A tradicional missa e procissão pelos tapetes de Corpus Christi reuniu milhares de fiéis na tarde desta quinta-feira (4), em Campo Grande. A Polícia Militar estimou o público em 30 mil pessoas durante todo o dia, contando desde as pessoas que compareceram para a montagem dos tapetes pela manhã, quanto os que participaram apenas da missa, procissão e show.
As celebrações de Corpus Christi começaram pela manhã, com a confecção de tapetes, onde participaram 7 mil pessoas.
A missa, celebrada pelo arcebispo Dom Dimas Lara Barbosa, começou às 15h, na Praça do Rádio Clube, e teve a estimativa de 5 mil pessoas.
Na sequência, começou a procissão sobre os tapetes pela Rua 13 de Maio até a Fernando Côrrea da Costa, acompanhada por milhares de fiéis, onde houve o encerramento com benção e show do cantor católico Thiago Brado.
A solenidade, celebrada pela Igreja Católica, reuniu de crianças a idosos, com a presença massiva também de muitas famílias, assim como acontece todos os anos.
A psicanalista Nathallie Tinoco Vilhalva, 42 anos, é convertida a fé católica há cinco anos e desde então participa da celebração. Acompanhada do esposo e três filhos, de 9, 12 e 16 anos, destacou que o Corpus Christi é uma das principais celebrações da igreja e que participar é "reavivar a comunhão com Cristo".
"Uma vez ao ano, a comunidade católica de uma cidade se reúne em praça pública para a manifestação dessa fé e para comungar desse pão que é Jesus Cristo. Um amor tão grande, num pedacinho de pão tão pequeno, para que nós possamos nos lembrar todos os dias que foi por nós que Ele morreu", disse.
Sobre a participação dos filhos, ela ressaltou a importância de manter a tradição em família, mas também de ensinar as crianças e adolescentes sobre o amor de Jesus.
"Não é só uma tradição, é levar para os nossos filhos que Jesus morreu por nós e que nós podemos contrar com esse amor", afirmou.
O gerente administrativo Arthur Ferreira da Silva, 28 anos, atualmente frequenta a Igreja Anglicana, mas diz ainda simpatizar com a fé católica e participar, eventualmente, das novenas no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Mesmo não sendo 100% praticamente, ele afirma que a celebração do Corpus Christi simboliza o sacríficio de Jesus pelo povo.
"Para nós que cremos em Cristo, o corpo e o sangue de Cristo presente na hóstia santa, no cálice consagrado, é o ápice da nossa fé. Estar aqui no dia de Corpus Christi, fazendo a memória do sacrifício dele e tomando para nós realmente estes símbolos que ele nos deixou, o pão e o vinho, que agora são o corpo e sangue de Cristo, é de extrema necessidade, é fundamental para a manutenção da fé", contou.
O engenheiro civil Edmar Bozelli, 64 anos, participante ativamente das atividades da igreja, junto com a esposa, que é catequista, e disse que o Corpus Christi é uma marco importante.
"É uma data importante para a gente comemorar e relembrar a passagem dessa data que celebra a comunhão com Cristo"
Corpus Christi
Na religião católica, no dia de Corpus Christi é celebrado o Mistério da Eucaristia e o Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo.
A celebração é uma referência à Quinta-feira Santa, quando se deu a instituição da Eucaristia, durante a Última Ceia de Jesus Cristo com os Apóstolos.
É uma homenagem à eucaristia. Esse sacramento do catolicismo é realizado como uma forma de relembrar a morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Neste sacramento, o pão que é consumido representa o corpo de Cristo, e o vinho ingerido simboliza o sangue de Cristo.
A realização da eucaristia é uma referência à Última Ceia, realizada por Cristo com seus discípulos durante a Semana Santa, e à ordem de Cristo (conforme a simbologia citada) de consumir o pão e o vinho em sua memória.
Ainda dentro da teologia católica, acredita-se que na eucaristia ocorre algo conhecido como transubstanciação, no qual os elementos (hóstia e vinho), após serem consagrados, transformam-se, em essência, na carne e no sangue de Cristo.
Em 2020 e 2021, a tradicional celebração do Corpus Christi foi adaptada, devido à pandemia de Covid-19.
Em 2020, não houve procissões e confecção de tapetes e as missas foram realizadas on-line, com transmissão ao vivo pelas redes sociais.
Já em 2021, os tapetes foram confeccionados pelas pastorais, dentro do pátio das Igrejas e não nas ruas. As celebrações foram realizadas presencial e à distância e as procissões foram apenas em carreata.
A partir de 2022, a missa e a procissão voltaram às ruas, mas com mudança de local. Tradicionalmente, a missa era realizada na rua 14 de Julho, esquina com a Mato Grosso, e a procissão sobre os tapetes percorria a 14 de Julho até a Fernando Côrrea da Costa.
Com a revitalição da 14, a missa passou a ser realizada na Praça do Rádio Clube, com procissão percorrendo trecho da Afonso Pena e rua 13 de Junho, até a Fernando Côrrea da Costa, onde há benção e show.









