Cidades

Violência

Caso de Vanessa Ricarte pode inspirar política nacional contra feminicídio

Expectativa é de que mudanças no MPT atinjam empregadores do Brasil inteiro, com a ajuda de órgãos estaduais e municipais

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A jornalista campo-grandense Vanessa Ricarte, que foi morta pelo companheiro em fevereiro do ano passado, é homenageada pela nova política que visa à prevenção e ao combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no âmbito do Ministério Público do Trabalho (MPT). A expectativa é de que as diretrizes da medida inspirem futuras ações de outros órgãos trabalhistas pelo Brasil afora.

Ontem, um evento realizado na Procuradoria Regional do Trabalho da 24ª Região, em Campo Grande, anunciou a Política Nacional Vanessa Ricarte, que passará a orientar a atuação institucional em todas as unidades do MPT no País.

O instrumento organiza a atuação do órgão em quatro frentes: o acolhimento de vítimas de violência doméstica e familiar no âmbito da instituição; o fomento a ações de capacitação e conscientização sobre a temática; o incentivo à inclusão e à autonomia econômica de mulheres em situação de violência, por meio da reserva de vagas em contratos de prestação de serviços; e o fortalecimento da atuação institucional na prevenção e no enfrentamento da violência doméstica e familiar nas relações de trabalho.

De acordo com nota enviada pelo MPT, “a iniciativa também pretende servir de referência para empregadores, entes públicos e instituições que desejem aprimorar suas próprias políticas de enfrentamento à violência de gênero, contribuindo para a construção de ambientes laborais mais seguros e livres de violência contra a mulher”.

Presente na cerimônia, a secretária-executiva do Ministério das Mulheres e ministra em exercício, Eutália Barbosa, definiu a nova política como “absolutamente necessária e importante”, especialmente por ser lançada em pleno Agosto Lilás, mês de campanha nacional de conscientização pelo fim da violência doméstica e familiar contra a mulher.

“Infelizmente, a Vanessa foi mais uma vida que nós perdemos, mas [cabe] dizer que a Lei Maria da Penha, junto com toda rede de serviço de proteção, já salvou muitas mulheres. Então, o recado que eu quero deixar aqui nesse Agosto Lilás e nesses 20 anos da Lei Maria da Penha é que vale a pena nós termos lei como essa, que vale a pena nós lançarmos política como essa e que vale a pena a gente fortalecer e falar bem dos serviços de proteção à mulher”, disse.

Exclusivamente ao Correio do Estado, logo após o evento que definiu o lançamento da política, Eutália foi mais enfática ao dizer que a violência contra a mulher é um problema estrutural da sociedade, contra o qual seria preciso uma reeducação desde o âmbito familiar para que as estatísticas de feminicídio diminuíssem efetivamente.

“A violência contra a mulher é oriunda de um comportamento patriarcal, machista, misógino, que não aceita que uma mulher esteja fora do espaço privado e que ela vá para o espaço público. Nós precisamos formar uma outra consciência de gênero, um outro contrato social de gênero, em que as mulheres não podem ser propriedade dos homens”, afirmou.

Em seu discurso, Maria Madalena Ricarte, a mãe de Vanessa, orientou que mulheres que estejam sofrendo violência doméstica conversem com as pessoas à sua volta e busquem ajuda.

“Deus queira que aqui não tenha nenhuma mulher nessa situação opressiva, mas, se porventura tiver alguma, se abra com os outros, com a sua colega de trabalho, com a sua família, porque nós não sabíamos de nada do que estava acontecendo com a Vanessa. Sempre fico pensando que poderíamos ter salvado ela, livrado ela de tudo que aconteceu. Ela poderia estar aqui conosco, comemorando, quem sabe, um prêmio”, lamentou.

CASO VANESSA

Vanessa Ricarte morreu esfaqueada pelo ex-noivo, Caio Nascimento, na noite do dia 12 de fevereiro de 2025, em uma casa localizada no Bairro São Francisco, em Campo Grande. Eles namoravam há quatro meses e moravam juntos. Caio tinha passagens pela polícia por roubo, ameaça e violência doméstica contra a mãe, irmã e outras namoradas.

Vanessa registrou um boletim de ocorrência na noite do dia 11 e retornou à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no dia seguinte à tarde, para verificar o andamento do pedido de medida protetiva, que foi deferido pelo Poder Judiciário.

Conforme reportagem do Correio do Estado na época, a delegada Analu Ferraz informou que todo o procedimento de praxe foi seguido e que a vítima recusou abrigo.

No entanto, áudios encaminhados pela vítima a uma amiga, antes de ser assassinada, revelam que ela não teve o atendimento esperado, como uma escolta policial para retirar o agressor de sua casa e ajudá-la a buscar as coisas. Além disso, ela narrou que foi tratada com descaso e frieza.

Ao sair da Deam, já com a medida protetiva contra o ex-noivo, a vítima foi com um amigo buscar suas coisas, sendo surpreendida por Caio, que aproveitou o momento em que o amigo de Vanessa ligava para pedir ajuda a outra pessoa para a atingir com três facadas no peito, próximas ao coração.

O amigo de Vanessa a levou para dentro de um quarto e se trancou lá com ela, à espera de ajuda. Ele acionou a polícia nesse período, com o agressor esmurrando a porta. 

Ela chegou a ser encaminhada para a Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. Caio foi preso ainda no local e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. 

No mês passado, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, decidiu que o agressor vai a júri popular, ainda sem data definida.

FEMINICÍDIO

Este ano, o Estado já soma 22 mulheres assassinadas, a última, morta na noite de quarta-feira. Joseane Oliveira Cruz, de 33 anos, foi assassinada com golpes de foice dentro de uma casa na Rua Luiz Hilário Campos Leite, no Bairro Cristo Redentor, em Campo Grande. A vítima era mãe de três filhos, de 17, 15 e 11 anos.

Horas depois, Lourival da Cruz Neto, de 19 anos, conhecido como Bola e principal suspeito de assassinar Joseane, foi preso em um posto de combustível em Jaraguari, a 47 quilômetros de distância de Campo Grande. Joseane havia conseguido uma medida protetiva contra Lourival, mas a retirou 10 dias depois.

Além desta ocorrência, Lourival também é acusado de tentar matar um vizinho, em julho de 2025, após discutir por causa de uma aposta feita durante uma partida de sinuca. Na ocasião, ele invadiu a casa da vítima, aguardou a chegada dela e desferiu golpes de facão no cotovelo e no rosto do homem, que sobreviveu.

MATO GROSSO DO SUL

Concessionária dá início à revitalização de duas pontes da MS-040

Caminhos da Celulose dá rotas alternativas para caminhões e demais veículos pesados que terão a passagem temporariamente impedida enquanto durarem as obras

05/09/2026 14h04

É recomendado que empresas transportadoras e os motoristas programem com antecedência seus devidos itinerários. 

É recomendado que empresas transportadoras e os motoristas programem com antecedência seus devidos itinerários.  Reprodução/Divulgação

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Motoristas que trafegam pela MS-040 precisam redobrar a atenção nos próximos dias, pois foi confirmado pela concessionária responsável o início das obras de revitalização de duas pontes em quilômetros distintos da rodovia, o que coloca o trecho em pare e siga e estabelece ainda um impedimento temporário para outros veículos. 

Conforme repassado pela Caminhos da Celulose, as obras de revitalização estão previstas para os seguintes quilômetros da MS-040: 205 e 223. 

Ou seja, enquanto durar a execução dos trabalhos o tráfego no local será operado em sistema "Siga e Pare", sendo feita passagem alternada com a liberação de apenas um veículo leve por vez transitando sobre essas pontes. 

Em outras palavras, essas intervenções que têm objetivo de trazer melhoria para a infraestrutura rodoviária, como forma de ampliar as condições de segurança para todos os usuários da via, impede que caminhões e veículos pesados. 

Isso, segundo a concessionária Caminhos da Celulose, acontecerá nos dois pontos da MS-040, portanto, é recomendado que empresas transportadoras e os motoristas dessa categoria de veículos programem com antecedência seus devidos itinerários. 

Fique atento

Responsável por administrar a chamada Rota da Celulose, que possui aproximadamente 870 quilômetros de rodovias das regiões leste e central do Mato Grosso do Sul, "incluindo trechos das MS-040, MS-338, MS-395 e das federais BR-262 e BR-267", a concessionária alerta os motoristas sobre a melhor rota de desvio. 

Segundo a Caminhos da Celulose, esses veículos de grande porte que trafegam no trecho entre São Paulo, Bataguassu e Campo Grande a orientação como rota alternativa é utilizar desde já a BR-267. 

"A medida contribui para evitar retenções no trecho, atrasos nos deslocamentos e possíveis transtornos às operações logísticas. É importante atenção à sinalização e às orientações das equipes durante a passagem pelos pontos em obras, para garantir a segurança dos trabalhadores e dos usuários da rodovia", complementa a concessionária em nota. 

Luiz Fernando De Donno é presidente da Caminhos da Celulose, e destaca a iniciativa como um reforço ao compromisso com a segurança viária e qualidade da infraestrutura, no que ele chama de "importante frente de melhoria da MS-040". 

"As intervenções são necessárias para garantir melhores condições de conservação das pontes e mais segurança aos usuários. Contamos com a colaboração dos motoristas durante a execução dos serviços", completa o presidente. 

 

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NOVA FERRAMENTA

Site criado por Movimento contra violência sexual facilita denúncias

Plataforma fornece o passo-a-passo de como acionar o Conselho Tutelar

05/09/2026 13h30

Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online

Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online Marcelo Victor/Correio do Estado

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Lançado pelo Movimento Violência Sexual Zero, o Mapa Nacional dos Conselhos Tutelares nasce fruto de parceria 
entre o Grupo Mulheres do Brasil, a Childhood Brasil, o Instituto Liberta e a Vibra Energia, como uma plataforma que serve de atalho para os mais de 3,5 mil conselhos tutelares existentes pelo país, contendo informações de contato atualizadas.

Batizado de Violência Sexual Zero, esse site (que você acessa CLICANDO AQUI) têm, ainda, instruções sobre como formalizar uma denúncia relacionada a esse tipo de crime. Um dos canais sugeridos é o Disque 100, mantido pelo governo federal e que pode ser acionado para solicitar a apuração de situações suspeitas. A ligação é gratuita e o denunciante pode se manter em anonimato. 

Os telefones da Polícia Militar (190) e Polícia Federal Rodoviária (191) são indicados na plataforma para quando se presencia uma violação.

Outra circunstância possível, mencionada pela plataforma, é o abuso sexual infantil cometido com o auxílio da internet e que demanda o envio de denúncia a instituições como a SaferNet (denuncia.org.br). 

O Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online.

Em balanço recente da rede internacional InHope, o país subiu da 27ª posição para a 5ª posição, no período de 2022 para 2024, no número de denúncias de páginas de distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil. 

Empresas que desejem apoiar a causa e implementar ações e famílias e educadores que busquem materiais para saber conversar sobre o tema com crianças e adolescentes podem encontrar no site dicas de livros, ferramentas, materiais por escrito e visuais e séries de vídeos com essas finalidades. 

O Movimento Violência Sexual Zero também destaca dados estatísticos coletados por instituições de referência, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o DataSUS. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), outro da lista, traz um número importante: apenas 8,5% dos casos registrados no país são denunciados.

 

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