Cidades

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Chimpanzés usam o dobro de gestos do que se conhecia, diz estudo

Chimpanzés usam o dobro de gestos do que se conhecia, diz estudo

BBC Brasil

08/05/2011 - 19h28
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Chimpanzés selvagens usam pelo menos 66 gestos diferentes para se comunicar entre si, o dobro do que se conhecia anteriormente, de acordo com cientistas.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de St. Andrews, na Escócia, gravou em vídeo um grupo de animais com o objetivo de decifrar seu "repertório gestual".

O time estudou 120 horas de gravações dos chimpanzés interagindo, investigando sinais de que os macacos estavam intencionalmente sinalizando uns para os outros. A descobertas foram publicadas na revista científica Animal Cognition.

Estudos anteriores com chimpanzés em cativeiro indicavam que os animais tinham cerca de 30 gestos diferentes.

"Isto mostra um repertório bastante grande", disse à BBC a chefe da pesquisa, Catherine Hobaiter.

"Achamos que as pessoas anteriormente estavam vendo somente frações disto, porque, quando você estuda os animais em cativeiro, você não vê todo o seu comportamento", diz a cientista.

"Você não os vê caçando, levando as fêmeas embora durante a 'corte' ou encontrando grupos vizinhos de chimpanzés".

Hobaiter passou 266 dias observando e filmando um grupo de chimpanzés em uma estação de conservação em Budongo (Uganda).

"Passei dois anos estudando estes animais, então eles me conhecem", afirma. "Eu os segui pela floresta e eles simplesmente me ignoraram por completo, levando suas vidas cotidianas".

Ela e seu colega Richard Byrne escrutinaram as gravações e separaram cada gesto distinto em categorias.

Eles procuraram sinais claros de que os animais estavam fazendo movimentos deliberados que pretendiam gerar uma resposta do outro animal.

"Nós tentamos ver se o animal que fazia o gesto estava olhando para o seu público", disse Byrne. "E nós prestamos atenção na persistência; se a sua ação não produzia um resultado, ele então a repetia".

A equipe ainda está estudando os vídeos para a próxima etapa de seu projeto - tentar descobrir o que cada gesto significa.

Para alguns destes gestos, o significado parece óbvio, talvez porque, como grandes primatas, nós fazemos movimentos parecidos. Um chimpanzé acena para outro membro do grupo, ou um jovem macaco cumprimenta o outro para convencê-lo a brincar.

Dicionário de gestos

Em um trecho dos vídeos feitos por Hobaiter, uma mãe estende seu braço esquerdo na direção de sua filha.

"A mãe quer sair dali e faz o gesto para pedir que sua filha 'monte' nela", explica Hobaiter. "Ela poderia somente agarrar a sua filha, mas ela não o faz. Ela estende o braço e mantém o gesto enquanto espera uma resposta."

Quando a jovem começa a se aproximar, a mãe repete o gesto e acrescenta uma expressão facial - um "sorriso" bem aberto, a partir do que a filha "monta" e elas então deixam o local.

"Mas as ações muitas vezes têm efeitos que o seu autor não pretende", diz Byrne.

"Assim, para entender o significado pretendido, não adianta somente descobrir o efeito típico de um gesto. Nós temos que investigar que efeito faz o agente parar de gesticular e parecer satisfeito e contente com o resultado, para estar certo de que era aquilo que ele pretendia."

Os resultados forneceram dicas sobre as origens dos gestos dos chimpanzés, indicando que eles são um sistema comum de comunicação que permeia a espécie, em vez de cada movimento ser um hábito adquirido ou um ritual dentro de um grupo social.

Na verdade, ao comparar estas observações com as feitas com o gestos dos gorilas ou dos orangotangos, os pesquisadores mostraram que havia uma sobreposição significativa dos sinais usados pela família dos grandes primatas.

"Isto sustenta a nossa crença de que os gestos usados pelos macacos (e talvez alguns gestos humanos também) são derivados da antiga linhagem compartilhada por todas as espécies de grandes primatas existentes hoje", diz Hobaiter.

DOURADOS

Irmãos colocam dedo no peito de policial e ameaçam vizinha em MS

A discussão começou por causa de um som automotivo na noite deste sábado (13)

13/09/2026 12h00

O caso foi registrado na Depac-Dourados

O caso foi registrado na Depac-Dourados Foto: Divulgação/PCMS

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Dois irmãos, identificados Franklim Lima Parron Garcia e André Lima Parron Garcia, de 43 e 46 anos respectivamente, foram presos em flagrante após ameaçarem uma vizinha, que teria reclamado do som alto, e por desacatarem policiais militares durante o atendimento da ocorrência no bairro Jardim Rasslem, em Dourados.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para ir até a residência da vítima por volta das 22h50 deste sábado (12), para atender um caso de perturbação de sossego.

A vizinha relatou que estava em sua casa junto com seus filhos, sendo duas meninas, uma de 17 e outra de 9 anos, e um menino, de 14 anos, quando seu vizinho ligou o som automotivo em alto volume.

Ela relatou aos policiais que pediu para que Franklim baixasse o volume, mas ele teria aumentado ainda mais, pulado dentro de seu quintal e batido na porta repetidas vezes dizendo "abre aqui essa porta, você não é a gostosona, abre aqui".

A vítima relatou ainda que era possível ouvir o filho do vizinho gritando "pai não pula não, não faz isso pai" e depois "pai volta aqui, ela vai chamar a policia". Após a mulher se recusar a abrir a porta e Franklim ouvir ela chamando a polícia, ele pegou um tijolo e jogou em direção a sua porta.

Após ouvir o relato da vítima, os policiais foram até a casa de Franklim que teria se apresentado junto com André, relatando que estava testando o som automotivo quando a vizinha pediu para baixar o volume.

Enquanto os policiais faziam os procedimentos em relação ao suspeito, André ficou na calçada da vizinha com os braços cruzados e encarando a mulher que aguardava no portão de casa.

Os policiais teriam dado ordem para que ele saísse de lá porque a mãe e a filha estavam com medo. Neste momento, André se aproximou de uma militar dizendo "essa vizinha está se achando só porque é mulher, ela vai ver o dela".

Questionado pela policial sobre o que disse, teria apontado o dedo em direção a militar e falado "você é prevalecida só porque é mulher, vai à merda". Neste momento, foi dada voz de prisão ao homem, que desobedeceu e voltou para dentro da casa. Um reforço foi solicitado e quando Franklim ouviu que tinha mais viaturas vindo, chamou o irmão à frente.

Ao retornar estaria sorrindo e teria dito "vocês não sabem com quem estão mexendo, vocês vão se f*der".

Enquanto André estava sendo algemado, Franklim começou a gritar com a equipe policial perguntando "cadê as câmeras de vocês?" "vocês estão gravando?", momento em que ele colocou o dedo indicador no colete do policial, em tom ameaçador, dizendo "vocês estão ferrados".

Foi dada ordem para que Franklim se afastasse, porém foi desobedecida e novamente tentou colocar a mão no colete do policial. Após se recusar pela segunda vez, o homem foi preso.

Os dois foram levados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário para que seja investigado o caso, registrado como ameaça agravante em caso de vítima mulher, violação de domicílio, dano, desobediência, desacato e perturbação do trabalho ou sossego alheio.

CASO MASTER

PF aponta fraude de R$ 17 bilhões em operações entre Master e BRB

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça

13/09/2026 10h30

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram "estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos" e utilização de uma empresa de fachada.

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou. O Estadão não conseguiu contato até a noite de sábado (12) com os advogados de Costa.

Segundo a PF, "as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa".

Especificamente sobre o BRB, a PF apontou "prática de corrupção explícita" pelo ex-presidente da instituição e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez do banco.

O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.

Conforme as investigações, o banco de Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Foi, então, que, para conseguir recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito para o BRB.

Para concretizar a fraude, foi constituída a Tirreno, empresa suspeita de ser aberta para servir como veículo de emissão e circulação dos ativos. A Tirreno repassava créditos para o Master, que os vendia para o BRB.

O objetivo seria conferir lastro às transações previamente realizadas entre os dois bancos, pois o Master não possuía histórico ou capacidade operacional de produção de crédito consignado suficiente para alcançar os volumes bilionários das operações.

A aprovação das compras era feita pela diretoria do BRB com "trâmite frequentemente acelerado", contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao conselho de administração, segundos os relatórios da PF.

"Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master", dizem os investigadores da PF.

A polícia identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou uma propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique, operacionalizada por meio da aquisição de pelo menos seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. Foi essa informação que, em abril passado, levou o ministro André Mendonça a determinar a prisão do ex-presidente do BRB, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.

'Daniel e os leões'

Segundo a PF, Vorcaro tinha um grupo no WhatsApp com seus advogados para encaminhar documentos relativos ao Master e ao BRB. O grupo se chamava "Daniel e os leões".

Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos (como do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master).

A fraude envolveu também a fabricação de cláusulas nas quais se simulava que os clientes teriam dado poderes para o Banco Master ou para a Tirreno assinarem empréstimos em seus nomes, sem que os titulares jamais tivessem autorizado ou assinado qualquer procuração. Houve a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais provavelmente saíram 1.785 procurações enviadas ao BRB referentes a créditos supostamente originados pela Tirreno.
 

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