Cidades

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Brasil diminui gastos militares e cai em ranking

Brasil diminui gastos militares e cai em ranking

dw.de

15/04/2014 - 07h00
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O Brasil reduziu seus gastos militares em 3,9% de 2012 para 2013, segundo o relatório divulgado nesta segunda-feira (14/04) pelo Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri), e deixou de figurar no ranking dos dez maiores compradores de armas.

Com despesas militares de 31,5 bilhões de dólares em 2013, o Brasil ocupa agora a 12ª colocação, atrás de potências como Estados Unidos (640 bilhões de dólares), China (valor estimado de 188 bilhões), Rússia (valor estimado de 87,8 bilhões), Arábia Saudita (67 bilhões) e França (61,2 bilhões). A Alemanha ficou na sétima posição, com um gasto de 48,8 bilhões de dólares.

Para Carina Solmirano, especialista para a América Latina do Sipri, os motivos da redução dos gastos brasileiros estão relacionados com a tentativa do país de alcançar superávit fiscal em 2013. Em maio daquele ano, o governo federal anunciou um corte de cerca de 3,7 bilhões de reais no orçamento do Ministério da Defesa.

"Os cortes atingiram 4,1 bilhões de reais em julho de 2013, sendo que, assim, o recuo das despesas militares pode ser ainda maior", afirmou Solmirano em entrevista à DW Brasil. "A principal razão para os cortes está relacionada com o desenvolvimento econômico do país", disse.

Mesmo com novos cortes no orçamento do Ministério da Defesa em 2014 – passando de 14,79 bilhões para 11,29 bilhões de reais –, a compra de 36 jatos supersônicos do modelo sueco Gripen NG, anunciada no final de 2013, não deve ser afetada. De acordo com o Ministério da Defesa, o contrato de compra será assinado somente no fim do ano e não há previsão do início do pagamento ainda neste ano.

Em contraste com a diminuição dos gastos brasileiros, outros países americanos, como Paraguai (33%), Honduras (22%), Nicarágua (18%) e Colômbia (13%), registraram os maiores aumentos em gastos militares comparando-se os anos de 2013 e 2012. No mesmo período, as maiores reduções foram da Jamaica (9%), Estados Unidos (7,8%), El Salvador (4,5%) e Brasil (3,9%).

Rápido crescimento na década de 2000

A redução brasileira contrasta com o rápido aumento dos gastos militares do país – em torno de 7% – entre os anos de 2003 e 2010, com pico em 2010. Para o Sipri, as despesas do Brasil e dos outros países do Brics – Rússia, Índia, China e África do Sul – subiram em linha com o rápido crescimento econômico dessas nações.

Mas, no caso do Brasil, os aumentos dos últimos anos estavam relacionados com a introdução de uma nova estratégia de segurança, na qual o país busca a modernização por meio da aquisição de novos equipamentos militares para proteger a região amazônica e as reservas de petróleo do pré-sal.

"Inclui-se aí também a tentativa do país de desenvolver sua própria indústria de armas, com a Embraer no topo desses esforços", comentou Solmirano. "Podemos também dizer que o Brasil, como potência regional emergente, está buscando um papel maior na política internacional e, a fim de fazê-lo, precisa de força militar."

Em contraste com os anos anteriores, o aumento dos gastos militares dos países da América do Sul desacelerou principalmente por causa da queda do investimento do Brasil, que é o maior investidor da região em valor absoluto, afirma o relatório. Enquanto os países da região registraram um aumento de 58% no período de 2004 a 2013, o crescimento de 2012 e 2013 foi de 1,6%.

Gastos mundiais caíram 1,9%

Os gastos militares globais diminuíram 1,9% entre 2012 e 2013, somando 1,75 trilhão de dólares em 2013, em grande parte por causa do recuo nos gastos dos Estados Unidos, que caíram 7,8% e alcançaram a cifra de 640 bilhões de dólares. A diminuição pode ser atribuída pela redução das missões militares em países como Afeganistão e Iraque.

Ainda de acordo com o relatório, 2013 foi o segundo ano consecutivo em que os gastos globais diminuíram. Porém, enquanto eles decresceram no Ocidente – América do Norte (queda de 7,8%), Europa Ocidental e Central (2,4%) e Oceania (3,2%) –, aumentaram em regiões como Ásia, África e leste da Europa.

Os gastos da China cresceram 7,4% e representam uma política de longo prazo de elevação dos gastos militares, em linha com o alto crescimento econômico do país. A Rússia, por sua vez, também aumentou em 4,8% sua verba destinada aos militares e ultrapassou, pela primeira vez desde 2003, os EUA nas despesas em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB).

O relatório sublinha ainda que 23 países mais que dobraram os seus gastos militares entre 2004 e 2013 – entre eles estão a China, a Rússia e a Arábia Saudita.

inquérito

Investigação sobre jovem morto pelo Choque ficará a cargo da PM

Polícia Civil afirmou que a apuração de latrocínio, atribuído ao rapaz que morreu, será feita pela Defurv, porém, o suposto confronto será analisado internamente

23/10/2026 08h05

Bruno Rafael morava nesta casa, nos fundos do terreno do pai, com a namorada e o filho de 4 meses

Bruno Rafael morava nesta casa, nos fundos do terreno do pai, com a namorada e o filho de 4 meses Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Polícia Militar será responsável pela investigação do caso do suposto confronto que terminou com a morte do jovem pedreiro Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, e envolveu policiais do Batalhão de Choque da PM, ou seja, o caso será apurado apenas internamente, sem envolvimento da Polícia Civil.

Em resposta ao Correio do Estado, a assessoria de imprensa da Polícia Civil afirmou que o único caso que está sob o comando da corporação é o latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido no dia 16 de outubro, que teria entre os suspeitos de participação o jovem que foi morto pelo Choque.

“Informamos que, em relação ao latrocínio, as investigações estão sendo desenvolvidas pela Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv). Já em relação ao confronto, as investigações ficam a cargo da Polícia Militar”, disse a Polícia Civil, em nota.

O caso ganhou repercussão porque a família de Bruno Rafael alega que o jovem não teve envolvimento com o roubo que culminou na morte de Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, e que ele também não tinha arma.

Segundo a família, o irmão do jovem de 18 anos, Miguel Souza da Silva, de 20 anos, é que estaria envolvido com o crime. Ele, inclusive, confessou sua participação tanto no roubo quanto na morte do rapaz.

LATROCÍNIO

O roubo que resultou na morte de uma pessoa ocorreu no Bairro Parque Lageado, em Campo Grande. Segundo imagens de câmera de segurança da região, o crime ocorreu às 19h20min de sexta-feira. Três homens teriam participado do crime, que, segundo Miguel, seriam ele, Yuri Silva Santos Modesto e Matheus Pereira da Silva Lima.

Durante a ação, após render os dois filhos de Gian e sua sogra, que estavam na residência, os bandidos carregaram um Volkswagen Gol prata com as mercadorias. Nesse momento, a vítima chegou à casa com a mulher e com mercadorias vindas do Paraguai.

Os bandidos conseguiram render a mulher, mas Gian correu e foi atingido com um tiro nas costas, o que causou sua morte.

Após o crime, os bandidos também utilizaram na fuga um Volkswagen Gol vermelho, que era da vítma e estava com as mercadorias vindas do Paraguai.

Após o crime, eles fugiram nos dois carros e abandonaram o veículo de Gian, porém, a polícia conseguiu chegar ao primeiro envolvido, Yuri, em razão de o Gol prata estar em seu nome. 

Com a prisão de Yuri, que havia fugido para Corumbá, a polícia chegou aos outros envolvidos, porém, um dos endereços passados por ele como sendo de Miguel teria levado a polícia a vincular Bruno Rafael ao caso.

MORTE DE BRUNO

Com o endereço em mãos, o Choque foi até uma casa no Bairro Caiobá, na madrugada de segunda-feira, em busca de uma pessoa de apelido Neguinho. No local moravam o pai, a madrasta de Bruno e um filho dela, assim como o jovem e sua namorada e filho.

Segundo a versão do Choque, quando eles chegaram ao local e estavam indo em direção a uma casa nos fundos do terreno, um jovem foi até a porta e, ao ver os policiais, teria retornado para dentro do imóvel e pegado uma arma.

A polícia ainda conta que teria mandado o jovem largar a arma, o que não aconteceu, por isso, foi efetuado um tiro, que atingiu o peito da vítima. O Choque garante que levou Bruno para atendimento ainda com vida e que ele morreu após ser deixado no local.

A família, entretanto, contesta essa afirmação e diz que Bruno estava deitado quando a polícia chegou e só levantou quando os policiais mandaram.

A namorada de Bruno, Alexandra Raquele, de 18 anos, conta que, quando os policiais do Choque entraram na casa, ela estava com o filho, de 4 meses, no colo, próxima do rapaz, que ainda estava só de cueca, e foi retirada do local pelos agentes de segurança. Logo depois ela disse ter ouvido um tiro.

“O policial falou assim: ‘Cadê a arma, seu f…?’ Aí ele falou: ‘Não estou com arma, senhor’. E então escutei o barulho do tiro. Deu 10 minutos certinho e o policial falou para o meu sogro: ‘Ele apontou a arma para a gente’. Eu falei: ‘Mentira, não tinha arma lá dentro’. Aí deu nisso”, explicou.

A família também conta que, quando o Choque chegou, eles disseram procurar por Neguinho, ao que responderam que não tinha ninguém lá com esse apelido.

“O policial falou para mim que ele veio atrás do Neguinho. Ele perguntou para mim: ‘Qual que era o vulgo do seu namorado?’ Eu falei que eu vejo às vezes o pessoal chamando ele de Takusha. Então ele falou: ‘Quem é o Neguinho, o Neguinho é o seu marido?’ Eu falei: ‘Não, o Neguinho é o Miguel, o irmão dele’. Mostrei uma foto minha e do meu namorado. Aí ele pegou, olhou para cara do outro policial e falou: ‘A gente matou a pessoa errada’”, comentou Raquele, que também disse que Bruno já saiu morto da casa.

Em seu depoimento, após ser preso no interior de São Paulo enquanto fugia, Miguel garantiu que o irmão, que foi morto na segunda-feira pelo Choque, não participou do crime.

“O Bruno não estava envolvido, senhor. Só eu, o Mateus e o Yuri. O Bruno Rafael Souza da Silva ele é meu irmão, ele foi morto hoje [segunda-feira]”, garantiu o rapaz ao delegado. Ele também contou que foi ele quem atirou em Gian.

* SAIBA 

Em nota, a Polícia Militar, que deverá investigar a conduta dos policiais do Choque na morte de Bruno, afirmou que “todo o procedimento seguiu rigorosamente os protocolos operacionais da corporação, com formalização perante a autoridade de polícia judiciária para a devida apuração dos fatos”.

TRIBUNAL DO JÚRI

Homem é condenado a mais de 30 anos por feminicídio em Campo Grande

Crime ocorreu em 27 de dezembro de 2024, quando Edvan da Silva Rodrigues matou Bruna dos Santos Amaro por asfixia

23/10/2026 07h45

Caso foi julgado no Tribunal do Júri de Campo Grande

Caso foi julgado no Tribunal do Júri de Campo Grande Divulgação: MPMS

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O Tribunal do Júri de Campo Grande condenou Edvan da Silva Rodrigues a 30 anos e 8 meses de prisão em regime fechado pelo feminicídio da companheira, Bruna dos Santos Maroto. Além da condenação criminal, o Juízo fixou indenização mínima de R$ 15 mil em favor da família da vítima pelos danos causados pelo crime.

O Conselho de Sentença acolheu a tese acusatória de feminicídio qualificado pelo meio cruel, reconhecendo que a vítima foi espancada e morta por asfixia.

O crime ocorreu em 27 de dezembro de 2024, em Campo Grande. Conforme a denúncia, o casal mantinha um relacionamento de cinco anos, marcado por episódios de violência doméstica, tendo sido concedidas à vítima quatro medidas protetivas de urgência. Na ocasião, o acusado matou a companheira por meio de agressões físicas e asfixia.

Após o crime, Edvan tentou apresentar uma versão incompatível com as evidências encontradas no local. Com a aproximação da polícia e do socorro médico, o autor fugiu, sendo localizado horas depois armado com uma faca. Os laudos de necropsia e de local confirmaram que o óbito foi causado por asfixia e espancamento severo.

Julgamento

Durante a sessão de julgamento, a defesa de Edvan sustentou insuficiência de provas, negativa de autoria e exclusão das qualificadoras. Na sustentação e na réplica, a Promotora de Justiça Daniele Borghetti Zampieri de Oliveira contrapôs as alegações com os laudos periciais que atestaram a brutalidade dos fatos.

O Conselho de Sentença acolheu a tese sustentada pelo MPMS e condenou o réu por feminicídio praticado mediante crueldade.

Na fixação da pena, a 2ª Vara do Tribunal do Júri elevou a pena-base ao considerar altamente reprovável a culpabilidade do réu, destacando que o homicídio foi o ápice de frequentes agressões físicas e psicológicas contra a mulher. As circunstâncias do crime também pesaram contra o acusado, já que o ataque ocorreu em uma área isolada e sem iluminação pública, dificultando qualquer pedido de socorro. 

 

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