Cidades

PROTEÇÃO

Capital tem 2.205 animais em abrigos independentes e ONGs

Levantamento foi realizado pela Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB-MS

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Campo Grande tem 2.205 animais em abrigos independestes e ONGs, o que significa que são cuidados por protetores autônomos que não têm cadastro nos órgão responsáveis pela causa animal, como o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e a Subsecretaria do Bem-Estar Animal (Subea).  

O problema acarretado pela ausência no sistema é a invisibilidade dessa população que resgata e ampara animais de rua. Uma vez que o poder público não tem ciência desses protetores, tampouco tem do auxílio prestado e suas necessidades para continuar ajudando os bichinhos.  

O cenário preocupa tanto os cuidadores, que não conseguem manter os animais, quanto a Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais (CDDA) da OAB-MS, que divulgou o número acima.

A CDDA esteve in loco em 50 abrigos independentes para listar e visibilizar os protetores de animais, assim como saber as dificuldades enfrentadas por eles no resgate de cães e gatos.  

De acordo com a comissão, não é possível enumerar quantos abrigos do gênero ainda não foram listados, justamente, pela grande maioria não existir em nenhum cadastro e a sua apresentação ser feita no “boca a boca” pelos próprios cuidadores.  

A advogada e presidente da CDDA, Adriana Carvalho dos Santos, ressaltou que o trabalho da comissão visa colocar essas pessoas que prestam o trabalho social de assistência aos animais em pauta.  

“Esse trabalho foi feito por mim e os advogados Gustavo Scuarcialupi, Gisele Ottoni, Charlita Benítez e Matheus Menezes. Eles concordaram em assumir o assunto dentro da comissão, que é uma pauta muito pesada”, evidenciou.

A responsável relatou que a maioria dos animais não consegue um lar, principalmente, cachorros de médio e grande porte. Por isso, eles acabam envelhecendo nos abrigos e nas ONGs, o que torna os locais sobrecarregados e impossibilita novos resgates.

“Tem uma protetora que, por exemplo, tem 100 animais na casa dela. Na ONG Fiel Amigo, que é maior, são quase 300 animais. Como sustentar eles sem uma ajuda do poder público? Eles precisam desse auxílio”, frisou.  

INDEPENDENTES

Adriana Carvalho dos Santos afirmou que, dos 50 abrigos visitados, apenas um – uma ONG – é cadastrado, ou seja, 49 são independentes.  

“São pessoas que não existem para a sociedade. Porque animais nas ruas são uma questão de saúde pública. Quando a gente fala de protetores de animais que estão resgatando há décadas, as pessoas precisam saber que existem essas pessoas trabalhando por nós. Os protetores de animais estão utilizando, hoje, recursos de aposentadoria para sustentar os animais, um salário mínimo,” afirmou.

PEDIDOS DE RESGATE

Adriana recebe inúmeros pedidos de resgate por dia, apesar de não realizá-los, e os protetores já não sabem o que fazer para ajudar outros animais de rua.  

“O que assusta é que já temos contabilizados 50 abrigos e centenas de milhares de animais nas ruas. Diariamente, todos os protetores falam: ‘Hoje eu recebi 10 pedidos de resgate’”, contou. 

Laura Cristina Garcia Brito, de 51 anos, é dona da ONG Fiel Amigo, que existe há mais de 15 anos em Campo Grande. Ela administra a instituição sem fins lucrativos com uma ajudante. Ao todo, são 300 animais, entre cães e gatos. Além deles, a protetora dá assistência a mais inúmeros em lares temporários.  

A separação destes animais se dá pelo fato de a ONG não comportar mais os bichinhos. E, embora os resgates estejam suspensos, a protetora acentuou que as pessoas não deixaram de abandonar animais no local.

“Nunca imaginávamos que a situação de abandono e maus tratos fosse tomar a proporção que tomou hoje, são milhares de animais abandonados na nossa Capital. Enquanto estamos resgatando um, tem 100 sendo abandonados”, assegurou a protetora. “Não temos um hospital público veterinário, não temos castração massiva para cães e gatos, não temos UPA, não temos nada que venha do poder público”, reclamou.

O CCZ oferece agenda para castração de cães e gatos, mas as vagas são poucas e costumam acabar rapidamente.

PROTETORES  

Maristela Vasquez, de 57 anos, tem em casa 49 animais, entre cachorros e gatos. A maioria está doente. Ela contou ao Correio do Estado que 18 dos bichinhos têm leishmaniose, um tem câncer, outro é hepático crônico e uma é paralítica.  

“São animais abandonados, maltratados, descartados para morrer”, comentou.  

A cuidadora mantém os animais por meio de doações. Ela ressaltou que, para alimentá-los mensalmente, é preciso de nove pacotes de ração de 25 kg.  

“Acontece muito de ficar sem ração e ter que dar comida. Aí faço arroz sem óleo, sem sal, ovos cozidos misturados com umas cascas de legumes”, disse. Além dos animais em casa, Vasquez ajuda mais 10 gatos na rua e 15 cachorros.

De acordo com ela, a pandemia de Covid-19 diminuiu drasticamente a contribuição por meio de doações.  

“O abandono em si cresceu muito. A pandemia já melhorou, e o povo coloca a culpa nela até hoje. É falta de responsabilidade, falta de leis para punir os tutores. Eu penso que até hoje ninguém faz nada por esses animais, se não somos nós, pelas nossas vozes, para proteger”, reclamou.

A cuidadora ressaltou que tem dívidas em clínicas veterinárias por conta dos problemas de saúde dos animais e que faz rifas duas vezes ao mês para custear os tratamentos.  

“Tenho dívidas de clínicas, porque eu tenho que levar, aí estou endividada. Estava esperando a UPA Vet, esse é um sonho não só meu, mas de todos os protetores. Mas nunca chegou”, concluiu.

Saiba

A Subea tem catalogados no sistema 107 protetores de animais, que possuem benefício da castração gratuita. A subsecretaria disse que realizou uma convocação para o cadastro de protetores independentes, mas eles não compareceram. 

Baixa adesão

Após um mês de campanha, Dourados vacina só 10% do público-alvo contra chikungunya

Prefeitura emitiu novo apelo para que população compareça às unidades de saúde

30/05/2026 16h30

Foto: Divulgação / Prefeitura de Dourados

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Passado um mês de campanha no enfrentamento à chikungunya, a prefeitura de Dourados vacinou apenas 10% das 43 mil pessoas com idade entre 18 e 59 anos, publico-alvo da vacinação iniciada no dia 27 de abril último. Desde o início da campanha vacinal, apenas 4.354 pessoas foram imunizadas.

Com 14 mortes, município é considerado o epicentro nacional da arbovirose transmitida pelo mosquito aedes aegypti. A última morte confirmada no município da faixa de fronteira foi de uma mulher de 82 anos com comorbidades. 

Do total de vacinas aplicadas desde o início da campanha, apenas 873 foram destinadas à saúde indígena. Desde o início do ano, o município já registrou mais de 9 mil notificações de chikungunya, com mais de 4,3 mil casos confirmados da doença.  Até o momento, outros três óbitos seguem em investigação.

A prefeitura segue o monitoramento por meio do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar as ações de enfrentamento à epidemia tanto na Reserva Indígena quanto na área urbana de Dourados.

Conforme o último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), em todo o estado, o número total de casos confirmados é de 6.360, maior índice desde o início do monitoramento, iniciado em 2015. 

Ao todo, Mato Grosso do Sul contabiliza 21 óbitos. Há mortes também em Goiás (2), São Paulo (2), Rondônia (1), Mato Grosso (1), Bahia (1) e Minas Gerais (1). 

Vacinação

A Prefeitura reforça que a vacinação contra influenza está liberada para toda a população e orienta que os moradores procurem a unidade de saúde mais próxima para se imunizar. As vacinas estão disponíveis nas unidades básicas de saúde de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h e das 13h às 17h.

O imunizante, desenvolvido pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan, apresentou eficácia comprovada em estudos clínicos realizados no Brasil e nos Estados Unidos, com cerca de 99% dos voluntários desenvolvendo anticorpos contra a doença.

Não podem receber o imunizante gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas, pacientes em tratamento oncológico, transplantados recentes, pessoas com doenças autoimunes ou determinadas condições crônicas associadas, além de indivíduos com febre ou que tenham recebido recentemente outras vacinas. As orientações seguem as determinações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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CAMPO GRANDE

Discussão entre colegas de trabalho termina em morte dentro da Ceasa-MS

Homem foi esfaqueado durante briga em empresa permissionária instalada nas Centrais de Abastecimento; suspeito permaneceu no local e acabou preso em flagrante

30/05/2026 14h00

Caso ocorreu na área operacional da Ceasa-MS, em Campo Grande, durante a madrugada deste sábado (30)

Caso ocorreu na área operacional da Ceasa-MS, em Campo Grande, durante a madrugada deste sábado (30) Dourados Agora

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Uma discussão entre dois funcionários de uma empresa permissionária instalada dentro da Ceasa-MS terminou em homicídio na madrugada deste sábado (30), em Campo Grande.

O crime ocorreu por volta das 4h, em uma área operacional das Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul. De acordo com informações preliminares, os dois trabalhadores atuavam na mesma empresa quando iniciaram um desentendimento que evoluiu para agressão física.

De acordo com o portal Dourados Agora, durante a briga, a vítima teria desferido um tapa no rosto do colega. Em seguida, o outro funcionário reagiu utilizando uma faca e atingiu o homem na região do tórax.

A vítima não resistiu ao ferimento e morreu ainda no local. Após o ocorrido, o autor permaneceu na área da empresa até a chegada das equipes policiais.

O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado para a delegacia por volta das 4h30. Informações iniciais apontam que ele não possuía antecedentes criminais.

Em nota, a Ceasa-MS confirmou que a ocorrência envolveu funcionários de uma empresa permissionária instalada em sua área operacional e informou que acompanha o caso.

“A administração da Ceasa/MS acompanha a situação e está à disposição para colaborar com as investigações, fornecendo as informações que forem solicitadas pelos órgãos competentes”, informou o comunicado.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime e a motivação da discussão que terminou em morte.

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