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Campo-grandense sofre por 16 horas sem luz após temporal

Chuva pegou pessoas físicas e jurídicas de surpresa e deixou rastro de prejuízos e estragos pela Capital

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Em Campo Grande, o temporal do último domingo deixou um rastro de destruição e prejuízos, inclusive com moradores relatando a falta de energia até a manhã de hoje (03), cerca de 16 horas após a passagem da chuva pela Capital. 

Ainda que houvesse alerta vigente de tempestade para Campo Grande durante o fim de semana, em menos de uma hora - como bem acompanhou o Correio do Estado - o temporal teve força suficiente para derrubar árvores e até o telhado de uma lanchonete localizada na famosa Avenida Bom Pastor na Capital, além de outros empreendimentos que também foram pegos de surpresa. 

Neiva Silva Lopes, de 61 anos, é empresária e dona de um trailer nos Altos da Afonso Pena e estava em pleno atendimento quando foi surpreendida pela chegada do temporal, chuva essa tão forte que foi capaz de arrastar sua tenda para longe. 

Dona do "Central Lanches", ela conta que ficou sem energia desde às 16h de domingo (02) e calcula que seu prejuízo deve girar aproximadamente entre dez mil reais, já que além da tenda várias cadeiras ficaram destruídas, assim como o "quebra-sol" do local. 

"Estávamos aqui na hora da chuva, estava cheio de cliente e foi desesperador, o tempo fechou muito rápido", relembra ela, que só viu o fornecimento da luz elétrica ser restabelecido por volta de 08h de hoje (03), já que ainda perto do anoitecer vários bairros da Capital já não tinham mais luz. 

É o que revela a moradora do Jardim Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizado nos fundos do bairro Rita Vieira, bem próximo do Itamaracá, que ficou sem luz desde às 18h de ontem (03).

"Ontem cheguei em casa 18h já não tinha energia. A Energisa apenas me disse que as equipes já estão na rua, mas não é na minha", revelou com tristeza  Stephanie Ribas. 

Após reparos, a energia voltou apenas hoje (03), por volta das 10h30.

Reflexos e estragos

Na manhã desta segunda-feira (03) a concessionária Energisa emitiu um boletim avisando que até às 09h de hoje o fornecimento de energia já havia sido restabelecido para 80% dos clientes. 

Conforme a Energisa em nota, como alguns locais registraram inclusive queda de granizo neste final de semana, a severidade climática foi responsável por provocar danos na rede elétrica que resultaram na interrupção parcial para alguns bairros, mas que imediatamente as equipes foram acionadas e seguem nas ruas nesta segunda-feira.  

Na Rua Filomena Segundo Nascimento, que fica na região do Jardim Monumento, por exemplo, cerca de três postes de energia foram arrancados e um quarto ficou entortado, com um desses equipamentos inclusive atingindo o muro de uma residência local.

Filha da proprietária, Kamila Camargo conversou com a equipe do Correio do Estado na manhã de hoje (03) e disse que, apesar de relatar o problema à concessionária ainda ontem (02), a primeira equipe da Energisa só apareceu nesta segunda-feira e num primeiro momento ainda não foi para resolver o problema. 

"Chegaram aqui agora, só vieram olhar e foram embora, e eles não deram previsão de quando que vai voltar. Disse que tem urgência mas que não sabe quanto tempo vai levar", explicou. 

Segundo Kamila, ela relatou no domingo que o poste havia caído dentro da casa de sua mãe, retornando a solicitação à concessionária por volta de 07h30 de hoje (03), mas sem que o problema fosse, de fato, resolvido, apenas com equipes fotografando a situação. 

"Falaram que tem que esperar a equipe vir para poder retirar, foi isso. Acho que minha mãe vai gastar uns R$10 mil para arrumar, porque foi a parede inteira, o que comprometeu também o portão que não quer mais abrir porque comprometeu a coluna e só não caiu no carro porque o outro pilar ali é de ferro. E o poste é uma porcaria, porque caiu bem na raiz, é como se alguém tivesse batido na ponta dele", diz. 

Também na região do Shopping Norte Sul Plaza a chuva e ventos foram suficientemente fortes para arrancar árvores do chão, como no caso da espécime que estava plantada do lado de dentro mas caiu sobre o muro do local, bloqueando inclusive parte da rua lateral, que foi liberada por volta de 09h40 desta segunda-feira. 

A Energisa afirma que suas equipes seguem trabalhando de forma ininterrupta para atender todas as ocorrências e, caso os clientes precisem, os contatos podem ser feitos através do Aplicativo Energisa On, disponível para iPhone e Aparelhos Android; no site energisa.com.br; WhatsApp Gisa (67) 99980-0698 ou no telefone 0800 722 7272. 

Chuva em números

Com Campo Grande sendo destaque entre as chuvas que atingiram também várias cidades do centro-sul de MS, o domingo já amanheceu chuvoso em algumas partes do Estado, como os 21,4 milímetros anotados em Dourados até antes das nove horas da manhã de domingo, dia em pontos da Capital chegaram perto de anotar 37 mm.

Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, até antes do fim da tarde de domingo municípios como Amambai já haviam anotado 35,8 milímetros de chuva, enquanto Dourados já acumulava 31,4mm de chuva e ventos que chegavam a 50 km/h. 

Na Capital, alguns locais registraram um volume menor de chuva, como observado no Jardim Panamá (4,0 mm); no Santa Luzia (11,6 mm) e na Vila Progresso (14,22 mm). 

Entretanto, segundo informações do meteorologista, a região do Shopping Campo Grande e Carandá Bosque acabou concentrando um acumulado muito maior que as demais réguas na Capital, já que esse ponto em questão chegou a anotar 36,8mm até às 22h de ontem. 

Tudo isso elevou a média de chuva da Capital para 23,4mm, pouco mais do que Bandeirantes e pelo menos 11 milímetros de chuva abaixo dos 34,4 que caíram sobre Ribas do Rio Pardo ontem (02). 

 

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jogatina

Após duas reprovações, governo convoca terceira empresa no leilão da Lotesul

A empresa ofereceu repasse de 35,33% ao governo do Estado e será convocada para a prova de conceito, etapa onde outras duas foram reprovadas

11/03/2026 17h30

Governo prevê faturamento bilionário para parceria da Lotesul

Governo prevê faturamento bilionário para parceria da Lotesul Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após duas empresas serem reprovadas na prova de conceito da segunda etapa do leilão para assumir a Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul), a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria Ltda. será convocada para a prova de conceito. A empresa ofereceu repasse de 35,33% ao governo do Estado na nova rodada do pregão realizada nesta quarta-feira (11).

Após a realização de negociação direta e da documentação apresentada, foi constatado que os documentos atendem às exigências do edital.

Desta forma, a licitação foi suspensa para a realização da prova de conceito, que é a etapa na qual as duas empresas anteriores foram reprovadas. Foram desclassificadas a Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda e a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação.

A convocação da Idea Maker será publicada no Diário Oficial do Estado, onde constará a data de realização da prova.

A Prova de Conceito em licitação é uma etapa técnica, onde o licitante mais bem classificado demonstra, na prática, que seu produto ou serviço atende aos requisitos funcionais do edital. A prova de conceito valida a viabilidade técnica e a qualidade da solução antes da contratação final, sendo comum em Tecnologia da Informação (TI) e serviços complexos para evitar riscos.

A Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria Ltda. tem sede em Santana de Parnaíba. A empresa é uma Fintech, fundada em 2011, especializada em soluções digitais focadas em e-commerce de produtos com venda incentivada, soluções de pagamento e gestão e transação de dados.

Conforme consta no site da empresa, ela atua no setor de gestão e transação de dados com soluções para registro de contratos eletrônicos de financiamentos de veículos e sistema de gestão lotérica com ferramentas de monitoramento e fiscalização dos gestores lotéricos e órgãos reguladores de sorteios.

Leilão

O governo do Estado está em busca de uma empresa especializada para implantação e operação de solução tecnológica (plataforma) que controle as atividades lotéricas, integrada com meios de pagamentos, para gerenciar e controlar as atividades e fluxo financeiro dos operadores lotéricos da loteria de MS, incluindo manutenção, customização e atualizações que se fizerem necessárias durante a vigência contratual, com entrega total do código-fonte e banco de dados ao final do contrato.

A licitação foi suspensa duas vezes no ano passado e sofreu alterações no edital em comparação com quando foi lançado. Porém, pelo seu potencial de arrecadação ser na casa dos bilhões de reais, segue atraindo atenção das empresas de loterias espalhadas pelo País.

A primeira disputa pela Lotesul foi em março do ano passado, mas foi paralisada logo no início do certame, para, supostamente, responder a uma dúvida de interessados.

A empresa que vencer a licitação para comandar a Lotesul poderá ter um faturamento anual bilionário, segundo estimativa macro feito pelo governo do Estado.

Apesar de no edital de licitação constar que a “estimativa da receita média anual de remuneração da plataforma é de R$ 51.474.339,31”, no termo de referência feito pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), organizadora do certame, o valor que a ferramenta pode chegar é muito maior.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul em 2022 foi de R$ 166,8 bilhões. A fatia de 0,85%, portanto, significa uma receita de R$ 1,417 bilhão.

Na última divulgação feita pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o Produto Interno Bruto (PIB) foi de R$ 184,4 bilhões. A estimativa para 2025 era de mais de R$ 227,8 bilhões, o que representaria mais de R$ 2 bilhões ao ano.

A Lottopro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas LTDA. havia ganhado o primeiro leilão em 23 de janeiro, mas, foi reprovada na prova de conceito por falta de cofre de regulação (eletrônico), o que é uma exigência do edital feito pelo governo de Mato Grosso do Sul para a Lotesul.

A segunda colocada, a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação LTDA, também foi reprovada na segunda etapa do processo licitatório, no dia 6 de março.

   

CAMPO GRANDE

Alagamentos em galpões de recicláveis colocam vida dos catadores em risco

O Ministério Público Estadual recomendou que Prefeitura de Campo Grande e Solurb adotem medidas para melhorar a infraestrutura dos barracões e garantir a segurança dos trabalhadores

11/03/2026 17h15

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Durante o período de chuvas intensas em Campo Grande, catadores de lixo passam por dificuldades na Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR), localizada no Parque do Lageado. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), estes profissionais trabalham com pés na água e correm o risco de tomarem choques elétricos devido a falhas na estrutura e drenagem.

Com isso, o MPMS, por meio da 26ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, expediu recomendação à prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e à concessionária Solurb, responsável pela gestão da limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos da Capital, para que adotem providências imediatas na UTR do Parque do Lageado.

A recomendação é fundamentada em um relatório de vistoria elaborado pelo Núcleo Ambiental de Apoio ao CAOMA, que identificou cenários críticos durante períodos de chuva.

De acordo com o MPMS, as estruturas de operação da UTR de Campo Grande possuem altura elevada, grande abertura e telhas que necessitam de reparos. Devido à altura excessiva das coberturas e à falta de vedação lateral, a água invade os barracões, causando alagamentos nas áreas de triagem.

Barracões de armazenamento de materiais para triagem / Reprodução

Além disso, o ponto crítico destacado pelo MPMS é que os catadores da UTR de Campo Grande estão submetidos a condições precárias de trabalho. Eles foram flagrados operando prensas e esteiras elétricas com os pés submersos, devido ao transbordamento da rede de drenagem pluvial e à infiltração nos pavilhões. Foi identificado que o coletor pluvial direciona o fluxo da água para dentro de um dos barracões.

Prensa em piso com água acumulada / Reprodução

Além da questão de segurança do trabalho, a infraestrutura precária afeta diretamente a renda dos catadores, pois a falta de espaço coberto adequado para o volume de resíduos recebidos obriga o armazenamento de materiais ao ar livre.

Assim, expostos às condições climáticas desfavoráveis, os recicláveis ficam úmidos e perdem o valor de mercado, inviabilizando a operação eficiente das cooperativas COOPERMARAS, Novo Horizonte e CATA-MS, além da associação que atua no local.

Recomendações

O Ministério Público Estadual recomenda ao Município de Campo Grande e à concessionária Solurb, que adotem, no prazo de até 60 dias, as medidas necessárias para implementar infraestrutura adequada, para garanir a proteção dos catadores, o armazenamento correto dos materiais manuseados e a operação eficiente da unidade, são elas:

  • a adequação da cobertura e telhas; e a vedação lateral dos barracões para impedir a entrada de águas pluviais nas áreas de triagem, de modo que o ambiente de trabalho e os materiais não fiquem expostos às intempéries;
  • a disponibilização de local adequado para armazenamento dos materiais destinados à triagem, compatível com o volume da coleta seletiva recebido pela unidade, evitando sua disposição fora de área coberta;
  • a realização de reparos e manutenção periódica nas coberturas e na rede de drenagem pluvial (limpeza/desobstrução, caixas de passagem, grelhas, caimento e pontos de lançamento), dentre outros necessários, a fim de sanar problemas de transbordamento e alagamento;
  • a adoção de medidas imediatas para que os equipamentos elétricos não fiquem alojados em áreas com acúmulode água ou sujeitas a alagamentos, garantindo a segurança dos cooperados e a adequada utilização dos equipamentos.

A recomendação reforça que, embora o serviço seja delegado à Solurb, o Município de Campo Grande é o titular da gestão de resíduos e deve garantir a segurança e continuidade do serviço.

Com isso, ambos têm 30 dias para informar ao MPMS sobre o acatamento da recomendação e apresentar o cronograma de obras. O não cumprimento das medidas poderá resultar em ações judiciais por danos ambientais e ao patrimônio público.

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