Cidades

2025

Campanha da Fraternidade ressalta a importância de preservar o meio ambiente

Com queimadas e incêndios no Pantanal, MS está no centro de discussões da Campanha da Fraternidade

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Campanha da Fraternidade 2025 (CF 2025) inicia-se nesta Quarta-feira de Cinzas (5). O tema deste ano é “Ecologia Integral – Deus viu que tudo era muito bom!”, lema extraído de Gênesis 1, 31.

O tema ressalta a importância de cuidar e proteger o meio ambiente em meio a tempos em que queimadas, incêndios e desmatamento afetam a fauna e flora mundial.

A temática propõe analisar e ressignificar as opções e buscar novas atitudes para colocar em sintonia com sinais de ressurreição de Jesus Cristo: os dons da natureza, a beleza das culturas, a conquista da justiça social, o esforço pelo bem comum na sociedade e a paz tão desejada que começa dentro de cada um. O cristão é chamado para cuidar, integrar e acompanhar cada vida como um sinal do amor de Deus.

Não se pode ignorar os caminhos que nos levaram à crise socioambiental que se enfrenta atualmente. O ser humano é guardião do planeta, com a missão sagrada confiada por Deus a cada um para ser exercida com responsabilidade e cuidado.

A conversão integral exige uma revisão do estilo de vida, lembrando de que a crise ecológica está diretamente ligada à moralidade humana.

O objetivo geral da Campanha é promover, em espírito quaresmal e em tempos de urgente crise socioambiental, um processo de conversão integral, ouvindo o grito dos pobres e da Terra.

O Papa Francisco, em sua Carta Encíclica "Laudato Si'", publicada há 10 anos, em março de 2015, instiga a refletir sobre a relação entre homens e natureza, destacando a interdependência entre o grito dos pobres e o grito da terra.

Confira sete conceitos que perpassam o texto-base da Campanha da Fraternidade:

  • Casa Comum
  • Ecologia Integral
  • Tudo está interligado
  • O ser humano como Guardião da Criação
  • A Crise Ecológica e sua Raiz Humana
  • Conversão Ecológica
  • Do Consumismo a um novo estilo de vida

O lançamento oficial da CF 2025 ocorrerá em 8 de março, sábado, às 15 horas, no Parque das Nações Indígenas, localizado nos altos da avenida Afonso Pena, em Campo Grande.

Haverá plantio de árvores (mudas de ipê) e Santa Missa no Parque das Nações, com apresentação das bandas católicas Ministério de Música da Paróquia Cristo Luz dos Povos, Ministério de Música da Pastoral Juvenil, Fraternidade São João Paulo II e Orquestra Indígena.

Confira a programação:

  • 15h: Início da concentração/chegada de autoridades e fiéis
  • 16h: Cerimônia de abertura e plantio de árvores (mudas de pê)
  • 18h: Santa Missa presidida por Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo Metropolitano

Celebrada nacionalmente desde 1964, a Campanha da Fraternidade é um modo de a Igreja Católica no Brasil celebrar o Tempo da Quaresma – os 40 dias em preparação para a Páscoa com atitudes de oração, jejum e caridade.

O ponto alto da Campanha é a Coleta da Solidariedade, realizada em todas as comunidades do Brasil no Domingo de Ramos, que, neste ano, ocorre nos dias 12 e 13 de abril. Os recursos são destinados a projetos sociais em todo o país.

QUEIMADAS EM MS

A Campanha da Fraternidade deste ano da Igreja Católica terá um tema em que Mato Grosso do Sul é protagonista das discussões no Brasil e em alguns lugares do mundo: o meio ambiente. 

Os incêndios dos últimos anos no Pantanal e as mudanças climáticas são os fatores que motivaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a eleger o tema da campanha deste ano. Em Mato Grosso do Sul, o clero já está pronto para levar a campanha aos fiéis. 

O tema será “Ecologia Integral” e o lema, “Deus viu que tudo era muito bom”. 

O objetivo da campanha neste ano é convidar a sociedade a refletir sobre o cuidado com a “casa comum”, como a Igreja denomina o planeta, e a responsabilidade cristã na preservação do meio ambiente.

O aquecimento no Pantanal é um dos temas centrais, além dos dados sobre poluição em todo o Brasil.

Para o clero, a campanha foi aberta na semana passada, no Bioparque Pantanal, em evento que reuniu sacerdotes, cientistas e autoridades. Para os fiéis, a missa de abertura será neste sábado, presidida pelo arcebispo de Campo Grande dom Dimas Lara Barbosa.

Foram destacados no evento do Bioparque os objetivos e as motivações da campanha, as informações sobre o aquecimento no Pantanal e os dados do pódio da poluição do Brasil. 

O relatório síntese do Painel Intergovernamental para o Clima da ONU, de março de 2023, sobre mudanças climáticas, também foi citado durante a abertura da campanha.

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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