Cidades

Investigação

CGU aponta suposta corrupção com verba do orçamento secreto em MS

Possível superfaturamento foi verificado em sete prefeituras de Mato Grosso do Sul, que receberam recursos de emendas parlamentares RP9 e tiveram recursos federais liberados via Sudeco

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A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou possível sobrepreço na compra de caminhões e pás-carregadeiras e também na contratação de obras de engenharia em pelo menos sete prefeituras de Mato Grosso do Sul, com recursos federais repassados por meio das emendas parlamentares do tipo RP9, modalidade que ficou conhecida como orçamento secreto. 

Os valores dos convênios investigados pela CGU em Mato Grosso do Sul passam de R$ 27 milhões. O dinheiro federal constava no Orçamento de 2020 e foi viabilizado por meio da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).

Os contratos suspeitos para a compra de maquinário com verba da Sudeco via orçamento secreto se aproximam de R$ 2,5 milhões. 

O caso que mais chamou atenção dos técnicos ocorreu em Ladário, onde um caminhão de caçamba basculante de 12 m³, avaliado na época em R$ 368,1 mil, foi comprado por R$ 656,6 mil.

Também há suspeita de corrupção em contratos de obras de engenharia, e mais uma vez o convênio de valor mais vultoso está em Ladário. Um convênio de R$ 18,2 milhões para refazer a orla do município, na margem do Rio Paraguai, também tem suspeita de ter sido superfaturado, conforme apontaram os técnicos da CGU. 
Além de Ladário, o município de Douradina apresentou risco extremo de sobrepreço, conforme a CGU, na compra de maquinários. Enquanto as prefeituras de Itaporã, Chapadão do Sul e de Paraíso das Águas compraram maquinário com risco alto de sobrepreço. 

Quanto às obras de engenharia, além do projeto da Orla Fluvial de Ladário (que nunca foi concluída), mais três convênios viabilizados por parlamentares via emenda RP9 e Sudeco também foram investigados e considerados suspeitos. 

São contratos para infraestrutura urbana e pavimentação na cidade de Ladário, no valor de R$ 2,93 milhões, e de drenagem de águas pluviais e pavimentação nas cidades de Porto Murtinho (R$ 2 milhões) e Jaraguari (R$ 2,96 milhões). 

Além da suspeita de sobrepreço no convênio para a obra da orla em Ladário, também foram encontrados aditivos contratuais acima do permitido por lei nas cidades de Jaraguari e Ladário, além da verificação de itens sem correspondência nas tabelas Sicro e Sinapi, que servem de referência para a contratação de serviços de engenharia.

Máquina mais cara 

Na aquisição de máquinas por meio de emendas parlamentares do orçamento secreto, as emendas RP9, o maior possível sobrepreço ocorreu em Ladário: R$ 288,4 mil. Essa é a diferença de valores na compra de um caminhão de caçamba basculante, que custava R$ 368,1 mil, mas cujo valor pago é 78% maior: R$ 656,6 mil. 

O segundo maior possível sobrepreço foi verificado em Douradina, onde uma pá-carregadeira custou R$ 494,4 mil, mas cujo preço referencial era de R$ 386,4 mil, diferença de 29%. 

Já em Itaporã, a compra de uma pá-carregadeira custou 19% a mais. O bem comprado por R$ 486 mil teve o preço referência da CGU estabelecido em R$ 407 mil. 

Em Chapadão do Sul, a aquisição de um caminhão de caçamba basculante, que a CGU tem como preço de referência R$ 375,4 mil, custou 21% a mais: R$ 453 mil. 

Em Paraíso das Águas, outro caminhão do mesmo tipo foi comprado com emenda RP9 liberada via Sudeco, com possível sobrepreço de 16%. O veículo, que custava R$ 368,1 mil, custou R$ 427 mil aos cofres públicos. 

A Sudeco não justificou nenhuma das irregularidades encontradas da CGU, apenas informou que elas serão respondidas dentro do prazo. 

Desvio de função

A CGU também apontou que a liberação de recursos da Sudeco via emendas RP9 para obras de infraestrutura e aquisição de máquinas contrariou o Plano Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), diretriz que a superintendência deveria seguir. 

As linhas estavam enquadradas em planos de médio e longo prazo, tais como “desenvolvimento produtivo; ciência, tecnologia e inovação; educação e qualificação profissional; desenvolvimento social e acesso a serviços públicos essenciais; e fortalecimento das capacidades governativas dos entes federativos”. 

“Não obstante a compatibilidade dos convênios com os eixos de intervenção da PNDR e com os programas prioritários previstos no PRDCO 2020 – 2023, observa-se que não foram alocados recursos de emendas do tipo RP9 em ações importantes e prioritárias, como o fortalecimento das capacidades estatais dos entes federativos para democratização e melhoria da gestão pública; ações de ciência, tecnologia e inovação visando ao aprimoramento da educação; e o fortalecimento do sistema de pesquisa e desenvolvimento”, explicou a CGU.

“Os objetos dos convênios verificados indicam que foram privilegiados projetos voltados para problemas que requerem ações imediatas, em detrimento de políticas e programas de longo prazo, e que, consequentemente, necessitam de investimentos contínuos para atingirem os resultados esperados”, concluiu.

 

Momentos de Tensão

Homem morre após atirar contra PM, invadir casa de idosa e ser baleado em MS

Um dos tiros atingiu o colete de um policial; suspeito entrou em residência durante tentativa de fuga e morreu após ser socorrido em Bataguassu.

15/09/2026 18h28

Wesley morreu após ser baleado durante uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar em Bataguassu.

Wesley morreu após ser baleado durante uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar em Bataguassu. Foto: Reprodução Redes sociais.

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Um homem identificado como Wesley morreu após um confronto com policiais militares em Bataguassu, depois de ser denunciado por moradores por supostamente andar armado pelas ruas, ameaçar pessoas e efetuar um disparo em via pública. Durante a ocorrência, ele ainda teria atirado contra a equipe policial e invadido a casa de uma idosa na tentativa de fugir.

De acordo com as informações iniciais, a Polícia Militar foi acionada depois que moradores relataram a presença de um homem armado no bairro.

Segundo testemunhas, Wesley caminhava pela região com um revólver, apontava a arma para pessoas que estavam na rua e dizia em voz alta que mataria alguém.

Antes mesmo da chegada da viatura, vizinhos ouviram um disparo. Os relatos feitos aos policiais indicavam que o homem continuava armado e ameaçando quem passava pelo local.

A situação se agravou quando a equipe da Polícia Militar chegou à região. Conforme as informações preliminares da ocorrência, Wesley percebeu a aproximação da viatura e efetuou disparos contra os policiais.

Um dos tiros atingiu o colete à prova de balas de um dos integrantes da equipe. O policial não foi atingido diretamente pelo projétil.

Na sequência, Wesley tentou escapar e correu em direção a uma residência localizada na Rua Diamantino, esquina com a Rua 13 de Outubro.

No momento da fuga, uma idosa deixava o imóvel. Wesley teria aproveitado a abertura da residência para entrar na casa, enquanto os policiais acompanhavam a movimentação.

Diante da possibilidade de a idosa ser mantida como refém, ela foi retirada da residência e deixou o imóvel em segurança. Durante o restante da ocorrência, a moradora permaneceu em uma casa próxima, onde recebeu apoio de vizinhos.

Com a moradora fora do imóvel, os policiais prosseguiram com a intervenção. Segundo a versão inicial apresentada pela Polícia Militar, houve um novo confronto dentro da residência, e dois disparos efetuados pela equipe atingiram Wesley.

Mesmo depois do confronto, o homem foi socorrido pelos próprios policiais e encaminhado ao pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de Bataguassu. Ele, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Com Wesley, foi apreendido um revólver calibre .38 Special, que deverá passar pelos procedimentos periciais relacionados à investigação.

A área onde ocorreu o confronto foi isolada para preservar a cena. Peritos do Núcleo de Perícias de Bataguassu estiveram no endereço e realizaram os levantamentos necessários para auxiliar na apuração das circunstâncias da morte.

A idosa que teve a residência invadida não ficou ferida e permaneceu em uma casa próxima durante o atendimento da ocorrência. A avó de Wesley também mora na mesma quadra, na Rua 13 de Outubro.

Investigação vai apurar origem da arma

As circunstâncias da ocorrência deverão ser investigadas, incluindo a dinâmica dos disparos efetuados antes e durante a intervenção policial.

Entre os pontos a serem esclarecidos está a origem do revólver calibre .38 encontrado com Wesley. A investigação também deverá buscar identificar quem seria a pessoa que ele supostamente ameaçava matar antes da chegada dos policiais.

O histórico policial de Wesley também deverá integrar a apuração. Conforme as informações disponíveis, ele já possuía registros anteriores envolvendo porte de drogas, dano, resistência, lesão corporal e violência doméstica.

Em um dos episódios anteriores, a avó de Wesley precisou ser hospitalizada depois de tentar defender a própria filha durante uma situação de agressão atribuída a ele. O episódio foi registrado na delegacia de Bataguassu e passou a integrar seu histórico policial.

Agora, além de esclarecer o que ocorreu dentro da residência, a investigação deverá confrontar os relatos dos policiais e das testemunhas com os elementos recolhidos pela perícia, incluindo a arma apreendida, para estabelecer a sequência dos disparos e as circunstâncias que terminaram com a morte de Wesley.

Saúde

Mais de 21 mil crianças já receberam vacina contra pneumonia em MS

Pneumo 20 passou a fazer parte do calendário infantil em 2026 e protege contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo

15/09/2026 18h00

Reprodução/Agência Brasil-Tomaz Silva

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Mais de 21,7 mil crianças menores de 5 anos já receberam a vacina Pneumo 20 em Mato Grosso do Sul desde o início da estratégia de vacinação, em junho. O imunizante passou a integrar o Calendário Nacional de Vacinação em 2026 e amplia a proteção contra doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, entre elas pneumonia e meningite.

No Brasil, mais de 1 milhão de crianças dessa faixa etária já foram vacinadas desde o início da estratégia. A Pneumo 20 protege contra 20 sorotipos do pneumococo e também oferece proteção contra otite média, que pode provocar complicações, inclusive perda auditiva.

A vacinação contra o pneumococo é voltada principalmente à prevenção das formas graves da doença, que podem evoluir para complicações e levar à internação, especialmente entre crianças pequenas.

Entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica no Brasil, com 1,4 mil mortes. A taxa de letalidade no período foi de 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram 589 casos e 187 óbitos.

Esquema de vacinação

A substituição da Pneumo 10 pela Pneumo 20 ocorre de forma gradual, enquanto os estoques da vacina anterior ainda são utilizados na rede pública. Por isso, o esquema infantil passa temporariamente pela combinação dos dois imunizantes.

Para crianças que estão iniciando a vacinação, a orientação é receber a Pneumo 20 aos 2 meses, a Pneumo 10 aos 4 meses e o reforço da Pneumo 20 aos 12 meses. O intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço é de 60 dias.

Crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10 não precisam receber uma dose adicional da Pneumo 20. Já aquelas que iniciaram a vacinação com Pneumo 13 ou Pneumo 15 na rede privada podem completar o esquema com a Pneumo 20 pelo SUS, respeitando os intervalos recomendados.

Após o fim dos estoques da Pneumo 10, todas as doses do esquema infantil passarão a ser feitas com a Pneumo 20.

Pais e responsáveis devem conferir a situação vacinal das crianças na caderneta de vacinação e procurar uma unidade de saúde caso haja alguma dose pendente. O histórico também pode ser consultado pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

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