Cidades

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Blocos resgatam o carnaval das marchinhas

Blocos resgatam o carnaval das marchinhas

Redação

17/02/2010 - 07h47
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Para contrapor ao carnaval contemporâneo marcado por axé, funk e até rock, 13 blocos desfilaram na noite de segunda-feira, em frente do Armazém Cultural na Esplanada Rodoviária, e fizeram a diferença relembrando marchinhas dos antigos reinados de Momo. “Mamãe eu quero”, “Taí”, “Máscara negra”, “Abrealas” e “Cidade Maravilhosa” foram algumas delas que fizeram parte do animado repertório. Nem as três horas de atraso desanimaram o público – bem maior que o esperado –, nessa primeira concentração de blocos de Campo Grande que superou as expectativas dos organizadores. Marcada para se iniciar às 18h, a apresentação só começou por volta das 21h com a ber t u ra of ici a l do prefeito Nelsinho Trad. Diferentemente do previsto, os carros carnavalescos e o Bloco Amor eu Vou Ali não desfilaram. De acordo com Nelsinho, a apresentação dos blocos cultiva as saudosas marchinhas que sempre estão nas paradas de sucesso. “O desfile tem que virar tradição porque as pessoas vêm animadas e daqui podem surgir até escolas de samba”. Conforme a Fundação Municipal de Cultura (Fundac), a desorganização com relação ao atraso se deu porque este foi o primeiro ano de concentração dos blocos e, a Associação de Blocos e Cordões Carnavalescos de Campo Grande, responsável pelo evento, ainda está adquirindo experiência para corrigir as falhas e melhorar no ano seguinte. O presidente da Fundac, Athayde Nery, disse que neste ano o desfile dos blocos não ocorreu com o das escolas de samba porque são acontecimentos diferentes. “Os blocos são mais liberados. Aqui o que vale é a animação, mas na avenida, se falta uma baiana a escola perde ponto”. Desfile Alguns foliões tiraram a fantasia do armário e desfilaram com perucas, máscaras, vestidos de Carmem Miranda, Chica da Silva e até mesmo Geisy Arruda, da Uniban, – aluna expulsa da faculdade depois de usar um vestido curto – como foi o caso do professor Daniel Amorim, de 31 anos, que há quatro participa do Bloco da Valu. “Espero o ano inteiro para chegar este dia. Adoro”, revelou o educador que sempre sai fantasiado de mulher. Criado em 2007 por funcionários da Santa Casa, o Bloco Tereré conta com cerca de 700 membros que tentam resgatar as marchinhas de época no carnaval campo-grandense, conforme o presidente do bloco Rafael Fandim da Silva. Durante a apresentação do Tereré era possível notar a presença de muitas crianças e até cachorro, que desfilou de coleira no colo da dona. Muito animados, os integrantes usaram e abusaram de confetes e serpentinas. Ao lado de filha, genro e netas, o aposentado Manoel de Souza Silva, 78 anos, disse que desfila há quatro no bloco e aproveita a festa para relembrar os velhos tempos. Sandra dos Santos Cereali revelou que o pai faz questão de sair no Tereré. Já o presidente da associação e responsável pelo Bloco Bem-Te-Vi, Valfrido de Almeida, o Dudu, contou que também é fundador da Escola de Samba Igrejinha e decidiu organizar o bloco quando percebeu que o desfile estava se tornando elitizado. “A escola desfila para o público, já os blocos se apresentam para eles mesmos”, comparou. A vontade de se divertir e participar de carnaval mobilizou um grupo de 10 educadores, que todos os anos convida mais amigos para prestigiar a festa. Conforme os professores João Carlos Ximenes, 46 anos, Eliana Espíndola Rodrigues, 57 anos, e Élcio Adania, 38 anos, eles desfilaram no Bloco do Fubá, na última sexta-feira, assistiram a apresentação das escolas no sábado, desfilaram na Igrejinha no domingo e, na segunda saíram nos blocos Tô na Onda e Bem-Te-Vi. Com aproximadamente 250 membros, o Bloco Quero- Quero também foi criado como uma alternativa para os moradores que não desfilam na escola de samba do Bairro Estrela do Sul, a Unidos do Cruzeiro, segundo o coordenador João Marcelo Pereira. Além da Rainha e Rei Momo, desfilaram na Esplanada Ferroviária os blocos Da Valu; Tereré; To na Onda; Tô que Tô; Moreninha de Ouro; Império dos Amigos; Embalo Estação do Samba; Quero-Quero; Margarida; Beber, Cair e Levantar; Saúde é o que Interessa; Bem- Te-Vi; e Os Bambas do BH. Público “A única coisa que tem que melhorar é a pontualidade. Hoje esperamos exatamente três horas e tive que levar minha filha e netinha em casa porque criança não sabe esperar e acaba dormindo”, reclamou o funcionário público Jonas Sanches, 59 anos, que assistiu às apresentações acompanhado da esposa Maria e da filha Ana Cláudia. Para a secretária Dalva Marques, 41 anos, falta melhorar a organização do evento e aumentar a quantidade de membros nos blocos. Já a diarista Isailda Souza Ramos, 32 anos, que estava acompanhada dos filhos Willian, 6 anos, Henrique, 10 anos, e Islaine, de 12 anos, reclamou do horário de encerramento do desfile. “Termina muito tarde, mas as crianças ficaram querendo desfilar. Ano que vem vou me informar para participar com meus filhos”. A cabeleireira Francisca dos Santos, 45 anos, adiantou o retorno de uma viagem só para assistir ao desfile e levar a cunhada Lucia Freire, que reside em Rondônia, para prestigiar os blocos. “Agora está parecendo carnaval mesmo”, avaliou o advogado José Luiz Bueno Mendes, 56 anos, que afirmou que antes o forte em época de carnaval na Capital era a festa nos clubes.

próxima semana

Campo Grande terá forte esquema de segurança para a COP15

Polícia Federal, PRF e forças de segurança estaduais terão grande estrutura de operação durante o evento

19/03/2026 17h45

Foto: Divulgação / Governo Federal

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Governo de Mato Grosso do Sul e a Polícia Federal montaram um amplo esquema de segurança para a realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), que acontece em Campo Grande entre os dias 23 e 29 de março de 2026.

Como parte da preparação, 23 policiais militares integração um núcleo especializado de policiamento turístico. Os agentes receberam treinamento voltado ao atendimento ao visitante, mediação de conflitos, protocolos de segurança em eventos internacionais e interação com estrangeiros.

O plano integrado foi desenvolvido desde julho de 2025 e prevê uma série de ações estratégicas, como policiamento ostensivo, fiscalização, monitoramento e patrulhamento aéreo.

As operações serão acompanhadas pelo Gabinete de Ações Integradas, instalado no Centro Integrado de Comando e Controle de Mato Grosso do Sul (CICC), reunindo representantes de diferentes instituições de segurança, inteligência e trânsito.

A estratégia integra o Plano Integrado de Segurança elaborado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e envolve ações coordenadas entre órgãos estaduais, federais e municipais. Entre os destaques está a oferta de atendimento bilíngue nas estruturas da segurança pública, permitindo suporte em inglês e espanhol a visitantes estrangeiros.

O serviço será disponibilizado no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOPS), por meio do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e do Centro de Operações do Corpo de Bombeiros Militar (COCB). Os profissionais responsáveis pelos atendimentos nos números de emergência 190 e 193 foram preparados para facilitar a comunicação com delegações e turistas.

O atendimento em outros idiomas também estará disponível na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Durante a conferência, equipes estarão posicionadas na Blue Zone (espaço oficial do evento) e na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista (Decat), garantindo acolhimento adequado e registro de ocorrências com suporte linguístico.

PF

No âmbito federal, a Polícia Federal instituiu, no último dia 13, uma portaria que estabelece a estrutura de governança para atuação na COP15.

O documento define que a corporação será responsável pela coordenação das estruturas de segurança pública, incluindo a segurança aproximada de autoridades estrangeiras e a proteção do local do evento, em apoio ao Departamento de Segurança e Proteção das Nações Unidas.

Entre as atribuições da PF também estão a coordenação de varreduras e contramedidas antibombas, apoio ao credenciamento, além do monitoramento e ações contra drones hostis na área do evento. A portaria foi assinada pelo diretor-geral da instituição, Andrei Augusto Passos Rodrigues.

Também estão previstas ações de reforço em pontos turísticos do Estado, incluindo os municípios de Bonito, Jardim, Ponta Porã e a região do Pantanal. A atuação contará com equipes do Comando de Policiamento Ambiental, do Batalhão Rural e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF). Já o Corpo de Bombeiros Militar será responsável por prevenção e combate a incêndios, além do atendimento pré-hospitalar durante o evento.

Evento

O evento internacional, organizado pela Organização das Nações Unidas em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, deve reunir cerca de 2 mil participantes de mais de 130 países, incluindo representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e sociedade civil.

A conferência integra a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias, tratado ambiental global criado em 1979 no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que estabelece diretrizes para a proteção de espécies migratórias e o fortalecimento da cooperação internacional. No Estado, a coordenação das ações ficará a cargo da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), com apoio das demais pastas.

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PRAZO DEFINIDO

Justiça condena Campo Grande a pagar auxílio-alimentação aos guardas municipais

O juiz definiu que o Poder Executivo tem a obrigação de fazer os pagamentos do benefício até o quinto dia útil

19/03/2026 17h30

Guardas municipais

Guardas municipais Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Em decisão publicada na tarde desta quarta-feira (18), o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, julgou parcialmente procedente o pedido ajuizado pelo Sindicato dos Guardas Municipais de Campo Grande (SINDGM/CG) para que seja feito o pagamento do auxílio-alimentação da categoria até o quinto dia útil de cada mês.

O advogado Márcio Almeida, representante da categoria na ação, alega que as contas pessoais têm data de vencimento marcada para o início de cada mês, e o atraso no pagamento é passível de acréscimo de juros, o que exige que os trabalhadores tenham necessidade de honrar seus compromissos nos prazos estipulados, sob o risco de sofrerem prejuízos financeiros acumulados.

“A definição de datas para que a administração pública arque com seus compromissos junto aos servidores permite com que estes possam ter uma melhor organização financeira e possam planejar melhor sobre seus ganhos, permitindo que sofram menos com cobranças de juros de dívidas, o que implica em melhoras tanto na saúde financeira quanto mental”, disse o advogado.

O SINDGM/CG prevê um movimento da Prefeitura e acredita que o Poder Executivo entrará com o recurso de apelação da decisão. Com isso, o sindicato prepara uma tutela antecipada recursal para que o entendimento seja aplicado de imediato, sob o risco de gerar ônus ao erário público caso os pagamentos permaneçam indefinidos.

O processo

O SINDGM/CG ajuizou Ação Civil Coletiva com pedido de liminar em desfavor do Município de Campo Grande, argumentando que o pagamento do auxílio alimentação se encontra atrasado e sem perspectiva para o seu pagamento.

O reiterado atraso dificulta as finanças dos guardas municipais, assim como a violação da legislação de regência. O pedido do sindicato requeriu, liminarmente, o bloqueio bancário para resguardar o imediato padgamento o auxílio-alimentação aos representados e a realização do pagamento, sob pena de multa diária.

No mérito, requereu confirmação da liminar para que o Município fosse compelido a realizar o pagamento do auxílio-alimentação até o quinto dia útil do mês subsequente, juntamente com o salário, sob pena de multa diária por dia de atraso.

Ao se manifestar sobre o pedido de tutela de urgência, o Município de Campo Grande alegou a proibição legal de concessão de medida liminar contra a Fazenda Pública, bem como a ausência de elementos que evidenciassem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, motivos pelos quais requereu seu indeferimento.

A decisão

O juiz Eduardo Lacerda Trevisan julgou a ação coletiva como parcialmente procedente. Ele condenou o Município de Campo Grande à efetuar o pagamento do auxílio-alimentação aos guardas municipais até o quinto dia útil do mês subsequente.

Além disso, declarou que eventual pagamento do auxílio-alimentação fora do prazo legal configura mora da Administração, gerando direito à incidência de juros e correção monetária sobre as parcelas pagas intempestivamente, a serem apurados em liquidação de sentença, mediante a demonstração individualizada dos atrasos e respectivos períodos de mora, observada a prescrição quinquenal e demais critérios legais aplicáveis à Fazenda Pública.

Como se trata de ação coletiva, o juiz entende que não é suficiente a demonstração de fato isolado. Para isso se comprovar, exige-se o padrão da conduta, porém  faltaram provas pela parte autora.

A presunção considerada, portanto, é em relação tão somente ao descumprimento do pagamento no prazo legal, diante da não comprovação do pagamento realizado na data correta.

"Desse modo, reconheço que os atrasos no pagamento do auxílio-alimentação geram direito à incidência de juros e correção monetária, que devem ser apurados em sede de liquidação de sentença", disse o juiz nos autos.

Diante da sucumbência recíproca, ambas as partes foram condenadas ao rateio das custas processuais e honorários advocatícios, cabendo a cada um 50% do pagamento dos honorários.

Fundamentos da decisão

De acordo com sua fundamentação, o artigo 65 da Lei Complementar Municipal nº 190/2011 define remuneração mensal como o subsídio ou vencimento pago acrescido de diversas vantagens, incluindo expressamente as de natureza indenizatória e os auxílios monetários, como alimentação.

Já o artigo 70 da mesma Lei Complementar estabelece que o pagamento da remuneração (que inclui as verbas indenizatórias) deve ser creditada até o quinto dia útil após o mês trabalhado.

Em resumo, para fins de pagamento mensal e prazos administrativos previstos na LC 190/2011, as verbas indenizatórias seguem as regras da remuneração geral. Apenas serão inaplicáveis ou excluídas quando o assunto é a base de cálculo para contribuição previdenciária e valor de aposentadoria.

O Município, por meio do documento ofício, informou que os servidores recebem mensalmente o valor de auxílio-alimentação segundo o estabelecido no Decreto nº 14.619/2021 e demais alterações, conforme a relação de fls. 230-252.

No entanto, o Poder Executivo se ateve tão somente a competência do mês de maio de 2024, sem sequer comprovar a data de pagamento a cada servidor ou mesmo se de fato houve o pagamento na data correta.

De acordo com o processo, o Município teve a oportunidade de trazer aos autos novos documentos, mas manteve-se inerte.

Ausência de provas ao dano moral coletivo

Em relação ao dano moral coletivo, o grau de exigência probatória para sua configuração é mais elevado e robusto. "Mesmo que considerado o atraso no pagamento do auxílio-alimentação, é necessário um ato ilícito relevante à ordem social, que afete verdadeiramente toda a coletividade, repercutindo além da esfera meramente patrimonial", é o que diz o juiz de direito.

A ausência de provas de atraso sistemático prolongado e de impacto social relevante, que ultrapasse a esfera meramente particular, não permite considerar lesão efetiva de extensão suficiente a configurar dano moral coletivo, sendo indevida, por conseguinte, a indenização que daí seria decorrente.

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