Cidades

SEGURANÇA PÚBLICA

Bolívia vira destino de traficantes foragidos e PF cria comissão na fronteira

Casos como o de Fábio Corrêa da Costa, Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, e Gerson Palermo são exemplos disso

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A Polícia Federal em Mato Grosso do Sul confirmou que conduz uma ação integrada para aumentar o monitoramento da fronteira com a Bolívia, para impedir a fuga de criminosos brasileiros ligados a facções, além de tentar asfixiar o tráfico de drogas e de armas. O país vizinho tem se tornado o destino de procurados da Justiça.

O crime transfronteiriço e as conexões que as organizações criminosas têm consolidado dentro e fora do Brasil, em um modelo de relação comercial para garantir altos lucros, estão exigindo que as forças de segurança tenham que atuar além das estruturas corporativas.

Para garantir a integração real de forças de segurança do Brasil e da Bolívia, no mês passado, houve o intercâmbio de policiais do país vizinho em Campo Grande. Equipes ficaram na Superintendência da PF.

Essa operação, conduzida após autorização burocrática do primeiro escalão dos governos brasileiro e boliviano, envolveu compartilhamento de banco de dados de criminosos que têm atuação forte no furto e roubo de veículos que atravessam a fronteira.

Uma outra etapa já definida para acontecer, que acaba sendo catalisada para mirar resultados o quanto antes após a megaoperação contra a organização criminosa Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, envolve ter a presença contínua de policiais bolivianos instalados de forma definitiva em território brasileiro. 

A definição dessa estratégia no setor de inteligência foi acertada para acontecer em Corumbá.

Esses policiais do país vizinho serão mantidos no Brasil a partir de recursos da própria Polícia Federal (PF) para garantir que as investigações bipartite tenham maior potencial de resultado para identificar criminosos ligados a quadrilhas, tanto que atuam de forma regional, como nacional.

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta Dangelo, reconheceu que o combate mais efetivo ao crime organizado só poderá obter melhores resultados se houver ações conjuntas.

“Os criminosos não respeitam limites de município, de estado e de países. O caminho único, e que prega o Ministério da Justiça, é integração. Em setembro houve uma operação conjunta com a vinda de policiais bolivianos para compartilhamento de banco de dados. Está sendo ampliada essa diretriz e policiais bolivianos vão ser trazidos para Corumbá, com custeio da PF, para haver troca de dados de inteligência”, afirmou Dangelo.

A rota de fuga de criminosos brasileiros para os países vizinhos é um tema central que está sendo tratado entre as forças de segurança das três nações de forma a tentar mitigar os acessos facilitados.

“Nós temos plena consciência da complexidade da situação. Aqui em Mato Grosso do Sul, temos a fronteira com o Paraguai e a Bolívia. São países irmãos, mas que trazem uma série de problemas” pontuou o superintendente da PF.

“A Bolívia é o terceiro maior produtor de cocaína do mundo, já o Paraguai é o maior produtor de maconha do mundo. Ainda temos a questão do tráfico de armas e o contrabando também”, completou.

Atualmente, a PF já conta com investigação contínua na Bolívia. Há atuação direta em La Paz e também em Santa Cruz de la Sierra, tanto para apurações contra criminosos, como atuação burocrática para aproximar autoridades de ambos os países.

Mesmo com a troca de governo boliviano, que passou por eleições nacionais em outubro, já existe um trabalho para continuidade das ações com a equipe do novo presidente Rodrigo Paz Pereira.

REFÚGIO E OPERAÇÕES

Só este ano, a polícia da Bolívia conseguiu identificar e prender diferentes procurados pela Justiça que têm ligações com organizações criminosas e que estavam escondidos no país vizinho.

Fábio Corrêa da Costa foi o último a ser preso e extraditado, em outubro. Conforme investigações no Brasil, ele contribuiu para distribuir armas para criminosos no Rio de Janeiro e em estados do Nordeste importadas de Miami (EUA), que chegavam na Bolívia e depois entravam ilegalmente por Corumbá, além do tráfico de drogas com ramificações em sete cidades do Estado e conexão também com o Paraguai.

Quem também foi preso em etapas dessa operação bipartite é Lenil Pretti Justiniano (apontado como narcotraficante); e Juliano Biron (investigado como chefe de organização criminosa no Rio Grande do Sul).

Outro caso envolve Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, apontado como liderança no Primeiro Comando da Capital (PCC) e que tem condenação de 12 anos de prisão por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

Ele vivia em Santa Cruz de la Sierra como foragido e usava documentação falsa. Desde 2020, era procurado e acabou localizado e preso em maio deste ano.

Outros criminosos que estão foragidos entram na lista desse trabalho conjunto entre autoridades. Um deles é Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão por diferentes crimes. Desde 2020, depois de uma falha no Judiciário, Gerson conseguiu fugir ao ter decretada prisão domiciliar.

No mês passado, o nome dele voltou a aparecer por conta do sequestro de sua filha, que ocorreu em Campo Grande. As investigações apontam para Gerson como mandante desse crime.

NOVO COMANDO

A Delegacia da Polícia Federal em Corumbá passa a ter um novo chefe este mês. O delegado Alexsandro Pereira de Carvalho já tem atuação contra o crime organizado e atuou com a polícia do Paraguai, quando esteve na delegacia em Ponta Porã. Por conta desse histórico, ele está incumbido de consolidar investigações bipartite com a Bolívia.

“A nossa missão conta com a integração de todas as forças de segurança, com o Poder Judiciário e o Ministério Público. Há desafios, mas com essa integração podemos superar. Já estou tabulando os contatos para oficializar, no futuro, um acordo de cooperação para troca de informações em comando bipartite com as forças de segurança da Bolívia”, explicou Alexsandro.

Ele vai substituir o delegado Bernardo Marques Pacheco, que teve atuação destacada contra o tráfico de pessoas, crimes ambientais e recebeu condecoração no dia 31 de outubro. Bernardo vai assumir novo posto na PF em Campo Grande.

*SAIBA

A Polícia Federal em Mato Grosso do Sul articula com o setor político municipal, estadual e federal para conseguir ampliar as ações de combate ao crime organizado na fronteira com a Bolívia.

A força de segurança tenta direcionar entre R$ 28 milhões e R$ 30 milhões de emendas para conseguir construir uma nova sede da Delegacia da PF em Corumbá.

Articulação para tratar desses recursos tem novo capítulo hoje, com previsão de reunião de setores políticos. Essa informação foi repassada à direção da PF em Mato Grosso do Sul.

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MATO GROSSO DO SUL

Após chuvas, Corguinho decreta emergência por 180 dias

Decreto reconhece danos humanos, destruição de pontes, famílias desalojadas e pessoas isoladas após volume de 238 mm de chuva no município

05/02/2026 12h15

Segundo o decreto, desde o dia 2 de fevereiro o município acumulou 238 milímetros de chuva

Segundo o decreto, desde o dia 2 de fevereiro o município acumulou 238 milímetros de chuva Divulgação

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Após registrar volume expressivo de chuvas nos últimos dias, a Prefeitura de Corguinho decretou situação de emergência por 180 dias nas áreas do município afetadas por enxurradas, alagamentos e inundações. A medida consta no Decreto nº 029/2026, publicado no Diário Oficial Eletrônico desta quinta-feira (5), e reconhece danos humanos, materiais e à infraestrutura urbana e rural .

Segundo o decreto, desde o dia 2 de fevereiro o município acumulou 238 milímetros de chuva, conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec). O alto volume provocou a elevação do nível de rios e córregos, que atingiram a cota de emergência, resultando em alagamentos e prejuízos em diferentes regiões do município .

Um dos principais impactos foi o transbordamento do Rio Taboco, que causou a invasão de águas em residências e propriedades rurais. No distrito do Taboco, pelo menos duas famílias ficaram desalojadas e necessitam de acolhimento e assistência do poder público. Além disso, moradores da Comunidade Boa Sorte permanecem isolados, com dificuldades de acesso a serviços essenciais como saúde, transporte e abastecimento .

Os danos à infraestrutura também são considerados significativos. O decreto lista a destruição e danificação de diversas pontes, bueiros e dispositivos de drenagem em áreas urbanas e rurais. Entre os pontos mais críticos está a destruição total da ponte localizada na rodovia MS-352, nas proximidades da Fazenda Santo Onofre, o que interrompeu o tráfego e comprometeu o transporte escolar, o atendimento emergencial e o escoamento da produção rural .

Há ainda registros de danos em acessos e cabeceiras de pontes sobre o Córrego Corguinho, na região do Indaiá, no assentamento Liberdade Camponesa, na região do Jeromão e em áreas próximas à Fazenda Independência. O transbordamento do Rio Taboco também ocasionou o alagamento de residências, gerando prejuízos materiais às famílias atingidas .

Diante do cenário, o município reconheceu oficialmente a existência de danos humanos, com famílias desalojadas e pessoas isoladas, além de prejuízos ao patrimônio público e privado. O decreto autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais para atuação conjunta, sob coordenação da Defesa Civil, nas ações de resposta ao desastre, assistência à população e restabelecimento da normalidade .

A medida também permite a dispensa de licitação para contratação de serviços, obras e aquisição de materiais necessários às ações emergenciais de resposta, reabilitação e reconstrução, conforme previsto na legislação federal. Além disso, fica autorizada a convocação de voluntários e a realização de campanhas de arrecadação para apoio às famílias afetadas pelas chuvas .

De acordo com a administração municipal, o levantamento de danos realizado até o momento possui caráter preliminar, já que algumas localidades ainda não puderam ser acessadas devido às condições das estradas e pontes. Novas vistorias devem ser realizadas nos próximos dias, e os dados oficiais poderão ser atualizados conforme o avanço das avaliações técnicas .

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licença para matar

"Pena de morte" em MS é três vezes maior que nos EUA inteiro

Nos últimos três anos, 96 pessoas foram executadas a mando da Justiça nos EUA. No mesmo período, 290 suspeitos foram mortos por policiais (Estado) em MS

05/02/2026 12h05

Na noite desta quarta-feira, um homem de 50 anos foi morto no Jardim Carioca, na Capital, por um PM à paisana

Na noite desta quarta-feira, um homem de 50 anos foi morto no Jardim Carioca, na Capital, por um PM à paisana Topmidianews

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Um sargento à paisana do Batalhão de Choque da Polícia Militar matou, a tiros, um homem de 50 anos que acabara de furtar um pequeno comércio na região oeste de Campo Grande na noite desta quarta-feira (4). 

Conforme as estatísticas oficiais, foi a primeira morte por intervenção policial deste mês. Porém, é o quarto caso do ano, evidenciando que este tipo de ocorrência faz parte da rotina das forças policiais (leia-se Estado, ou poder público) em Mato Grosso do Sul. 

Somando os casos dos últimos três anos, são 290 mortes por intervenção policial em um estado que tem em torno de 2,9 milhões de habitantes. E isso sem contabilizar as quatro ocorrências oficiais de 2026 (reportagens mostram que já são pelo menos dez neste ano). 

Para efeito de comparação, nos Estados Unidos, onde residem 349 milhões de pessoas, a pena de morte levou à execução de 96 criminosos nos últimos três anos. Ou seja, sem julgamento prévio, as forças policiais de Mato Grosso do Sul aplicaram a "pena de morte" três vezes mais que o Judiciário dos Estados Unidos inteiro nos últimos três anos. 

Em Mato Grosso do Sul, uma em cada dez mil pessoas foi morta a tiros por algum representante do Estado nos últimos três anos. Nos EUA, esta média é da ordem de uma pessoa a cada 3,6 milhões neste mesmo espaço de tempo

E a diferença só não é maior porque no ano passado as execuções dispararam no país governador por Donald Trump. Foram 47, o maior número desde 2009. Nos dois anos anteriores haviam sido 24 e 25 execuções, respectivamente. 

Historicamente, segundo as fontes oficiais, ocorre uma média de 30 execuções em decorrência das leis que permitem a pena capital nos EUA, onde ela é permitida em 27 dos 50 estados. No Brasil, uma cláusula pétrea da constituição de 1988 impede a adoção da pena de morte, a não ser em caso de guerra declarada. 

Assim como ocorreu na noite desta quarta-feira, conforme o Boletim de Ocorrência, em praticamente todos os casos os policiais alegam que fizeram os disparos para se defenderem de uma possível injusta agressão. 

O ladrão morto pelo PM à paisana (o Boletim de Ocorrência diz que os produtos furtados foram encontrados com ele) estava armado com uma chave de fenda e antes de disparar o policial ordenou que se entregasse, mas ele ameaçou sacar algo da cintura. Por conta disso, o policial sentiu-se autorizado a fazer os disparos letais. 

E, apesar do argumento do risco de agressão, nos últimos cinco anos nenhum policial foi morto em confrontos com suspeitos em Mato Grosso do Sul. Há cerca de três anos sequer existe registro de policial ferido em algum destes confrontos que resultaram na morte dos 290 suspeitos. 

Os policiais que acionam o gatilho estão longe atuarem por conta própria. Dezenas deles receberam condecorações na Assembleia Legislativa e em uma série de câmaras de vereadores. Alguns são até promovidos e recebem aumento salarial, o que está previsto na legislação. Nas redes sociais são tratados como heróis (possivelmente os comentários relativos a esta reportagem evidenciem isso).

Além disso, também não existe registro oficial de que algum dos agentes de segurança tenha sido punido. O Ministério Público até chega a abrir inquéritos, mas praticamente todos são arquivados e nem chegam às mãos do Judiciário. 

Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos se caracterizam pela agilidade do Judiciário. No caso da pena de morte, porém, ocorre o contrário. Lá, em média, o réu é executado 25 anos depois de ser condenado pela Justiça, já que depois da decisão inicial existe a poissibilidade de uma infinidade de recursos. Aqui, normalmente, a pena capital é aplicada em questão de segundos. 

PERFIL

Do total de pessoas "condenadas à pena de morte" em Mato Grosso do Sul nos últimos três anos, que foram marcados pela disparada de 140% na letalidade policial (nos três anos anteriores foram 121 mortes), 270 eram homens e mais da metade (147) tinha menos de 29 anos. Nos EUA, somenete 0,8% dos executados nas últimas três décadas tinham entre 18 e 30 anos.

Na noite desta quarta-feira, um homem de 50 anos foi morto no Jardim Carioca, na Capital, por um PM à paisanaFONTE: Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MS

E neste ponto existe outra diferença entre aquilo que pode ser caracterizado como pena de morte. Nos EUA, somente pessoas  com mais de 18 anos na data do crime podem ser condenadas à morte. Em Mato Grosso do Sul, nos últimos três anos, nove adelescentes foram mortos em confrontos com policiais, segundo dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública. 

Mas em pelo menos um aspecto existe semelhança entre a pena capital na maior potência econômica do mundo com as estatísticas de Mato Grosso do Sul. Lá, 3,6% das pessoas executadas nas últimas cinco décadas eram mulheres. 

Aqui, nos últimos três anos, o percentual é parecido, de 1,6%. Conforme dados da Sejusp, somente quatro mulheres foram mortas nos chamados confrontos policiais desde o começo de 2023. 

Porém, além da pena de morte oficial, nos EUA também existe a chamada letalidade policial. São em torno de 790 mortes anuais ao longo das últimas quatro décadas. Isso representa uma morte a cada 440 mil habitantes. Em Mato Grosso do Sul, de 2023 para cá, foi uma morte por ano a cada 30 mil moradores. 

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