Pelas mãos do Consórcio CG Segura, os radares e demais equipamentos registradores de infrações passaram a ser trocadas em Campo Grande com a assinatura do contrato no último dia 22, o que não impede que toda sorte de veículos siga freando "sem necessidade" em trechos que antes costumavam ter lombadas eletrônicas, por exemplo.
Vale lembrar que esse consórcio em questão venceu a licitação que previa até 50 milhões de reais, pela proposta de R$47.994.235,00 ainda em 18 de agosto, sendo formado pelas seguintes empresas:
- Serget Mobilidade Viária,
- Mobilis Tecnologia,
- Meng Engenharia Comércio e Indústria e
- Energy Tecnologia de Automação.
Após vencer a licitação com uma proposta quase três milhões de reais a menos que o previsto, pelo contrato de 24 meses que pode se estender por um prazo total de uma década, o consórcio ficará encarregado de trocar todos os radares.
Para isso, já no dia 1° de setembro Campo Grande amanheceu com seus radares desligados, como um primeiro passo para repor a fiscalização da Capital com novos maquinários, com a previsão inicial do Executivo de que o processo fosse durar até um mês.
Ou seja, as remoções dos equipamentos registradores de infrações já começaram em vários pontos de Campo Grande, como no trecho em frente à Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Tiradentes, que fica na avenida José Nogueira Vieira, onde mesmo com as lombadas removidas os motoristas seguem "freando" em momentos sem necessidade.
No registro feito na manhã de quarta-feira (08), é possível observar que, seja pelo costume ou pela falta de atenção, alguns motoristas e motociclistas são flagrados freando justamente no ponto onde antes costumava haver uma lombada eletrônica.
Evidentemente, devido ao acesso à USF e pelo ponto de ônibus que existe no trecho, o fluxo de pacientes e demais usuários do transporte coletivo traz um intenso tráfego de pedestres na região.
Entretanto, como evidencia o pedestre João Divino, de 71 anos, não são todos os motoristas que respeitam a faixa de pedestre. Morador da região, ela enfatiza a dificuldade cotidiana de atravessar a rua e pegar o transporte coletivo.
"Aqui mesmo, você não cruza de jeito nenhum pois eles não param. E há motoqueiros que saem da pista e chegam a passar na calçada aqui perto do ponto", comenta.
Inclusive, gravações ilustram esse "descaso" para com o pedestre, já que um vídeo mostra uma mulher que aguardava junto ao meio-fio para atravessar a rua quando um veículo de passeio se aproxima do trecho.
Apesar de frear "em cima da hora", ao invés de deixar a moça passar, fica claro que o condutor em questão freia apenas para evitar uma "possível multa" diante do trecho de radar, já que o mesmo ignora a faixa de pedestre e segue normalmente sem demonstrar a "consideração" e dar a preferência.
Troca e teste de radares
Pela duração de 24 meses, o contrato do Executivo com o Consórcio CG Segura renderá um valor mensal de R$2.093.989,29, que representa uma redução de mais de 16% em relação ao acordo anterior.
Para além da troca dos equipamentos, o Consórcio deverá fornecer a devida plataforma de gestão de dados, mais: central de monitoramento; sistema de análise e inteligência de imagens veiculares e de processamento de registros de infrações de trânsito nas vias e logradouros públicos.
A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) já repassou que, a etapa de substituição dos equipamentos registradores de infrações tinha um prazo estipulado para ser concluída em até trinta dias.
Em outras palavras, como os novos equipamentos a serem colocados demandam inclusive as devidas aferições, essa troca de radares deve durar pelo menos mais um mês.
Mesmo que o Executivo tenha avisado os condutores da Capital sobre a realização de um teste dos novos radares para Campo Grande - que durou apenas 24 horas em 06 de agosto -, a avaliação de um dia foi suficiente para flagrar casos de alta velocidade, conversão em local proibido e paradas indevidas, nos seis pontos que serviram para avaliar os novos equipamentos a serem instalados na Cidade Morena.
Como bem revela o parecer técnico de análise dos testes de avaliação em escala real dos itens, seis tipos de equipamentos foram colocados a prova, sendo:
- Misto/híbrido (fiscalização de velocidade, avanço de sinal vermelho, parada sobre a faixa de pedestres e conversão e/ou retorno proibido);
- De fiscalização eletrônica de velocidade do tipo fixo e ostensivo com mostrador de velocidade (display);
- Estático (portátil);
- Equipamento e software do tipo talonário eletrônico de infrações e impressora térmica;
- Câmeras de videomonitoramento/cerca eletrônica (2 unidades) e
- Sistema de processamento de imagens e infrações
Sem que os motoristas campo-grandenses ao menos se policiassem no trânsito, as imprudências e imperícias por um lado serviram para que as equipes da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) tivessem uma prova da eficácia dos novos radares que devem monitorar Campo Grande.
Entre os exemplos, um dos mais emblemáticos é o do cruzamento entre a Afonso Pena com a rua Rui Barbosa, que ainda em dezembro de 2023 teve a conversão à esquerda proibida para quem seguia pela avenida.
Nesse ponto, o equipamento flagrou veículos fazendo justamente a dita conversão indevida, mas também registrou motoristas que passaram pelo trecho em velocidade muito acima do permitido e aqueles que pararam na faixa de pedestres de forma indevida.
Logo no primeiro minuto de teste do dia 06 (00h01 e 51 segundos), um motociclista foi flagrado avançando o sinal vermelho no semáforo, como mostram os registros compilados.
Além disso, em um intervalo de cerca de apenas um minuto, por volta de 06h55, o equipamento em teste na Afonso Pena flagrou dois veículos distintos cometendo infrações diferentes, sendo uma conversão proibida e uma parada indevida em cima da faixa de pedestres.
Antes do fim das 24 horas de teste dos equipamentos, esse mesmo radar ainda conseguiu captar uma série de outros veículos após às 19h transitando pelo trecho em alta velocidade.


