Em depoimento na manhã desta quarta-feira (25), o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, afirmou que a residência onde o auditor fiscal tributário da Secretaria Estadual de Fazenda, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, foi morto é alvo de uma disputa judicial com a Caixa Econômica Federal.
De acordo com Bernal, o imóvel, avaliado em mais de R$ 2 milhões, foi levado a leilão sem que ele fosse devidamente intimado. O ex-prefeito afirma que já ingressou na Justiça com ação para anular a execução extrajudicial.
Conforme o relato, o financiamento foi feito em conjunto com a companheira, com parte já quitada ao longo dos anos. “Eu não fui intimado pessoalmente da execução, nem do leilão, tampouco do arremate para exercer meu direito de preferência”, declarou.
Bernal sustenta que há cobrança de valores abusivos por parte da instituição financeira e que, por isso, questiona judicialmente todo o processo que resultou na perda do imóvel.
Ainda segundo Bernal, ao ser informado por uma empresa de monitoramento de que havia pessoas arrombando a casa, ele foi até o local acreditando se tratar de uma tentativa de invasão. Ele afirma que não conhecia o indivíduo arrematante do imóvel e defende que, mesmo em caso de leilão, a entrada na propriedade não poderia ocorrer daquela forma.
“Quem arremata um imóvel precisa buscar a posse pela via judicial, com mandado e oficial de Justiça. Não pode simplesmente invadir, arrombar portas e entrar”, disse.
O ex-prefeito ainda informou que o imóvel já havia sido alvo de outras ocorrências semelhantes, o que reforçou a percepção de que se tratava de mais uma invasão. Ele relata que episódios anteriores foram registrados na polícia e chegaram a ser acompanhados por equipes da Polícia Civil.
Outro ponto levantado por ele é que a pessoa atingida teria experiência com aquisição de imóveis em leilão. “Fui informado de que ele possui diversos processos desse tipo. Não é alguém leigo, que desconhece os procedimentos legais”, afirmou.
Depoimento
Durante sua versão, Bernal afirmou que atirou contra um homem ao reagir a uma suposta invasão em um imóvel de sua propriedade. Em depoimento à Polícia Civil, ele alegou que agiu em legítima defesa e que não tinha intenção de matar.
Segundo Bernal, o imóvel, onde mantém escritório e também reside, embora não estivesse no local no momento, já havia sido alvo de outras tentativas de arrombamento. Ele relatou que, por volta das 13h, foi avisado pela empresa de monitoramento de que havia pessoas forçando a entrada na casa.
“Pedi para a empresa impedir que eles invadissem e fui até lá. Quando cheguei, encontrei um carro na garagem impedindo meu acesso e o portão social arrombado”, disse.
Ao entrar no imóvel, o ex-prefeito afirmou ter se deparado com três pessoas. “Vi tentando empurrar a porta da sala, um, mais forte, ele olhou e me ameaçou, praticamente avançou sobre mim, a impressão que tive foi essa”.
Bernal disse que efetuou dois disparos em sequência, em questão de segundos. Segundo ele, o primeiro tiro não conteve o homem, que continuou avançando. “Tentei acertar na perna. O segundo disparo foi para o chão, mas parece que atingiu em outro lugar”, afirmou, acrescentando que não chegou a ver se a vítima havia morrido.
Após os disparos, ele afirmou ter acionado socorro e procurado a polícia. “Liguei para o Samu e fui até a delegacia comunicar que estavam invadindo novamente o imóvel”, disse.
A defesa de Bernal sustenta que ele acreditava ter causado apenas uma lesão e não um homicídio. “Ele se apresentou entendendo que havia atingido a perna ou outra região não letal. Agiu para se defender, pois estava sozinho diante de três pessoas”, afirmou a advogada.
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