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Campo Grande acende alerta com 10 casos de morcegos com raiva

Mesmo sem registro em humanos desde 2015, doença é de alta periculosidade, em função da taxa de letalidade de quase 100%, além de infectar cães e gatos

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Com taxa de letalidade em humanos próxima de 100%, as ocorrências de morcegos infectados com raiva encontrados em Campo Grande neste ano têm chamado a atenção das autoridades, já que o contato com o vírus pode levar uma pessoa à morte dentro de duas semanas após os primeiros sintomas.

Neste ano, a Capital acumula 10 casos de morcegos infectados com o vírus da raiva, que foram encontrados em nove bairros diferentes da Capital: São Francisco (2); Centro; Jardim Ouro Preto; Carandá Bosque; Aero Rancho; Jardim Veraneio; Jardim Columbia; Vila Jacy; e Vila Planalto.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) explicou que o número representa apenas 1,6% do total de 620 morcegos recolhidos e analisados pela Coordenadoria de Controle de Zoonoses (CCZ) desde janeiro.

A Sesau também explicou que são recolhidos apenas aqueles animais que são encontrados caídos, visto que este comportamento é considerado anormal e, como não é possível analisar sem exames laboratoriais qual o motivo da queda, pode representar sério risco para a população, cachorros e gatos.

Em conversa com a reportagem, a veterinária Juliana Sguario explicou a relação dos morcegos com a doença. “A raiva é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida para humanos e é letal, afeta o sistema nervoso de mamíferos. Causada por um vírus do gênero Lyssavirus, tem o morcego como reservatório, por isso, eles são os principais transmissores da doença”, diz.

Juliana explica que os morcegos com raiva encontrados em Campo Grande são frugívoros, ou seja, mamíferos que se alimentam principalmente de frutas, e não costumam atacar pessoas, utilizando a mordida apenas em último caso, para se defender. Porém, por serem normais em zonas urbanas, apresentam perigo para a proliferação de doenças em humanos.

Sobre os casos nos últimos meses na Capital, a veterinária acredita que há vários fatores que contribuem para isso, como alterações climáticas e desmatamento (consequentemente, a perda de seu habitat), além de a procura por alimento e água aproximá-los da cidade.

Ainda, a população estar alerta sobre a doença faz com que o recolhimento seja mais acionado, ampliando o número de registros.

Por isso, Juliana recomenda a vacinação de cachorros e gatos. “Além das vacinas serem importante para a prevenção de uma zoonose, como a raiva, também é importante para qualidade de vida e a longevidade do pet, pois também previne de outras doenças virais, como a parvovirose e a cinomose”, explica.

Segundo censo atualizado em tempo real com número de imunizantes contra raiva disponíveis em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros Regionais de Saúde (CRSs) de Campo Grande, há 259 vacinas antirrábicas prontas para serem aplicadas, das quais 123 estão somente na UPA Leblon, seguida pela UPA Santa Mônica e a UPA Universitário, que somam mais de 90 doses.

10 ANOS LIVRE

Em Mato Grosso do Sul, uma década se passou sem casos registrados de raiva em humanos. Inclusive, o último caso confirmado no País ocorreu em abril de 2015, em Corumbá, onde acontecia uma epidemia de animais com raiva na época.

Na ocasião, um homem de 38 anos foi mordido por um cachorro infectado e procurou ajuda quase um mês depois do ocorrido.

Transferido para o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, ele ficou dias em regime de isolamento, coma induzido e respirando por aparelhos.

Um mês de internação depois, o rapaz faleceu após sofrer uma parada cardíaca. Este foi o primeiro caso em humanos no Estado desde 1994, ou seja, um período de 21 anos sem registros.

FATAL

Como já mencionado, a raiva é uma doença que atinge mamíferos, incluindo seres humanos. Mesmo com baixa incidência de casos confirmados em humanos, a doença sempre é alvo de preocupação das autoridades de saúde, visto que sua infecção está diretamente ligada à morte.

De acordo com o Ministério da Saúde, a raiva é transmitida ao homem por meio da saliva de animais infectados por meio de mordedura, arranhadura ou lambedura.

Após o período de incubação (cerca de 45 dias em adultos e em menos tempo em crianças), surgem os primeiros sintomas da doença, como náuseas, anorexia, mal-estar geral, dor de cabeça e garganta, irritabilidade, entorpecimento, inquietude, pequeno aumento na temperatura e sensação de
angústia.

Essas manifestações da raiva costumam durar de 2 a 10 dias. Após esse período, os sintomas progridem e começam a ficar mais graves, manifestando-se como febre, delírios, convulsões e espasmos musculares involuntários. Em geral, o tempo da piora dos sintomas até o óbito dura de dois a sete dias.

Por isso, é recomendado que pessoas com alto grau de exposição a esses animais (como veterinários e biólogos), vacinem-se como medida de prevenção. 

A vacina antirrábica para cães e gatos é distribuída gratuitamente na rede pública, já que a proteção deles é vista como essencial para a não propagação da doença em humanos.

*SAIBA

O último caso de morcego com raiva em Campo Grande aconteceu no dia 6 de outubro, na Vila Planalto. O animal foi recolhido pela equipe da Coordenadoria de Controle de Zoonoeses (CCZ) após moradores da região acionarem o Centro.

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INTERNACIONAL

Eleição nos Estados Unidos define futuro de Trump nesta terça-feira

Votação de meio de mandato elege Câmara e 1/3 do Senado

01/11/2026 21h00

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

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Os cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos (EUA) vão às urnas na próxima terça-feira (3) para eleger todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes, além de 35 das 100 cadeiras do Senado. Os estadunidenses ainda devem escolher governadores em 36 dos 50 estados do país.Donald Trump, presidente dos Estados UnidosDonald Trump, presidente dos Estados Unidos

O resultado define o futuro do presidente Donald Trump na Casa Branca porque os democratas podem conquistar maioria no Congresso, o que teria repercussões políticas também para o Brasil.

Isso porque a oposição tem questionado a Casa Branca sobre supostas interferências de Trump no Brasil, como o financiamento dos EUA para campanhas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).  

Atualmente, as duas casas legislativas contam com uma apertada maioria de republicanos, o que concede maior liberdade para Trump implementar suas políticas.

Pesquisas de opinião têm indicado uma vitória dos democratas devido, entre outros motivos, ao aumento do custo de vida da população. A guerra iniciada por Trump contra o Irã é apontada como uma das causas da inflação já que aumentou o preço dos combustíveis após as restrições a navegação no Estreito de Ormuz.

Ao longo dos últimos meses, a desaprovação do presidente dos EUA vem crescendo e alcançou 61%, contra 36% de aprovação, segundo uma média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times.

Nesse cenário desfavorável, Trump prometeu pagar US$ 5 mil para cada adulto do país caso os republicanos vençam as eleições da Câmara e do Senado e tem viajado o país nos últimos dias em campanha para os aliados.

Paulo Abraão é diretor-executivo da Brazil Office Alliance – organização que conecta pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA – e avalia que o resultado da eleição vai definir o controle que o Legislativo terá sobre o presidente Trump.  

“Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante para a fiscalização”, explicou à Agência Brasil.

Abraão acrescentou que o controle do Senado dá poder para confirmar ou rejeitar a nomeação de autoridades e juízes.

“Se os republicanos mantiverem as duas Casas, Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda, embora isso não elimine divergências dentro do próprio partido”, completou o diretor da Brazil Office Alliance.

Sobre o processo eleitoral, Trump vem lançando uma série de dúvidas relacionadas à segurança do sistema nos EUA. Em 2020, ao perder para Joe Biden, Trump acusou a eleição de ter sido fraudada, mas não apresentou provas. Na última semana, quando questionado por jornalistas, Trump disse que respeitaria o resultado “se forem eleições honestas”.

Política externa

Há uma expectativa de que uma vitória democrata promova alguma mudança na política externa dos EUA, em especial, em relação à guerra no Irã. O especialista Paulo Abraão pondera que a Presidência dos EUA tem uma ampla margem de ação na política externa, ainda que sem maioria no Parlamento.

“Um Congresso mais independente pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia”, destacou.

Repercussão para o Brasil

O enfraquecimento político de Donald Trump, caso perca maioria em uma ou nas duas Casas do Congresso, deve repercutir também nas relações dos EUA com o Brasil, marcada pelo tarifaço e atritos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Abraão avalia que os democratas podem ampliar a investigação sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA, expondo suas conexões com o governo Trump.

“Parlamentares democratas já vêm cobrando explicações [sobre supostas interferências de Trump no Brasil]. O ponto central seria esclarecer se instrumentos do Estado americano foram utilizados para favorecer um grupo político estrangeiro, por quais razões e sob quais fundamentos”, argumentou.

Ele aponta que uma investigação parlamentar poderia apurar a denúncia contra a Meta, dona do Facebook, Instagram e Whatsapp, de favorecer o candidato Flávio Bolsonaro durante a eleição no Brasil.

A redução do alcance nas redes das contas ligadas ao candidato Lula foi justificada pela big tech como “problemas técnicos”.

"Uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas. Isso não é automático, depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar resistência e disputas judiciais", finalizou o também professor de direito Paulo Abraão.

Nas últimas semanas, congressistas democratas têm questionado a Casa Branca, por meio de cartas, desde a ação da Meta nas eleições brasileiras, até a decisão de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Na última quinta-feira (30), os democratas cobraram explicações sobre o envolvimento da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, apesar da Justiça brasileira ter proibido a saída do parlamentar. Flávio responde processos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. 

SAÚDE

Anvisa aprova 5 novas canetas para tratamento de diabetes e obesidade

Medicamentos são produzidos por dois laboratórios indianos

01/11/2026 20h00

A Anvisa já aprovou um total de 20 canetas de GLP-1 em 2026

A Anvisa já aprovou um total de 20 canetas de GLP-1 em 2026 Anvisa

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. A Anvisa já aprovou um total de 20 canetas de GLP-1 em 2026A Anvisa já aprovou um total de 20 canetas de GLP-1 em 2026

Os produtos serão comercializados na forma de canetas aplicadoras contendo semaglutida ou liraglutida – substâncias que atuam diretamente no metabolismo do paciente, auxiliando no controle da glicemia e na perda de peso.

A semaglutida e a liraglutida são princípios ativos que compõem os chamados medicamentos agonistas (ativadores) do receptor GLP-1 (sigla em inglês para Glucagon-Like Peptide-1, ou Peptídeo Semelhante ao Glucagon-1), um hormônio que, em condições ideais, é produzido naturalmente pelo intestino após a ingestão de alimentos e que sinaliza ao cérebro a sensação de saciedade.

As cinco novas canetas de GLP-1 são produzidas por dois laboratórios indianos, o Biocon e a OneSource Specialty e foram registradas, no Brasil, por três empresas: a Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos; Aché Laboratórios Farmacêuticos e a Dr. Reddys Farmacêutica do Brasil.

Os três novos medicamentos indicadas para o tratamento de diabetes são:

  • Aribet (liraglutida), fabricada pelo Biocon e comercializada pela Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos Ltda;
  • Embeltah (semaglutida), produzida pelo OneSource Specialtye registrada pela Dr. Reddys Farmacêutica do Brasil Ltda;
  • Sevema (semaglutida), registrada pela Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A e também fabricada pelo OneSource Specialty.

Já os medicamentos indicados para o tratamento de obesidade, em conjunto com exercícios físicos e mudança na alimentação, são:

  • Lyrza (liraglutida), cujo registro foi concedido à empresa Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos Ltda, da mesma empresa indiana Biocon;
  • Wylovol (liraglutida), fabricado pela Biocon e comercializado, no Brasil, pela Farma Vision.

Com os cinco novos registros publicados no Diário Oficial da União, a Anvisa já aprovou um total de 20 canetas de GLP-1 em 2026.

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