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Buraco no piso da Saúde em 2023 pode chegar a R$ 20 bi, e governo avalia alternativas

A estimativa anterior apontava um crescimento de até R$ 18 bilhões no piso da Saúde, mas o número cresceu porque o governo melhorou suas projeções de arrecadação

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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ter de injetar até R$ 20 bilhões a mais na área da Saúde para conseguir cumprir o mínimo constitucional que voltou a vigorar após a sanção do novo arcabouço fiscal e a revogação do teto de gastos.

Até agora, porém, a equipe econômica não fez nenhum remanejamento ou reserva no Orçamento para administrar esse risco fiscal, embora haja o entendimento de técnicos fora do governo de que a regra da Constituição está em vigor e precisa ser seguida nas avaliações do Orçamento.

O secretário de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Paulo Bijos, disse em entrevista coletiva nesta sexta-feira (22) que ainda há incertezas sobre o valor e que o governo avalia alternativas.

Um projeto de lei em tramitação no Congresso pretende autorizar o cumprimento de um piso menor na Saúde em 2023. O Executivo também cogita fazer uma consulta ao TCU (Tribunal de Contas da União) a respeito do tema, embora a indagação ainda não tenha sido formalizada. Há apenas um processo em curso, aberto após provocação do Ministério Público junto ao TCU.

O tamanho do buraco equivale à diferença entre os cerca de R$ 168 bilhões reservados atualmente no Orçamento e o valor na casa dos R$ 189 bilhões que precisaria ser aplicado para alcançar os 15% da RCL (Receita Corrente Líquida) atualizada para o ano, como manda a Constituição Federal.

A questão preocupa o Executivo porque pode exigir um bloqueio significativo nas despesas de outros ministérios, levando a uma situação de apagão ("shutdown").

"Para esta RCL de agora [estimada em setembro], chegaríamos a R$ 20 bilhões [de diferença]", disse Bijos ao comentar os dados do relatório de avaliação de receitas e despesas do 4º bimestre.

A estimativa anterior apontava um crescimento de até R$ 18 bilhões no piso da Saúde, mas o número cresceu porque o governo melhorou suas projeções de arrecadação que servem de base de cálculo para a aplicação mínima na área.

Segundo Bijos, a questão é alvo de controvérsia jurídica e "continua em análise". Questionado sobre a base legal da decisão de não incluir no relatório bimestral as despesas para cumprir o piso constitucional da Saúde, o secretário afirmou que isso foi feito diante da incerteza sobre o valor a ser incrementado. No entanto, ele admitiu que "não deixa de ser um risco fiscal".

Como revelou a Folha de S.Paulo, o líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu (PR), incluiu num projeto de lei complementar de sua relatoria um dispositivo para permitir ao governo cumprir, no ano de 2023, um piso da Saúde menor do que o estipulado na Constituição.

A proposta prevê a aplicação do mínimo de 15% sobre a RCL aprovada originalmente no Orçamento, que está R$ 109 bilhões abaixo do valor atualizado no relatório de setembro.

Segundo Bijos, essa regra limitaria a suplementação na Saúde a cerca de R$ 5 bilhões, em cálculos atualizados. Trata-se de um montante ainda significativo, mas mais administrável do que os R$ 20 bilhões necessários para cumprir a regra constitucional em sua integralidade.

O dispositivo foi aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados, mas sua inclusão sem alarde no texto gerou protestos na própria base do governo. Parlamentares de esquerda consideraram a regra inconstitucional.

Além disso, nem esses R$ 5 bilhões foram contemplados na revisão bimestral do Orçamento.

"[A decisão se deu] Pelo fato de haver uma incerteza do valor, pelo fato de haver um projeto de tramitação e ainda termos oportunidade de [fazer o remanejamento] em tempo hábil", disse Bijos. "Tecnicamente, a razão foi a incerteza. Havendo certeza, já estaria contemplado", afirmou.

Segundo o secretário, há diferentes opiniões dentro do próprio governo sobre qual seria o valor a ser adicionado ao piso da Saúde. Por isso, em sua visão, é preciso aguardar o andamento das discussões.

"Nós também temos o mesmo entendimento de que a Lei Magna deve ser respeitada. Temos, entretanto, a visão de que existe uma ótica orçamentária de anualidade", disse Bijos. "Está fora de cogitação qualquer possibilidade de descumprimento da Constituição Federal. Essa questão será solucionada e definida ainda este ano", acrescentou.

Bijos ressaltou que a discussão em torno do piso da Saúde "não se confunde" com uma não priorização da área. "Com o teto de gastos, o piso seria de R$ 147 bilhões, nós já temos em 2023 uma dotação de R$ 168 bilhões. Estamos bastante acima, temos R$ 20 bilhões a mais", disse.

Além disso, segundo ele, o governo vem efetuando despesas na área de Saúde não contabilizadas para o mínimo, como os R$ 7,3 bilhões reservados para financiar o pagamento do piso da enfermagem.

O secretário acrescentou ainda que a proposta de Orçamento de 2024 prevê um incremento de R$ 50 bilhões para a Saúde. Boa parte desse valor segue a regra do mínimo constitucional.

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solidariedade

Campanha Natal Solidário é lançada com foco em arrecadar brinquedos em Campo Grande

Itens arrecadados serão distribuídos para crianças em situação de vulnerabilidade social em dezembro

23/08/2026 17h00

Prefeitura pede que brinquedos doados sejam novos

Prefeitura pede que brinquedos doados sejam novos Foto: Pixabay

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), lançou oficialmente a Campanha Natal Solidário, que tem como principal objetivo arrecadar brinquedos novos para crianças de famílias em situação de vulnerabilidade social.

As doações serão destinadas a ações especiais de Natal, que serão realizadas nas sete regiões urbanas e nos dois distritos de Campo Grande, Anhanduí e Rochedinho.

Conforme a prefeitura, a proposta é mobilizar a população para transformar solidariedade em presentes e levar alegria às crianças durante o período natalino.

Podem ser doados brinquedos novos para meninas e meninos nos pontos de coleta espalhados pela cidade.

Entre os pontos de arrecadação estão o Shopping Norte Sul Plaza, na Avenida Presidente Ernesto Geisel, 2.300, e a sede do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), na Avenida Fábio Zahran, 6.000, na Vila Carvalho.

“Doar um brinquedo novo de menina ou menino é levar amor e alegria a quem mais precisa, que é a criança”, destaca a presidente do FAC, Adir Diniz.

O FAC destaca ainda a importância de que as doações sejam de brinquedos novos. A iniciativa busca garantir que cada criança receba um presente em boas condições e tenha a experiência de abrir um brinquedo novo no Natal.

Além de estimular a solidariedade, a campanha busca reforçar a importância do consumo consciente e do cuidado com o meio ambiente. A proposta, conforme o Executivo Municipal, une sustentabilidade e solidariedade ao incentivar atitudes que contribuam para o bem-estar das pessoas e do planeta.

A Campanha Natal Solidário conta com o apoio das secretarias municipais e de parceiros da iniciativa privada, além de estar aberta à participação de toda a população.

Para informações sobre a campanha e orientações para doações, o FAC disponibiliza o telefone (67) 2020-1361.

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24° FEMINICÍDIO

Mulher é morta a facada dentro de casa e MS registra o 24° feminicídio

Crime ocorreu na manhã deste domingo (23), na Vila Trindade; vítima tinha 38 anos e polícia realiza buscas pelo suspeito e a filha do casal

23/08/2026 15h15

Polícia Civil foi acionada para apurar a morte de Marta Florentino Godoi, de 38 anos, ocorrida dentro da residência onde vivia, em Aquidauana

Polícia Civil foi acionada para apurar a morte de Marta Florentino Godoi, de 38 anos, ocorrida dentro da residência onde vivia, em Aquidauana Divulgação

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Uma mulher de 38 anos foi morta a facada dentro de casa na manhã deste domingo (23), na Vila Trindade, em Aquidauana. Identificada como Marta Florentino Godoi, ela teria sido atacada pelo próprio marido, que fugiu após o crime levando a filha menor de idade do casal. 

O caso é investigado como feminicídio. Conforme informações do portal O Pantaneiro, o crime ocorreu por volta das 6h, em uma residência localizada na Travessa Margarita Meza. Marta foi atingida por um golpe de faca e não resistiu aos ferimentos. 

Depois do ataque, o suspeito deixou o imóvel e teria levado a filha do casal. Equipes das forças de segurança foram mobilizadas para tentar localizá-lo e encontrar a criança. Até o momento, as circunstâncias que levaram ao crime não foram esclarecidas.

A Polícia Civil realizou os primeiros levantamentos no local. A ocorrência é acompanhada pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Aquidauana, sob responsabilidade da delegada Isabelle Sentinelo. A investigação deverá reconstruir os momentos anteriores ao ataque e apurar a motivação. 

Moradores da região relataram que não tinham conhecimento de episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o casal. As informações preliminares também indicam que não havia registros policiais nteriores relacionados a agressões ou desentendimentos entre os dois. 

A ausência de ocorrências anteriores, no entanto, será considerada apenas como um dos elementos da investigação. A Polícia Civil devera ouvir pessoas próximas à vítima, ao suspeito e reunir outros elementos para esclarecer a dinâmica do crime. 

Feminicídio

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

2026

A morte de Marta ocorre dois dias depois de Mato Grosso do Sul atingir a marca de 23 feminicídios registrados em 2026. O número foi alcançado após um caso ocorrido em Costa Rica, na sexta-feira (21).

Conforme dados do Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), o Estado contabilizava 23 vítimas de feminicídio neste ano até agosto.

Caso a investigação confirme o enquadramento da morte de Marta como feminicídio e o caso seja incluído nas estatísticas oficiais, Mato Grosso do Sul passará a contabilizar 24 feminicídios em 2026.

As buscas pelo suspeito continuam, enquanto a Polícia Civil trabalha para esclarecer a motivação e as circunstâncias do crime, além de localizar a filha do casal.

Lista trágica

Confira a lista de mulheres vítimas de feminicídio em 2026:

  1. Josefa dos Santos - 16 de janeiro
  2. Rosana Candia Ohara - 24 de janeiro
  3. Nilza de Almeida Lima - 22 de fevereiro
  4. Beatriz Benevides da Silva - 25 de fevereiro
  5. Liliane de Souza Bonfim Duarte - 6 de março
  6. Leise Aparecida Cruz - 7 de março
  7. Ereni Benites - 8 de março
  8. Fátima Aparecida da Silva - 23 de março
  9. Marlene de Brito Rodrigues - 6 de abril
  10. Vera Lúcia da Silva - 13 de abril
  11. Zelita Rodrigues de Souza - 30 de abril
  12. Kelly Laura - 15 de maio
  13. Fabíola Marcotti - 18 de maio
  14. Maria do Carmo - 28 de junho
  15. Paula de Souza Conceição - 11 de julho
  16. Rosenilda de Oliveira Candelário - 17 de julho
  17. Terezinha Nantes - 27 de julho
  18. Ana Carolina Goés - 31 de julho
  19. Adrielle Encarnação - 31 de julho
  20. Rose Batista Cabreira - 2 de agosto
  21. Adriana Barrios - 5 de agosto
  22. Nathalia Rodrigues Nogueira - 06 de agosto
  23. Fátima Alves de Matos - 21 de agosto

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