Cidades

Ação preventiva

CGU barra superfaturamento na compra de refeições pela UFMS

Com três vezes menos alunos que a sede, em Campo Grande, restaurante universitário do campus de Três Lagoas vinha servindo mais refeições que na Capital

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A Controladoria-Geral da União (CGU) barrou o superfaturamento na compra de refeições para o Restaurante Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), no campus de Três Lagoas. Além disso, a CGU está investigando um possível superfaturamento no contrato antigo para a compra de refeições no restaurante.

O edital de licitação lançado no início deste ano pela UFMS previa que o restaurante do campus de Três Lagoas serviria um número superior ao do campus-sede, em Campo Grande. Enquanto a expectativa do edital era de que, ao final de 2025, o RU da cidade do interior tivesse servido 400.575 refeições, a sede, na Capital, teria servido 379.750.

Para efeito de comparação, o campus-sede em Campo Grande, segundo relatório da CGU, deve atender uma demanda de 17.020 pessoas (14.560 alunos e 2.460 servidores), enquanto o campus de Três Lagoas, o segundo maior da UFMS, deve ter uma demanda ajustada para 3.600 pessoas, soma dos 3.300 alunos e dos 300 servidores.

Em 2024, apesar de ser quatro vezes menor que a sede em Campo Grande, o RU de Três Lagoas serviu mais refeições que a Capital. Foram servidas, durante todo o ano passado, 226.183 refeições na unidade do interior do Estado, entre café da manhã, almoço e jantar. Já no RU da Capital foram 181.377 refeições.

Em Corumbá, que tem 2.220 alunos (1,1 mil a menos que Três Lagoas), foram servidas 45.273 refeições durante todo o ano de 2024, e a perspectiva era de 88 mil para este ano — números muito distantes dos previstos para Três Lagoas.

A desproporcionalidade na compra de refeições para o Restaurante Universitário de Três Lagoas era tamanha que a previsão orçamentária para o campus era de R$ 4,67 milhões, enquanto em Campo Grande, sede da universidade federal, as refeições do RU custariam R$ 4,42 milhões.

“Assim, conclui-se que as quantidades de refeições previstas no edital do Pregão 90.001/2025 não estão atreladas ao número de alunos matriculados, estando, no caso específico do campus de Três Lagoas, desproporcional essa relação (refeições x alunos)”, argumentaram os controladores da União em relatório.

Suspeita de superfaturamento

Outro ponto questionado pela CGU foi a planilha de custos, que não previa margem de lucro para as empresas participantes e também não atualizava os preços de referência pelo índice inflacionário do período. Essas falhas poderiam distorcer o equilíbrio econômico do contrato e favorecer possíveis práticas de superfaturamento.

Diante das inconsistências, a UFMS foi recomendada a suspender cautelarmente tanto o contrato em vigor no campus de Três Lagoas quanto a licitação em andamento, além de revisar os cálculos para adequar a quantidade de refeições ao número real de estudantes atendidos.

Licitação anulada e nova economia

Após a intervenção, a UFMS anulou o pregão inicial e refez os cálculos com nova metodologia. O valor da contratação caiu de R$ 10,6 milhões para R$ 7,1 milhões, gerando uma economia de R$ 3,5 milhões aos cofres públicos.

Um novo edital (Pregão nº 90.014/2025) foi lançado, mas o processo ainda passa por ajustes devido à inabilitação da empresa vencedora por pendências no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).

Investigações em andamento

Além da anulação do pregão, a CGU investiga indícios de superfaturamento no contrato anterior que mantinha o fornecimento de refeições em Três Lagoas. O caso também foi comunicado ao Tribunal de Contas da União (TCU), que pode aplicar sanções às empresas envolvidas.

O Correio do Estado procurou a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que enviou a seguinte nota:

"O Novo Restaurante Universitário (RU) da UFMS de Três Lagoas está em funcionamento e oferece, desde o dia 8 de setembro, café da manhã, almoço e jantar. A abertura é decorrente de nova licitação, realizada após a detecção, pela UFMS, de indícios de irregularidades, comunicadas à CGU, à Polícia Federal e ao MPF."

Comparações prevista no edital lançado pela UFMS no início deste ano: 

Campus Campo Grande

  • 14.560 alunos + 2.460 servidores = 17.020 pessoas
  • Previsão de refeições: 379.750

Campus Três Lagoas (CPTL)

  • 3.300 alunos + 300 servidores = 3.600 pessoas
  • Previsão de refeições: 400.575

Campus Corumbá (CPAN)

  • 2.220 alunos + 160 servidores = 2.380 pessoas
  • Previsão de refeições: 88.200

Campus Aquidauana (CPAQ)

  • 1.750 alunos + 120 servidores = 1.870 pessoas
  • Previsão de refeições: 49.000

* Atualizado às 19h25min, para inclusão da versão da UFMS

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Cidades

Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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