Campo Grande sedia a partir deste domingo o maior e mais abrangente evento de sua história recente, a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), evento organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com delegações de mais de 133 países e de blocos continentais, como a União Europeia, por exemplo.
Para o setor econômico, tanta gente do mundo inteiro reunida significa mais faturamento não apenas na semana do evento, mas também a possibilidade de tornar a capital de Mato Grosso do Sul mais conhecida internacionalmente. Na sexta-feira, a expectativa de comerciantes e autoridades já era alta.
Mais de 3 mil pessoas foram confirmadas e mais de 78% dos leitos de hospedagem disponíveis reservados.
A Capital tem, ao todo, 10.508 leitos de hotéis e o índice de hospedagem indica que o público que passará pela cidade durante a COP15 deve ser ainda maior que o esperado.
No Aeroporto Internacional de Campo Grande, embora não haja a confirmação de voos extras, as companhias aéreas registraram um aumento da capacidade, disponibilizando mais assentos: serão 42,3 mil ao todo.
A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso do Sul (Abih-MS), Alexandra Corrêa Martins, lembra que a COP15 é uma oportunidade para Campo Grande se apresentar ao mundo. “Eventos dessa magnitude geram impacto direto e positivo na economia local. A hotelaria é um dos setores mais beneficiados, com aumento na taxa de ocupação, maior permanência dos hóspedes e incremento na receita”, destaca.
Outros segmentos, como gastronomia, transporte e comércio, também acompanham o movimento.
Os setores ligados a área de turismo e eventos do Estado e de Campo Grande acompanham o cenário com expectativa positiva.
Mesmo o município não sendo um participante direto da organização do evento, papel exercido pela ONU e pelo governo federal, o titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Júnior, vê a COP15 de maneira otimista. “A expectativa é positiva, de um bom público externo movimentando o comércio local durante o período da COP15”, disse o secretário ao Correio do Estado.
Ele também destaca a projeção internacional.
“O evento fortalece a cidade como destino internacional, amplia sua visibilidade e pode influenciar na atração de investimentos”, afirmou.
Projetando apenas os gastos individuais dos participantes, a expectativa é de que a movimentação financeira se aproxime dos R$ 17 milhões durante o período da COP15. A estimativa é de que os gastos individuais, incluindo todos os serviços, atinjam uma média de R$ 684 por participante.
O valor, claro, não leva em consideração gastos corporativos, como os de organizações não governamentais mundialmente conhecidas, como a World Wide Fund for Nature e a Greenpeace, por exemplo, que estarão presentes no evento.
Para além disso, o evento também deve trazer parte de sua estrutura organizacional de Brasília e de outras unidades da federação. Servidores do Ministério do Meio Ambiente, além de policiais federais e rodoviários federais, foram destacados para trabalhar no evento e ficarão temporariamente em Campo Grande.
O evento, que começa neste domingo e se estende até o dia 29, será majoritariamente realizado em três sedes: a Blue Zone (montada no Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês), o Bioparque do Pantanal, e também o Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo.
Para a abertura, neste domingo, estarão presentes o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e cinco ministros de Estado, entre eles a organizadora do Meio Ambiente, Marina Silva e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, além do anfitrião, o governador do Estado, Eduardo Riedel.





