Cidades

censo 2022

Campo Grande tem apenas a 15ª proporção de habitante por ciclovia de MS

Nacionalmente, Mato Grosso do Sul é o 19º estado com maior porcentual de vias sinalizadas para bicicletas, diz pesquisa

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Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em Campo Grande apenas 1,27% da população mora próxima à ciclovias, o que representa 4.364 moradores residentes, parâmetro que coloca a Capital na 15ª posição entre as cidades de Mato Grosso do Sul.

O levantamento é referente ao Censo Demográfico de 2022 e demonstra que, entre os municípios do Estado, destacam-se os municípios de Ivinhema, com 6,8%, e Japorã, com 6,03% de moradores que residem no entorno de domicílios com vias sinalizadas para o trânsito de bicicletas, como ciclovias, ciclofaixas ou ciclorrotas.

Dos 79 municípios do Estado, de acordo com o IBGE, em 32 não foi constatado nenhum porcentual nos quesitos pesquisados. Ou seja, os domicílios não estavam localizados em vias com alguma sinalização para o trânsito de bicicletas.

Municípios como Dourados (8º), Três Lagoas (7º) e Corumbá (4º) detém um posicionamento no contexto estadual com porcentuais maiores de sinalização cicloviária que Campo Grande.

Com apenas 110 km de ciclovia, Campo Grande ocupa a 15ª colocação entre os municípios do Estado, com porcentual de 1,27% da população residente próximo a vias com esse corredor.

A mais recente obra para ampliar as ciclovias na Capital foi a conclusão de 1,2 km de malha cicloviária na Avenida Gury Marques, mudança que ocorreu em fevereiro do ano passado. A obra foi lançada pela Prefeitura de Campo Grande em agosto de 2023, em comemoração aos 124 anos do município.

As ciclofaixas e ciclovias estão localizadas nas seguintes avenidas da Capital: Afonso Pena, Duque de Caxias, Lúdio Martins Coelho, Nasri Siufi, Fábio Zahran, Costa e Silva, Cônsul Assaf Trad, Orla Morena (Avenida Noroeste), Nelly Martins (Via Park), Rua Petrópolis, Cafezais, José Barbosa Rodrigues, Dom Antônio Barbosa, Gury Marques, do Poeta (Parque dos Poderes), Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo, BR 262 – sentido Indubrasil, Amaro Castro Lima, Rádio Maia, Rita Vieira e Ernesto Geisel (em frente ao Shopping Norte Sul Plaza), além da Rua da Divisão, Rua Graça Aranha e Rua Vitor Meireles.

Conforme analisa o IBGE, “de forma geral, os porcentuais de moradores residindo em vias com sinalização para bicicletas foram significativamente baixos, revelando que a infraestrutura das vias em Mato Grosso do Sul ainda é muito direcionada para veículos automotores”, descreve.

No contexto estadual, MS está na 19ª colocação no que se refere ao acesso a ciclovias pela população, com apenas 1,1% de vias sinalizadas, se comparado com as outras unidades da federação. 

NACIONAL

No contexto nacional, o levantamento do Censo 2022 mostra que a existência de via sinalizada para bicicletas no País está presente em vias onde residem 3,3 milhões de pessoas (1,9%).

Entre as unidades da federação, o índice mais elevado alcançou 5,2%, em Santa Catarina, seguido dos seguintes estados: Distrito Federal (4,1%), Ceará (3,2%), Amapá (3,1%) e Rio de Janeiro (2,5%). O menor porcentual levantado de moradores em ciclovias pertence ao Maranhão e ao Amazonas, ambos com 0,5%.
Em recorte por região, MS está à frente apenas do estado de Goiás (0,9%), enquanto o vizinho Mato Grosso detém um porcentual um pouco melhor, com 1,4%.

Já Balneário Camboriú (SC) detém o maior porcentual entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, com 14,0% dos moradores próximos a ciclovias, seguido por Florianópolis e Joinville, também de Santa Catarina, com 12,1% e 11,8%, respectivamente.

ACESSIBILIDADE

A pesquisa também traz informações sobre acessibilidade, e MS lidera entre os estados com vias com rampa para cadeirantes. Conforme informa o IBGE, no Estado, 41,05% dos moradores estão em vias urbanas cujas quadras têm rampas para cadeirantes. 

O número é o maior entre os estados, mas ainda mostra que três em cada cinco moradores não têm acesso a esse meio de acessibilidade. 

Atrás de MS vem o Paraná, com 37,33%, e o Distrito Federal, com 30,42%. Os menores valores foram vistos no Amazonas, com 5,61%, e em Pernambuco, com 6,19%.

Entre os municípios do Estado, Alcinópolis é o mais acessível em via urbana, com 69,39%, seguido por Paraíso das Águas (62,59%) e Nova Andradina (58,98%). Os registros negativos nesse quesito vêm de Miranda (5,66%), Jateí (5,79%) e Bela Vista (6,91%).

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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