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CCR vai "comandar" leilão de trecho da BR-163 no Estado

O processo para leiloar a rodovia poderá começar já no mês que vem, quando o edital deverá ser entregue à B3; o certame poderá se estender até maio

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A CCR MSVia vai controlar o processo de leilão da repactuação do contrato de concessão da BR-163 na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, mesmo com o posicionamento contrário do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz, o qual apontou que a proposta de solução consensual cria “uma situação privilegiada para que o atual controlador se mantenha operando a rodovia”.

O voto contrário ocorre porque a concessionária detém informações vitais sobre o funcionamento da exploração da rodovia e tem em seu poder dados privilegiados. 

O processo deverá começar no próximo mês e poderá se estender até maio.

O poder de comando sobre o leilão foi repassado à atual concessionária pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por meio do termo de referência de ambiente regulatório experimental, que institui o processo competitivo e define os parâmetros para que ele ocorra.

No documento, é afirmado que o processo competitivo será realizado pela concessionária, com a supervisão da ANTT, com a publicação de um edital de venda das ações “contendo regras, critérios e procedimentos para a realização da venda da totalidade das ações de emissão da concessionária, com exigências técnicas, financeiras e jurídicas não superiores àquelas já solicitadas na licitação pública original”.

Também diz que a concessionária deverá fazer “ampla divulgação, inclusive em sítio eletrônico oficial da concessionária, da minuta do termo aditivo, bem como das informações necessárias sobre o processo competitivo”.

Entre as regras estão a criação, em até dois dias úteis após a publicação do edital (que ainda será publicado), de “uma sala virtual de dados e informações onde serão armazenados e compartilhados os arquivos e os documentos básicos para o processo de diligência prévia, que deverá ter o acesso aos interessados habilitado até a data de entrega das propostas”.

A autarquia ainda enviará todos os documentos da concessão para que sejam incluídos no data room. Já a MSVia será a responsável por publicar o aviso do edital do processo competitivo no Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação.

Além disso, deverá prestar informações aos interessados por meio da criação de uma sala de dados virtual, seguindo o cronograma do edital; realizar, diretamente ou por meio de pessoa contratada, a habilitação prévia de interessados para o acesso à sala de dados virtual; e apresentar informações adicionais solicitadas pelos interessados no prazo de dois dias úteis.

Após a publicação do edital, os interessados poderão pedir esclarecimentos conforme o cronograma e a forma definidos no documento com as regras do certame. Todos esses procedimentos serão monitorados pela ANTT, mas o controle das informações ainda estará nas mãos da concessionária.

MINISTRO FOI CONTRA

Essas regras não reduzem as vantagens da CCR MSVia no leilão, conforme destacou Cedraz em seu voto, na apreciação de solução consensual em dezembro de 2024. O ministro, que foi relator da matéria, votou contra a resolução consensual, mas foi voto vencido.

“Há diversas razões para inferir a pouca atratividade do processo competitivo proposto, que incluem a assimetria de informações em favor do atual grupo controlador – que elaborou os estudos em que se baseiam o procedimento – e os custos e a complexidade envolvidos na elaboração do lance por outro potencial interessado, além do pouco tempo disponível para a preparação da proposta”, disse.

Cedraz ressaltou também que “o processo competitivo teria por efeito não apenas deixar de aplicar a mencionada vedação, mas também criar uma situação privilegiada para que o atual controlador 
se mantenha operando a rodovia”.

O ministro do TCU afirmou que “o novo concessionário já iniciará o contrato com o saldo da dívida originalmente assumido pela MSVia, sem a previsão de recursos para saldar essa dívida”.

“Portanto, vislumbra-se um efetivo risco de o processo competitivo não se prestar à finalidade para o qual foi criado, tendo por vencedor provável a atual controladora da MSVia, considerando que o grupo dispõe de situação privilegiada desde o início do procedimento”, disse o ministro.

Ele salientou ainda que, no caso da MSVia, ficou acordado que não haverá valor de venda da sociedade de propósito específico (SPE).

“Essa situação específica desobriga eventuais interessados na compra de desembolso significativo e que a atual controladora não necessitaria fazer”, afirmou.

Com relação a outros fatores que diminuem a chance de outro participante na disputa pela concessão da BR-163, um deles seria que o vencedor do leilão – caso seja outra empresa que não fosse a MSVia – precisaria da anuência prévia dos atuais credores de financiamentos e seguradoras da concessionária para a transferência das ações e do controle da concessionária.

R$ 16,9 BILHÕES

O novo contrato de concessão da BR-163 no Estado prevê investimentos da ordem de R$ 16,9 bilhões pela concessionária vencedora do leilão ao longo de 30 anos.

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Conferência das Partes

PF age na COP15 em Campo Grande e fiscaliza segurança privada do evento

Polícia Federal tanto compõe e estrutura esquema especial de segurança, quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais

26/03/2026 09h44

Agentes estão  empregados de forma estratégica e preventiva

Agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional".  Reprodução/PF/CS.SRMS

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Até o próximo domingo (29), a Polícia Federal atua e também fiscaliza a segurança privada da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada no espaço Bosque Expo em Campo Grande. 

Nessas duas frentes, a PF tanto compõe e estrutura um esquema especial de segurança quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais. 

Durante essa semana acontecem ações de fiscalização dos vigilantes privados que atuam durante a Conferência, que basicamente garantem que toda a segurança contratada da COP15 "esteja de acordo com a legislação vigente". 

Como bem esclarece a PF, através do setor de comunicação social da superintendência regional em Mato Grosso do Sul, essa fiscalização da segurança privada é essencial em eventos de grande porte, garantindo um ambiente seguro e regulado para servidores, público e os profissionais que realizam o evento. 

Esquema de segurança

Além de fiscalizar a segurança privada, o emprego das chamadas equipes especializadas do Comando de Operações Táticas (COT) estrutura um esquema especial responsável por reforçar as ações preventivas e proteger as autoridades e delegações participantes. 

Dessas medidas, por exemplo, cabe destacar que esses agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional". 

Ou seja, esses agentes do Comando de Operações Táticas (COT) trabalham a todo o tempo durante a COP15 com objetivo de identificar e de neutralizar eventuais ameaças. 

"A atuação envolve vigilância qualificada, posicionamento tático em locais estratégicos e capacidade de pronta resposta a incidentes que podem comprometer a segurança das autoridades, das delegações estrangeiras, do público e das estruturas relacionadas ao evento", complementa a PF em nota.

Além disso, como bem acompanha o Correio do Estado, até mesmo "fuzis anti drones" estão sendo usados pela Polícia Federal durante a COP15, para inclusive neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

É importante esclarecer que há protocolos específicos para inclusive resposta imediata, por isso a PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15.
 

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Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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