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Caos na Saúde faz disparar judicialização na busca por leitos em Campo Grande

De 2024 até agora, o Poder Judiciário contabilizou aumento de 42% na busca pela Justiça envolvendo vagas hospitalares

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Em meio à crise na Saúde, intensificada por não haver um comando claro na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) há um mês, o Poder Judiciário registrou um aumento de 42% nas demandas recebidas acerca de leitos hospitalares de 2024 a este ano.

Os dados foram fornecidos pelo Comitê Estadual de Mato Grosso do Sul do Fórum Nacional da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

No ano passado, foram 1.090 notas técnicas elaboradas pelo Núcleo de Apoio Técnico ao Judiciário (NatJus) envolvendo demandas por leitos hospitalares. Já de janeiro a julho deste ano – cinco meses a menos do que o período analisado do ano passado – foram 1.114 notas técnicas.

Porém, o que chama a atenção são os dados de pedidos de judicialização de agosto até agora: 435 em aproximadamente 70 dias (cerca de 6 pedidos por dia). Curiosamente, é englobado neste intervalo o tempo em que o Município está sem secretário de Saúde, visto que a médica Rosana Leite de Melo foi exonerada do cargo no dia 5 de setembro.

Desde então, a Sesau tem sido gerida por um Comitê Gestor da Saúde, que é formado por seis pessoas, que atua durante o colapso dos leitos hospitalares. Inclusive, os hospitais que recebem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) confirmam a crise com base nos números.

OCUPAÇÃO

Ontem, o Correio do Estado entrou em contato com quatro hospitais que participam da regulação municipal para saber como está a taxa de ocupação dos leitos. O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), conta com nove leitos no centro de terapia intensiva (CTI) adulto, nove leitos na unidade coronariana (UCO), nove leitos de Unidade na unidade de terapia intensiva (UTI) pediátrica e seis leitos na UTI neonatal, todos com 100% de ocupação.

O Hospital Adventista do Pênfigo (HAP) disse que conta com 20 leitos de UTI e 30 leitos clínicos, contratualizados com a Prefeitura de Campo Grande, e mais 10 leitos de UTI e 20 leitos clínicos, com contrato vigente com o Estado, acordo este que vai até novembro. Novamente, todos se encontram ocupados.

A Santa Casa informou que são disponibilizados 637 leitos para a saúde pública, ou seja, o SUS – 609, entre UTI e enfermarias, 23 leitos de pronto-socorro e 8 de UCO –, dos quais 80,87% estão ocupados. O hospital ainda complementa que, em média, o tempo de permanência de pacientes em leitos é de 7,28 dias.

Ontem, a Santa Casa solicitou, com caráter de urgência, audiências com a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e com o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), para tratar sobre a prestação de serviços ao SUS, conforme decisão liminar vigente.

Foi tentado o contato com o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), mas não houve retorno. É importante lembrar que a Saúde conta com um terço do orçamento do Município: R$ 2,1 bilhões para este ano, dos R$ 6,87 bilhões previstos, e de R$ 2,25 bilhões para 2026, dos R$ 6,97 bilhões previstos.

SITUAÇÃO

Matéria do Correio do Estado publicada nesta quinta-feira descreveu a situação das Unidades de Pronto-atendimento (UPAs) de Campo Grande, que, com a iminente crise de leitos hospitalares, estão se tornando verdadeiros hospitais. Inclusive, a reportagem contou com o relato de duas familiares que estão aguardando que duas idosas sejam encaminhadas a um dos hospitais que fazem atendimento pelo SUS.

Uma é Dilfa Almeida, de 74 anos, que entrou com processo na Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul pedindo por uma vaga. Horas depois, o Poder Judiciário determinou que o Município tem até 72 horas, ou seja, até amanhã, para providenciar a transferência da paciente a uma unidade hospitalar adequada, seja pública ou privada.

Desde a manhã de segunda-feira na UPA Leblon, a idosa apresenta tosse acompanhada de sangue, quadro que evolui enquanto aguarda por um leito.

“Em outras palavras, configurada a manutenção de paciente grave em local inadequado, está presente a negligência do poder público. De outra banda, o perigo de dano se mostra presente, porque a medida, ao que parece, é necessária para a manutenção da vida digna da parte requerente, uma vez que a classificação de risco é de prioridade 2”, afirmou o juiz Marcelo Ivo de Oliveira em decisão.

OUTRO LADO

Após matéria do Correio do Estado, a prefeitura, por meio da Sesau, manifestou-se sobre o colapso de leitos hospitalares, afirmando que acompanha de perto a situação e ainda apresentou “planos” para conter a crise.

“Entre as medidas estruturantes para ampliar a capacidade da rede, está o Complexo Hospitalar Municipal, que já se encontra em fase de licitação e prevê mais de 250 leitos, tanto pediátricos quanto adultos. Além disso, como medida a curto prazo, a Pasta mantém tratativas com as instituições contratualizadas para ampliação dos leitos disponíveis ao SUS. A Sesau reforça ainda a importância de que casos de menor complexidade busquem as Unidades Básicas de Saúde, que também atendem à demanda espontânea e, com isso, ajudam a evitar a sobrecarga dos serviços de urgência”, disse a prefeitura em nota ao Correio do Estado.

O Complexo Hospitalar Municipal citado é o Hospital Municipal de Campo Grande (HMCG), que está na fase final de análise da documentação de propostas, com previsão de contratualização entre o fim deste ano e o início de 2026. 

Então, a solução a curto prazo encontrada pela prefeitura são acordos com instituições para ampliação do número de leitos destinados ao SUS.

*SAIBA

Enquanto diversos problemas atingem a Saúde da Capital, a regulação das vagas do SUS em Campo Grande virou “cabo de guerra” entre o governo do Estado e a prefeitura. Atualmente, existem duas centrais que decidem para onde vai cada paciente, uma controlada pelo Executivo estadual, que é responsável pelo interior, e outra apenas para a Capital.

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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