Cidades

Carnê do IPTU

Prefeitura de Campo Grande teme "caos financeiro" com suspensão da taxa do lixo

Veto à suspensão da taxa do lixo cobrada com o IPTU divide vereadores e, em caso de derrubada, acende alerta nas finanças municipais

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A manhã desta terça-feira será decisiva para as finanças públicas da Prefeitura de Campo Grande e também para as finanças particulares dos contribuintes que sentiram um aumento substancial no valor cobrado no carnê do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em função da elevação da taxa do lixo, cuja cobrança é casada com o imposto municipal.

Os vereadores votarão, em sua primeira sessão deliberativa do ano, o veto da prefeita Adriane Lopes (PP), que em janeiro último barrou o Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26. A proposta suspendia os efeitos de um decreto da prefeita que estabeleceu novos critérios para a cobrança da taxa do lixo, com base no Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI), aprovado pela Câmara de Vereadores no ano passado.

“Se este veto for derrubado, será um caos financeiro para o município”, disse ao Correio do Estado o secretário de Infraestrutura e Obras Públicas, Marcelo Miglioli.

Segundo ele, sem os recursos da taxa do lixo, a coleta em Campo Grande — que já é subfinanciada pela própria taxa — teria de ser bancada por outras fontes de recursos.

Ele explica que, somente no ano passado, o serviço de coleta de lixo — executado pela parceria público-privada CG Solurb — custou R$ 137 milhões aos cofres públicos, enquanto a taxa do lixo arrecadou R$ 41 milhões no mesmo período.

Os novos critérios para a cobrança da taxa do lixo, implementados neste ano, que atualizam o nível socioeconômico dos bairros de Campo Grande e promovem alguns deles de bairros populares para bairros nobres, devem gerar uma receita de R$ 59 milhões, ou seja, R$ 18 milhões a mais do que no ano passado.

“Como os números mostram, a taxa do lixo não paga todo o serviço, mas é fundamental para a execução desse serviço essencial”, explica Miglioli.

O impacto financeiro não atingiria apenas a Secretaria de Infraestrutura, como destaca o secretário de Governo do município, Ulisses Rocha. A incerteza na cobrança do IPTU já fez com que a receita municipal neste ano fique bem abaixo da registrada no mesmo período do ano passado.

Ulisses Rocha compara as arrecadações. Em janeiro do ano passado, segundo ele, até o dia 10 — quando venceu o prazo para pagamento à vista com desconto — aproximadamente R$ 350 milhões entraram no caixa da prefeitura. Com o adiamento do prazo, a arrecadação caiu quase pela metade, totalizando R$ 180 milhões, valor ainda atenuado pela redução do desconto para pagamento à vista, que agora é de 10%.

O prazo para pagar o IPTU à vista com desconto vence no próximo dia 12. O adiamento ocorreu na primeira semana de janeiro, em razão da polêmica envolvendo os novos valores da taxa do lixo, que encareceram para mais da metade dos contribuintes o valor final do carnê.

“O contribuinte, em uma situação como essa, acaba esperando para ver o que vai acontecer, incerteza que reflete nos cofres”, explica Ulisses.

Desde a semana passada, Rocha e Miglioli têm se esforçado para explicar aos vereadores de Campo Grande o caos financeiro que pode ser criado com a suspensão da cobrança. “Levaríamos até 40 dias para emitir novos carnês”, diz Ulisses.

“Sem a taxa do lixo, teríamos de realocar recursos de outros serviços para a coleta, justamente agora que estamos avançando no tapa-buraco”, explica Marcelo Miglioli.

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, também foi a campo. Ontem, na abertura dos trabalhos legislativos, na Câmara Municipal, ela foi pessoalmente pedir que parte dos vereadores reconsiderem seus votos. 
 

Câmara

Enquanto isso, na Câmara, o resultado da votação desta terça-feira é considerado incerto. A prefeitura tenta convencer ao menos metade dos 20 vereadores que aprovaram, por unanimidade, em sessão extraordinária realizada no mês passado, o projeto de lei que suspende o decreto da taxa do lixo a rever a posição.

Nos bastidores, vereadores afirmam que a tarefa da prefeita Adriane Lopes e de seus secretários será muito difícil, mas não impossível. Entre os fatores que dificultam a articulação do Executivo está o fato de 2026 ser um ano eleitoral, o que leva os vereadores a votarem mais atentos às demandas de suas bases eleitorais do que aos pedidos do governo.

Diante da alta exposição do tema, articuladores da gestão Adriane Lopes apostam no esvaziamento da sessão para que o veto seja mantido. A estratégia é contar com quórum baixo e ausências de vereadores por diferentes motivos (médicos, viagens), de modo a garantir os votos necessários para manter o veto.

A ausência do vereador na sessão, por outro lado, o deixaria menos exposto perante o eleitor, que não poderia julgar um voto favorável ou contrário ao veto da prefeita.

Tempo ganho

Enquanto a pressão se concentra na Câmara de Vereadores, a gestão Adriane Lopes ganhou tempo em outra frente: a judicial. O juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, Eduardo Lacerda Trevisan, declinou da análise do mandado de segurança ajuizado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) contra o aumento do valor do carnê do IPTU, assim como de uma ação civil pública proposta pela Associação dos Advogados Independentes (ADVI).

Agora, todas as ações passarão a tramitar na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. O motivo alegado pelo magistrado foi a distribuição anterior de uma ação popular, em 30 de dezembro de 2025, para outra vara judicial.

A ação proposta pelo advogado Osvaldo Meza Batista, distribuída à 1ª Vara, gerou prevenção por conexão de temas, segundo o juiz Trevisan, responsável pela circunscrição para onde haviam sido encaminhados os pedidos da OAB-MS e da ADVI.

A ação popular que tramita na 1ª Vara tem um pedido mais singelo: solicita apenas que o Judiciário determine que a prefeitura limite o reajuste do IPTU à inflação.

Já a OAB-MS ingressou com mandado de segurança que, além do pedido semelhante ao da ação popular, requer a retomada do desconto de 20%, o restabelecimento da classificação dos imóveis de 2017 e, consequentemente, a aplicação da antiga taxa do lixo.

Além disso, a OAB-MS sustenta que a retirada do desconto de 20% e a majoração do valor final do imposto, embora não alterem a alíquota do IPTU, configuram uma manobra para aumento de tributo e deveriam obedecer ao princípio da noventena, segundo o qual aumentos de impostos só produzem efeitos no exercício seguinte ou, se aprovados no fim do ano, após 90 dias da publicação.
Já a ADVI, além desses pedidos, também solicita a suspensão da cobrança da taxa do lixo em Campo Grande.

Em comum, todas as ações contam com parecer do Ministério Público, que aponta ilegalidade e abuso na cobrança do IPTU e se manifesta favoravelmente à suspensão da cobrança, nos moldes adotados pelo município de Campo Grande para o exercício de 2026.
 

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atvos

Usina de biocombustível é atingida por incêndio em MS; Veja o vídeo

Unidade da Atvos pegou fogo em Nova Alvorada o Sul e chamas foram contidas pela brigada interna da unidade

12/02/2026 17h00

Incêndio atingiu parte da fábrica da Atvos em Nova Alvorada do Sul

Incêndio atingiu parte da fábrica da Atvos em Nova Alvorada do Sul Foto: Reprodução

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Uma usina de biocombustível da Atvos foi atingida por um incêndio, nesta quinta-feira (12), em Nova Alvorada do Sul.

De acordo com informações do site Alvorada Informa, as chamas atingiram a Unidade Santa Luzia (USL), produtora de etanol e energia elétrica limpa a partir da moagem da cana-de-açúcar.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, é possível ver o fogo e uma espessa fumaça preta saindo de parte da unidade.

A Atvos informou, por meio de nota, que o princípio de incêndio atingiu a área industrial pela manhã e foi controlado rapidamente pela brigada interna.

Ainda conforme a nota, não houve feridos no incidente.

Outro incêndio

Há menos de um mês, no dia 20 de janeiro, a fábrica de etanol da Raízen, localizada em Caarapó, também foi atingida por incêndios de grandes proporções.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a unidade registrou o início do incêndio por volta das 9h30.

Pelo menos cinco células da torre de resfriamento da caldeira foram atingidas pelo incêndio, estruturas essas que são confeccionadas de fibra de vidro e foram totalmente destruídas pelo fogo.

O incêndio de grandes proporções começou a ser combatido pela brigada de incêndio da usina, que teve apoio de três caminhões-pipa, sendo o Corpo de Bombeiros acionado para o trabalho de rescaldo e análise

Não houve feridos no incêndio. 

Cidades

UFGD: prazo para transferência interna termina nesta sexta-feira

Ao todo, são ofertadas 121 vagas em diferentes graduações

12/02/2026 16h15

Foto: UFGD

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Estudantes da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) têm até esta sexta-feira, 13 de fevereiro, para solicitar mudança de curso por meio do Processo Seletivo de Mobilidade Acadêmica Interna. Ao todo, são ofertadas 121 vagas em diferentes graduações.

Para participar, cada estudante pode realizar apenas uma inscrição, indicando um único curso de destino. A documentação (ficha de inscrição preenchida, cópia do histórico escolar de graduação e cópia legível do RG) deve ser enviada por e-mail à Secretaria Acadêmica da faculdade do curso pretendido.

As vagas estão distribuídas entre os cursos de Artes Cênicas (Bacharelado e Licenciatura), Biotecnologia, Ciências Biológicas (Licenciatura), Ciências Sociais, Ciências Econômicas, Engenharia Agrícola, Engenharia Civil, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Aquicultura, Engenharia de Computação, Engenharia de Energia, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica, Física, Geografia, Gestão Ambiental, História, Letras, Matemática (1º e 2º semestres), Química (Bacharelado e Licenciatura), Tecnologia em Escrita Criativa e Zootecnia.

A ocupação das vagas será feita por ampla concorrência e sistema de reserva, conforme a Lei nº 12.711/2012, atualizada pela Lei nº 14.723/2023, que regulamenta a política de cotas.

A classificação dos candidatos será baseada no Índice de Desempenho Acadêmico (IDA), em ordem decrescente, até o preenchimento das vagas. Em caso de empate, serão considerados, sucessivamente, a maior carga horária cursada, o menor número de reprovações e a maior idade.

O resultado preliminar está previsto para 19 de fevereiro. Após o período de recursos, o resultado final e a convocação para matrícula devem ser publicados em 23 de fevereiro, na página oficial da Mobilidade Acadêmica.

A matrícula dos convocados ocorrerá entre 23 e 26 de fevereiro de 2026, também mediante envio de documentação por e-mail à Secretaria Acadêmica do curso escolhido.Os procedimentos completos estão detalhados no Edital de Abertura PROGRAD nº 4, de 30 de janeiro de 2026.

Serviço - Em caso de dúvidas, os estudantes podem entrar em contato com a Coordenadoria de Gestão Acadêmica pelos telefones (67) 3410-2820, 3410-2825 e 3410-2826.

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