecimento seria utilizado como forma de punição coletiva. Há registros de uso de baldes para banho devido à falta de funcionamento de chuveiros.

A alimentação também foi apontada como problema. São servidas três refeições por dia, às 6h30, 11h30 e 16h30, o que impõe um intervalo de cerca de 13h sem comida até o café da manhã seguinte. A Defensoria também apontou que a produção da horta mantida na unidade seria destinada exclusivamente aos agentes penais.

O relatório indica ainda ausência de estrutura interna para atendimento psicológico regular, limitação da assistência odontológica a procedimentos básicos e inexistência de exames preventivos, como mamografia.

Entre as recomendações encaminhadas estão a realização de vistorias técnicas, garantia de fornecimento contínuo de água potável, ampliação da assistência médica, odontológica e psicológica, eliminação de revistas com nudez e respeito aos direitos da população LGBTQIA+.

O documento pede investigação de denúncias de violência física e psicológica, maus-tratos, assédio sexual, racismo, LGBTfobia e xenofobia atribuídas a agentes penais e à direção da unidade.

O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ao Governo de Mato Grosso do Sul e a outros órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema prisional.

O documento é assinado pelos defensores públicos Maurício Augusto Barbosa, Andréa Pereira Nardon e Diogo Alexandre de Freitas.

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CORREÇÃO DOS VENCIMENTOS

Inquérito investiga prefeitura de MS por pagar salário-base abaixo do mínimo aos servidores

Promotora aponta inconstitucionalidade na política remuneratória dos servidores públicos de Naviraí

23/02/2026 17h10

Centro da cidade de Naviraí

Centro da cidade de Naviraí Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu inquérito civil contra a Prefeitura de Naviraí para apurar e corrigir uma suposta violação do Poder Executivo em relação aos pagamentos dos salários-base dos servidores públicos, que estão recebendo abaixo do vencimento mínimo nacional.

De acordo com a Promotora de Justiça, Fernanda Proença de Azambuja Barbosa, a medida adotada pela Prefeitura viola o artigo 7º, inciso VII, da Constituição Federal, o qual trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais e da garantia de salário, que não deve ser nunca inferior ao mínimo.

Ainda segundo os fundamentos da promotora Fernanda Proença, o inquérito foi aberto devido ao flagrante de uma "evidenciada situação" de inconstitucionalidade e também porque o prazo do procedimento (notícia de fato) expirou, sem que a Prefeitura resolvesse o problema de forma voluntária. 

Por fim, Fernanda aponta que, segundo o artigo 169 da Constituição Federal, que trata dos limites de despesas com pessoal, embora existam limites de gastos, a administração do município deve primeiro reduzir despesas com cargos em comissão e funções de confiança (pelo menos 20%) ou exonerar servidores não estáveis antes de sacrificar o direito ao salário mínimo dos servidores. Com a evolução para esta fase, o objetivo do MPMS agora é "apurar e corrigir suposta violação".

Origem do processo

A investigação começou a partir de uma manifestação do gabinete da vereadora Giovana Silvério (PSD), que denunciava uma possível inconstitucionalidade na política remuneratória dos servidores públicos de Naviraí, pelo fato destes profissionais estarem recebendo um vencimento-base inferior ao salário mínimo nacional, atualizado para R$ 1.621 este ano.

De acordo com o documento, as categorias que estão sendo prejudicadas são: 

  • operador de serviços públicos
  • auxiliar de serviços diversos
  • vigia
  • lavador e lubrificador de veículos e máquinas
  • auxiliar de oficina, 
  • técnico de manutenção de parques e jardins
  • zelador
  • auxiliar de laboratório
  • Operador de Serviços Públicos III.

O processo diz que estes profissionais recebiam o montante de R$1.482,68, e para compensar os valores havia o pagamento de R$ 35,32, como "complemento para atendimento ao salário mínimo", amparado, segundo a Prefeitura, na Lei Complementar n° 287, de 9 de junho de 2025.

Ocorre que, durante o procedimento, a prefeitura de Naviraí publicou a Lei Complementar n. 296, de 19 de dezembro de 2025, a qual estabelece que os servidores públicos do poder executivo municipal que recebiam abaixo do salário mínimo passariam a receber vencimento básico de R$1.621,00.

Além disso, a legislação previa ainda que a aplicação dos valores seria condicionada à observância dos limites de despesa com pessoal fixadas na lei de responsabilidade fiscal, além da disponibilidade orçamentária e financeira.

Diante disso, a vereadora Giovana Silvério informou que teria apresentado uma emenda modificativa, a fim de que os efeitos financeiros da lei se aplicassem imediatamente a partir da data de sua publicação. Todavia, a emenda foi rejeitada pelo plenário da Câmara de Vereadores.

Posição do Executivo

A Câmara Municipal de Naviraí alega, através da estrutura da sua política remuneratória e leis complementares, que é possível pagar um vencimento-base inferior ao salário mínimo, desde que a remuneração total, somada a gratificações e outras verbas, atinja o valor do piso nacional.

A administração pública também argumenta que ultrapassou os limites de despesas com pessoal em 2025, os quais ficaram acima do teto estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal, que estabelece o limite de 54% do total das receitas e não pode conceder reajuste de pessoal.

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