Cidades

"CABO DE GUERRA"

Briga por regulação da saúde na Capital tem nova escalada

Conselho Municipal de Saúde intercede para que a Capital siga comandando o acesso a vagas hospitalares de urgência e emergência na cidade

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A mudança de comando na regulação da saúde em Campo Grande continua gerando desavenças entre a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e o governo do Estado. Agora, o Município quer que seja feita a revisão da resolução que estabeleceu que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) retomaria a regulação hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) na Capital. Além disso, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) pediu a revogação da medida.

Em nova escalada da disputa pela regulação da saúde na Capital, a Sesau informou, em nota ao Correio do Estado, que o texto atual da Resolução Comissão Intergestores Bipartite (CIB)/SES nº 670, que visa transferir ao governo do Estado o controle da regulação dos hospitais de Campo Grande, não contemplaria a participação do Município na criação estadual da Central Única de Regulação da Urgência e Emergência para as macrorregiões de Campo Grande e Três Lagoas, o que incomodou a administração municipal.

“Durante as reuniões da Comissão Intergestores Bipartite e demais instâncias regionais neste mês, foi solicitado que Campo Grande seja incluída no processo como coparticipante, reforçando a importância da gestão compartilhada para garantir mais agilidade e eficiência no atendimento à população”, declarou a Sesau, em nota.

A Sesau também reforça que o processo de mudança do controle regulatório está em análise conjunta, e será debatido novamente em até 60 dias”.

Conforme já mencionado em reportagens no Correio do Estado, na reunião em que foi pactuada a criação da central única, no mês passado, o Município de Campo Grande “solicitou uma revisão da decisão e a realização de estudos complementares”, de acordo com informações da SES.

De acordo com apuração do Correio do Estado sobre as mudanças propostas, foi decidido na reunião da CIB, que teve a participação de secretários de Saúde de diversos municípios, que a central única terá em seu escopo os servidores do Município e do Estado, medida esta que não tiraria a autonomia de Campo Grande na gestão das vagas. 

Além disso, esta intervenção para assumir o controle da regulação dos hospitais na Capital seria um interesse antigo do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e do governo do Estado que estaria sendo efetivado por meio da central única. 

Em nota, a Sesau também reforçou que “o diálogo com o Estado está mantido e que o foco é aprimorar o sistema de regulação, respeitando as especificidades de Campo Grande como referência na macrorregião de saúde”, concluiu.

CONSELHO MUNICIPAL

Quem também engrossou o descontentamento pela situação foi o CMS, por meio de pronunciamento publicado na edição do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) de ontem, em que solicitou à SES a imediata revogação da resolução que propõe a transferência do controle da regulação hospitalar. 

A publicação assinada pelo conselheiro Jader Vasconcelos e pela secretária municipal de Saúde, Rosana Leite de Melo, destaca que o acordo firmado desrespeita e retira a autonomia e o controle municipal sobre o atendimento hospitalar.

De acordo com o posicionamento, a medida traz  “riscos operacionais e políticos” que causam prejuízo à população. O CMS ainda informa que a criação da central única ocorreu sem pactuação com a Comissão Intergestores Regional (CIR) e reinvindica a participação desta comissão no debate sobre a regulação hospitalar.

Em resposta ao posicionamento do conselho, a Sesau informou que a solicitação publicada pelo CMS “refere-se a uma deliberação anterior já superada”.

Procurada, a SES não se manifestou até o fechamento desta edição.

PROPOSTA DE MUDANÇA

Em reunião coordenada pela SES, foi pactuada em março,  na Comissão Intergestores Bipartite a criação da Central Única de Regulação da Urgência e Emergência.

A medida visa unificar duas estruturas regulatórias atualmente independentes, promovendo, de acordo com o governo do Estado, maior agilidade, racionalização de recursos e eficiência nos atendimentos.

A nova central será responsável pela gestão do acesso aos leitos hospitalares do SUS destinados à urgência e emergência nas unidades públicas, contratadas ou conveniadas com o Estado. 

A operacionalização será feita por meio do Complexo Regulador Estadual (Core), com exigência de atualização em tempo real do mapa de leitos por todas as unidades envolvidas.

Entre os objetivos específicos da central estão: a eliminação da duplicidade de processos regulatórios, infraestrutura e tecnologia e a melhoria nos tempos de resposta para atendimento de pacientes graves, além de tornar o processo mais transparente e auditável.

A mudança deve ocorrer em etapas, que incluem a revisão de fluxos, contratos e indicadores das duas centrais atuais e a integração, unificação e adequação das estruturas físicas, com a reorganização das equipes para padronizar os procedimentos regulatórios.

SAIBA

A Comissão Intergestores Bipartite (CIB) é um mecanismo de governança regional que promove a negociação e a tomada de decisões entre os diferentes níveis de gestão do SUS, buscando soluções para os problemas locais e regionais de saúde.

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Cidades

Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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