Cidades

Cidades

Câmara rejeita pedido para que presidente do IMPCG explique "calote" do Banco Master

Vereadores reprovaram requerimento que solicitava cópias de contratos e lista de instituições financeiras que contaram com aplicações do instituto

Continue lendo...

A Câmara Municipal de Campo Grande decidiu convidar o diretor-presidente do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), o ex-vereador Marcos Tabosa, para prestar esclarecimentos sobre os investimentos da autarquia no Banco Master, instituição que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC). O IMPCG possui R$ 1,4 milhão aplicados em letras financeiras da instituição. 

A convocação ocorreu após a rejeição, por 12 votos a 11, de um requerimento que pedia cópias de contratos, atas, pareceres e a lista completa das instituições financeiras onde o instituto mantém aplicações.

Autor do requerimento, o vereador Marquinhos Trad (PDT) lamentou a recusa dos parlamentares e destacou que, desde 2024, o Ministério Público de Contas de São Paulo vinha advertindo municípios sobre os riscos de aplicar recursos dos regimes próprios de previdência no Banco Master.

Segundo ele, as recomendações eram explícitas: não haveria qualquer proteção caso a instituição enfrentasse dificuldades financeiras.

"Estamos imbuídos de um propósito de proteção do dinheiro público, até porque esse dinheiro não pertence ao gestor, ele apenas cuida da gestão. A partir do momento em que se noticia um prenúncio de má gerência", justificou.

O vereador reforçou que, diante dos fatos, cabia ao Legislativo exercer seu papel fiscalizador. "Quando esses fatos vieram à tona, restava ao Legislativo fazer o que dele se espera: fiscalizar, exigir documentos, ouvir justificativas e entender como o risco foi assumido", frisou, ao defender o pedido de informações rejeitado no plenário.

O fato

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central, interrompe o funcionamento da instituição e organiza sua retirada do Sistema Financeiro Nacional. A medida deve resultar em prejuízos milionários a três fundos de pensão de prefeituras de Mato Grosso do Sul. O IMPCG possui R$ 1,4 milhão aplicados em letras financeiras da instituição. Reportagem publicada pelo Estadão revelou que os fundos de Angélica e São Gabriel do Oeste também investiram no Master: R$ 2 milhões e R$ 3 milhões, respectivamente.

Alertas sobre a possibilidade de calote já haviam sido noticiados pelo Correio do Estado em reportagens de abril e agosto do ano passado. De acordo com as publicações, servidores municipais da Capital não concordavam com a decisão de aplicar recursos previdenciários no banco.

Em nota enviada ao Correio do Estado, a Prefeitura de Campo Grande afirmou que todas as aplicações financeiras do IMPCG seguem rigorosamente a Resolução CMN nº 4.963/2021, que regulamenta os investimentos dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

A administração municipal também destacou que o Banco Master constava, na época da aplicação, na lista oficial de instituições autorizadas pelo Ministério da Previdência Social a receber recursos previdenciários. O município explicou ainda que o investimento foi feito por meio da aquisição de uma letra financeira com vencimento em abril de 2029, sem possibilidade de resgate antecipado. Caso a falência do banco se confirme, este será o segundo calote sofrido pelo IMPCG: em 2013, com a quebra do Banco Rural, o instituto perdeu cerca de R$ 50 milhões.

Relatório obtido pelo Correio do Estado mostra que as aplicações no Banco Master representam 2,99% dos R$ 47,8 milhões investidos pelo IMPCG. A maior parte dos recursos está aplicada na Caixa Econômica Federal (R$ 23,4 milhões ou 49,14%) e no Banco do Brasil Gestão de Recursos (R$ 14,9 milhões ou 31,37%). O restante está distribuído entre Bradesco (R$ 2,99 milhões 6,26%), Daycoval (R$ 2,90 milhões 6,07%), Itaú (R$ 1,7 milhão 3,66%), RIJ Corretora (R$ 222 mil 0,47%), Banco Genial (R$ 21,8 mil 0,05%) e Finaxis (R$ 2,5 mil 0,01%).

Apesar da diversificação, o IMPCG enfrenta desequilíbrio financeiro. Em 2024, a autarquia registrou receita de R$ 515,3 milhões, mas gastou R$ 640,8 milhões com o pagamento de aposentadorias e pensões um déficit anual de R$ 125,5 milhões. Para cobrir o rombo e manter os salários em dia, a Prefeitura tem aportado cerca de R$ 10,5 milhões por mês. Mesmo assim, por exigência federal, o instituto é obrigado a destinar parte de seu faturamento a um fundo de reserva.

O BC determinou também a liquidação do Master SA Corretora de Câmbio, do Banco Letsbank S.A. e do Banco Master de Investimento S.A., nomeando a EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante, com amplos poderes de administração. Além disso, foram tornados indisponíveis os bens da controladora Master Holding Financeira, da 133 Investimentos e Participações LTDA e dos controladores Daniel Bueno Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen.

Neste mês, a Polícia Federal prendeu o dono do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo. A liquidação ocorreu pouco mais de um mês após o BC vetar a venda de parte do Master ao Banco de Brasília (BRB), negociação que havia sido anunciada juntamente com o Grupo Fictor.

Segundo a Agência Brasil, a situação dos investidores do banco dependerá do montante aplicado e do perfil de cada cliente. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobrirá valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos, por conglomerado financeiro.

Clientes com valores superiores poderão recuperar apenas parte do montante na liquidação ou na via judicial, processo que pode se arrastar por anos. O FGC estima R$ 41 bilhões em garantias envolvidas e cerca de 1,6 milhão de credores elegíveis, assegurando que há patrimônio suficiente para honrar os pagamentos dentro das regras.

*Colaborou Suzan Benites

Assine o Correio do Estado


 

Cidades

OAB-MS divulga calendário de vacinação contra gripe

Campanha da advocacia prevê aplicação de doses em Campo Grande e em mais de 30 subseções do interior entre abril e maio

27/03/2026 21h25

Campanha pretende vacinar milhares de advogados

Campanha pretende vacinar milhares de advogados Arquivo

Continue Lendo...

A maior campanha de vacinação contra a gripe já realizada pela advocacia brasileira começou a ser implementada pelo Conselho Federal da OAB, com a distribuição de 105 mil doses da vacina contra a Influenza para advogadas e advogados em todo o país.

A aplicação nas seccionais ocorre de forma escalonada, conforme cronogramas definidos pelos estados.

A iniciativa é promovida em parceria com o Fundo de Integração e Desenvolvimento Assistencial dos Advogados e com a Coordenação Nacional das Caixas de Assistência dos Advogados.

O fornecimento das doses ocorre por meio de contrato firmado com o Instituto Butantan. As vacinas são do tipo influenza trivalente monodose, que protegem contra duas cepas de Influenza A (H1N1 e H3N2) e uma de Influenza B.

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação será coordenada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul, que divulgou calendário com atendimento em diversas subseções do estado entre abril e maio.

Cronograma

Em Mato Grosso do Sul, a vacinação será coordenada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul, conforme o seguinte cronograma:

  • Campo Grande — 01/04/2026, das 08:00 às 18:00

  • Campo Grande — 02/04/2026, das 08:00 às 18:00

  • Aquidauana — 27/04/2026, das 08:30 às 09:30

  • Miranda — 28/04/2026, das 08:30 às 09:30

  • São Gabriel do Oeste — 28/04/2026, das 14:30 às 15:30

  • Rio Verde — 28/04/2026, das 17:00 às 18:00

  • Corumbá — 29/04/2026, das 08:00 às 09:30

  • Coxim — 29/04/2026, das 16:00 às 16:30

  • Sonora — 30/04/2026, das 08:00 às 08:30

  • Pedro Gomes — 30/04/2026, das 13:30 às 14:00

  • Sidrolândia — 04/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Maracaju — 04/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Camapuã — 04/05/2026, das 08:30 às 09:30

  • Figueirão — 04/05/2026, das 14:30 às 15:00

  • Jardim — 05/05/2026, das 14:00 às 15:00

  • Costa Rica — 05/05/2026, das 15:30 às 16:30

  • Bela Vista — 06/05/2026, das 13:30 às 14:30

  • Chapadão do Sul — 06/05/2026, das 15:00 às 16:00

  • Bonito — 07/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Cassilândia — 07/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Inocência — 07/05/2026, das 14:30 às 15:00

  • Nioaque — 08/05/2026, das 08:30 às 09:00

  • Água Clara — 08/05/2026, das 08:00 às 08:30

  • Ribas do Rio Pardo — 08/05/2026, das 15:00 às 15:30

  • Bataguassu — 11/05/2026, das 12:30 às 13:30

  • Fátima do Sul — 11/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Caarapó — 11/05/2026, das 15:30 às 16:00

  • Brasilândia — 11/05/2026, das 16:00 às 16:30

  • Três Lagoas — 12/05/2026, das 08:00 às 10:30

  • Amambai — 12/05/2026, das 15:30 às 16:30

  • Aparecida do Taboado — 13/05/2026, das 08:00 às 09:00

  • Paranaíba — 13/05/2026, das 14:30 às 15:30

  • Selvíria — 14/05/2026, das 11:00 às 11:30

  • Nova Alvorada do Sul — 18/05/2026, das 09:00 às 09:30

Cada subseção é responsável pela organização local da imunização e pela divulgação de horários específicos de atendimento.

A campanha tem como objetivo ampliar a proteção dos profissionais da advocacia em um período de maior circulação de vírus respiratórios, especialmente entre aqueles que atuam diariamente em fóruns, audiências e repartições públicas.

Advogadas e advogados devem consultar sua subseção ou a Caixa de Assistência local para confirmar horários e orientações específicas sobre a vacinação.

Cidades

Ministério da Saúde firma parceria para produzir remédio oncológico nacionalmente

A ideia é que a produção local amplie o uso da terapia no Sistema Único de Saúde, onde já é utilizada no tratamento de melanoma

27/03/2026 19h00

Crédito: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Ministério da Saúde anunciou na quinta-feira, 26, um termo de compromisso de transferência de tecnologia com a farmacêutica estadunidense Merck Sharp & Dohme (MSD) para viabilizar a produção nacional do medicamento oncológico pembrolizumabe (comercializado como Keytruda).

A ideia é que a produção local amplie o uso da terapia no Sistema Único de Saúde (SUS), onde já é utilizada no tratamento de melanoma. O medicamento é um tipo de imunoterapia. Ele atua reativando células de defesa do paciente, fortalecendo a resposta imunológica contra a doença.

Além da oferta no tratamento do melanoma, o uso da terapia para pacientes com câncer de mama, pulmão, esôfago e colo do útero está em análise na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

A cooperação segue o modelo de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) e prevê que a MSD atue em conjunto com o Instituto Butantan.

"Essa é uma PDP que começa agora e ao longo de 10 anos o Instituto Butantan vai incorporar essa capacidade produtiva e ser capaz de produzir no Brasil um medicamento que é muito importante", destaca Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação, em comunicado à imprensa.

Doenças negligenciadas

Durante o evento de oficialização, o governo também anunciou a criação da primeira encomenda tecnológica voltada ao combate de doenças que atingem populações vulneráveis, como hanseníase, tuberculose, doença de Chagas e leishmaniose.

Para isso, o ministério firmou um acordo de cooperação técnica (ACT) com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que vai viabilizar a iniciativa. A expectativa é que a chamada pública seja lançada ainda em 2026.

A parceria prevê apoio técnico da ABDI em etapas como definição de demandas, escuta de mercado, avaliação de riscos tecnológicos e seleção de instituições participantes, enquanto o ministério será responsável pelas decisões e diretrizes estratégicas e implementação do instrumento.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).