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Casa do Homem Pantaneiro pode virar 'escola ambiental' permanente após a COP15

O local estará aberto com programação voltada à Conferência até o domingo com atividades gratuitas

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A Casa do Homem Pantaneiro, localizada dentro do Parque das Nações Indígenas, pode se tornar um Centro de Educação Ambiental após as atividades da COP15. 

O espaço ficou fechado por 15 anos e reabre suas portas ao público a partir desta terça-feira (24), com uma programação voltada a debates globais e acesso à cultura, em um programação especial entre os dias 24 e 29 de março, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). 

Chamado de Espaço Conexão Sem Fronteiras, a programação irá englobar debates, exposição fotográfica, sessões de cinema e atividades culturais, com o objetivo de deixar o público imerso em temas centrais da COP15, como conservação das espécies migratórias, mudanças climáticas, biomes e proteção de habitats. 

A princípio, as atividades deveriam ocorrer apenas durante a COP15. No entanto, após investimento pesado na estrutura, o governador Eduardo Riedel afirmou que a ideia é que o espaço se torne um centro de aprendizado permanente na cidade. 

“Foram investidos R$ 400 mil aqui e nós adoraríamos que a exposição como um todo, o espaço, ficasse. Esse espaço vai ser um espaço permanente de educação ambiental. O Parque das Nações Indígenas vai passar por uma mudança muito grande de elétrica, de revitalização, de espaço esportivo. Já é o grande parque de Campo Grande, a população vem aqui e nós vamos ter como legado esse espaço para a educação ambiental ao lado do Bioparque, que é um equipamento belíssimo e que cumpre esse papel com todos os alunos da rede estadual, das redes municipais de ensino, pesquisa, ciência e tecnologia ali dentro, além do turismo”, assegurou Riedel em primeira mão. 

Ele ressaltou que a casa é um espaço disputado há tempos por vários setores de Campo Grande e até do Estado, e que será voltado à educação ambiental. 

“Aqui é requisitado pelo Centro de Artesanato, pela Polícia Militar Ambiental, pelo meio ambiente, a gente reformou esse espaço, que é a Casa do Homem e da Mulher Brasileira. Mas ficou decidido e acho que a COP deu um empurrão nesse sentido. Aqui vai funcionar como legado no Centro de Educação Ambiental”, ressaltou. 

A inauguração do Espaço Conexão Sem Fronteiras aconteceu no início da tarde desta segunda-feira (23) e contou com a presença do governador do Estado, Eduardo Riedel, da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho. 

“Eu já entrei, senti a energia da casa, da mulher e do homem pantaneiro, porque aqui tem cultura. Tem como a gente poder usar tudo isso aqui sem destruir, e ao mesmo tempo um trabalho colaborativo entre o Governo Federal, o Governo Estadual, a Prefeitura, a Academia, as organizações da sociedade civil. Nesta casa nós não vamos ter fronteira, cabe o pantaneiro, cabe o trabalhador, cabe o empresário, todos nós por um mundo e um Brasil sustentável, onde as espécies migratórias possam dar continuidade aos fluxos da vida”, afirmou a ministra Marina Silva. 

Programação

Ao longo da semana, cada dia será voltado a uma dimensão da conservação. Na abertura, os debates irão abordar o papel das aves migratórias, o turismo de observação como uma ferramenta de conservação e conhecimentos da Amazônia. 

No segundo dia, a programação é voltada para os ecossistemas marinhos, com discussões sobre tubarões, baleias e a grande biodiversidade do Atlântico Sul. 

Na sequência, as atividades se voltam para o Pantanal e as estratégias de proteção dos habitats como a prevenção de incêndios, conservação de grandes mamíferos e possíveis soluções urbanas para a biodiversidade. 

No último dia de programação, assumem o foco as paisagens aquáticas, áreas úmidas e rotas migratórias que unem biomas. 

No espaço também haverá o Cine Pantanal, com exibição de filmes socioambientais e exposição fotográfica sobre os biomas brasileiros. Durante o final de semana, a programação inclui atividades voltadas para crianças e famílias, com cinema, roda de conversa e ações educativas.

O horário de funcionamento da Casa será das 9h às 21h até o domingo (29). O espaço conta com dois auditórios para receber os eventos e espaço para reuniões e conversas paralelas. 

Os fotógrafos responsáveis pela exposição de fotos que está sendo montada disponibilizaram as fotos sem custo para o projeto. 

Veja a programação completa aqui.

Além da Casa do Homem Pantaneiro, outros atrativos da cidade estarão voltados aos turistas, como o Bioparque Pantanal, Museu Dom Bosco, Parque Estadual do Prosa e o Parque Estadual Matas do Segredo. 

cidade e natureza

Para presidente da COP15, Campo Grande tem potencial para receber mais eventos internacionais

João Paulo Capobianco elogiou a Capital de MS e ressaltou a união entre o urbano e a natureza, característica que tem encantado os visitantes

23/03/2026 15h45

Presidente da COP15 ressalta beleza de Campo Grande e interação da cidade com a natureza

Presidente da COP15 ressalta beleza de Campo Grande e interação da cidade com a natureza FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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Durante a programação da tarde de hoje (23) da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS, do inglês Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Animals), o presidente designado da COP15, João Paulo Capobianco, elogiou a estrutura do evento e a beleza de Campo Grande. 

Para ele, a integração da cidade com a natureza é um diferencial que chama a atenção dos visitantes e deixa uma excelente impressão, o que reforça o potencial da Capital para receber e sediar mais eventos de grande porte. 

“Campo Grande é uma cidade muito bacana, muito especial, tem um planejamento e incorporou de forma muito positiva a questão ambiental. Os visitantes ficam impactados com os macacos, capivaras e tantas espécies, ficam impactados com a proximidade com a natureza. Essa é uma COP que está sendo feita em uma cidade onde a natureza está entranhada. Isso estimula, cria mais compromisso e um ambiente mais favorável”, destacou Capobianco. 

Essas características de Campo Grande já haviam sido ressaltadas pelo próprio secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente durante o evento de confirmação do evento na Capital, no início do mês de fevereiro. 

Na época, Capobianco afirmou que essa integração cidade-natureza, somada ao fato da cidade ser morada e espaço de passagem de um bom número de espécies de aves e peixes migratórios, foram fatores que contribuíram para a votação da Capital para ser sede do evento internacional. 

“Em várias áreas, é uma mistura do urbano com a natureza, e é justamente isso que queremos passar para os visitantes, até porque um dos temas centrais da Cop do Clima, em Belém, foi justamente a adaptação e a resiliência do meio ambiente humano. É uma cidade diferenciada, que permite a convivência com espécies, e em um ambiente que está fazendo parte do bioma humano”, afirmou. 

Pantanal

Além de Campo Grande, o Pantanal também será palco de turismo e debates durante a COP15. Além de ser um amplo espaço de pesquisa e aprendizado, o bioma também é um hub biológico, onde as espécies passam durante sua migração, encontram o ambiente necessário para recuperar energias, se alimentam e seguem sua trajetória. 

Para o secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o evento tem caráter técnico, voltado ao estudo científico e discussões sobre os temas apresentados, com um foco maior nas decisões após ela.

“Essa é uma COP muito técnica, com uma série de estudos científicos sobre essas espécies migratórias. O fundamental é o resultado da COP, o que vai acontecer depois dela. Nós vamos receber mais de 100 países. As pessoas estarão no nosso território, conhecendo o Pantanal, conhecendo a nossa realidade, e teremos a capacidade de mostrar como o Estado trabalha a sustentabilidade”, disse Verruck. 

A convenção

A COP15 tem objetivos técnicos de ampliação do número de países signatários e busca fortalecer políticas de conservação por meio do consenso e cooperação. Visto como uma liderança ambiental respeitada, o Brasil tem proposto resoluções importantes em edições anteriores, como a conservação de baleias no Atlântico Sul. 

Atualmente, são 1.189 espécies migratórias listadas, sendo: 962 espécies de aves, 94 de mamíferos terrestres, 64 de mamíferos aquáticos, 58 de peixes, 10 de répteis e 1 de insetos. 

Em Campo Grande, a estrutura principal da COP 15 é o Bosque Expo, localizado no Shopping Bosque dos Ipês. Essa estrutura é a chamada “blue zone”, uma área de responsabilidade das Nações Unidas (ONU). 

Estão presentes no evento representantes de mais de 130 países, além de representantes do governo federal, como o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve presente em evento no último domingo (22), e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. 

Diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), o turismólogo Bruno Wendling afirmou que Campo Grande deve receber de 2,5 mil a 3 mil pessoas durante a conferência, o que pode movimentar o turismo local e as redes de hotéis da cidade.

Também estão previstos eventos paralelos em espaços como o Aquário do Pantanal (Bioparque), a Casa do Homem Pantaneiro e o Teatro Rubens Gil de Camilo. 

O envolvimento dos diferentes setores deve gerar impacto ambiental e socioeconômico, além do objetivo principal, segundo os organizadores, de aumentar o conhecimento da sociedade sobre a importância das espécies migratórias. 

“O impacto ambiental direto é ampliar o conhecimento da sociedade sobre a migração como um fenômeno da natureza com o qual a gente deve se preocupar”, afirmou Verruck. 

Alerta

Dourados confirma 374 novos casos de chikungunya em 4 dias

Além das reservas indígenas, outros três bairros estão em alerta sobre progressão da arbovirose

23/03/2026 14h15

Marcelo Victor/Correio do Estado

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O número de casos confirmados de chikungunya em Dourados disparou em poucos dias e acendeu um alerta máximo das autoridades de saúde do município. De acordo com o boletim mais recente da Vigilância Epidemiológica divulgado nesta segunda-feira (23), o município saiu de 274 confirmações no último dia 19 para 648 casos, 374 novos registros no período.

Ao todo, já são 1.426 notificações da doença, além de 576 exames em análise. Até o momento, quatro mortes foram confirmadas, todas na área de Reserva Indígena, região que concentra os casos mais graves e onde a situação é considerada mais preocupante.

Diante do avanço acelerado da arbovirose transmitida pelo mosquito aedes aegypti, a Prefeitura de Dourados decretou, na última sexta-feira (20), estado de emergência em saúde pública. A decisão foi tomada um dia antes, após reunião entre autoridades municipais, estaduais e federais, diante do crescimento expressivo de casos tanto na área urbana quanto, principalmente, nas aldeias Jaguapiru e Bororó.

A disseminação da doença, que inicialmente se concentrava na Reserva Indígena, já atinge bairros como Jardim dos Estados, Novo Horizonte e a região do Jóquei Clube, apontados como áreas com maior incidência de focos do mosquito.

No último sábado (21), representantes das três esferas de governo se reuniram com a imprensa para reforçar o pedido de apoio na conscientização da população. Segundo o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, uma força-tarefa já está em andamento, com ações intensificadas nas áreas mais afetadas.

Como parte das estratégias de enfrentamento, o município deve receber ainda nesta semana as chamadas Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia do Ministério da Saúde que atua no controle do mosquito transmissor. 

De acordo com o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stábeli, o dispositivo funciona ao atrair as fêmeas do mosquito, que acabam contaminadas com o larvicida e o espalham para outros criadouros, interrompendo o ciclo de desenvolvimento das larvas.

As autoridades reforçam que, apesar das ações governamentais, o combate à doença depende diretamente da população. A principal orientação é eliminar recipientes que possam acumular água parada, já que os ovos do mosquito podem permanecer viáveis por até um ano.

“Se olhar 10 minutos por semana a sua residência, consegue eliminar o vetor. Se tem mosquito na nossa casa, o foco está na nossa casa”, alertou Stábeli, ao destacar a necessidade de mobilização coletiva.

Especialistas também chamam atenção para a gravidade da chikungunya. Considerado uma das principais referências no país sobre o tema, o infectologista Rivaldo Venâncio destacou o impacto da doença no sistema de saúde. Segundo ele, pacientes podem precisar de múltiplos atendimentos, o que gera sobrecarga nas unidades.

O médico ainda alertou para grupos mais vulneráveis, como idosos e pessoas com doenças crônicas (incluindo diabetes, hipertensão e condições autoimunes), que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença.

Além das medidas emergenciais, o avanço da chikungunya em Dourados levou o Governo do Estado a intensificar a articulação para incluir Mato Grosso do Sul na estratégia nacional de vacinação. O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, informou que o pedido foi baseado no cenário crítico enfrentado pelo município.

Vacina

O Estado deve receber a vacina contra a chikungunya, imunizante já aprovado pela Anvisa e em fase 4 de monitoramento, etapa que avalia a efetividade em condições reais de uso.

No Brasil, a vacina está sendo utilizado de forma controlada, dentro de uma estratégia piloto conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Butantan, já implementada em municípios selecionados de diferentes estados. 

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destacou que a inclusão do Estado foi construída de forma integrada entre as áreas técnicas da SES.


“Essa é uma construção coletiva, que envolveu as equipes de imunização, vigilância e assistência. Trabalhamos de forma coordenada para apresentar um cenário técnico consistente, que demonstrasse a necessidade e a capacidade do Estado em participar dessa estratégia”, afirmou.

Nesse contexto, Dourados se enquadra como área prioritária, especialmente pelo impacto da doença nas comunidades indígenas.

A Coordenadora de Imunização, Ana Paula Goldfinger, explicou que Mato Grosso do Sul não estava entre os territórios inicialmente contemplados.

“Foram selecionados municípios em outros estados e, naquele momento, Mato Grosso do Sul não havia sido incluído. Por isso, elaboramos um documento técnico conjunto, envolvendo imunização e arboviroses, para demonstrar que o Estado reúne os critérios necessários para participação na estratégia”, destacou.

Segundo ela, o cenário recente foi determinante para reforçar a solicitação.
“A emergência no território indígena de Dourados, com ocorrência de óbitos por chikungunya, reforçou o pedido de inclusão com prioridade para a aldeia, considerando o risco e a necessidade de resposta rápida”, completou.

Por se tratar de uma estratégia piloto, a vacinação contra a chikungunya ainda ocorre de forma restrita e monitorada no país. A expectativa é que, a partir dos resultados obtidos, haja ampliação progressiva da oferta do imunizante no SUS.

Neste momento,não há previsão para a chegada de doses ao Estado. As autoridades reforçam que a prevenção segue como principal ferramenta para conter o avanço da doença.

*Atualizado para acréscimo de informações

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