Cidades

CAMPO GRANDE (MS)

Sete mil fiéis se reúnem para montar um quilômetro do tapete de Corpus Christi

Famosos tapetes reúnem cores, desenhos, ilustrações e imagens e são feitos com pedrinhas, sal, sal grosso, serragem, areia e pó colorido

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Feriado de Corpus Christi é celebrado nesta quinta-feira (4) em todo o Brasil.

De acordo com o coordenador pastoral, padre Cleber Rosa, 7 mil fiéis, de 48 paróquias e 280 comunidades, se reuniram para confeccionar 1.121 metros do famoso tapete de Corpus Christi, na manhã desta quinta-feira (4), nas avenidas Afonso Pena, 13 de Maio e Fernando Corrêa da Costa, em Campo Grande.

Expressão latina que significa "Corpo de Cristo", a data é uma comemoração litúrgica das igrejas Católica Apostólica Romana e Anglicana que ocorre na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes.

É marcada por celebrações religiosas, confecção do famoso tapete, missas, procissão, visitas a hospitais e presídios, shows e bênçãos.

A confecção dos tapetes é uma tradição católica popular que simboliza a preparação e o caminho que os fiéis devem percorrer para receber o Corpo de Cristo durante a Eucaristia, que é o cerne das celebrações de Corpus Christi.

Os tapetes reúnem cores, desenhos, ilustrações e imagens. São postos no asfalto, geralmente em avenidas importantes da cidade, e feitos de pedrinhas, sal, sal grosso, serragem, areia, café e pó coloridos. Cada paróquia apresenta seu tema, desenho e material.

Confira o trajeto dos tapetes e os detalhes da metragem de cada paróquia:

Milhares de fiéis madrugaram, chegaram cedo, levaram café da manhã e apostaram na caixa de som com música gospel para animar a montagem do tapete.

Padre Luiz Gustavo Winkler, da Paróquia São José da Anchieta. Foto: Naiara Camargo

Padre, Luiz Gustavo Winkler, levou 40 fiéis da Paróquia São José de Anchieta (bairro Piratininga), para confeccionar tapetes e celebrar a data religiosa, no centro de Campo Grande.

"Hoje é aquele dia em que o católico de Campo Grande acorda mais cedo e não é para nós um feriado qualquer. Acordar mais cedo para nós hoje é uma alegria. Acordei 6 horas da manhã para estar aqui às 7 horas com a minha paróquia e com toda a arquidiocese e confeccionamos tapetes", contou.

Para o padre, a data de Corpus Christi significa fé. “É uma data muito importante para nós dizermos a Campo Grande, ao Mato Grosso do Sul, ao mundo que acreditamos na Eucaristia. Hoje é um dia que nós, como cristãos católicos, publicamente mostramos a nossa fé, que cremos na Eucaristia, que é o corpo e sangue de Cristo, então é uma data onde nós saímos às ruas, na parte da manhã, tradicionalmente aqui em Campo Grande confeccionamos os tapetes, e na parte da tarde celebramos a Eucaristia e saímos em procissão com o corpo e sangue de Cristo, mostrando nossa fé publicamente", complementou.

Fiéis da Paróquia São Leopoldo Mandique, comunidade Santa Luzia, bairro Vivendas do Parque. Foto: Naiara Camargo

Empresária, Carol Oliveira Camargo, pertence a Paróquia São Leopoldo Mandique, comunidade Santa Luzia (bairro Vivendas do Parque). Neste ano, o desenho de sua paróquia, no tapete, abrange a bandeira do País.

"A gente trouxe a bandeira do Brasil representando esse período que Jesus está caminhando no meio de nós. Então acho que é um momento muito importante que a gente se une aqui com os irmãos para a gente poder fazer o nosso tapete e agradecer a Deus por esse dia", afirmou.

Padre Vander Casemiro, da Paróquia Santa Luzia (bairro Santa Luzia), ressaltou a importância da data para o catolicismo.

Padre Vander Casemiro, da Paróquia Santa Luzia (bairro Santa Luzia). Foto: Naiara Camargo

"Essa data, além de celebrar a Eucaristia, representa também a unidade da Igreja, a unidade das comunidades, é um momento forte que marca também a passagem de Jesus e Eucarístico entre nós. Então, sem dúvida, é um momento muito importante para a nossa fé católica", disse.

Neste ano, o desenho do tapete, da Paróquia Santa Luzia, é um jardim de flores. "Nos, 200 pessoas da nossa pároquia, estamos aqui hoje usando cerca de mil quilos de sal grosso tingido em 22 metros de tapete. Os preparativos eles tiveram início há um mês atrás. Então nós tivemos duas equipes trabalhando, uma equipe no tingimento do sal e uma equipe no desenho. E essas equipes envolvem desde criança até os idosos", finalizou.

RENDA EXTRA

Vendedores ambulantes aproveitam o feriado de Corpus Christi para tirarem um ‘dinheirinho extra’ aos arredores do famoso tapete, na manhã desta quinta-feira (4), no centro de Campo Grande.

Diferente da maioria dos trabalhadores, nada de descansar no feriado. É hora de faturar uma renda extra. 

Lucineia Vilagra, vendedora pipocas no centro de Campo Grande. Foto: Naiara Camargo

Carrinhos/barracas de pipoca salgada/doce, cachorro quente, água de coco, água natural/gaseificada, algodão doce, churros, salgados, chipa e até de roupas de frio marcaram presença nas principais avenidas do centro da Capital.

Ambulante, Lucineia Vilagra, vende pipocas e afirmou que os feriados rendem mais dinheiro do que dias normais.

"Meu ponto de venda é na 14 de Julho, esquina com Marechal Rondon. Eu acredito que o movimento aqui hoje vai ser bom, bem melhor, porque o centro está muito parado, o centro morreu. Em dias normais, vendo R$ 110 - R$ 200, e, em feriados, chego a vender até R$ 700 - R$ 800", contou.

Geralmente, os feriados que mais dão dinheiro para a classe são Corpus Chrsti, Independência do Brasil (7 de setembro) e Aniversário de Campo Grande (26 de agosto).

PROGRAMAÇÃO

Confira a programação do feriado de Corpus Christi em Campo Grande:

  • Confecção dos tapetes: a partir das 5h30min, ao longo da Avenida Afonso Pena (a partir da Praça do Rádio), Rua 13 de Maio e Avenida Fernando Corrêa da Costa, encerrando em frente ao Memorial da Cultura (antigo Fórum)
  • Visita do Santíssimo Sacramento: às 9h, com passagem por hospitais, UNEIs e penitenciárias, levando a presença de Cristo aos lugares de dor
  • Santa Missa: às 15h, na Praça do Rádio Clube
  • Procissão: logo após a Santa Missa – rota: avenida Afonso Pena > Rua 13 de Maio > avenida Fernando Corrêa da Costa
  • Show: à noite, com música gospel, louvor, oração e alegria

CORPUS CHRISTI

Corpus Christi significa Corpo de Cristo. É uma festa religiosa da Igreja Católica que tem por objetivo celebrar o mistério da eucaristia, o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo.

A festa de Corpus Christi acontece sempre 60 dias depois do Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, em alusão à quinta-feira santa quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia.

Ano Jubilar - O Ano Santo é celebrado a cada 25 anos e marca um tempo especial de perdão, reconciliação e renovação espiritual na Igreja. Em 29 de dezembro de 2024, a abertura da Porta Santa deu início ao Jubileu, que tem como lema "Peregrinos da Esperança".

Em Campo Grande, Corpus Christi é feriado desde 1967.

Operação Infiltrados

Advogada é presa em quadrilha de policiais traficantes em MS

Jéssica Santos foi alvo de prisão preventiva na Operação Infiltrados, que investiga desvio de drogas apreendidas por policiais; delegado também está entre os presos

24/09/2026 18h01

Inscrição da advogada na Ordem dos Advogados do Brasil

Inscrição da advogada na Ordem dos Advogados do Brasil reprodução site OAB

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A advogada Jéssica Santos é uma das pessoas presas na Operação Infiltrados, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) nesta quinta-feira (24), em Campo Grande e no interior de Mato Grosso do Sul. Contra Jéssica, apurou o Correio do Estado, pesa um mandado de prisão preventiva por integrar uma quadrilha chefiada por policiais que traficavam as drogas que apreendiam.

No grupo, há até delegado de polícia, caso de Hoffman D’Ávila Cândido Souza, titular da 6ª Delegacia de Campo Grande, mas que ficou mais de cinco anos, de 2019 a fevereiro de 2026, na titularidade da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico de Campo Grande (Denar), divisão policial que, justamente, deveria combater o tráfico de entorpecentes.

A participação de Jéssica não foi detalhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O Correio do Estado apurou, contudo, que ela tem um escritório de advocacia em sociedade com o marido — que não é investigado — e que teria um familiar envolvido com o narcotráfico.

Em uma busca no banco de processos criminais, o Correio do Estado encontrou processos em que Jéssica defende acusados de tráfico presos pela Denar.

Alvo de prisão preventiva, Jéssica está reclusa no Presídio Militar de Campo Grande pelo fato de ser advogada. O cumprimento do mandado de prisão contra ela foi devidamente acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS), que deve abrir processo ético-disciplinar contra a suspeita.

Por ter uma filha bebê, a expectativa é que Jéssica ingresse, nas próximas horas, com um pedido de relaxamento da prisão na Justiça.

Policiais traficantes

A Operação Infiltrados, do Gaeco, foi às ruas para cumprir 24 mandados de prisão preventiva nesta quinta-feira (24), dois mandados de prisão temporária e ainda 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.

A investigação teve início depois de as equipes do Gaeco descobrirem um grande esquema de desvio de droga apreendida, especialmente cocaína, por policiais. As informações chegaram ao conhecimento do Gaeco durante as operações Traquetos e Blindspot.

O desvio das drogas apreendidas ocorria por meio da omissão dos policiais ao realizarem os registros formais das ocorrências de parte da droga efetivamente arrecadada ou até mesmo pela subtração da cocaína do depósito da delegacia.

Os policiais civis, então, repassavam a droga a traficantes que não atuam no serviço público, como eles, dando seguimento ao comércio ilegal.

Entre os presos, há um delegado da Polícia Civil, policiais civis, policiais militares e um policial penal.
 

Trânsito

Sem solução provisória, MS-040 pode ficar até 60 dias sem caminhões

Restrição nos km 205 e 223 já chega ao 20º dia, enquanto concessionária ainda não definiu quando tráfego pesado será liberado

24/09/2026 18h00

Trecho da MS-040

Trecho da MS-040 Reprodução/PMRMS

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A MS-040 pode permanecer por até 60 dias com o tráfego de caminhões e outros veículos pesados restrito nos quilômetros 205 e 223, mas, 20 dias após o início das intervenções nas pontes, ainda não há uma solução provisória nem prazo definido para a retomada do fluxo normal. Em resposta ao Correio do Estado, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems) informou as alternativas disponíveis para o transporte de cargas, mas não apontou uma data para a liberação do trecho.

As intervenções começaram no início de setembro e impedem a passagem de caminhões e outros veículos pesados pelas duas estruturas. Para os demais veículos, o tráfego permanece em sistema de Pare e Siga. A orientação para o transporte de cargas é utilizar principalmente a BR-267, enquanto outras rotas também são indicadas conforme a origem e o destino.

O problema é que o desvio já mostrou, na prática, as dificuldades provocadas pela retirada dos caminhões da rota original. Na quarta-feira (23), carretas ficaram atoladas em uma estrada de terra no km 172 da MS-040 durante uma interdição. Os veículos teriam sido orientados a seguir pelo desvio e acabaram bloqueando a passagem nos dois sentidos. A Caminhos da Celulose indicou a BR-267 como alternativa para os veículos pesados.

A situação também deixou de ser apenas uma questão de obra. Em 18 de setembro, moradores, produtores rurais e transportadores bloquearam a MS-040 em Santa Rita do Pardo para protestar contra a restrição, que já havia chegado à segunda semana.

Trecho da MS-040

Desde o início das intervenções, a concessionária informou que os serviços nas pontes poderiam durar entre 30 e 60 dias. O prazo, porém, não significa que exista uma data definida para o retorno dos caminhões, já que a previsão está relacionada à duração dos trabalhos de manutenção.

É justamente nesse intervalo que permanece a principal questão: se a obra pode avançar por até dois meses, que medida será adotada para evitar que o transporte de cargas fique submetido durante todo esse período às rotas alternativas?

A cobrança ganhou força nesta semana, quando o deputado estadual Pedro Arlei Caravina levou o caso à Assembleia Legislativa e pediu informações sobre os laudos que fundamentaram a restrição, o cronograma das intervenções e a possibilidade de instalação de uma ponte provisória para liberar os veículos pesados. O parlamentar também relatou ter recebido da concessionária a informação de que uma nova avaliação seria feita no dia 25.

A possibilidade de uma estrutura provisória é especialmente relevante porque permitiria separar duas questões: a necessidade de executar o serviço nas pontes e a necessidade de manter o corredor de cargas funcionando. Até agora, porém, não há confirmação de que uma ponte móvel ou outra alternativa temporária será instalada.

ROTAS

Questionada pelo Correio do Estado sobre a situação, a Agems informou as alternativas disponíveis para os veículos pesados e os procedimentos de acompanhamento da concessão. A agência, no entanto, não apresentou uma data para a normalização do tráfego nos dois pontos.

A cada dia de restrição, caminhões são retirados de um dos principais corredores utilizados entre Campo Grande, Santa Rita do Pardo e a região da divisa com São Paulo, enquanto produtores e transportadores precisam absorver os custos e dificuldades das rotas alternativas.

A própria Agems destaca, desde o início da concessão, que acompanha a execução do contrato e fiscaliza as obras da Rota da Celulose. A concessão reúne 870,3 quilômetros de rodovias e prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos.

Na prática, porém, a questão que permanece sem resposta é objetiva.

O Correio do Estado procurou a Caminhos da Celulose para saber quais serão os próximos passos. Até a publicação, não houve resposta.

 

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