Com crescimento rápido ou lento, as árvores rumam sempre em direção ao céu - e à fiação elétrica, quando estão nas calçadas. Por estarem velhas, ocas ou doentes, assim como prejudicando a rede de energia, 20% das cerca de 153 mil árvores que crescem em Campo Grande precisam ser removidas, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur).
Com 74 metros quadrados de cobertura verde por habitante, uma das capitais brasileiras com os maiores índices de vegetação em área urbana, como Maringá (PR) e Porto Alegre (RS), a Capital precisa de um novo Plano Diretor de Arborização, para gerenciar o crescimento da cidade e modernizar as técnicas de cultivo de árvores nativas, que deverá ser aprovado pela Câmara Municipal em setembro deste ano, na Semana da Árvore, conforme informou o secretário da Semadur, Marcos Cristaldo, ao Portal Correio do Estado.
O novo Plano Diretor deverá normatizar até que tipo de árvore será plantada e em que região da cidade. "Nenhuma árvore será plantada em Campo Grande e não será catalogada, porque nós precisamos desse controle", relata Cristaldo.
A preocupação da Semadur é evitar principalmente o desperdício de mudas e os transtornos futuros que um plantio incorreto pode acarretar. "A gente distribuía mudas para a população e, por muitas vezes, elas morriam porque não era nativas e não se adaptavam ao nosso tipo de solo. Outras vezes, a gente dá um ipê para o cidadão e ele acaba plantando-o na calçada, atrapalhando a mobilidade das pessoas e interferindo na fiação elétrica da rede de energia, quando ela cresce demais e a alcança", explica o secretário.
Para isso, deverão ser distribuídas plantas nativas, excepcionalmente as árvores frutíferas nativas. "O viveiro municipal já trabalha para isso, cultivando cerca de 70 mil mudas frutíferas. O plano diretor prevê também as campanhas de distribuição com planejamento ambiental, onde profissionais da prefeitura serão capacitados para orientar a população sobre o plantio", esclarece.
Via verde
O projeto Via Verde, da Semadur, prevê que em toda a obra de construção civil feita na Capital onde uma certa quantidade de árvores seja removida, outra tanta seja plantada na região. As árvores geralmente são plantadas em calçadas do Centro, mas cerca de 25% delas são depredadas.
Árvore plantada pelo projeto Via Verde, na Capital
"Essa compensação ambiental das empresas às vezes não funciona, porque a empresa retirou, por exemplo, árvores nativas e quer plantar eucaliptos nas calçadas, prejudicando muros e vias", conta Cristaldo.
Com o novo plano diretor, as empresas farão a compensação de maneira correta, devolvendo à natureza ou remanejando espécies iguais. Se forem novas mudas, somente árvores acima de dois metros poderão ser plantadas, para que elas não morram facilmente, perdendo a finalidade do projeto.
Peso na consciência e no bolso
Para maior controle ambiental e ordenação do espaço público, o novo plano diretor de arborização deve virar Lei em setembro.
"O projeto foi escrito pela Semadur, enviado para o Conselho de Meio Ambiente, que reúne profissionais e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e a população, para ser submetido a estudo e devolvido para a Semadur, com as devidas alterações. O plano diretor prevê notificações e miltas para quem cometer irregularidades", adianta Cristaldo.
Serão criadas cooperativas com trabalhadores capacitados da prefeitura para cuidar da fiscalização, multas e conservação arbórea da cidade, para que as podeas das copas das árvores estejam sempre certas - a brigada verde. O plano diretor prevê também projetos de paisagismo urbano, para que haja equilíbrio entre as espécies nativas.
O plano diretor diz respeito a vegetação que fica em ruas, vias de arborização de conflito (fiações), canteiro central, vegetação de fundo de vale (margens de córregos), arborização central e árvores centenárias de Campo Grande.
"Temos casos de sibipirunas (árvore nativa) que vivem cerca de 15 anos com mais de 30 anos em calçadas. Essas árvores estão comprometidas mas precisam ser removidas em trabalho escalonado, plantando na mesma região outras árvores nativas", conclui.

