O mês de Junho é palco de uma nova campanha de conscientização à saúde: o Junho Laranja. Em razão do Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, em 6 de junho, instituído pela Lei 12.026/2009, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) promove, anualmente, a campanha, com o objetivo de alertar a população e as autoridades sobre os riscos de acidentes com queimaduras e os traumas que eles podem causar.
A cada ano, é escolhido um tema foco. Em 2025, as discussões serão voltadas aos casos de violência contra a mulher onde são utilizados métodos que incluem a queimaduras.
De acordo com a SBQ, em 2024, 72,2% dos casos de feminicídios atendidos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública que envolviam queimadura, tiveram o rosto como principal afetado pelo ato e, 50%, o tórax.
Para a vice-presidente da SBQ, Raquel Pan, nos casos de queimadura contra a mulher, o homem não quer matá-la, "ele quer desfigurar, com o pensamento de que se ela não for companheira dele, não vai ser companheira de ninguém".
Cuidados no contexto geral
O Junho Laranja, além da campanha direcional no ano, tem o objetivo de trabalhar a prevenção a queimaduras no contexto geral.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que ocorram cerca de 180 mil mortes por queimaduras todos os anos, sendo a maioria nos países de baixa e média renda. Quando as queimaduras não são fatais, levam à hospitalização prolongada, desfiguração de partes do corpo e incapacidades permanentes.
Segundo o Boletim Epidemiológico volume 53, nº47, elaborado pela OMS e pela SBQ, considerando a população atendida em unidades hospitalares do SUS nos períodos de 2015 a 2020, as queimaduras acidentais foram mais frequentes em "indivíduos de 20 a 39 anos (40,7%); sexo masculino (57%); acidentes com ocorrências domiciliares (67,7%); queimaduras decorrentes do manuseio de substâncias quentes (52%)".
Das queimaduras ocorridas em casa, a maioria foi em jovens menores de 15 anos (92%) e em idosos (84,4%), bem como as mulheres (81,6%), resultantes, em sua maioria, do manuseio de substâncias quentes. Já os acidentes ocorridos no comércio, nos serviços e na indústria acometeram principalmente indivíduos entre 16 e 59 anos (73,6%).
MS
O hospital referência de Mato Grosso do Sul no setor de queimaduras é a Santa Casa de Campo Grande. Nos cinco primeiros meses de 2025, foram atendidos 125 pacientes para tratamento de queimaduras. Destes, 122 dos casos foram classificados como queimadura de grau 2, caracterizada por vermelhidão, inchaço, dor intensa e formação de bolhas. O maior número de casos (36) foi de pacientes de 31 a 60 anos, seguido de crianças de 1 a 5 anos (23 casos).
Em 2024, foram atendidos 353 pacientes com queimaduras na unidade de saúde, sendo predominante, também, os casos em pessoas de 31 a 60 anos de idade (133), seguido por pessoas de 21 a 30 anos (82 casos).
De acordo com o Dr. Felipe Resende, coordenador do setor, a maioria dos casos ocorre por falta de atenção.
"Muitas vezes, as pessoas subestimam os riscos do fogo. Um dos exemplos preocupantes é a alta incidência de queimaduras causadas pelo acendimento de churrasqueiras para bife na chapa, uma prática cultural no estado. O uso de álcool líquido, que se espalha rapidamente com o vento, torna-se imprevisível e perigoso", explica.
O maior registro de queimaduras no hospital é a causada por líquidos superaquecidos, que envolvem água fervente ou óleo. Homens são as principais vítimas desses incidentes, seguido por queimaduras por combustíveis, como gasolina.
O terceiro tipo mais comum de queimadura é causado por exposição direta à chama, proveniente de fogo ou gás. A gravidade das queimaduras é classificada conforme profundidade e extensão, medida pelo percentual da superfície corporal atingida.
A recomendação para reduzir os riscos de acidentes é sempre manter as crianças afastadas de fogões, ferros de passar, líquidos quentes e outras fontes de calor. Também é essencial ter cuidado na manipulação de álcool e querosene, evitar exposição prolongada ao sol sem proteção e utilizar roupas leves para diminuir o impacto dos raios solares na pele.
Resende dá dicas sobre como proceder em casos de queimaduras.
"O ideal é resfriar o local com água corrente em temperatura ambiente e buscar assistência médica o mais rápido possível. Nunca aplique gelo, manteiga ou qualquer produto na área afetada, nem tente remover roupas grudadas na pele".


